X-Men: O Renascer Da Fênix
13 Culpas
Notas iniciais
Alice tentou levar uma vida normal desde então.
Ela evitava ao máximo ir aos mesmos lugares que Erik, de modo que ela não o vira mais. Ela também teve alta do hospital e logo pôde voltar a treinar como antes. Aliás, Alice estava treinando mais do que o comum, quase dobrando sua carga horária diária de luta. Ela simplesmente precisava arrumar algo para fazer e esvaziar sua mente dos últimos acontecimentos. Precisava manter-se ocupada.
Até mesmo Charles viera falar com ela, perguntando sobre o incidente com Erik. Alice lhe contou tudo, e somente ouviu as palavras de Charles por educação, porque em nada concordava com elas. Charles, na visão de Alice, tentava fazer com que ela voltasse a conversar com Erik normalmente. O Professor argumentava que ela precisava reforçar sua proteção contra outros possíveis ataques da Fênix, mas Alice hesitou. Ela já convivia no mesmo espaço que Erik, ainda que não mais falasse com ele. Ela estaria protegida, mas com menos intensidade.
Além disso, pelas palavras do Professor, ele sabia de todos os detalhes da relação dela com Erik. Foi um tanto constrangedor para ela.
Desse modo, em um dia aparentemente comum, Alice levantou-se mais cedo do que o normal e decidiu ir até à Sala de Treinamentos para praticar luta. No caminho até o lugar, deparou-se com Scott em sua frente.
- Olá, Alice. – Disse ele, sorrindo amigável.
- Oi, Scott. Veio treinar mais cedo? – Perguntou ela, curiosa.
- Na verdade, vim aqui para chamar você. O Professor quer te mostrar uma coisa. – Disse ele, ligeiramente apreensivo.
Alice teve uma imediata intuição. Não sabia o que o Professor queria mostrar a ela, mas sabia que não devia ser algo bom.
Alice sentou-se na cadeira que estava em frente à mesa tão conhecida do escritório de Charles Xavier. Fazia dois dias desde a última vez em que eles conversaram.
- Alice... Saiu uma coisa na televisão hoje cedo. Queria que você soubesse disso com alguém ao seu lado para te apoiar... E... Saiba que eu conversei com Erik. Ele me garantiu que não sabe de nada. – Começou Charles, e também parecia nervoso.
Alice arqueou as sobrancelhas, cerrando os punhos ao ouvir o nome de Erik. Como ele ainda podia interferir na vida dela, mesmo após o que fizera? Foi com um sobressalto que Alice imaginou as cenas na varanda... As cenas de resgate. Onde tudo parecia bom e perfeito demais para ser real. Depois, lembrou-se de que ela própria mandara Erik sair de sua vida.
- O que aconteceu, Charles? E... O que Erik tem a ver com isso? O que ele não sabe? – Perguntou ela, involuntariamente curiosa. Agitou-se na cadeira onde estava, e só então percebeu que Scott tinha ficado do lado de fora da sala, como um guarda-costas, ao lado da porta.
- Assista. E espero que possa me ouvir com atenção. Isso aqui não é um jogo, Alice. – Avisou Charles, e Alice mordeu um lábio pelo nervosismo que sentia.
O que de tão terrível poderia ter acontecido?
Charles tocou no botão “ligar” de um controle remoto. Havia uma pequena tela colocada cuidadosamente na mesa, de modo que Alice e Charles pudessem vê-la com perfeição. A tela acendeu e a imagem apareceu. Um telejornal. Uma apresentadora dava a notícia.
“Não temos novas informações sobre o paradeiro de Liam Field. O deputado foi sequestrado na noite passada, não se sabe exatamente como. Testemunhas não viram nada de anormal no local. Será que isso tem a ver com o recente pronunciamento do deputado contra a nação mutante? E Erik Lensherr? O que teria ele a dizer sobre isso? A América quer saber!”
Alice olhou aflita para a pequena tela. Seu pai fora sequestrado? Ela não podia acreditar no que ouvia. Teve certeza de que o culpado por tudo era Erik. Como Charles poderia querer defendê-lo ainda assim? Ora, Erik afirmara tudo para Alice. Ele ainda queria vingar-se do pai dela.
- Meu pai... Ele... Ele... – Ela guaguejou, nervosa.
- Eu estou tentando encontrá-lo, mas é difícil. Ele não possui o Gene X, e nossos radares funcionam melhor para mutantes. Mas Alice... Erik e eu conversamos. Ele jura que... – Ia dizendo Charles, olhando afetuosamente para Alice. Ela tentava manter-se controlada, mas o surto de informações era gigantesco. Ela não suportaria por muito tempo.
- Que mais ele jurou a você? Charles! Só pode ter sido o Erik. Ele disse que queria se vingar do meu pai, você sabe disso! Ele já mentiu tanto! Uma outra nova mentira não custaria nada para ele. – Alice falou, o tom de voz subindo duas oitavas à medida que o nervosismo dela crescia.
Alice podia não se relacionar muito bem com o pai. Podia até mesmo não gostar muito dele, ou podia não vê-lo fazia tempos. Mas ele ainda era seu pai. Ela se importava com ele.
- Eu também pensei nisso... Mas ele esteve o tempo todo em Utopia. Não teria como ele ter feito isso. – Disse Charles, com a expressão paciente. Era a expressão de alguém que lidava com uma criancinha mimada.
Por fim, Alice levantou-se e rumou em direção à porta. Ela falou, resignada:
- Esquece, Charles. Agradeço tudo o que você tem feito por mim, pra me apoiar e tudo o mais. Mas Erik vai ter que me dizer onde meu pai está.
Alice procurou por Erik em cada canto de Utopia.
Ela estava em fúria, caminhando apressada e pesadamente, procurando por ele em todo lugar. Ela sentia sua pele formigar, querendo libertar seu poder. Suas mãos esquentavam de raiva. Ela perguntou para cada mutante pelo paradeiro de Erik, mas ninguém o tinha visto. Alice, por fim, depois de passar uma tarde toda procurando por Erik, desabou em um corredor deserto, exausta.
Ela sentou-se no chão, longe de algumas luzes, e sentiu novas lágrimas surgindo.
- Eu não aguento mais! – Ela berrou, agoniada.
Alice enterrou sua cabeça entre os joelhos, querendo fugir desse mundo que não podia ser real. Era tanta coisa acontecendo... O pai dela sumiu, Erik era o culpado... E ela sentia falta dele, mais do que nunca, porque amava o culpado pela ruína de sua vida.
Assim, ela se deu conta de que amava Erik. E se deu conta de que esse amor nunca se realizaria, porque ela jamais teria a oportunidade de dizer isso a ele. Ou pelo menos, não teria a oportunidade de dizer isso, porque olharia no fundo de seus olhos azuis, e veria a culpa. Porque Erik a enganara, a usara... E sequestrara o pai dela como vingança, por causa de um passado distante. Alice só queria olhar fundo nos olhos dele e encontrar o amor de volta, mas sabia que encontraria escuridão, terror e vingança. Nada além disso.
Além do mais, ela tinha certeza de que ele era culpado pelo sumiço de Liam. Quem mais o seria? Erik sumira após o sequestro. Ora, por que teria feito isso, se não para poder seguir com seu plano de vingança, sem a interferência de Alice? Ela sabia que ele fugira para não encará-la novamente, porque sabia que Alice queria respostas.
Respostas que ela talvez nunca teria. Porque ainda tinha a questão da Fênix, que ainda atormentava Alice. Quando ela teria paz? Pensou, com resignação, que sabia a resposta, pelo menos dessa pergunta: Nunca.
Mas aí Charles apareceu, tentando, como pôde, ajudar Alice a se levantar. Ele parecia preocupado, de alguma forma. Alice o abraçou, de tão desprotegida que se sentia. Ficaram assim por alguns minutos, e Alice agradeceu:
- Obrigada, Professor. Você é como um pai para nós.
Charles sorriu, e por um momento, a preocupação em seu rosto se dissipou. Mas então, Alice perguntou o que afligia o professor. Ele contou.
- Alice... Eu o vi apenas de manhã, e ele jurou ser inocente. Ele disse que sentia muito, e que queria que você o perdoasse. Eu o procurei à tarde toda, mas... Os sensores não o captam. Acho que Erik também sumiu.
Alice ficou boquiaberta. Ela sentiu-se novamente vazia por dentro. As coisas ruins estavam acontecendo em sua vida sucessivamente, uma atrás da outra. Ela não suportaria outra notícia ruim. A vontade de Alice era de fugir, mudar de nome, quem sabe? Mas obrigou-se a ser uma X-Men de verdade. Cairia lutando, se fosse necessário.
Ela se ofereceu para ajudar Charles nas buscas, mas realmente, era como se Erik tivesse desligado seu radar pessoal e desaparecido. Ninguém o vira. E Charles não conseguia encontrá-lo. No meio da confusão, Charles chamou os outros X-Men para contar o que tinha acontecido, e Alice foi para seu quarto, procurando por alguma pista. Não esperava encontrar nada, mas viu um papel desconhecido em cima de sua cama.
Alice caminhou até à cama, pegou o papel e achou-o estranho. O papel parecia ter sido queimado... Cheirava cinzas. Parecia, inclusive, ainda estar quente. Mas o que mais chocou Alice foi o conteúdo do bilhete.
Estava escrito: “Eles estão comigo. Encontre-me sozinha ou eles morrem. Você saberá onde estou. Esteja lá à meia noite. O jogo começou. E... Quero acabar com isso depressa”
Fale com o autor