Yami e Suas Escravas
1 Sou eu
Notas iniciais
A casa era amarela, nunca gostei de amarelo, só reparei nisso no segundo dia após a mudança. Naquele lugar que considerava infernal, os dias eram claros e quentes. O vento estava parado, preguiçoso,tornando o dia ainda mais quente, eu acabara de acordar, meu pai estava em casa descansando da longa viagem noturna de 200km, apenas eu, meu irmão e minha mãe estavamos acordados. A maldita cidade que hoje gosto de lembrar, Limeira, interior de São Paulo. A mudança havia sido rápida e repentina. A empresa do meu pai mudara sua sede de Mauá no Grande ABC para Limeira interior de São Paulo, e com isso, levando muitos de seus funcionários, entre eles meu pai, que para não perder o emprego teve de se mudar para lá.
Tomei café lentamente. Era domingo, amanhã eu já deveria ir para a escola, porém naquele domingo teria de enfrentar outro sofrimento: a igreja, nunca gostei muito de ir a igreja, atualmente detesto, a hipocrisia do lugar me causa uma crise de ascos.
A sim esqueci de me apresentar, minha apresentação para você será simples e direta, meu nome: Whiskas Sachê (não, não sou um gato,) meu verdadeiro nome não posso falar, segredo, 80% das pessoas que me conhecem não sabem meu verdadeiro nome, e não por causa de uma redação que irei mudar minha natureza, as pessoas me conhecem como Yami. Mas para você Whiskas é o suficiente, um nome perfeito para mim a quem o destino me concedeu muitos amigos, e, estes que pouco a pouco vão me devorando, eliminando por completo meu próprio ser que aos poucos deixa de existir. Por isso, escrevo, para regenerar um pouco da minha alma agora digerida e transformada em merda de animais domésticos.
やみ てんし アンジォ
O dia passou silencioso e rápido, nós desfaziamos as malas de viagem da noite anterior, preparavamos nossas roupas sociais para a igreja, e nos aprontavamos nervosamente para sermos recebidos pela comunidade da igreja, para mim um longo domingo desperdiçado em coisas inúteis ou sem qualquer significado.
Infelizmente a noite havia chegado, entramos na igreja, era pequena, havia pequenas aberturas nas paredes, com o intuito de refrescar o ambiente abafado e quente, quando entramos, eu, meu irmão e meu pai, se separamos de nossa mãe que logo foi para a parte das mulheres no culto, meu pai era uma pessoa seca e ás vezes um pouco frívola havia se casado com minha mãe ainda jovem, e a família de minha mãe o “convenceu”, a se tornar membro da igreja, hoje ele tocava violino na orquestra da igreja.
Por fim eu e meu irmão fomos sós para a parte dos jovens aos fundos da igreja. Ao chegarmos nos deparamos com apenas alguns jovens sentados num corredor, entre eles estava um garoto meio alto e jogava um game boy, logo tive a impressão de que era só um garoto mimado com pais ricos. Sentei ao lado dele meu irmão meio que intimiddado pelo lugar ficou de pé e encostou na parede ao meu lado.
O rapaz peguntou se tínhamos algum video-game, disse que tinhamos um playstation, já estava meio velho o controle já não funcionava direito, havia caido incontáveis vezes no chão, mas paesar de tudo ainda funcionava, o assunto logo se firmou, passando por centena de jogos, e infinitos comentários sobre consoles. No final do culto quando íamos embora, agora tinha certeza ele era realmente mais um boyzinho.
A impressão que tive é que em limeira não haveria ninguem interessante para eu conhecer, sem amigos logo me tornaria louco.
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