Xontrix - O Primeiro Mundo
2 Órfãos
Notas iniciais
Faltavam poucos minutos para a hora do almoço, Dylan estava indo para a sala da diretora, como sempre.
— Dylan Bley, aqui de novo? Falou Eleanor Mcquire, mas não tirou os olhos dos papéis que estava lendo. A dona e diretora do High School Orphanages’s McQuire, colégio integrado ao orfanato da família McQuire, Eleanor era a neta do fundador.
— Senhora Mcquire, desculpe, mas ele estava de novo matando aula para ficar no jardim de novo. Falava Goulart, o vigia que segurava um sanduíche em uma mão e Dylan pelo ombro com a outra.
— Tudo bem, Goulart, pode ir — ele se retirou já colocando o sanduíche na boca, não era surpresa ele estar acima do peso — Sente-se. Olhou por debaixo dos óculos.
Dylan sentou-se e permaneceu calado.
—Dylan, já conversamos sobre isso, e você concordou que não faltaria mais às aulas, não foi?
— Sim. Respondeu secamente.
— Então você tem a plena consciência de que você quebrou as regras de novo e dessa vez não posso mais deixar de puni-lo? — ela voltou a ler os papéis.
— Sim.
— Então, já que da última vez que perguntei o que estava acontecendo com você, você não respondeu e, isso foi ontem, talvez não queira falar hoje também, não é? — Dylan permaneceu calado, olhando para Eleanor— Dylan!— cruzou as mãos e olhou para o garoto— Você não acha que já está bem grandinho para aprontar coisas como essa? Você está aqui há sete anos, você já tem dezesseis, deveria ter aprendido alguma coisa nesse tempo— Ele continuou calado. — Pois bem, não posso ficar fazendo um monólogo aqui a tarde toda, você vai ter que ajudar a limpar e organizar o departamento das crianças, essa vai ser a sua punição, agora vai, já vai dar a hora do almoço. E ele saiu.
— Dylan, onde você estava? Falava Nich, o amigo e quem dividia o quarto de Dylan.
— Nich, você sabe que eu odeio aquela aula de português, e não queria olhar para a cara do idiota que defendeu o Calvin e ele também não, depois de ontem. Falava enquanto andavam pelo corredor.
— Mas ele não foi. Se eu fosse ele também não iria depois de ontem? Com aquele roxo no olho? — riu— Aliás, você perdeu, pois hoje chegou uma garota nova no orfanato e ela é gata... — Falava Nich quando percebeu que Dylan não ligou— Ok! Dee eu deixo-a toda para você, você sabe que eu gosto mesmo da Khalista.
— Não dê uma de tonto, Nicholas!
— Você tá gostando da Cecile, não é? Deu um empurrão em Dylan que riu.
— Na verdade, não, mas ela não é ruim, ruim é o irmão dela.
— O Calvin, sei. A Sr.ª Mcquire percebeu que estavam faltando dentes seus durante a conversa? Ou depois da briga de ontem você conseguiu colocá-los de volta no lugar? Deu uma tapinha no rosto de Dylan
— Ai! Cara, ainda dói! —reclamou e tocou a boca— Não, fiz o que pude pra não falar muito, apesar de que, eu gostaria de ter falado sobre algo com ela e ainda vou ter que ajudar no departamento das crianç... — Nich faz um sinal para que ele olhe em certa direção— O que Nich? —Fala sem entender. Ele olha e vê uma garota estranha, ruiva, magra de cabelo ondulado e comprido passando por eles—não me diga que essa é a tal aluna nova.
—Te peguei!— Conseguiu falar depois de muito engasgar enquanto ria— Ela não é bonita. É só simpática.
— Foi o que eu percebi.
—Mas, adivinha quem está caidinho por ela? — Fazia uma cara animada.
— Não sei não, Nich. — chegaram ao refeitório e foram pegar o almoço— Não sei, quem? O Mark, o estranho do quarto ao lado do nosso?
— Não, cara, o seu arqui-inimigo!
— O CALVIN? Gritou e percebeu a exaltação — O Calvin?
— O próprio... — interrompeu a conversa com Dylan— Não, Dona Lourdes, hoje eu quero carne— ela o fez— Obrigado, tia Lourdes... Então, o Calvin passou a aula importunando a coitada e, lógico que isso significa apenas uma coisa.
— Pode ser que ele esteja querendo aprontar uma com ela, ele é idiota — terminaram de pegar o almoço e sentaram numa mesa próxima—, ela nem é bonita, por que ele iria querer algo com ela?
— Não sei, mas pelo que eu vi, até os idiotas amam, todos perceberam isso, ele estava muito, digamos, engraçadinho, sabe? — Dylan assentiu com a cabeça— Você ainda quer se vingar do Calvin?
Dylan engoliu o mais rápido que pôde.
— Óbvio! Tem algum plano? Não tive tempo pra pensar, estou me ocupando com outras coisas nesses tempos.
—O que? — Dylan fez que não escutou— Esqueci que você não me conta esses segredinhos, enfim, o plano é o seguinte. Você faz a Trevena se apaixonar por você e então... — Dylan interrompe.
— Espera! Quem é “Trevena”? — interrompeu a comida e olhou para Nich sério.
— A aluna que chegou hoje, presta atenção, Dylan Bley! Nich estalou o dedo na frente de Dylan.
— Certo. Aliás, péssima ideia, a pior que você já teve na vida — riu.
— Dylan! — reclamou— Pensa bem, cara, é a... A campainha soa e interrompe Nich.
— Já deu Nich, tchau. Ele terminou de comer e saiu.
— Ei! Espera, você vai para a... Esquece você nunca foi pra educação física mesmo—resmunga.
Dylan foi para o departamento das crianças cumprir a sua punição durante o horário do almoço, não era tão ruim, ele já havia cumprido todas as punições possíveis, e indo muitas vezes à sala da diretora, era previsível que as formas de punição seriam limitadas. Mas ele sempre ia ao departamento das crianças, e gostava de conversar com uma criança em especial.
— Dylan! Ali estava Oz, que se levantou da mesa de desenho e foi até Dylan.
— Oz, achei que você já estivesse sido adotado. Bagunçou o cabelo do garotinho.
—Ninguém quer um filho estranho, eu não quero morar aqui, na Alemanha, quero ir pra bem longe. O garotinho volta para a mesa onde estava desenhando.
— Por que você tá dizendo isso Oz? Qualquer pessoa iria querer adotar você. Sabe, você apesar de baixotinho, é muito inteligente.
— Dylan.
— Fala, Oz— Foi em direção aos brinquedos para coloca-los no armário— O que vocês fazem nessa sala, vocês são crianças de seis anos brincando ou fazendo guerra, tem brinquedo pra todos os lados... Desculpe, continue.
— Dylan, promete que não vai deixar ninguém me adotar e, quando você sair daqui vai me adotar e levar pra bem longe? — Oz senta.
Dylan fica parado, pensando no que responder, não poderia mentir.
— Oz, não é bem assim.
— Eu sei. Ninguém quer adotar um estranho. A orientadora aparece na porta e chama Oz, que vai junto com as outras crianças para o jardim em grupo.
— Mais tarde eu vou vim pra nós conversarmos, Oz! — gritou Dylan que não teve resposta— Só o que faltava, não vou conseguir nem me sustentar imagina adotar uma criança. Resmunga Depois de algum tempo entra alguém na sala.
— Com licença. Uma voz feminina.
Dylan vira-se. Era a mesma garota do corredor, a novata.
— Oi — respondeu Dylan.
—As crianças, elas já saíram?
— Não faz muito tempo, se você correr... Eles estão no jardim, eles vão pra lá na hora do almoço, quer dizer depois, não... —ele se atrapalha nas palavras e se vira para o armário de novo e ouve uma risada.
— Quer ajuda? — faz um barulho de estalo com a boca em desaprovação— Então, esqueci, meu nome é Louise, Louise Trevena. Prazer!
— Prazer Louise, sou Dylan— falou e continuou de costas para Louise—, não precisa me ajudar, eu estou cumprindo punições e se te pegam me ajudando é mais alguns dias arrumando esse departamento.
— Tudo bem, eu espero— o que ela estava fazendo? Dylan não queria que ela esperasse, ele tinha sido claro o bastante, não é possível que ela não tenha percebido que ele não a queria lá. Mas ele ficou calado— Essas crianças são muito criativas.
―Por quê? ―perguntou, ainda de costas, enquanto arrumava os brinquedos.
―Olha esse desenho— mostrava o desenho que Oz havia deixado na mesa.
— Que desenho? — Dylan se vira e vê o desenho de Oz, um bonequinho chorando e segurando a mão de dois bonecos grandes, que o faz deixar todas as coisas e sair correndo até o jardim atrás de Oz. Mas assim que chegou lá não o viu ― Com licença ―Falou com a orientadora das crianças que estava de costas.
― Pois não. Ela virou-se rapidamente, estava com uma criança.
― Pode-me dizer onde estão as outras crianças?
― Não há outras crianças, todas estão brincando ali ― aponta para onde estavam as crianças―, mas tem uma que acabou de deixar o orfanato...
— Qual? Por acaso era um garoto de seis anos, cabelo cacheado...?
― Sim, foi o Ozziel, por quê? ― ela pega a criança no colo preparando-se para encerrar a conversa.
― Nada. Dylan deixa o local, e volta para o departamento das crianças, e percebe que a garota, Louise, não estava mais lá. A hora do almoço acaba e todos os alunos da High School vão para a aula de Educação Física. Dylan não queria ir, mas como não encontrou a tal Trevena em lugar algum, resolveu ir para desculpar-se pelo ocorrido mais cedo. Ele não queria encontrar com Calvin, pois as coisas ainda não estavam bem entre eles, nunca estiveram, desde a primeira vez que se viram. Ele chegou à quadra e sentou num banco perto de um bebedouro, ele não tinha ido com o propósito de fazer exercício algum, por isso se escondeu, mas alguém apareceu para beber água naquele lugar, era Calvin.
―Olha só que apareceu― Provoca Calvin, mas Dylan não dá resposta alguma― Além de perder os dentes, perdeu também a língua, amigo?
― Não sou seu amigo, Calvin. Levanta-se tentando não descontrolar-se e vai para um lugar onde ninguém pudesse encontrá-lo, havia um tubo grande abandonado no fim da quadra, perto do muro, ele sempre ia para aquele lugar quando ele era menor, ninguém ia para aquele lugar, por isso era o ideal.
Calvin disse alguma coisa que Dylan fez questão de não entender, só queria afastar-se daquela quadra, o plano de pedir desculpas tinha ido por água abaixo. Chegou perto do tubo e viu uma sombra saindo do tubo, tinha alguém ali, ou as lendas de que aquele lugar era mal assombrado eram reais. Mas por um momento Dylan pensou ouvir um grito de dor, mas então o gemido aumentou e pelo timbre era uma garota, dentro do tubo, provavelmente assustou-se e ao sair do tubo se machucou.
―Olá― Dylan tenta alguma comunicação, ele não tinha certeza do que ouvira ou vira. Mas não tem resposta― Tem alguém ai? Por favor. Responda, você esta machucada ou algo assim?
―Vai embora idiota, se tentar alguma coisa, eu juro que quebro o seu pau no meio! A garota responde.
―Tudo bem, eu vou embora e deixo você aqui sozinha, é isso que você quer? Morrer sozinha, eu não vou me sentir culpado, você que sabe― ele finge que está indo embora, mas o que faz é andar até o outro lado do tubo, onde estava a garota.
― Imbecil, bem que ele poderia ter me ajudado... Dylan ouve o sussurro irritado, tenta ver quem é e, descobre apenas pela cor ruiva nos cabelos ondulados, a garota escondida na ponta do tubo segurando o joelho.
― Então é você? Louise...
― Então é você, Dylan. Vai embora, garoto, eu já disse.
― Claro que não, olha o seu joelho― ele se abaixa e os dois entram no tubo ele observa o machucado que não parava de sangrar ― Você tentou sair do tubo e machucou o joelho no arame que tem embaixo dessa grama, não foi? ― Ele levanta a grama e mostra o arame.
― Como você sabe, não dá pra ver do outro lado do tubo, é impossível.
― Ha, ha, ha. Você realmente acha que foi a primeira a vir aqui? Eu venho aqui desde que eu cheguei, aliás, colocaram esse arame aqui para afastar as crianças curiosas, mas eu descobri da mesma forma que você, mas continuei vindo. ― ele analisa o ferimento― Pode me dar algumas folhas desse caderno? Ele aponta para o caderno que estava ao lado dela, provavelmente ela escrevia alguma coisa.
― Tudo bem. ― Ela arranca algumas folhas e ele prontamente tenta fazer um curativo ― Olha, obrigada, sabe, eu não queria ser estúpida, desculpa. Pensei que fosse um daqueles idiotas da aula da manhã.
― Não foi nada, eu que deveria ter pedido desculpas, por ter saído daquele jeito do departamento das crianças. ― Esse papel não vai resolver ― Ele tira a blusa, rasga um pedaço e amarra no joelho de Louise que estava com a roupa de Educação Física― Esses idiotas que você esta falando são os amiguinhos do Calvin?
Ela por um momento calada, observando-o sem blusa, não era tão mal.
― Bem, é― ela volta a si―, mas como você sabe? É uma espécie de aluno popular que conhece todo mundo desse orfanato?
― Na verdade, eu só estudo na mesma turma que você. ― ele vê o pedaço da blusa que restou e faz uma cara de decepção ― Eu não deveria ter feito isso― ri e senta ao lado dela encostados à parede do tubo.
― Deveria sim, como deveria ― ri ―, quer dizer ― para de rir e tenta ficar séria―, você fez com que o sangramento cessasse e isso é bom, quer dizer é um ato bondoso. Fala sarcasticamente.
― Sei. Ele entende e ri e cruza os braços na frente do peito em seguida, abraçando os joelhos.
―Desculpa, eu não queria dizer isso, não pense que eu sou uma tarada, é só que, enfim― ela pega o caderno, abre e posiciona o lápis para escrever― Por que você não foi para a aula?
―Hoje foi porque eu não queria ver o Calvin, mas de qualquer forma eu o vi na quadra quando estava vindo pra cá. ― ele olha pro outro lado do tubo― Antes que pergunte, não queria vê-lo porque ele me odeia por ter pegado a irmã dele, e porque, especialmente ontem, eu briguei com um dos amiguinhos dele e deixei-o com um olho roxo.
― Sei ―ela volta à atenção para o caderno― E você gosta da irmã dele? Assim, porque apanhar por alguém que não gosta é um pouco ilógico.
Ele volta a olhar para a direção dela.
― Bem, ela é bonita, e tem algumas outras coisas boas também, mas não quero nada sério com ela. Mas eu não brigo com ele por causa dela em todo o tempo, fui equivocado na resposta. Ele não gosta de mim por outros motivos que eu não sei. ― ele ri.
― Que foi? Louise pergunta se referindo a risada.
― Talvez porque eu seja mais bonito que ele. ―Ele a encara e percebe que ela não está rindo― Tudo bem, acho que eu exagerei. Fica sério e ela começa a rir e ele fica sem entender.
― Você é engraçado, mas não é mais bonito que ele. Quer dizer, ele tem um corpo mais esportivo, mas você tem cara de bebê. ― eles riem― Mas sabe, você é bem mais interessante, bem mais. Ele ficou me cantando durante as aulas, eu acho que seja uma espécie de zombaria, então eu tentei não ligar.
― Acho que não era zombaria, ele não costuma fazer isso, acho que você ganhou o coração do vilão, parabéns Srtª. Trevena!
― Acho que isso é ruim. Ela ri.
― Muito. Então, o que você estava fazendo antes de eu chegar e você se machucar?
― Na verdade eu estava lendo, é um caderno de um antigo amigo meu e esse lápis era só para caso de algum engraçadinho tentar alguma coisa.
― Um diário, é o que você está lendo? ―ela dá o caderno para Dylan― Sobre o que ele escreve que você se interessaria tanto em ler?
―É a história dele, mas o que eu estava lendo era uma parte em especial, que ele diz ter visto extraterrestres.
― Extraterrestres? Ele tinha algum problema? Ele percebe que ela ignorou a pergunta.
― Tá escurecendo, eu preciso ir. Ela tenta se levantar.
― Eu te ajudo a levantar, me dá a mão― eles se levantam e ela não consegue ficar em pé― Acho que você vai ter que se apoiar em mim, sem problema, eu posso te levar até o seu dormitório.
― Tudo bem, aceitarei só porque foi culpa sua.
― Ok! Vamos. Eles andam até a quadra e para a infelicidade dos dois alguns dos amigos de Calvin estavam sentados no banco perto do bebedouro.
―O Calvin não vai gostar de saber disso― diz um deles―, olha só estavam no muro fazendo coisas, e ele até perdeu a blusa. A coisa foi boa não é, Dylan?
― Não enche imbecil!
― Olha só a rapidez, já pegou a novata! Eles saem rapidamente e de repente passam por Nich.
― Dylan, então você resolveu por em prática o meu plano? Cara, que rapidez...
― Que plano, Nich? É pura coincidência, e não é o que você esta pensando. Fala Dylan, andando rápido e tentando carregar Louise.
― Que plano, Dylan, que plano é esse que você não me contou? Tem alguma coisa a ver comigo para irritar o Calvin? Você planejou tudo não foi, até o meu machucado? O que foi, acha que eu sou otária? Quer saber, você é igual ao Calvin, idiota! Ela o empurra e vai tentando andar encostando-se à parede.
― Viu o que você fez, Nich? Agora ela acha que eu estou usando-a.
―E não está?
― Claro que não, eu estava ajudando-a porque ela havia se machucado.
― Então você se apaixonou de verdade por ela, cara, melhor ainda! Falava Nich enquanto Dylan andava de braços cruzados pelos corredores e as meninas olhavam estáticas.
― Devia andar mais assim, Dee, talvez você seja escolhido para participar do concurso... ― Dylan interrompe.
― Nich, às vezes você merece um tapa. Alguém se aproxima e fica em frente a Dylan.
―Sério? Porque eu acho que quem merece uma tapa e muito mais, é você! Era Calvin.
― O que foi dessa vez, Calvin? Não fui eu quem fez o quer que tenha sido feito para o seu time perder, até porque eu não estava lá. Dylan tenta passar por Calvin e é empurrado logo em seguida para trás.
― Que você não estava eu sei, até porque estava ocupado com a novata.
― Sim, e o que você tem a ver com isso?
― Então você confirma o que todos estavam dizendo? Um canalha você é, eu disse para aquela idiota da Cecile.
― Bom, não tenho mais o que fazer aqui, adeus. Leva outro empurrão.
―Ainda não acabei. Já que você está tão confiante assim, por que não vemos isso na força?
― Você ou outro amiguinho seu? Cuidado, você vai acabar perdendo todos os seus amigos dessa forma. Por que não me enfrenta você mesmo, panaca?
― E quem disse que eu não vou? Você não perde por esperar, vou provar pra aquela vadia que eu sou bem melhor que você. Sexta-feira no fim da tarde, no hospital abandonado, fora do orfanato, esteja lá ou nunca mais apareça na minha frente. Então Calvin encarou-o pela última vez e saiu. Dylan e Nich foram para o quarto e ficaram lá conversando, Dylan lia um livro e Nich estava usando o computador.
― Dylan! Vem aqui.
―O que foi? Descobriu como acessar o sistema da diretoria? ― Dylan levanta-se e vai rapidamente até Nich. ―Onde estão as pastas, onde tá o meu arquivo?
― Não é isso, lê isso aqui – Sexta-feira, no hospital abandonado, fora do orfanato, Dylan Bley e Calvin Zimmer lutando pelo coração da novata Louise Trevena. Façam as suas apostas... ― Dylan não conseguiu terminar de ler.
― Não acredito que fizeram isso. Ele vai até a cama e se joga brutamente.
― Você vai mesmo? Ele pode estar aprontando alguma coisa, ele nunca está sozinho e como quase ninguém vai, é arriscado, Dee. Ele provavelmente vai levar uns garotos para te bater e sair ganhando.
― Não vou desistir, Nich, não sou covarde como o Calvin. Ele põe o travesseiro na face.
― Ou talvez seja para provar para a novata que você é melhor que o Calvin― Dylan se senta na beira da cama e joga o travesseiro em Nich― Sabia.
― Sabia o que, baixote? Eu não gostaria de uma garota como ela, ela acredita em Et’s.
― Ah! Sei, essa é a sua desculpa, acredito. Agora me diz o que você pretende dizer para a Cecile Zimmer? Nich desliga o computador e vai para a cama e joga o travesseiro de volta para Dylan.
― Nada, eu não tenho nada com ela, não devo satisfações a ninguém, nem pra ela nem para o Calvin ou para essa tal de Louise. Dylan se deita de vira para a parede para dormir.
― Claro, mas você estava com a Cecile há um dia, e não dizia nada quando eu perguntava sobre o que você queria com ela.
― Nich! Aonde você quer chegar com isso?
― Nenhum lugar, mas... Dylan interrompe.
― Ótimo, então dorme. Boa Noite.
― Qual é Dylan? São sete horas da noite ainda, a gente sempre conversa até umas nove horas, o que tá acontecendo? Dylan não responde, Nich resmunga alguma coisa desconexa e então resolve dormir.
A semana passa rapidamente e logo chegou a véspera do esperado dia, depois de alguns dias aguentando provocações de Calvin e seus capangas, os vácuos de Louise, Dylan foi à aula de português, mas não para assisti-la, só para não ter que ir á diretoria novamente. Dylan senta atrás de Louise.
― Por que diabos você não fala mais comigo? Dylan perguntava em voz baixa. Louise se levanta e senta na cadeira da frente, Nich, que ainda estava fora da sala senta na cadeira ocupada antes por Louise.
―Dylan? – Perguntava Nich surpreso- O que você tá fazendo na aula de Português?
―Nada, Nich, só não queria ir pra diretoria de novo.
― Ah! Sim, achei que você estava perto da morte ou algo assim, bom, aproveite a aula. Nich vira-se.
―Nich, me dá um papel e uma caneta, por favor. Pede Dylan.
―Dylan, fala sério, onde está o seu material? Se não ia trazer, por que veio cara? — Nich entrega o que Dylan pediu. Dylan escreve alguma coisa e retorna a chamar Nich- Vai me deixar prestar atenção na aula, Dee?
― Só mais uma coisa, você é muito “reclamão”, Nich, seguinte, entrega isso pra novata que eu nunca mais nessa aula te incomodo, prometo!
―A Cecile está te observando desde que eu cheguei, ou há mais tempo, você está sabendo, não é? Vou entregar, mas o que tem escrito, alguma mensagem romântica, hein?
―Nada que importe, não, não é mensagem romântica, depois da aula eu te conto. Aliás, eu percebi, acho que ela vai querer falar comigo depois, então eu vou sair da sala daqui a pouco e você diz pra ela que eu estava passando mal e fui para o dormitório e, que amanhã eu falo com ela, certo?
― Tudo bem, agora me deixa - Nich entrega o papel para Louise que amassa e deixa o papel em cima da mesa. Dylan, sai da sala e o tempo de aula acaba, Todos saem da sala menos Cecile, que o tempo todo observava Louise e viu que ela havia esquecido o papel amassado na mesa. Ela leu-o e dizia para “encontrar no tubo”, mas ela não sabia o que significava.
Dylan, que esperava por Louise, ficou por algum tempo dentro do tubo e já não tinha mais como passar o tempo, mas ela chegou.
―Achei que não vinha mais.
― Eu vim, mas é só pra dizer que eu não quero ninguém brigando por mim, seus idiotas — Ela entra no tubo e senta na direção contrária dele- Se quer provar que é melhor que ele, porque não briga pela irmã dele? Tirem-me dessa ou eu deduro a “briguinha” de vocês para a diretora ou eu mesma vou lá acabar com vocês.
― Não é por você, por favor, sem ofensas, mas isso é por todo esse tempo em que eu jurei que acabaria com o Calvin. Não sei por que espalharam essa fofoca.
― Ótimo, só isso? Você quer mesmo que eu acredite nessas lhufas quando toda vez que eu passo pelo Calvin tenho que ouvir algo como “Sexta-feira, vadia, quero você lá”!
―Ele diz isso? Que imbecil. Olha, Trevena, eu só queria dizer que essa fofoca que espalharam por ai é mentira e eu gostaria que voltássemos a nos falar como antes, sem ressentimentos, não quero ser seu inimigo. Sabe, como amigos.
― Diz isso para a sua namoradinha, porque eu acho que ela não acredita.
― A Cecile, não tenho nada com ela e ela sabe – Dylan olha pra baixo – Mas eu não vim aqui para falar dela.
― Mas se vamos resolver esse impasse, sugiro que você diga a ela isso, porque ela só vai sossegar quando levar um “fora” ou quando souber que essas fofocas são verdades, mas aí ela vai me ver como inimiga pra sempre, se bem que não seria ruim. Louise olha para o final do tubo e ri.
― Mas ela não é idiota como o irmão dela, eu não faria algo do tipo. Ele olha para ela que ainda está com o olhar desviado.
―Tudo bem, acho que eu não tenho muito tempo aqui, acho que dá pra aturá-la.
― Então, você já está pronta para falar sobre como veio parar aqui? Dylan pergunta com um pouco de medo.
― Sim, na verdade eu só fui encontrada agora, mas eu já os perdi há muito tempo, eu vivia com algumas crianças que trabalhavam na rua, um deles era o dono do caderno, o garoto que você zombou, mas enfim, perdi meus pais num assalto e nossos parentes moravam longe e não tínhamos contato com eles, então fui morar com as crianças e, agora me acharam porque a polícia me encontrou em uma briga de rua- Ela dá um sorriso de canto de boca- E a sua, faz quanto tempo?
― Não me lembro, mas a sua é interessante, pode continuar a contar. Dylan faz um movimento com a mão e sorri.
― Fala sério Dylan, conta, estamos a sós aqui, qual o problema? A não ser que ... Bem, eu não queria dizer assim, respeito, traumas... Desculpa.
― Não, nenhum trauma, não precisa desculpar-se. É só que não faz muito sentido, não o que eu lembro, bem, algo como eu voltando de uma viagem com os meus pais e uma luz, mas essa luz não era de um carro, eu estava no meu quarto quando vi a luz, gritos e o carro bate então eu não ouço mais nada, mas eu me lembro de ter entrado no meu guarda roupa mas alguém abre e então eu acordo na delegacia, e uma mulher sentada ao meu lado me perguntando o que havia acontecido, eu contei isso a ela, mas ela disse que eu precisava falar com o médico e, agora eu estou aqui, sem lembrar o que aconteceu, mas alguma coisa me diz que as lembranças reais não são as do carro, mas é tão confuso...
― Dylan, eu preciso ir, amanhã, por favor, não vá ao hospital abandonado, preciso falar com você de novo, aqui. Louise então segura à mão de Dylan, e sai rapidamente, parecia estar apressada e nervosa. Dylan ficou mais um pouco no tubo, estava exausto, e curioso para saber o que Louise queria, mas ele talvez não soubesse, não faltaria ,nem se estivesse debilitado, a única chance de humilhar Calvin. Mas havia a dúvida, afinal, o que seria tão importante, teria a ver com a reação dela há poucos minutos? Ele tinha mais algumas horas para decidir dentro daquele tubo.
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