Xeque-Mate
10 Webs - Sou o próprio xeroque holmes
Notas iniciais
Fabrício estava de pé do lado de fora da loja, seu corpo brilhava de uma forma que nunca havia visto. Nós gritávamos seu nome, mas era como se não ouvisse nada, ou pelo menos fingia não escutar.
O monstro avançava devagar, porém feroz, em sua direção, enquanto sacudia suas imensas penas traseiras nos impedindo de chegar muito perto.
— Fafá, isso não é hora de mostrar o shape — Ouvi Lucas gritar quase que com a voz embargada, enquanto se desviava desesperadamente das pancadas da penosa.
Eu tentava abrir caminho, correr e avançar, mas era impossível, a cada passo que aquela besta se aproximava de Fabrício era uma batida errada que ecoava em meu peito como um tambor, eu repetia para mim mesmo que se não conseguisse fazer algo, Fafá morreria diante dos meus olhos e por minha culpa.
— Fabrício! — Gritei, mas ele não olhou e nem mesmo chamou a atenção do basilisco.
O monstro agora estava a um passo de devorar meu irmão como se ele fosse um pedaço de milho, meu corpo estremeceu, e um suor frio desceu sob meu pescoço, aquele era o fim.
Mas então o braço de Fabrício atravessou o peito do monstro e seu mestre, com apenas um ataque.
[...]
— Posso ser sincero? — Lucas falou, chutando um pedaço do que parecia ser a parede — Esse lugar tá bem melhor comparado a quando chegamos.
A loja estava caindo aos pedaços, literalmente.
Após o ataque impiedoso da galinha monstro e seu mestre morador de rua, a pequena loja de colchões com certeza teria que decretar falência.
As paredes antes apenas descascadas, agora estavam com enormes buracos e rachaduras, a vitrine estava em pedaços, cacos de vidro e pedaços enormes de reboco cobriam todo o chão, as camas estavam reviradas e os colchões estraçalhados. Não sei o que a névoa fez os mortais verem, mas acho que não era uma boa ideia a gente continuar muito mais tempo ali.
Olhei novamente para a entrada, onde antes fafá estava estirado no chão — Sendo cuidado juntamente com Paulo, por Céu — E comecei ver alguns curiosos se juntando, eles murmuravam sobre o que quer que tenham visto, alguns de mais idade gritavam indignados com tamanho vandalismo, e alguns mais novos começavam a apontar seus celulares por todo o lugar, não pareciam ter no visto ainda, mas tenho certeza que se demorarmos mais não vai demorar para vermos o delegado de novo.
Rastejei, tentando me manter abaixado, indo para perto dos meus irmãos.
— Precisamos sair daqui — Falei alto o suficiente apenas para meus irmãos escutarem.
— Por que?! — Lucas perguntou em voz alta, enquanto se aproximava sem qualquer discrição.
— Cala a boca — Sussurrei em tom agressivo, o puxando e forçando a se abaixar — Tem muita gente chegando, e eu não quero ser preso de novo, então vê se fala baixo.
Lucas abriu a boca, preparado para retrucar, porém se deteve, fechou a cara e começou a engatinhar em direção ao pequeno quarto onde havíamos estado momentos antes, se juntando aos outros. Então voltei minha atenção novamente para os garotos a minha frente.
— Você consegue se mexer? — Perguntei para Fafá, que estava com os olhos abertos.
Ele se mexeu, soltando um gemido de desconforto, mas conseguindo se sentar apoiado em um pedaço do que um dia foi um colchão.
— Sim — Respondeu Fabrício com a voz cansada.
— Ótimo — Concentrei minha atenção agora para a outra bela adormecida — E você Paulo? Eles estão bem céu?
Paulo apenas assentiu com a cabeça, ainda meio mole, mas consciente.
— Eles estão muito fracos, mas já dei um pouco de ambrosia e néctar, pelo menos para ajudar a recuperar força o suficiente para não serem carregados — Céu falava sem me olhar, alternando entre mexer freneticamente em uma pequena mochila jogada no seu lado e examinar Fafá e Paulo.
Até que senti uma mão pesada em meus ombros, seguido pela voz grave e rouca de Augusto.
— Céu, precisamos sair daqui agora, ela está esperando.
Não pude deixar de levantar uma sobrancelha de dúvida.
— Ela quem?
Mas fui completamente ignorado, pois Céu apenas assentiu, guardou suas bandagens e pomadas enfiando na mochila.
— Vocês dois conseguem se mexer? — Perguntou enquanto ajeitava de forma cruzada em seu peito, sua mochila e sua aljava, enquanto o arco estava preso fortemente entre seus dedos.
Paulo e fafá fizeram um draminha, mas assentiram, Célio olhou para Gus, e ambos se olhavam como se tivessem uma conversa telepática e começamos a nos rastejar. Percorremos com cuidado, desviando de estilhaços de vidro e concreto, minhas roupas já estavam praticamente em estilhaços, e por conta dos incontáveis rasgos eu conseguia sentir o roçar frio do chão empoeirado contra a minha pele, os pequenos pedaços de vidro deslizarem ameaçadoramente por minha barriga e coxas.
O burburinho na entrada aumentava, ao longe já conseguia escutar as sirenes dos carros da polícia soarem, tínhamos que sair logo dali, olhei desesperadamente para a entrada do pequeno escritório e vi Laís escondida, abaixada, esticando seu corpo e seu braço o máximo que conseguia para começar a nos puxar.
Paulo foi o primeiro, seguido por Fabrício e então eu, Gus e Céu pudemos nos apressar, assim que todos estavam dentro, fechamos rapidamente a porta.
— E agora? Como que a gente sai daqui? — San falava parecendo um pouco desesperado.
Bela pigarreou, ficando de pé, indo para perto de um quadro pendurado, quase caindo, contendo apenas um papel colorido e um número de telefone, que reconheci como sendo a entrada para a tal passagem secreta que ela havia falado antes, porém diferente de antes que havia mexido com alguns alfinetes para desbloqueá-la, Bela simplesmente agarrou o quadro e o arrancou da parede com violência, abrindo espaço para uma passagem do tamanho de uma entrada de duto de ar.
— Rápido, passem logo.
— Quem me garante que não tem outra galinha mutante do outro lado? — Lucas começou, Bela o olhou com ódio e ele pulou no buraco.
Um a um simplesmente passamos por aquela entrada, todos cansados demais para discutir qualquer coisa, fui o último a entrar, porém antes de continuar, olhei uma última vez para toda a destruição naquela loja. Vislumbrei por uma última vez às paredes desmoronadas, as vitrines totalmente estilhaçadas, o forro do teto caindo como uma fina camada de neve por todo o chão, e só agora mais calmo, que pude notar todo o sangue.
[...]
O lugar tinha um ar úmido, o chão era de cimento queimado, dando a impressão que poderíamos facilmente deslizar e cair de bunda no chão se dermos qualquer passo errado, e as paredes também pareciam ser de cimento puro, passando um sentimento de claustrofobia crescente.
Revistei toda a sala, com meu TDAH apitando como um detector de metais, procurando qualquer detalhe fora do normal, mas nada parecia fora do lugar ou anormal, bem, o meu anormal pelo menos.
— Ei vocês — Olhei imediatamente para Céu, que se encontrava juntamente com Gus na abertura de uma porta, sendo imitado por todos os outros — Vamos por aqui, ainda não estamos seguros, devemos seguir por esse corredor, estão nos esperando do outro lado.
— Quem está esperando? — Paulo perguntou ainda fraco, mas um pouco mais corado do que antes.
— Vamos, não podemos demorar muito — Gus falou dessa vez, claramente ignorando Paulo, ele ajeitou sua espada em sua cintura, e seu escudo em suas costas e seguiu.
— Ele me ignorou? — Paulo perguntou, olhei pra ele e apenas dei de ombros.
Um por um fomos seguindo atrás dos nossos irmãos, novamente decidi ficar na retaguarda juntamente com Lucas que parecia bem o suficiente para lutar caso a família da galinha mutante vinhesse atrás de nós, afinal ainda tínhamos muitos feridos ou indispostos no grupo.
Seguimos por um corredor mal iluminado, com lâmpadas que balançavam como pêndulos sob nossas cabeças, o caminho a nossa frente era incerto, e o que deixávamos para trás escurecia a medida que nos afastávamos, o lugar parecia um labirinto, um quebra-cabeça interativo e em 1º pessoa.
Eu odiava quebra-cabeças.
Estava me sentindo igual a mais cedo, quando seguíamos Bela pela cidade, andando e andando, mas sem nunca chegar a lugar nenhum. Os corredores eram longos e pareciam não ter fim, e quando tinham, era apenas para virar em outro corredor e continuar andando, toda essa situação até poderia ser suportável, se não fosse por Lusca, que perguntava a todo momento…
— A gente já chegou?
Com todo o carinho eu sempre negava.
— Não, cala a boca.
Andávamos mais um pouco.
— E agora? A gente já chegou?
E novamente, eu respondi.
— Não, a gente não chegou.
Andamos mais alguns metros, viramos alguns corredores e quando eu menos esperava, Lucas novamente quebrou o silêncio.
— A gente já chegou?
E então, respirando fundo, lembrando do fundo da minha alma que aquele garoto era meu irmão e eu o amava muito, eu respondi com todo o amor que preenchia o meu corpo.
— Não e se você perguntar de novo eu vou enfiar essa lança no seu…
— A gente chegou! — Augusto anunciou do início da fila.
Quando me inclinei para o lado para o olhar o início da fila, uma luz encandeceu fazendo com que eu imediatamente protegesse meus olhos, que ardiam e lacrimejavam com a súbita claridade, mas aos poucos fui me acostumando com a luz enquanto caminhava em sua direção.
A primeira coisa que me atingiu — depois da luz, obviamente — foi um agradável cheiro de comida recém saída o forno, enquanto um calor aconchegante e caseiro parecia me rodear e me abraçar, meu corpo involuntariamente amoleceu e dissipou toda a tensão de minutos atrás, e quando meus olhos já estavam totalmente acostumados com a nova iluminação, pude ver que estávamos em um lugar rústico, levemente bagunçado e com certeza muito longe da cidade de concreto, o que era estranho, pois tenho certeza que teria sentido se tivesse andado tantos quilômetros para fora de São Francisco.
Estávamos no que parecia ser uma cabana, o chão de madeira rangia à medida que cada um de nós caminhávamos, sendo abafado por um grosso tapete colorido. Ao olhar ao redor, pude perceber que o lugar não era tão grande, tendo uma sala que se integrava à cozinha por uma bancada pequena com um efeito de galinha que me deu um pequeno arrepio, ao lado da entrada da cozinha se seguia um pequeno corredor com 3 portas, uma sendo um banheiro e os outros dois quartos, segundo nossos irmãos.
Nós estávamos na sala, jogados no sofá e nas duas poltronas que eram extremamente confortáveis, Gus e Céu pegaram nossas malas levando-as para um pequeno armário ao lado da janela da porta de entrada.
— Se sintam em casa — Augusto falava, enquanto ele mesmo deixava suas coisas no armário e soltava suas armas no batente no chão, se dirigindo ao banheiro.
— Esperem um pouco que já já ela deve voltar e poderemos comer alguma coisa, até lá me ajudem a levar os feridos para descansar um pouco, sim? — Céu falou, enquanto já ajudava João a ficar de pé, se dirigindo para o quarto.
Lucas o seguiu com Mikha nos ombros, enquanto eu conferia se os outros estavam bem.
[...]
Depois de um bom banho e curativos feitos, eu me senti renovado, um novo homem. Enquanto estava totalmente esparramado no sofá, com a cabeça de Laís descansando em meu colo e me sentindo aliviado e livre para respirar em muito tempo, eu pude observar melhor o lugar em que estávamos.
Era sim, um chalé pequeno, mas não tão pequeno assim, era bem mobiliado, do jeito que você pensa que um chalé de campo de uma família de classe média poderia ser, uma sala simples com os móveis que já listei, em cores pastéis e lisas, nada muito elaborado, a lareira estava apagada mas com alguns restos de madeira queimada, indicando que havia sido usada recentemente. Havia também, uma pequena mesa de centro na frente do sofá, também de madeira e com uma fina camada de verniz que brilhava em contato com os raios de sol que entravam pelas enormes janelas de ambos os lados da porta.
Em cima da mesinha não tinha nada além de um pequeno pote de doces, mas sem doces, empoeirado e abandonado.
Contudo o lugar que mais me chamava a atenção era a cozinha, um cheiro delicioso exalava daquele lugar, me levantei devagar começando a sentir as dores no corpo agora que toda a adrenalina havia sido expulsa do meu organismo e me arrastei até a porta do pequeno cômodo.
Uma enorme panela fumaçava em cima do fogão, e pude logo perceber que o cheiro vinha dela, me aproximei devagar e quando estava prestes a destampar, um som atrás de mim ligou novamente um alerta em minha mente.
A porta se destrancando, para logo em seguida ser aberta devagar. Me armei com a primeira coisa que vi do meu lado, que foi uma concha verde em forma de dinossauro sorridente.
— Queridos, cheguei — Uma voz feminina e risonha soou.
Uma garota pequena, de olhos castanhos cor de mel, de olhar selvagem e ao mesmo tempo carinhoso, cabelo curto na altura de seus ombros, que usava a camisa laranja do acampamento e um shorts jeans folgado, deixava amostra em seus braços tatuagens de variados tamanhos que decoravam sua pele, assim como em suas pernas e coxas bem torneadas.
A garota adentrou pela porta, parecendo feliz enquanto carregava sacolas de supermercado, seus olhos encontraram os meus e o seu sorriso se alargou.
— Espero que não esteja pensando em me atacar com essa concha Webs.
— Ivy?
A garota sorriu de forma adorável com seu piercing brilhando no nariz. E sem pensar duas vezes, corri para abraçar minha irmã. Senti seus braços ao redor do meu corpo, me abraçando forte.
— O que você está fazendo aqui? Pensei que estivesse com sua mãe — Perguntei sem soltá-la — Na verdade, onde é aqui?
Ivy riu.
— Como assim o que estou fazendo aqui, eu que pedi para os meninos buscarem vocês.
— Como assim?
Ivy se soltou do meu aperto, me segurando pelos ombros, seu olhar vacilou por um segundo, deixando de se iluminar como se tivesse percebido ou se lembrado de algo.
— É melhor você se sentar, está com fome?
[...]
Após todos recepcionarem Isadora e nos abastecermos um pouco com uma deliciosa macarronada com almôndegas e quiche vegana para Laís, nos reunimos na mesa de centro.
— Fico feliz que todos vocês estejam bem, de verdade, nós ficamos sabendo o que aconteceu no acampamento, foi… — A voz de Ivy embargou — Foi terrível, sentimos muito não estarmos lá.
— Vocês não poderiam ter feito nada — Fabrício começou — Foi uma armadilha de Deimos e Phobos, eles nos controlaram para que tudo acontecesse… — Pude perceber seu olhar de canto para San, que havia abaixado os olhos com o soar dos nomes dos deuses — Mas fico feliz que vocês estejam bem.
— Sim, a Bela nos contou o que aconteceu — Ivy olhou sem medo na direção de San — Os únicos culpados foram aqueles dois, e ninguém mais — Esticou seu corpo, alcançando os dedos de San, sorrindo empática para a irmã.
— Trouxemos vocês aqui por isso inclusive — Céu tomou a palavra, terminando seu prato, enquanto limpava as mãos em um pano de prato florido com um cavalo marrom desenhando no meio — Para ajudar vocês.
— Opa, antes de continuar — Paulo levantou a mão, como uma criança tentando chamar a atenção — Onde é aqui e como que a gente andou de São Francisco até o meio de uma floresta? Sério que só eu me choquei com isso?
O trio riu, como se aquilo fosse uma piada interna.
— Calminho Paulo, uma coisa de cada vez — Ivy começou, endireitando novamente seu corpo e sentando na mesinha de centro, enquanto Augusto e Célio se prostavam as suas costas parecendo dois guarda-costas, então ela continuou — Nós estamos nas florestas ao redor da cidade, não longe demais da estradas, mas nem tão perto do epicentro de monstros, o que dificulta eles a nós acharem, além da própria floresta mascarar uma reunião tão grande de glitterzinhos, e viemos parar aqui por uma passagem secreta escondida pela névoa e encontrada por uma das dríades da floresta, ajuda a viajar daqui para a cidade em minutos, caso precisemos de mais mantimentos além de frutinhas, essas passagens estão escondidas por toda a floresta, mas não se preocupem, só as ninfas e dríades sabem onde estão.
— Incrível — Laís falava com a boca cheia e os olhos brilhando.
Isadora sorriu de volta para nossa irmã, como se estivesse feliz só de poder olhá-la, o que eu não duvidava que realmente fosse o que sentisse.
— Mas, certo, tá bom, tudo muito legal, dríades espiãs bonitinhas — Lucas começou a falar, enquanto um fino macarrão se prendia a sua barba — Mas você ainda não falou o porque trouxe a gente aqui e também — Lucas apontou para Céu — Mano cadê o pano de prato?
— Foco luscapeta, foco — Murmurei.
Isadora não evitou soltar uma risada divertida com a implicância.
— Nós trouxemos vocês aqui para, em parte poderem descansar um pouco — Gus tomou a palavra, puxando um dos bancos da bancada que dava para a cozinha, e trazendo para mais perto de nós, não para sentar, mas para se apoiar — E por que após os ataques ao acampamento, a Ivy entrou em contato conosco para fazermos uma investigação a parte, não tinha motivos para voltar ao acampamento agora, então após a falar com quíron, decidimos coletar algumas informações.
— Exatamente — Agora quem tinha a palavra era Célio, que ainda estava recostado na bancada da cozinha — Fomos atrás dos rastros dos campistas desaparecidos, foi difícil.
— Pois é, enfrentamos um ciclope gigante — Gus interveio rapidamente, fazendo caretas homéricas enquanto falava — A luta foi tão intensa, que destruímos um estacionamento inteiro.
Célio suspirou cansado.
— Não foi assim vai, a gente destruiu um carro e quebramos algumas bicicletas Gus.
Augusto abriu a boca pra falar algo, mas desistiu no meio do caminho, murmurando apenas.
— Eles destruíram um bar e vários postes, queria também poxa…
Não sei bem se aquilo era motivo de orgulho, mas ao olhar para o lado pude ver o Lucas fazendo uma careta como que se gabasse, soltando um.
— É para poucos queridos Gus.
Apenas revirei os olhos, estava bem alimentado, limpo e confortável demais para discutir com o Lusca agora.
— Okay… — Ivy falou, alternando o olhar entres aqueles dois garotos, talvez um pouco incrédula que aquela fosse a maior preocupação deles, mas apenas suspirou e continuou — Como os garotos falaram, nós estamos o mesmo tempo que vocês investigando um pouco e talvez tenhamos achado algo, vejam — Isadora levantou da mesinha, empurrando o porta doces para o lado para poder abrir um mapa sobre a mesa.
O mapa parecia surrado, um pouco rasgado nas laterais e com alguns rabiscos em “X” em um vermelho vivo. Ivy apontou no meio da floresta após a ponte Golden gate.
— Estamos aqui — Seu dedo deslizou pelo mapa, passando por Oakland, o parque regional de Redwood, até finalizar o trajeto com duas batidinhas no Parque estadual Mount Diablo — E aqui é onde achamos que vamos encontrar respostas.
— Quais provas temos? — Fabrício perguntou, se inclinando para frente para ver melhor, soltando um baixo gemido de dor com o esforço.
— As dríades falaram que as coisas parecem agitadas por lá — Céu respondeu — Aparentemente diversos monstros têm viajado para lá, caçando algo, farejando alguém.
— Mas e se for uma armadilha? — Laís perguntou, parecendo ligeiramente culpada — Como podemos ter certeza que são campistas e não aqueles dois delinquentes tentando nos atrair para mais um dos joguinhos deles?
Olhei para meus irmãos, de repente o silêncio se instaurou no lugar, com certeza era algo que passava pela cabeça de todos nós. Não podíamos ser bobos em pensar que aquilo não era uma possibilidade real, poderia até mesmo ter outros semideuses lá sim, mas mesmo assim não sabíamos quantos monstros nos esperavam, os motivos de Deimos e Phobos ainda eram nublados, serem as personificações do medo e do terror me fazia pensar que seus planos eram bem maiores, mais sangrentos e mais cruéis.
De repente, algo pareceu estalar na minha mente.
— Deveríamos pensar o por que deles estarem fazendo isso — Falei, ainda em dúvida com as minhas próprias palavras.
— Como assim Webs? — San falou do canto da sala, aconchegada no sofá, parecendo ter achado a posição perfeita que aliviava a dor em suas costelas.
— Pensem só, por que só filhos de Apolo e Ares especificamente foram levados? Por que eles levariam seus próprios irmãos?
— Aposto que aqueles dois nem consideram semideuses como irmãos — Paulo falou parecendo irritado.
— Mas aí é que tá, se não tem o teor emocional, por que eles fizeram isso, por que a maioria das baixas no acampamento foram dos chalés de Apolo e Ares? Por que uma filha de Apolo foi quem liberou a entrada dos monstros? Isso não foi coincidência, eles fizeram questão de jogar nas nossas caras que foi uma irmã.
— O que você está querendo dizer Webs? — Bela perguntou da cozinha, segurando uma enorme caneca de chá.
Eu não tinha certeza se o que estava prestes a dizer era realmente verdade ou uma loucura da minha cabeça, mas talvez, só talvez…
— E se eles estão querendo uma guerra entre os deuses? Por muito menos os olimpianos já brigaram entre si, matar seus filhos dessa forma…
O silêncio reinou novamente, porém dessa vez era diferente, o ar parecia agitado, eletrizado, nos olhávamos inquietos. Uma guerra entre dois deuses tão poderosos não tinha como acabar bem, tirar vidas de crianças inocentes apenas para criar uma animosidade por pura diversão, aquilo não parecia real, mas era, fazia sentido, porém só tinha uma forma de termos certeza e infelizmente aquilo significaria abrir mão das nossas férias recém adquiridas.
Respirei fundo, esfregando meu rosto, já sentindo todo o cansaço voltar para meus ombros.
— Precisamos ir para esse monte.
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