XIX

5 Capítulo 5 - Gray


Notas iniciais
Este capítulo foi cansativo, mas me deixou suficientemente alegre com o desfecho. Com certeza o próximo será melhor. Se possível não esqueçam de comentar. Boa leitura!

Estávamos na carruagem, cruzando Londres, rumo à festa na mansão que havíamos sido convidados. Ele permaneceu calado na maior parte do caminho, mas eu pude perceber a expressão de alegria e satisfação em seu rosto. O mesmo que havia me convidado para jantar, foi convidado por mim para ser meu acompanhante no baile.

— O que a fez mudar de ideia e decidir sair comigo? – ele cruzou todos os dedos em sinal de ansiedade, em seguida pude perceber que seus olhos estavam virados para meus pés.

— Diana adoeceu, sua irmã está ocupada resolvendo problemas... – eu estava procurando a melhor palavra para definir a mãe do mesmo – E a louca da sua mãe seria minha ultima opção. Acho que você é o mais certo para me acompanhar. – respondi em tom firme enquanto olhava as luzes a gás sendo acesas.

— Entendo. – nesse momento ele estava mantendo contato visual comigo, mas depois de um breve segundo ele voltou a olhar para baixo – Bem, seus sapatos são lindos. – ele continuava falando bobagens, mas dessa vez eram elogios – Seu espartilho deixou sua cintura magnífica.

— Eu apertei o suficiente para que perca meu ar durante uma dança. Essa seria a melhor forma de suicídio. Não acha? – eu estava sendo rude, mas no fundo só estava falando a verdade.

— Desculpe-me. – ele abaixou sua visão novamente, olhando outra vez para meus pés.

— Sua cartola também é bonita. – tentei ser um pouco mais gentil.

— Você acha? – ele mostrou um sincero sorriso e olhou diretamente para mim.

— Ela é escura como a noite.

Depois daquele curto dialogo, a nossa carruagem parou em frente aos portões daquela gigante mansão, ela era quase do mesmo tamanho da mansão dos Laursen.

Philip, que ainda estava procurando uma maneira de abrir a porta da carruagem, foi surpreendido pelo empregado de nossa mansão que havia nos trazido até o local desejado. Philip desceu, em seguida estendeu sua mão para me ajudar a pisar em solo firme.

Nós dois caminhamos formalmente até a porta da mansão, mas antes de entrarmos fomos abordados por um casal. Casal aquele que já havia me causado problemas.

— Victória! É um prazer vê-la novamente. – Vincent agiu de forma calma e respeitosa.

— Olá! – respondi em mesmo tom, mas não pude deixar de perceber a coloração diferente no cabelo de Rumisa.

— Não irá apresentar o homem que está com você? – Vincent sorriu para Philip, talvez ele estivesse interessado em meu acompanhante.

— Este é Philip Howard. – após apresentar Philip, fiz o mesmo com Vincent – Este é Vincent Hayward.

— Nosso sobrenome é quase igual. Será que o destino está querendo nos dizer alguma coisa? – Vincent encarava Philip como um demônio encarava uma alma.

— Philip, eu acho que você e Vincent têm muito em comum. Deixarei vocês conversando por um instante, agora preciso falar um pouco com ela. – disse ao me retirar de perto do meu acompanhante e me aproximar de Rumisa, ficando ao lado da mesma.

Philip entendeu de certa forma o que Vincent queria e me encarou com um olhar de que eu estava perdendo pontos com ele, mas mesmo assim começou a dialogar e agir gentilmente com o demônio.

Distante daqueles dois, decidi perguntar diretamente o motivo de Rumisa ter tingido seu cabelo com outra cor:

— O que houve com seus cabelos?

— A Scotland Yard está me procurando. Uma jovem dama de cabelos loiros e que anda curvada destruiu uma igreja.

— Eu disse que acabaria com vocês se me aparecessem outra vez! – eu afirmei o que havia dito no nosso ultimo encontro.

— Não, você não queria que matássemos novamente, isso é diferente.

— Como um anjo quer retornar aos céus depois de destruir uma igreja?

— Não era uma igreja de verdade. Eles usavam palavras falsas, pregavam algo que não foi realmente dito. – ela juntou as mãos como se fosse orar e fechou os olhos – Meu Deus jamais diria isso!

— Ele diria coisas piores... – antes de eu terminar minha frase, fui interrompida por uma voz masculina.

— O que faz uma jovem dama sozinha no escuro? Isso é bastante perigoso, principalmente com um assassino a solta. Garotas bonitas não devem ser assassinadas. – ele agia com etiqueta, suas palavras eram quase que calculadas.

— O assassino só mata prostitutas, nós duas não pretendemos vender nosso corpo. – eu caminhei até ficar ao lado dele – É rude chegar silenciosamente perto de alguém, eu posso fazer com que você seja expulso dessa mansão pelo dono da mesma.

— Nós? Mas você está sozinha aqui. – ele sorriu e começou a caminhar lentamente, deixando eu e Rumisa a sós novamente.

Primeiro eu achei que só eu pudesse ver Rumisa, mas depois lembrei que Philip havia visto ela. Quando me virei percebi que estava sozinha no jardim, também estava sozinha do lado de fora da mansão.

Comecei a caminhar e vi o tamanho da energia negativa que rondava aquela casa. Era algo quase demoníaco, mas a única presença de demônio que havia na mesma era a de Vincent.

Continuei caminhando até encontrar um anel valioso no chão, quase que ele estava desaparecendo entre a grama alta. Eu o peguei, olhei sua borda e reparei que havia um nome impresso: “Petersen”.

Petersen era o mesmo sobrenome de Esther. Qual a conexão que Esther tinha com o dono desta Mansão? Deve haver outro alguém com este sobrenome nesta mansão. Talvez este anel tenha caído da mão de alguém que caminhava pelo jardim.

Eu estava adiando muito o meu retorno para a mansão. Quando estava quase me retirando do jardim, as vozes adentraram minha cabeça. Vozes de dor, sofrimento, angústia. Com certeza alguém havia morrido ali. Eu estava pronta para começar a solucionar esse mistério.

Quando estava em frente à porta principal da mansão, coloquei minha mão sobre a maçaneta e girei-a lentamente. Meu olhar foi diretamente para o homem que estava com o braço erguido e segurando uma taça com vinho branco. Era ele, o homem que havia conversado comigo no jardim.

— Sejam bem vindos. Meu nome é Dorian Gray. É um prazer tê-los aqui nesta noite.

Notas finais
Ufa! Foi tenso esse final? É, eu também acho isso. Eu nunca sei como me despedir em notas finais... Então é isso. Nos vemos em um futuro não muito distante. Até breve meus abôres
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.