XadreZ
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Quando eles voltaram Ian nos contou tudo o que havia acontecido e Martin admitiu que exagerou um pouco. Ele se desculpou e ajustou os treinos para a capacidade de cada um, embora puxado.
E o primeiro mês se passou sem que tivéssemos nos dado conta. Todos os dias ficamos entre os treinos corporais de Martin e os jogos lógicos de Charlie. Aliás relação dele com os dois parece estar indo bem. Como era de se imaginar Ian é mais aberto permitindo uma melhor interação. Erick por outro lado ainda se mantém fechado mas está cedendo aos poucos como devia ser do nosso chefe ranzinza e desconfiado do mundo. Mas no geral as coisas pareciam estar indo bem. Evoluímos quase dez níveis nesse mês e Kat fez amizade com todos, ela já é parte do grupo oficialmente. Thomas oficializou com um bater de copos de plástico no refeitório e se eu o conhecesse bem diria que está apaixonado, mas eu não tenho certeza do que se passa naquela cabeça.
Hoje teremos uma disputa de um contra um. Nós contra alunos da academia. Depois do café da manhã fomos para o uma sala no segundo andar, mais afastada das outras. Ela é toda de vidro e paredes brancas. No seu centro haviam mesas de madeira com os capacetes em cima e um monitor que transmitia os jogos. Podiam acontecer cinco jogos naquela sala simultaneamente e haviam ao todo na academia, mais dez salas como aquela.
— Podem se sentar. – Um treinador que me deu aulas muitos anos atrás seria nosso juiz.
Quando nos sentamos alguns alunos se sentaram a nossa frente. A minha, fora Jazon. Minha primeira reação foi olhar para Ian a algumas cadeiras de distância.
— É o seu namorado? — Volto a encará-lo.
— Meu marido na verdade.
— Está falando sério? — Coloco minha mão, com o anel que nos trocamos no altar, em cima da mesa para que visse.
— É a mais pura verdade. — Eu falava tranquilamente.
— Você é doida, sabia? Se casou com 17 anos.
— Eu o amo.
— Então sabe como eu me sentia.
— Sei e por isso eu não aceitei. Sabia o quanto doeria se eu terminasse para ficar com ele por que era isso o que eu realmente queria. Foi o melhor.
— Só para você.
— Pra você também. Verá isso.
— Sei.
— Ponham os capacetes. — O jogo começa mas minha impressão é que não será uma disputa por uma simples vitória. Vai significar muito mais do que isso.
Entramos no jogo. O sistema começa a escolher as peças.
— Alice: Cavalo; Jazon: Cavalo.
Empatamos. O jogo está equilibrado. As peças surgem a nossa volta e começamos. Ele sai com sua primeira dama andando duas casas. Provavelmente já vai espalhar as peças logo de cara, uma escolha vantajosa com certeza. Decido pelo mesmo, desenvolver as peças dá melhores possibilidades de ataque e defesa.
Depois de abrir uma brecha ele sai com o bispo, mas eu de idi por algo mais direto e saio com meu cavalo. Quero ser ágil e discreta. Fazer uma boa jogada e depois ficar quieta sem atacar, isso desnorteia o jogador desviando sua atenção e o fazendo focar em um ataque ou defesa melhor e abrindo assim, brechas para mim. Continuo apenas desviando se seus ataques sem comer nenhuma de suas peças esperando para ver qual estratégia escolheria melhorar, ataque ou defesa mas ao invés disso ele sai apenas com seu cavalo e por várias jogadas vai apenas avançando com ele. Não comeu nenhuma peça além das que o podiam estar atrapalhando. E quando avança mais, monto minha defesa em volta do meu casal embora não tivesse certeza do que estaria planejando fazer por que sozinho ele não poderia ganhar. Montei minha defesa com meu cavalo a frente dos outros e esperei que viesse ele veio mas quando chegou descobri seu real objetivo. Ele comeu meu cavalo e sem nenhuma peça comida, eu não podia voltar para o jogo mas ele também não ganhou. Quando saímos que tirei o capacete para lhe perguntar o que estava fazendo ele apenas me disse se levantando e ja saindo da sala.
— Xeque-mate, Alice.
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