Xícaras De Chá
2 Mais Uma Parte do Prefácio
Debruçando-se levemente sobre a velha, cor de banco de igreja descascado (?), escrivaninha, Sasuke percebe a última gota refinada de sua alma escorrer por seu rosto, em forma de uma fina lágrima.
Minutos antes disso, o pequenino descobre o que será feito com ele. Ele irá morar na casa dos melhores amigos de seus pais e também a única família que decidiu aceitar o garoto: A família Uzumaki. Por viverem do outro lado da cidade, Sasuke chegou lá apenas ao final da fria, agonizante noite. Antes disso, ele havia ficado por longas horas em uma delegecia, ouvindo ligações e ligações, avaliando o quão sérios os casos pareciam.
Uma garota que se suicida no banheiro.
Um cãozinho fugiu de casa.
Um roubo à uma casa na zona rural da cidade.
Nada parecia tão sério, até que o pequeno decidisse "ver os dois lados da coisa". No primeiro caso, por exemplo, pode ser dita a não tão célebre frase "Pessoas morrem todos os dias". Por outro lado, a dor de perder um ente querido é inimaginável para quem a sente, e, a partir do momento que se começa a julgar desse modo, parece a pior situação para se estar no mundo.
O segundo caso parecia até ridículo, comparado aos outros. Porém, e se sua dona fosse uma menina de 5 anos, ou menos? Como ela entenderia que seu cahorrinho não saberia o caminho de volta para casa, que ele não tem capacidade de pensar como ela? Esta menina deveria estar chorando muito, para ser preciso que seus pais liguem à polícia.
Para um garoto tão jovem, Sasuke realmente era ambíguo quanto a qualquer coisa que ele se envolvesse. Ele havia aprendido isso com seu irmão.
Por várias vezes, ele ouviu os policiais sussurando "Mas ele não tem para onde ir." e "Obrigado, você tem algum outro número para o contato dos Uchiha?"
A única coisa que ele havia conseguido trazer consigo fora sua antiga luminária. O resto havia sido tomado pelo fogo, levado para longe, assim como sua família. Quando ouviu o chamado de um policial, ele se disparou a correr, grato por finalmente sair de lá.
Eles dirigiram por pouco mais de 1 hora até chegar na casa dos Uzumaki.
Assim que chegou, o pequeno Uchiha foi recebido com um abraço de Kushina. Logo, um garoto loiro, olhos azuis infinitos como o oceano parecia fitá-lo. Seus olhos pareciam ter deixado-o em transe e vice-versa por alguns segundos.
Já com a luminária instalada em seu novo quarto, Sasuke se recusou a comer alguma coisa como jantar e foi dormir.
Agora, ele senta-se lentamente em sua cama e começa a tentar assimilar os acontecimentos recentes. O incêndio, as mortes, a delegacia, a casa nova... Mesmo para uma criança prodígio como ele, isso parecia tão complicado e inexplicável.
Ele curva-se um bocado para ligar sua luminária. As imagens de carrinho invadem o quarto, á espera de uma longa e provavelmente dolorosa noite de sono. Seus olhos começam a se fechar lentamente.
"Me levem para bem longe, por favor..."
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