XIX

1 Capítulo 1 - Jack


Notas iniciais
Advinha quem chegou! Isso mesmo, a Kelly Key ♥ Estamos começando uma possível longa história daquelas que todo leitor ama. Cheia de reviravoltas, paixões proibidas e assassinatos. Quem não gosta de assassinatos? Eu particularmente amo ♥ Se possível não esqueçam de comentar. A avaliação de vocês é muito importante.

Eu estava no abismo mais profundo. Eu ouvi sua voz. Eu senti o desespero em sua voz. Eu decidi dar-lhe outra chance.

Quando eu subi pelas montanhas de almas sucumbidas pelo pecado, lá estava ela deitada no chão, nua e com os olhos inchados. Eu aproximei-me e ajoelhei-me, acariciei seu rosto com as minhas mãos sujas de poeira e sangue seco. No instante em que minhas unhas afiadas tocaram aquela frágil pele, eu senti que aquela era a alma mais desejada.

— Crianças não deveriam andar sozinhas por aqui. – eu falava com a voz pálida, era quase um sussurro.

— E quem iria me acompanhar até aqui? Estamos sozinhos desde que nascemos. Ninguém pode nos proteger.

Ela respondeu-me com firmeza, apesar da pouca idade, ela parecia saber o que eu era. Eu queria ajudá-la. Ela não era uma alma comum, ela era a alma que eu procurei durante décadas.

Eu estiquei minha mão, na esperança de tirar ela daquele chão. Quando ela agarrou minha mão, não, quando ela mostrou confiança em mim, foi a primeira vez em que eu vi a pureza tocar a escuridão.

Eu me ajoelhei novamente, beijei sua mão esquerda, e perguntei o que ela queria. Em um simples ato inesperado, ela puxou minha mão fazendo com que eu me levantasse, e disse palavras que jamais esqueceria.

— Dizem que quando Ele vem até você, três chances são colocadas em suas mãos. Você é Ele?

Eu lhe respondi com um pequeno sorriso, fazendo com que ela entendesse a minha resposta. A mesma deu-me as costas e caminhou até a borda do abismo, olhou de forma esplendorosa a imensidão daquele buraco e sussurrou seus três pedidos.

— Vingue-me. Seja meu amigo. Fique comigo para sempre, até o fim. – após terminar, ela se virou e me encarou nos olhos.

— Ele ouviu os seus pedidos e decidiu dar-lhe outra chance. Você foi digna de dar ordens a escuridão.

Eu caminhei até ela, fui até suas costas e deixei a marca do pecado.

— Você fez um contrato comigo. Assim como o seu corpo, sua alma será marcada para sempre. Minha propriedade.

Em seguida eu dei-lhe um pano de seda escuro como os olhos do pecado para que ela pudesse se cobrir. Dizem que o inferno é quente, eu tenho certeza que eles nunca vieram até aqui. As almas sucumbidas pelo pecado transparecem a sensação mais fria entre os dois mundos.

Avisei-lhe que quando ela acordasse, eu seria a coisa mais próxima de confiança que ela teria. Seus pais haviam falecido horas antes de eu ouvi-la. Eles provavelmente não eram dignos de uma segunda chance.

Diana Laursen, filha de uma das famílias mais influentes do século 18. Com a morte de seus pais, ela acabou tendo que assumir o titulo de Condessa. Os humanos de toda a Londres estão achando inadmissível uma garota de 16 anos assumir um cargo tão importante.

Eu perguntei-lhe que nome ela queria que eu tivesse. Bem, ela me deixou escolher. Meu nome seria Victoria Klausen. O mesmo nome da Rainha, já o sobrenome eu retirei do meu ultimo contratante, isso já vai fazer um século.

A Rainha foi informada de que a filha do Conde e da Condessa havia retornado dos mortos com uma linda vadia, mais especificadamente: Eu.

Nós duas ainda não sabemos quem a informou, mas isso não importa, pelo menos por enquanto. Após ter certeza de que ela era uma contratante, a Rainha nos deu o trabalho de limpar Londres. Para a nossa alegria, o primeiro caso que teríamos de solucionar era o de Jack, o Estripador. Eu achei que seria um trabalho fácil, mas até agora só descobrimos coisas insignificantes.

Descobrimos o motivo de não ter muito sangue nas cenas de crime. Apropriadamente eu diria que elas são estranguladas, isso impede que elas façam barulho. Depois os órgão são retirados de uma forma quase perfeita, provavelmente alguém com conhecimentos médicos está envolvido.

Conseguimos impedi-lo de matar Elizabeth Stride, ou pelo menos achávamos que tínhamos impedido. Dois dias depois de interrogarmos a moça, ela teve sua garganta cortada. De inicio eu me surpreendi com aquela nova forma de assassinato, mas com o passar do tempo cheguei à conclusão de que ele foi interrompido.

Ele a estrangulou, mas quando estava prestes a remover seu útero ou qualquer área interna do corpo, ele foi interrompido. Qualquer pessoa com um bom juízo nessa cidade teria entregado-o para a Scotland Yard. Mas foi exatamente ao contrario. Foi então que eu cheguei ao meu pensamento final: O Estripador não é apenas uma pessoa.

Ao chegar a essa conclusão, comuniquei imediatamente a Diana. Ela sugeriu contarmos a Rainha, mas eu achei melhor termos certeza daquilo.

Resolvemos dar um tempo nas investigações e tirarmos um dia de descanso. Tínhamos que esperar o assassino, ou melhor, os assassinos agirem.

Nós nem conseguimos terminar o chá, agora tínhamos um assassinato igual os outros. Decidimos ir até lá. Quando estávamos quase na cena do crime, eu percebi o quanto Diana parecia aterrorizada. Eu entrei na frente dela e pedi que ela não fosse. Ela era uma adolescente, adolescentes dão problemas desde o inicio dos tempos, mas para minha surpresa ela aceitou ficar.

Eu continuei, e quando estava frente a frente com o corpo, percebi que os humanos também são monstros.

Ela estava deitada em sua cama, suas pernas estavam abertas. Os lençóis brancos estavam vermelhos, até mesmo seu coração foi retirado. O assassino cortou a garganta dela até a coluna vertebral, e retirou diversos órgãos. Eu me enganei quando pensei que esse corpo estaria como os outros, dessa vez foi algo mais cruel. Talvez ele estivesse sem paciência para fazer sua arte. Em todos os meus séculos, aquele era o assassino mais incrível que eu já tinha ouvido falar. O homem é realmente assustador.

Após ter analisado o corpo, certifiquei-me de que não iriam descobrir a minha visita ali. Quando saí, encontrei Diana no chão, sentada e dormindo. Estava na hora de irmos embora, a família Laursen nunca se deu bem com a Scotland Yard. Além disso, estava quase amanhecendo. Eu nunca gostei da luz do sol, não era agora que eu mudaria minha opinião.

Notas finais
O capítulo foi curto por motivos de ser o "prologo". Então segurem a marimba e aguardem para o próximo capítulo. Eu sou péssimo com notas finais, então nos vemos daqui á uns dias ♥ Até lá ♥