Xylos-4: Protocolo de Sobrevivência
5 Resgate no G7

O som do intercomunicador ecoou novamente, mais desesperado que antes.
— ...POR FAVOR! Tem alguém aí?! Estamos no Setor de Depósito G-7! Por favor, precisamos de ajuda! Não nos deixe aqui com essas criaturas! Estamos exaustos, sem suprimentos! POR FAVOR!
Miller e Kael se entreolharam, os olhos de Miller endurecidos, olhos de alguém que está analisando a situação e pronto para agir. A voz feminina no rádio parecia genuinamente aterrorizada.
— Sanchez, você está com os dados do mapa. Depósito G-7. É perto ou uma armadilha? — perguntou Miller, já recarregando seu fuzil.
Sanchez consultou seu HUD do pulso. Deslizou os dedos pelo mapa até achar o deposito.
— É um setor adjacente, sargento. Não muito longe do nosso saguão, mas não no caminho principal para onde atraímos as criaturas. Pode ser que algumas ficaram para trás...Talvez sejam sobreviventes não infectados, ou já teriam mudado.
A última possibilidade congelou o ar. O horror do vídeo do Dr. Aris ainda estava fresco em suas mentes, mas Sanchez foi direto a seu equipamento, recarregou suas armas.
— Não podemos deixar ninguém para trás se houver uma chance real — disse Miller, a decisão pesando em sua voz. — Kael, fique aqui e mantenha o perímetro. Ortega é nossa prioridade. Se algo se aproximar ou se Ortega... você sabe o que fazer.
Kael assentiu, engolindo em seco. Era uma ordem dura. Sanchez não acreditava na segunda opção, fora ele quem medicara o Ortega. A ferida ela devido a queda, não feito pelas criaturas.
— Sanchez, você vai. Vá rápido, cheque a situação. Confirme quem são, se estão feridos. Se houver qualquer sinal de mutação, você isola a área e reporta. Entendido?
— Entendido, Sargento — respondeu Sanchez, já pegando seu Fuzil novamente e verificando a munição.
Sanchez já tinha colocado seu capacete, onde posicionou em seu HUD o mapa no canto inferior esquerdo. Antes mesmo do Sargento pedir, ele já estava se preparando. Kael era um novato perto dele, e precisariam agir rápido, então era a escolha lógica. Ele fez um breve aceno antes de tocar no botão que abria a porta e sair com Fuzil preparado.
A luz da vermelha da mira se estendia pelo corredor., o silencio fazia o clima criar uma tensão a cada passo. – Estamos te vendo pelas câmeras. — Ele apenas fez um sinal de positivo e seguiu avançando. Regulando seus batimentos a cada passo. A final se vissem algo o avisariam. Ele virou a curva em um novo corredor.
Sanchez avançou pelos corredores novamente, mas desta vez, o silêncio era diferente. Não era o silêncio ensurdecedor de antes, mas um silêncio tenso, quase ansioso, quebrado apenas pelo eco de seus próprios passos. As luzes, agora totalmente funcionais, revelavam pilhas de caixas derrubadas, cabos soltos e o que pareciam ser restos de combate anteriores (algumas manchas de sangue seco e arranhões profundos nas paredes).
-Você está quase no Setor, Sanchez.
-Entendido.
Ao se aproximar do Setor de Depósito G-7, Sanchez ouviu um som de raspar e guinchar abafado. Parou, imediatamente. Ergueu o fuzil e olhou para o canto. Duas das criaturas de Xylos-4 estavam concentradas em uma porta de metal blindada, batendo nela com suas garras, aparentemente frustradas por não conseguirem abri-la. Seus corpos esguios e bioluminescentes brilhavam fracamente na penumbra do corredor. [DETECÇÃO DE AMEAÇA: 2 ALVOS], piscou em seu HUD.
-Vejo dois deles, Sargento!
-Droga! Estão no ponto cego das câmeras. Cuidado Sanchez!
Sanchez respirou fundo. Ele tinha que agir rápido e silenciosamente para não alertar as outras possíveis criaturas que podiam estar escondidas e em outros pontos cegos das câmeras. Ele ajustou sua arma para tiros únicos, buscando precisão.
Ele mirou na cabeça da primeira criatura que estava na parede longe da porta onde oferecia um tiro limpo e seguro, e então disparou. O som do tiro, abafado pelo supressor de sua arma, foi seguido por um guincho agudo quando a criatura foi atingida de surpresa e logo seus músculos falharam a fazendo desabar, o fluido azul-brilhante respingou nas paredes e logo estaria escorrendo pelo chão na poça que se formaria. A segunda virou-se instantaneamente, seus olhos sem pálpebras fixos em Sanchez.
Quando se movimentou bateu com força em uma maca que estava no meio do caminho jogando a com força contra Sanchez, fazendo bater na parede e o Fuzil sair de sua mão após o tiro. O tiro que antes estava focado na cabeça errou o alvo atingindo-a no peito, onde a criatura era visivelmente mais resistente. Ela avançou em um salto. Sanchez rolou para o lado, empurrando a maca e esquivando-se das garras afiadas por milímetros, e sacou a pistola assim que atingiu o chão disparou mais duas vezes, atingindo-a no braço e, finalmente, na cabeça. Quando a criatura caiu em seus pés, ele a chutou e se afastou até perceber que ela estava imóvel.
Sanchez levantou-se, o coração martelando no peito. Foi até seu Fuzil o pegando-o. Quando olhou em volta O sangue azul escorrendo pelas paredes, e lembrou-se do que estava em jogo.
Ele se aproximou da porta do depósito e bateu com a coronha do fuzil duas vezes.
— Alguém aí?! Sou o Cabo Sanchez, Força de Reconhecimento. Vocês estão seguros agora.
-Todas as criaturas morreram?
-As que estavam na porta sim! Temos que ir ate nosso Sargento. La ficaremos seguros até a chegada do resgate.
-Eles vão mesmo vir?
-Não vão demorar. Por favor, abram!
A porta se abriu rangendo, revelando um rosto aterrorizado de uma mulher e, atrás dela, um homem mais velho e duas crianças pequenas, todos pálidos e magros. Seus olhos estavam vermelhos de choro e privação.
— Graças a Deus! — a mulher chorou, as lágrimas escorrendo pelo rosto sujo. — Estamos presos aqui há dias!
Sanchez escaneou-os rapidamente. Nenhum ferimento visível, nenhuma bioluminescência. Pura sorte.
— Vocês estão bem? Feridos? — perguntou Sanchez, mantendo o fuzil erguido por precaução.
— Não... apenas fome e medo — disse o homem, sua voz rouca. — E a coisa lá fora... ela tentava entrar.
— Acabou — Sanchez garantiu. — O sargento Miller está no saguão principal. Preciso levá-los até lá. Podemos usar a mesma rota que usei para vir.
Ele explicou rapidamente o plano de atrair e selar as criaturas. Os civis pareciam aliviados, mas ainda aterrorizados.
— Precisamos ir agora, discretamente. Sigam-me, fiquem juntos e não façam barulho.
Todos se ergueram com dificuldade, a mulher ajudou o homem mais velho a se levantar.
O caminho de volta era o mesmo, mas agora com quatro civis para proteger. Sanchez liderava, com os civis apertados atrás dele, o homem mais velho tentando acalmar as crianças. Por algum motivo ele se sentia mais corajoso de quanto vinha ao encontro deles. Não era por ter matado as criaturas. Achava que fosse pela breve liderança.
Ao se aproximarem do ponto onde Sanchez havia enfrentado as duas criaturas, um terceiro mutante, aparentemente atraído pelos sons distantes dos tiros ou pela presença dos civis, estava na extremidade do corredor. Ele se virou, farejando o ar. Sanchez parou fazendo sinal para que fizessem o mesmo e se agachou.
— Abaixem-se! — Sanchez sussurrou, empurrando os civis para trás de uma pilha de caixas derrubadas.
A criatura estava mais distante, mas seus olhos brilhavam. Sanchez sabia que não poderia arriscar um tiroteio agora, o barulho certamente atrairia mais delas de outras áreas ainda não limpas. Ele tinha que usar algo diferente. Algo que atraísse a criatura.
Ele viu uma unidade de gás refrigerante industrial, com uma válvula de escape. Com um plano em mente, Sanchez rastejou para a frente, tentando se posicionar para ter um bom ângulo sem ser visto. Ele sabia que o ruído seria inevitável. Com um puxão forte, Sanchez abriu a válvula de segurança da unidade de gás. Um sibilo alto e gelado irrompeu, criando uma nuvem de vapor gelado. A criatura se virou, confusa com o som e o vapor.
Sanchez aproveitou a distração. Ele disparou sua pistola, um tiro preciso que atingiu a cabeça da criatura. Ela guinchou e desabou em meio ao vapor. Ele deu mais dois tiros rápidos por precaução. Agora não tinham mais fator surpresa.
— Certo, agora vamos, rápido! — ele gesticulou para os civis.
Eles correram pelo corredor, o som de seus passos abafados pelo sistema de ventilação, O coração quase podendo ser ouvido em meio a adrenalina, até que finalmente avistaram as luzes do saguão principal.
Miller e Kael estavam lá, Fuzils em punho, a tensão evidente em seus corpos. Quando viram Sanchez e os quatro civis, um suspiro de alívio passou pela comunicação.
— Missão cumprida, Sargento — Sanchez relatou, a voz exausta. — Quatro civis, não feridos, não infectados.
Miller assentiu, um raro sorriso surgindo em seu rosto cansado. — Bom trabalho, Sanchez. Agora, vamos acomodar essas pessoas e esperar pela Aurora.
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