X-Men : Magia e Pecado

3 A Moça de Vestido Esmeralda


— Alguma coisa errada com seu trono? — perguntou Illyana.

Hela deixou escapar um suspiro. Caminhou de lado a outro com olhar monótono.

— Não tenho permissão para me sentar mais, e Baldur se recusa. Então a sala do trono é esquecida. Ah, mas você sabe tudo sobre tronos vazios, não é?

Isso seria parte do jogo. O jogo de xadrez. Trocando farpas preparadas e truques, preparando feitiços, ilusões. Ataque em tantas posições e modos quanto era capaz. Illyana continuava calada.

— Oh, já foi magoada? — Hela perguntou, ainda de costas. — Você sabe, eu posso abandonar Hel. Eu não tenho mais poder aqui. Mas talvez eu poderia ter poder em outro lugar. Limbo seria um bom substituto , você não acha?

Illyana continuava procurando por a alma, concentrando-se enquanto caminhava. Desviava dos cadáveres e armaduras que cintilavam ao chão.

— Eu imagino que se eu fosse pegar o trono lá... — Ela começou a se virar. Mas percebeu, tarde demais, que Illyana não tocava nas regras. Não nas de Loki, e certamente não nas suas. Ela era como eles, mas não uma deles.

Em um segundo, um brilho azul e a brilhante desceu sobre Hela. Seus olhos se arregalaram, erguendo a mão defensivamente. Coincidentemente, era a mão que Illyana mirava.

A Soul Sword poderia produzir almas, perturbá-las e mutilar, talvez destruir. Mas desta vez, ela tinha em mente outra coisa. Cirurgia. A lâmina percorreu o pulso levantado de Hela. Borrou sua silhueta, tingindo um brilho mágico em seu braço. Mas não deixou nenhuma marca física.

Hela ainda gritou, afastando-se em um grito dolorido. O balanço era um ato violento, mas a intenção não era. E com a magia, tudo era intenções e metáforas. Illyana não colheu a alma alojada na mão de Hela. Ela não aceitou, nem roubou. Ela a guiou. Illyana sentiu mais calor, mais quente desta vez, a essencia transparente entrando em seu corpo.

Essa fragmento não explorou como a primeira. Sentou-se firmemente na palma da mão e esperou lá. Era um convidado.

Com um começo, Illyana percebeu o que era. O que ambos eram. Loki havia dito que essa mulher, essa pessoa misteriosa que precisava de poupar, ela tinha sido sua amiga. Bem, em suas palavras, ao menos — melhor amiga.

Sua melhor amiga para sempre.

— De quem é essa alma? — inquiriu Illyana.

Hela apertou sua mão, os dentes cerrados .

— Você faria exigências a uma Deusa depois de ofendê-la assim?

Illyana encolheu os ombros.

— Eu não jogo pelas regras, e por toda a anarquia que você e Loki afirmam defender , você ainda segue as regras. Apenas de modos diferentes de todos os outros. E eu e usei essa expectativa contra você. Você pensou apenas porque Eu sou uma colega de uma dimensão sombria, que assim eu jogaria por seus metodos?

— Não esperava, de fato... Não quando estou a barganhar com a filha das Trevas. A própria criação de Belasco. Afinal, onde esta mesmo seu pai, criança?

O cenho de Illyana fechou-se mortalmente. A espada reluzente estava agora a poucos centímetros do pescoço de Hela

— No mesmo lugar que você irá se não me responder, minha amiga — então, estendeu a mão impaciente. — Então, quem é ela?

Hela sorriu. Um pequeno sorriso muito parecido com o de Loki.

— Você vai descobrir em breve. Ah, se vai... Adeus — ela estendeu a mão, como se desejasse que a visitante partisse. — Até a próxima, Filha das Trevas.

Illyana abriu um novo disco, teleportando para o próximo local. Podia jurar que ainda ouvia a risadinha estridente da deusa do Submundo enquanto deixava-a para trás. Algo bom não a aguardava, ela sabia.

Algo muito errado.

II

Ela pousou em Nova York. Claro que era Nova York.

Tudo acontecia em Nova York...

Era um dia ensolarado em Central Park, e o tráfego estava firme. Alguns transeuntes caminhavam em passeios, ou passavam em bicicletas, ou compravam comida de vendedores ambulantes. Nada estava fora de lugar. Parecia não haver nada no radar místico de Illyana.

Tudo era incrivelmente normal. Nenhuma alma perdida ali. Mas os três fragmentos zumbiam dentro dela em um coro. Sentia um tipo de cócegas, um tipo curiosamente engraçado.

"Pare com isso, não gosto disso", disse ela para si mesma.

Protegeu seus olhos do sol e pôs-se a examinar a multidão. Ninguém a notou. Seu glamour estava intacto. Eles simplesmente a ignorariam, o que era bom. Ela desprezava a atenção, e as pessoas sempre encararam um super-herói em uniforme.

Mantendo seu foco distraído, ela permitiu que o instinto assumisse o controle. Não demorou muito. A próxima peça parecia ser inteira. Mais ou menos.

Estava sentada em um banco do parque, lendo um livro. Esta não era uma alma, fragmentada ou não.

Era uma pessoa.

Usava um vestido verde que parecia um pouco fora de lugar em Nova York, seu cabelo preto preso por presilhas de ouro. No primeiro momento, Illyana preocupou-se que a figura fosse apenas Loki disfarçado, que ele de alguma forma a enganava.

Illyana parou na frente da moça. A mulher continuou a ler, ignorando-a. Então prazerosamene, Illyana bloqueou propositalmente a luz do sol.

A mulher suspirou, murmurou algo em voz baixa e olhou para cima. Ela parecia pronta para dizer algo cheia de bile e raiva, mas parou. A boca dela se abriu, seus olhos se arregalaram, mas ela nada disse.

— Eu estava procurando por você — disse Illyana.

— Eu também estava procurando por você — a mulher piscou, como se dissesse algo errado. Então sacudiu a cabeça. — Não. Não você. É ... Nao, você não é quem eu estou procurando. — analisou bem as feicoes da loira. Cerrou os olhos. — Você não tem franjas.

— O que a minha franja têm a ver com qualquer coisa?

— Tudo. A mulher que eu estava procurando nunca ousaria se separar delas.

— Bem, quem quer que seja, parece que ela pode muito bem tentar algo novo.

A mulher sorriu agora. Illyana foi mais uma vez lembrada de Loki, mas, ao mesmo tempo, não. Havia calor nesse sorriso. Sentimento genuíno, e não apenas uma sensação de superioridade presunçosa.

— É? E como é que 'algo novo' está funcionando para você?

— Para ser sincera — Illyana deu de ombros — Sinto falta da franja.

Ela não tinha certeza do que estava acontecendo. A mulher parecia conhecê-la, e pior ainda, Illyana estava respondendo. Não gostava de coisas novas, pessoas novas. Eles tinham de ganhar sua confiança.

Mas então, ela tinha três partes da alma desta mulher dentro dela. O que, querendo ou não, contava muita coisa.

— Sou Illyana Rasputin — disse ela.

— Eu sei — A moça sorriu, voltando a atenção ao livro.

— E você está aqui por que...?

— Tentando ler — disse ela, uma expressão entediada e irritada.

Illyana cruzou os braços.

— Vejamos, vestido verde, muito bonito, mas não bastante alinhado com a era moderna. Ouro destacado. Não dourado, mas ouro real. Então, você tem acesso a riqueza ou conhece alguém rico. Você conhece magia suficiente para formar um glamour muito sutil, mesmo que eu tive problemas para ver, e eu estava procurando por isso. O conjunto de cores é bem na vibe Loki de ser-

A mulher revirou os olhos

— O que você não parece gostar mas que claramente tem algum carinho por você. O que é raro, já que ele é o cara que é famoso por tentar matar o próprio irmão o tempo todo.

— Bem, vejam só a Inspetora Magia em ação. Você tem mais alguma coisa para mim?

Illyana encolheu os ombros. — Você está conectada aos Asgardianos. Você é poderosa, quem quer que seja. Mas não é uma deusa.

A mulher fechou o livro e assentiu levemente.

— Leah de Hel.

Leah — Illyana repetiu — Anagrama de Hela. É algum tipo de truque?

— A maioria das coisas são, e na maioria das vezes eles são jogados em mim. Descobri que tenho um pouco de aversão por maldade nos dias de hoje. Exceto quando eu estou fazendo isso.

Os três fragmentos de alma que Illyana havia coletado queriam se conectar com essa Leah. Pulsavam dentro de Magia, ela podia sentir. Alguma parte dela resistiu. Ela tinha de ter certeza. Ela não permitiria que fossem feridos por uma demonstração ingênua de irresponsabilidade.

— Eu fui enviada pelo chifrudinho do Loki — informou Illyana. — Ele me disse para fazer uma missão. Corrigir algo que foi quebrado. Implicou que foi, ao menos parcialmente, culpa dele mesmo.

— Loki, tentando consertar alguma coisa? Isso não soa como ele. Ele sempre tem um motivo interior.

— Foi o que eu disse — a loira sorriu, maliciosa — Mas ele me prometeu, ele jurou seu sangue, seu poder e sua divindade que ele não quis fazer nenhum mal a ... Bem, ao que eu estou tentando corrigir.

— O que é? — Leah fechou o livro e pôs-se de pé — Que hesitação curiosa, eu me pergunto ... Oh, você quis dizer eu. Você está tentando contornar o assunto. — ela sorriu de forma tênue — Ah, mas você sempre faz isso quando está nervosa.

— Sempre? — Illyana a sondou — Nós nos conhecemos?

— Nós, você diz nós? Não. Eu? Sim.

— O que isso deveria significar? Quer dizer, além do fato de que você gosta de brincar com pronomes?

— Primeiro, você me conta sua história, e eu lhe conto a minha. O que voce está tentando consertar exatamente? Isso sendo além de mim.

— Ele disse que sua alma estava dividida em cinco partes. Ele me disse para sair e reuni-los. Encontrei três. Eu estava esperando encontrar outro fragmento aqui, mas em vez disso, você é uma pessoa.

Leah fez um pequeno arco de cabeça.

— Na verdade, eu sou. E enquanto o que ele disse é tecnicamente verdadeiro, não é toda a verdade. Eu acho que ele está tentando me assimilar na Terra. Me faz sentir como um estranha. É manipulador, barato e meio controlador... Mas doce. Para os niveis dele.

— Tudo bem, eu disse o que estou fazendo, agora me diz quem você é.

Leah parecia pensar sobre isso.

Ela procurou o rosto de Illyana, como se estivesse procurando alguma coisa, e depois sorriu. Outro sorriso caloroso, como se ela tivesse percebido uma piada para contar.

— Não.

— Não? Tivemos um acordo.

— Nós não investimos no acordo. Mas vou explicar tudo em troca de duas coisas. Não, duas! Sim! Dois é um número mágico!

Leah aproximou-se de Illyana. Um pouco perto demais. Ela odiava as pessoas em seu espaço pessoal. Mas recusou-se a recuar. Ela não conhecia essa mulher, mas conhecia seu tipo. Não podia simplesmente recuar com eles.

— Para a primeira ... Deixe a espada aqui quando você for para o próximo fragmento. Ela não vai confiar em você se você estiver armada.

Parte de Illyana suspeitava de uma armadilha. Mas fazia sentido. Sua espada espiritual não era das mais calmantes para estranhos.

— Certo — concordou, entregando sua Soulsword.

— Bom. Então, quanto ao último pedido, vou coletar sobre isso em um segundo. Agora, nossa história, e é nossa história, é longa. Mas não se preocupe. Eu vou fazer isso rápido. Suspeito Você verá tudo de qualquer maneira, em breve.

— O que isso deveria significar?

— Sempre tão impaciente. Eu juro que você só concordou em passar pela cerimônia porque sabia o quanto eu queria.

— Cerimônia? — Illyana franziu o cenho — Que cerimônia?

— Nosso casamento, é claro, minha querida.

E então Leah tocou o rosto da garota. A loira endureceu, e todo seu instinto era cair para trás, para longe de Leah. Ela odiava pessoas em seu espaço pessoal. Odiou. Odiava tanto. Foi uma violação, uma invasão!

Ninguém deveria se aproximar.

E então ela viu. The Shield Wall. A batalha sem fim. Ela se viu lutando contra os mortos-vivos, as máquinas e a onda de aniquilação. No fundo da sua mente, ela enzwegava um turbilhão de memorias — memórias que ela nunca havia vivido.

Mas ela não viu isso em sua perspectiva. Ela viu isso de outra pessoa — Leah. Ela viu as mãos de Leah enquanto eles usavam feitiços ao seu lado na batalha. Ela viu as mãos de Leah se aproximarem e tomarem as suas. Ela as viu conversando após a batalha. Mas era outro lugar, outra dimensão.

Ou talvez um emaranhado de dimensões. Tantos mundos incompatíveis e colocados em toda a ordem errada, como se alguém tivesse jogado a metade do conteúdo de mil caixas de quebra-cabeças e tentasse fazer uma imagem coerente. Illyana viu tudo. A guerra, a amizade. Ela viu Abigail Brand, sua líder. Ela viu Ben Grimm, seu escudo, protegendo-os. A legião dos mortos. Ela viu tudo e sentiu-se como em casa.

Mas essa não era sua casa. Era de Leah. Esta Illyana que ela viu através dos olhos de Leah não era ela. Era outra pessoa. E ela viu mais. Ela viu Leah vindo para este mundo, encalhada e confuso. Capturado por Hela, libertado por Angela. Ela a viu ao vivo por sete anos. E mesmo diante disso, Leah ainda lembrava de Illyana. Ela ainda amava.

Ela poderia ter jurado que ouviu alguém cantando. Quando cessadas as imagens, Illyana abriu os olhos outra vez, mas Leah havia ido embora.

Dentro do peito de Illyana, sentiu um novo calor. Ela sentiu as lágrimas rasgando novamente, e então encostou sua Soulsword no chão macio. Ninguém a veria, com cortesia de seu glamour. Mas mesmo que o fizessem, ninguém poderia levá-lo.

Com discretaa lágrimas escorrendo por seu rosto, ela abriu um disco de teleporte e dirigiu-se em direção ao último pedaço de alma.