Wrestling & Romance

12 Capítulo 12: Voltando aos eixos


Três dias. Nos restavam três dias pra aproveitar Rio Azul, conhecemos boa parte da cidade, e Nicole fora sequestrada ontem, eu preciso parar de pensar no lado negativo das coisas. Diabos, eu consegui me confessar pra Nicole, fui correspondido... Ainda que tenha sido o oposto e garanti minha vaga na SWA.

—Cara, eu não sei o que dizer... — Erick comenta, de olhos arregalados.

—Não diga. Você vai acabar falando merda. — Nicole brinca. — Mas primeiro... Banho.

—Tem razão. — Lara concorda, olhando pra Nicole meio de lado. — Vocês precisam de um banho.

Será que a Lara desconfia? Deixa pra lá, isso é apenas coisa minha e da Nicole, se eu ficar me incomodando com cada olhar que qualquer pessoa dê, estou fodido.

—Mas, falando sério... — Brenda diz, enquanto Nicole vai ao banheiro. — Canadá, cara? Isso é tão... Tão...

—Repentino? Idiota? Louco? Suicida? Machista? Fascista? Taxista? Eletricista? — E repentinamente eu me deixei levar.

—Eu ia dizer legal... — Brenda completa. — Isso quer dizer que você vai estar um passo mais próximo do que deseja.

—Então era por isso... — Lara me dá um tapa na cabeça, rindo. — Por isso que apesar de eu ter tentado te chamar pra FILL umas mil e oitocentas vezes, você vivia recusando se federar na academia.

—Sim. — Respondo, aliviado com a compreensão de Lara. — Acredite, foi difícil recusar, as desculpas estavam acabando.

—O que vamos fazer hoje? — Beatriz pergunta, mudando de assunto. — Porque o dia todo de ontem foi pro vinagre por causa... Bem, vocês sabem.

—A verdade é que eu e a Nicole precisamos de algumas horas de sono. — Respondo, sem me alterar com a menção do sequestro. — Sim, a gente dormiu na UPA, mas não era dos mais confortáveis locais pra se dormir.

—Apesar da companhia... — Lara insinua.

—Apesar da companhia. — Aceno positivamente, repetindo sarcasticamente o que ela disse. — E pela cara, o Erick precisa dormir também porque acordar sete da manhã não é típico dele.

E assim quebro o gelo, pois meus amigos e eu começamos a rir. Era bom rir assim, sem tensão no ar. E sem insinuações da Lara, porque caramba, ela quer que eu fale na frente de todo mundo que eu transei com a Nicole... Ao menos é o que parece.

Dez minutos depois, Nicole sai do banho com uma expressão renovada do rosto. Quando saímos do posto, ela parecia levemente cansada, mas o banho deve tê-la acordado enfim. Acho que se eu tomar um banho, meu cansaço deve ir embora, então vou para o chuveiro, deixar a água levar pra fora o meu cansaço.

Enquanto a água gelada cai sobre meu corpo, não deixo de pensar no que eu e Nicole fizemos noite passada, e uma coisa leva a outra, então... Bem... Vocês sabem. Ao menos os homens. Com meus pensamentos em cada parte do corpo de Nicole que eu conhecera, tomo um banho enquanto relaxo...

Nicole

Nada como um banho gelado pra recuperar o ânimo. Claro, eu não me recuperaria daquela coisa do sequestro tão cedo, mas o pior já passou e o melhor veio depois. Não deixo de dar um sorriso discreto enquanto lembro da sensação dos lábios do Diego em meu pescoço... E em outros lugares.

Mas, preciso parar de pensar nisso, porque se quero seguir nesse sonho de ser wrestler, meu foco também precisa estar em aprender o que Diego me ensinar aqui, e principalmente, preciso aproveitar o resto do meu tempo aqui.

Após sair do banho, vou até a cozinha pegar uma água enquanto Erick volta pro quarto, me tranquilizando um pouco, já que era muito estranho ele estar acordado a essa hora, Brenda e Beatriz saem de casa para comprar pães, ovos e bacon pro café do manhã. Enquanto estou distraída em frente a geladeira, sinto um toque de mão no meu ombro, me viro e é Lara.

—Lara... — Arregalo um pouco os olhos. — Não me assusta, por favor.

—Foi mal... — Ela dá uma risadinha. — Mas... Você parece bem melhor do que estava após a tirarmos daquela casa.

—Sim, eu passei um mal bocado lá. — Afirmo, pegando uma garrafinha de água. — É algo que não desejo pra ninguém. Mas felizmente, consegui me acalmar.

—Não me parece que remédios bastariam pra isso. — Lara diz, insinuando algo.

—Lara... Eu sei que não me exaspero muito. — Suspiro, após um gole de água. — Mas, sem indiretas, pergunte o que quer saber.

—Uau! — Lara se surpreende com minha objetividade. — Você realmente parece mais madura, e não só no olhar. Mas, tudo bem, sem indiretas nem desculpas. Aconteceu algo entre você e o Diego, não aconteceu?

Creio que a Lara desconfia de que eu e Diego finalmente perdemos nossa virgindade juntos. Sinceramente é algo que eu quero manter oculto até o momento certo, mas não tem sentido nenhum evitar com mentiras.

—Sim. — Respondo, sem nenhum rubor no rosto. — Ontem eu dormi com o Diego lá no hospital.

—Vocês...

—Sim. — Afirmo, e ela está surpresa enfim. — Uma hora ou outra isso chegaria, e ontem foi o momento ideal.

—Certamente não foi o local ideal. — Lara pensa no hospital.

—Sim... Não foi o local ideal, principalmente porque era a nossa primeira vez. E o chão da sala é bem duro, se quer saber a minha opinião. Então, Lara... — Digo, com um risinho. — Quando arrumar um namorado e for ter a sua primeira vez com ele, faça questão de que seja em um local confortável para suas costas. Eu e Diego acordamos cheios de dor na coluna.

—Vou manter isso em mente. — Lara cai na risada, e vou junto. — Mas, no duro... Como foi a sensação?

—Bem, o Diego sempre foi um gentleman comigo, então ele cuidou ao máximo para que não doesse muito pra mim e ainda que nenhum de nós tivesse uma experiência real antes, ele procurou fazer com que eu me sentisse bem. Foi maravilhoso. — Sorrio com sinceridade. — Espero que um dia você encontre alguém que a faça sentir tão bem quanto o Diego me faz.

—Eu sei o quão cavalheiro é o Diego, Nic. — Lara me diz, sorridente. — Não se esqueça que eu e o Diego namoramos de mentira na oitava série, e mesmo que não nutríssemos nenhum sentimento romântico, não quer dizer que não aproveitamos os beijos. Nossa, eu to me sentindo mal de te falar isso agora.

—Não esquenta. — Eu começo a rir da cara de tristeza dela ao lembrar que falava de como beijava o Diego na frente da atual namorada dele. — Sei que parece esquisito, mas mesmo que eu pudesse ter ciúme dos tempos do Diego contigo, não adiantaria de nada eu remoer o passado.

—Sabe... Não sei se foi só o sexo, mas você parece mais madura que ontem, o seu olhar...

—Eu percebi o mesmo quando me olhei no espelho quando acordei hoje... — Comento, tocando meu próprio rosto. — Mas acredite, Lara, aquela garota tímida que você conhece, não mudou tanto assim tão bruscamente.

—Eu me assustaria se fosse assim, Nic. — Lara me puxa pra um abraço apertado.

Curiosamente, ali no calor dos braços de Lara, eu fecho os olhos, sorrindo. E creio que nesse tempo todo que conheço Lara, acho que nunca tinha sido tão próxima dela quanto neste momento. Acho que a Lara amiga morreu e agora só tenho uma irmã no lugar dela (sem contar as de sangue) e entendo o quanto o Diego a ama como irmã. Por trás da garota sempre brincalhona e espevitada, tem uma garota gentil e cuidadosa.

Diego

Nada como um bom banho para tirar a tensão dos ombros e o cansaço da mente. Eu poderia correr uma maratona agora, exceto pela parte de que eu cansaria nos primeiros cinco quilômetros por não ter dormido bem e ainda estar fisicamente cansado.

Saindo do banheiro, pego meu telefone e mando uma mensagem para o Nicholas, avisando que já estava em casa e a Nicole estava bem. E também avisando que vira o vídeo dele a respeito da expulsão do Marcos da banda. Felizmente a recepção por parte dos fãs foi na maior parte positiva.

Na maior parte, porque ainda havia alguns com aquele pensamento de que o Marcos era só uma vítima das drogas, que merecia mais uma chance. A minha vontade era de responder aqueles comentários com a história completa, mas pelo bem da Nicole, me abstenho de tal coisa.

O dia começaria de maneira nada boa, já que ainda teríamos que ir na delegacia da cidade prestar o depoimento acerca do acontecido, principalmente Nicole. Então tenho uma outra ideia, mandando outra mensagem pro Nicholas.

No meu quarto, pego outras roupas, mesmo tendo me trocado há menos de quinze minutos, e saindo de lá, vejo Lara e Nicole sentadas no sofá vendo televisão, uma com o braço ao redor do ombro da outra. Tá aí uma coisa que não vejo todos os dias, até porque raramente paramos pra ver TV.

—Cadê todo mundo? — Pergunto, me jogando em uma poltrona.

—A Brenda e a Beatriz foram comprar pão, o Erick voltou a dormir. — Nicole responde, sem se alterar ou mover.

—Seu bastardo de sorte. — Lara manda essa pra mim, do nada. — Não precisa responder.

Tenho a ligeira impressão de que a Lara sabe que dormi com a Nicole, mas prefiro fazer como ela disse e não responder. Até que repentinamente lembro de uma coisa, que ficara em branco desde o começo da semana.

—Nicole... Lara... Nós não pegamos os resultados do RAW, Smackdown e nem do Tribute to the Troops! — Digo, um pouco preocupado. Como tudo que tinha acontecido, eu acabara esquecendo dos shows semanais, mas mesmo pegar os resultados havia sido esquecido.

—Bela hora pra se preocupar com o wrestling, hein? — Nicole ri, pegando o celular pra justamente procurar os resultados.

—Eu tinha outras coisas na cabeça, além de você. — Eu devolvo, pegando o celular e fazendo o mesmo.

—Ah, agora vai ficar jogando indiretas que me ama no meio das frases? — Nicole continua rindo.

—Alguém faz o favor de me dar um remédio pra diabetes, porque com esse doce todo... — Lara debocha, rindo enquanto também checa o celular.

Vendo as notícias, descubro que Sheamus e Cesaro terão uma nova chance pelo título de duplas do RAW no próximo domingo, o que acende uma luz. Há pouquíssimo tempo, o New Day bateu o recorde do Demolition de maior reinado de duplas da WWE, será que... Bem, só o tempo (e os bookers) dirão.

E trocando trivialidades e comentários, conversamos como daquela vez em que sentamos na praia assim que chegamos aqui em Rio Azul, que involuntariamente traz um sorriso ao meu rosto. Muita coisa passou nesses quatro dias que passamos na cidade, algumas coisas mudaram pra melhor, mas definitivamente esse laço de união através dos nossos hobbies permanece o mesmo.

Quando dá quase oito horas da manhã, Brenda e Beatriz adentram a sala de casa, com duas sacolas, meu, vamos embora na segunda, será que elas exageraram nas compras? Enfim, quando Nicole as vê, ela se levanta.

—Meninas, arrumem os pães na mesa que eu vou fazer os ovos e o bacon, além de um suco. — Ela pega uma das sacolas, que estava na mão de Brenda.

—Meu Deus, ela está rápida hoje. — Brenda arregala os olhos.

—Acho que depois de tudo ela anseia por um pouco de normalidade. — Beatriz diz, sensatamente, enquanto arruma os pães na mesa.

Após um café da manhã reforçado, o que exigiria de mim mais exercícios pra não sair de forma, eu e Nicole pegamos algumas roupas menos casuais, pois iremos logo para a delegacia prestar o depoimento acerca de ontem. Enquanto me troco, o celular apita avisando de uma mensagem.

Nicholas concordara em se encontrar conosco, pra meio que pagar pelo papo que não tivemos ontem por causa da treta do sequestro. Peço a ele para nos encontrar por volta de onze e meia na praça de alimentação do Shopping, pois não sei quando terminaria o depoimento. E antes de sair de casa com Nicole, me viro e pergunto aos meus amigos:

—Galera, o que vocês vão fazer hoje de manhã? Ou de tarde?

—Desculpa aí Dieguito. — Erick diz, num tom brincalhão. — Mas hoje vou me dedicar a fazer vários nadas aqui em casa.

—Eu vou seguir a mesma linha do Erick. — Brenda se joga numa poltrona. — Depois do que aconteceu ontem, quero descansar um pouquinho de qualquer coisa que exija muitos movimentos musculares.

—Idem... — Beatriz vai pra junto da amiga.

—Eu não tenho nada pra fazer... — Lara diz, sentando na cadeira. — Tem algum plano, cara?

—Bem, fiquei de encontrar o Nick e a Sam na praça de alimentação do shopping, após sairmos da delegacia. — Respondo, feliz que alguém tenha respondido positivamente a meu convite. — Se você quiser ir, nos encontre mais ou menos onze e meia da manhã.

—Tudo bem... — Ela acena, enquanto saio com a Nicole de casa.

Caminhamos juntos até o ponto de ônibus, pois seria mais rápido pra chegarmos na delegacia, no ônibus, Nicole aperta meu braço, como se quisesse falar algo.

—Diego... — A voz dela retomara ao tom tímido de antes, o que ao mesmo tempo me preocupa um pouco, me deixa tranquilo, afinal, ninguém amadurece de um dia pro outro. — Estou com um pouco de medo...

—Eu te entendo... Um pouco. — Acaricio o rosto dela suavemente. — Depois do que você passou, ter que reviver aquele pesadelo e contá-lo aos policiais, não é uma tarefa fácil.

—Espero não ter que rever aquele... Aquele... — Nicole fica sem palavras pra descrever Marcos, a cicatriz causada por ele ainda era grande.

—Nicole... Eu estou aqui, lembre-se. — Digo, desesperado pra evitar que minha namorada fique mal. — E sempre, sempre estarei ao seu lado, sempre que você quiser. Diabos, se você se sentir mal após o depoimento, podemos até transar no banheiro do shopping, se quiser.

—... — Ela fica boquiaberta com minha declaração, e começa a rir – Só você mesmo, Diego, pra pensar em sexo numa hora dessas!

—E você fica melhor assim, rindo do que amedrontada... — Respondo, sorrindo. — Mas a proposta continua de pé, se você quiser. — Ergo as sobrancelhas de uma maneira comicamente sedutora. Sim, comicamente sedutora, ou seja, fazendo graça parecendo sedutor, mas na verdade querendo causar risos.

—Não quero dar chance pro azar... — Ela diz, me dando uma ombrada de leve. — A não ser que você passe numa farmácia antes, aí eu posso até considerar a proposta... — Nicole beija meu queixo e me deixa arrepiado com o tom de voz sussurrado dela.

Sem pensar nas pessoas que podem estar vendo a gente naquele ônibus, eu pego a nuca de Nicole e a beijo apaixonadamente, nossos lábios se tocando incessantemente e as línguas se acariciando, lentamente, até que finalizo com um beijo no pescoço dela.

—Eu te amo, Nicole Almeida... — Digo, sem fôlego, após nos separarmos.

—E eu te amo também, Diego Alves... — Ela diz, sorridente. E logo em seguida, puxo a cordinha do ônibus, pois estamos passando pela delegacia da cidade.

Descendo juntos e caminhando de mãos dadas, vamos até a entrada da delegacia, eu respirando fundo para entrar num ambiente que pode ser opressor se você estiver despreparado (ou for um bandido).

Dentro da delegacia, procuro o responsável pelo procedimento, e após explicar a situação, vamos prestar o depoimento em relação ao ocorrido. Ali, pela primeira vez ouvi o relato da Nicole sobre como tudo ocorreu, e sinceramente, o choque passa pelo meu corpo. Se eu soubesse disso na hora, eu não teria concebido o plano pra resgatar a Nicole somente, mas pra matar o Marcos. O delegado que toma nosso depoimento percebe as minhas mãos fechadas e trêmulas, mas não comenta nada. Acho que ele soube que era difícil pra mim ter que ouvir o que o calhorda do Marcos ameaçou fazer com a Nicole.

—Como ele foi pego no flagra, o depoimento era mais uma formalidade. — Ele nos diz, após terminarmos tudo. — Mas ainda assim, com o que vocês nos forneceram, esses detalhes, esse louco vai ficar preso por mais tempo do que o que seria sem o depoimento de vocês.

—Obrigado, delegado... — A expressão de Nicole é de alívio puro. Acho que o fato de ter contado o que aconteceu pra alguém tirou um pouco da carga emocional.

—Eu é que agradeço. — Ele sorri, tranquilizado pela expressão dela. — Estão dispensados, cuidem-se, crianças!

Felizmente, o depoimento não demorou tanto quanto poderia, ainda temos uma hora até o combinado com Nick, Sam e Lara. Será que a Nicole realmente consideraria minha proposta? Claro, eu estava brincando, mas sei lá, vai que ela quisesse. E como se lesse os meus pensamentos, enquanto caminhamos em direção ao shopping, Nicole sussurra em meu ouvido.

—Olha, eu não quero que a nossa segunda vez seja em um local publico e nos escondendo de tudo... — Ela me diz, com a voz doce. — Espere até voltarmos pra casa... Seus vizinhos vão reclamar do barulho, eu prometo.

Pensando bem, seria bem ruim que as primeiras vezes que fizéssemos sexo, fossem em locais inapropriados. E diabos, eu passei três anos apaixonado pela Nicole sem necessariamente considerar isso, eu poderia esperar alguns dias pra transar com ela novamente. Eu só estava preocupado com essa história de vizinhos reclamando do barulho... Não com os vizinhos, ou com o barulho, mas com meu próprio bem estar. Se é que me entendem.

No Shopping, passeamos como um casal de adolescentes normal, de mãos dadas e observando as lojas, como se estivesse a procura de presentes de Natal. Algumas pessoas já andavam pelo shoppimg, mas ainda eram dez e quarenta da manhã, então não muitas.

Trocamos alguns beijos um pouco mais demorados, que atraem a atenção de algumas pessoas. E a verdade é que não estou nem aí pra quem se incomodar com minhas demonstrações de afeto, apesar de compreender que tem gente que não gosta. O fato é que se estivéssemos com mais tempo de namoro, estaríamos mais comedidos, mas diabos, era muito bom sentir os lábios da Nicole.

—Diego... — Nicole me diz, quando paramos na praça de alimentação e ocupamos uma mesa. — Eu contei pelo menos quinze pessoas querendo matar a gente por causa dos nossos beijos, inclusive um casal de rapazes.

—Eu sei que deveria me controlar... — Acaricio os cabelos dela, que apenas fecha os olhos. Estaria eu domando um gatinho? Só falta a Nicole começar a fazer "goro goro goro goro...". Preciso parar de jogar Nekopara. — Mas, meu coração palpita tão forte que eu não consigo evitar de fazer isso.

—É, o pior é que eu senti o quanto você conteve o que sente. — Nicole diz, alisando o dorso da minha mão com o dedo. — Porque eu contive o mesmo a maior parte do tempo. Mas... Será que se a gente tivesse confessado um pro outro na época, a nossa relação seria do mesmo jeito?

—Sinceramente, não sei. — Respondo, pensativo. — Talvez não, até porque esse tempo todo em que escondemos nossos sentimentos, a amizade que a gente cultivou ao longo desses anos fez muita diferença em confiarmos um no outro cegamente. Se tivéssemos confessado, certamente não teríamos esse companheirismo inabalável. Caramba, tô falando difícil.

—Entendo seu ponto de vista. — Nicole assente, igualmente pensativa. — Talvez nem estivéssemos juntos e...

Eu a interrompo, puxando-a pela nuca e a beijando longamente, por pelo menos um minuto, sem parar, ambos passando a mão pelo cabelo do outro.

—O... O que foi isso? — Nicole pergunta, com um misto de surpresa, choque e felicidade.

—Se chama beijo, sabe, quando lábios se tocam e... — Tento fazer uma piada e Nicole dá um tapa no meu braço, como se exigisse uma explicação e me dissesse "Bobo! Explique logo." — Tudo bem, por favor, nunca cogite essa possibilidade novamente. A de não estarmos juntos.

—Então foi por isso... — O tom de Nicole é de quem quer rir, mas evita. — Mas não posso dizer que foi algo ruim. — Ela me puxa pela nuca e volta a me beijar.

Então é isso o que chamam de felicidade, ao menos no campo amoroso. Estar com aquela pessoa que faz seu coração palpitar a cada vez que a vê, saber que aquela pessoa corresponde ao que você sente e ter total confiança em cada coisa que a pessoa amada faz. A verdade é que não importa nada disso, tudo o que importa para mim naquele momento, é sentir os lábios da Nicole junto aos meus. Que Nicole jamais escute isso, mas por ela, eu até mesmo desistiria do meu sonho de me tornar Wrestler profissional, embora eu já tenha dado passos importantes. Mas como sei que ela quer trilhar o mesmo caminho que eu, acho que essa é uma possibilidade inexistente. Eu sei que o futuro seria difícil até eu chegar lá, mas só de tê-la comigo, me dá uma força que eu julgava impossível de se ter. Esse, meus amigos, é o poder do amor.