Yans Tales

2 Capítulo 1 - Meu nome não é Lodrys


Havia escurecido... Não tinha mais para onde correr... Estava estendido no chão, com um sabre apontando para meu pescoço... Eu sabia que poderia morrer ali mesmo, naquele lugar, úmido e esquecido pelo tempo, ninguém nunca notaria minha morte. Não havia ninguém para chorar em meu leito.

– Para quem trabalha? – era uma voz rígida e profunda, que penetrava a alma.

– Para ninguém.

– Mesmo... ouvi rumores que estava trabalhando para o Sr. Cinnabar.

– Parei de trabalhar para ele há an...

Nesse momento tudo ficou escuro, desde então não me lembro de mais nada. Só que acordei algum tempo depois, e estava preso em algum lugar.

Há alguns anos atrás, me encontrava preso em um lugar como este em que estou agora, mas, era muito menos assustador. Eu me lembro que…

Eu era jovem, estive desacordado por algum tempo, quando dei por mim… Era uma sala vazia, cheirava a mofo e a esquecimento. A única luminosidade que entrava vinha de uma pequena abertura no teto. Tentei caminhar até lá, não consegui, era como se minhas pernas não me obedecessem. Decidi então por fazer uma de minhas especialidades, Magia luminosa, para tal, tateei o chão em busca de uma pedra solta, foi difícil encontrá-la.

– Você, não pretende fazer uma magia luminosa aqui pretende?

Era uma voz fina e miúda, como se fosse de um pequeno rato… se é que ratos falam.

– Quem está aí? – perguntei, em som alto e claro, exigindo uma resposta.

– Lodryx, meu senhor, venho lhe observando há algum tempo.

– Me observando… em total escuridão?

– É uma das especialidades de minha espécie, meu amo.

– Revele-se, Agora.

– Não posso, estou preso, tal qual o senhor. Porém estou em uma pequena jaula, o que dificulta minha movimentação.

– Vou fazer uma magia luminosa, deve haver uma maneira de sair desse lugar.

– Não use, quer chamar a atenção dos Bíclopes?

– Bíclopes?

– Sim, eles são uns monstrengos feios e enormes, tem duas cabeças e dois olhos, um em cada cabeça, dizem por aí que o rei fez isso com alguns ciclopes, agora eles são sensíveis à luz, são os guardas dessa masmorra, a pedido do rei Colossos.

– Mas e o rei Alexander?

A criatura arranhou a garganta, pigarreou e, com uma voz trêmula, disse-me:

– Desaparecido… Ninguém sabe de seu paradeiro.

Olhei em volta, procurando a voz de Lodryx, era escuro de mais…

– Eles são sensíveis à luz de chamas?

– Talvez, não sei. Eu sou um mini-dragão, não uma enciclopédia de monstros ambulante.

– Mini-dragão? Como aqueles dados à pequenos aldeões que apresentam habilidade em alguma área militar?

– É; diga-me garoto, como veio parar aqui, como sabe evocar uma magia luminosa e cadê seu mini-dragão?

– Calma Lody-não-sei-o-que, uma pergunta de cada vez. Sou Yan de uma cidade distante daqui do castelo, eles iam prender meu pai por não pagar os impostos ao rei, fiquei bravo com o guarda e, como já havia aprendido um pouco de magia com uns pergaminhos velhos que tínhamos em casa, usei. Nunca me apresentei ao exército, apesar de os quatorze anos, por isso não tenho mini-dragão.

Fez-se silêncio por algum tempo, o escuro estava me consumindo e me deixando cada vez mais inseguro de o que fazer.

– Para começar, Yan, o nome é Lodryx, para facilitar-lhe, me chame Lory. E para completar… você é maluco? – essa atitude dele, feita com uma mudança brusca de volume de voz, me assustou de maneira que caí para trás no chão. – Eles têm permissão de matar qualquer um que se opor às ideias do rei.

– Desculpa Lory, mas, o que faremos para sair desse lugar?

– É uma torre, portanto, não podemos cavar, e se fugirmos, eles terão um castelo inteiro para nos pegar. Em outras palavras, não faço a mínima ideia.

– Tive uma ideia. – fui arrastando-me pelo chão até encostar-me a uma parede e seguindo por esta até uma porta de madeira, por sorte. Com a pequena pedra, que encontrara, na mão, fiz alguns riscos que são fáceis, apesar de no escuro, um pequeno feixe de luz se fez na porta, bem onde risquei.

– Nomes, por favor. – era uma voz que já conhecia, mas ainda assim, me assustava sempre. Era uma voz feminina e suave, mas que penetrava em seus pensamentos e fazia gelar a espinha.

– Yan Meltice e Lodrys.

– Um dos nomes não confere.

– Droga Yan, meu nome não é Lodrys é Lodryx.

Esse incidente foi o bastante para que a luminosidade chamasse a atenção dos Bíclopes que guardavam nossa cela.

A porta fora escancarada, a luz que vinha da escadaria, atrás da porta, era tão intensa, depois de algum tempo sem luz, que acabava por me cegar. Dela, dois seres monstruosamente grandes, entravam, cada um com suas duas cabeças, e dois braços cada um dos dois Bíclopes. Em uma das mãos, um porrete do tamanho de meu tronco, e na outra, uma tocha.

– O que e faço Lory?

– Agora? Eu é que vou saber? Você deu chance deles entrarem, se vira abra-kazan.

– Se é assim que o jogo vai ser…

Irritado com essa provocação, corri ao outro lado da cela, perto da gaiola de Lory, agora eu sabia onde estava ele. Com a pedra risquei na parede o mesmo que antes, mas tive uma ideia melhor.

– Nomes, por favor.

– Bíclopes, servos, do rei Colossos e que estão bem à nossa frente.

– Destino, por favor.

– Exílio eterno.

– Nomes não conferem, porém, descrição aceita, Obrigada por usar nossos serviços e cuidado com o portal.

Um vento forte surgiu, puxando na direção do portal aberto por mim, os Bíclopes não conseguiram se segurar em nenhum lugar e, embora o grande tamanho e força, foram sugados para o portal.

– Yan, você pode me explicar, por que o portal que você faz, tem uma mulher que fala igual a uma secretária?

– Foi a pedido do conselho dos magos, havia uso excessivo e sem controle de localização.

– Agora, o que vamos fazer?

– Vamos, Lory? Não sei você, mas eu vou embora.

– Você não faria isso com um mini-dragão dando sopa por aqui, não é?

– Lory, você não quis me ajudar quando mais precisei de você, por que deveria te trazer comigo?

– Eu sei sobre muita coisa de muitos monstros por aí.

Fiquei quieto e comecei a riscar um portal.

– Não foi o bastante? Deixe-me ver… também sei tocar flauta… com o nariz.

Comecei a gargalhar quando ele mostrou-me uma flautinha improvisada, feita de ferro, e começou a tocar, com o nariz.

– Nomes, por favor.

– Yan Meltice… e Lodryx, o mini-dragão tocador de flauta nasal.

– Nomes conferem; destino, por favor.

– Vilarejo Lagunamoon.

– Destino aceito, obrigado por usar nossos serviços.

Foi Assim que conheci Lory, o melhor companheiro de viagem que existe em todo o planeta. Assim é que minha história começa.