Wrapped In Darkness
2 Capítulo 2 - Vai se danar você também estranho.
Notas iniciais
Estou postando das duas formas!
Desde pequeno a gente aprende o que é o medo, a gente sente o medo, a gente teme o medo. De livrinhos pequenos para crianças sobre monstros debaixo da cama ou até mesmo histórias de terror contadas em uma fogueira em um acampamento de verão, eu nunca acreditei em nenhum dessas baboseiras. Primeiro ou são histórias inventadas por alguém que quer fazer marketing e vender seu produto, ou são garotos bobões que querem assustar as meninas inventando coisas para elas ficarem assustadas e desse modo eles vão abraça-las para protegê-las. Pena que se um menino fizesse isso de tentar me assustar para depois vir me abraçar, eu ficaria furiosa e daria um chute no pênis dele.
Acho que dá para perceber que eu não sou o tipo de pessoa sociável, fazer amigos nunca foi meu forte porque quase sempre acabo fazendo alguma besteira e destruindo a amizade, depois eu fico sozinha e me fodo. Por isso preferi nunca mais arriscar, fico mais tranquila com as minhas plantas e flores, pois sei que elas nunca vão me abandonar.
A moça de coque continua falando e falando sem parar ao microfone, mas eu não estou ouvindo uma palavra sequer do que ela diz, quer dizer, eu estou ouvindo o que ela diz porém meu cérebro está se recusando a assimilar.
Escola para monstros? Sério mesmo?
Eu ainda estou torcendo para que seja uma brincadeira, uma péssima brincadeira de mau gosto. E o pior é que parece que eles contrataram esses figurantes para se passar por alunos, centenas de figurantes e um cenário perfeito, uma escola macabra. Mesmo com toda essa produção eu ainda não estou totalmente convencida, quero é sair daqui e esquecer esse dia.
- Cada estudante receberá um livrinho que serve de guia para os lugares da escola, horário das refeições, horário de aulas, regras etc.
- Senhora vice-diretora!– o mesmo menino de óculos que foi esnobado pelo diretor no auditório, levantou a mão.
- Sim. – a vice-diretora semicerrou os olhos para ler o crachá que o menino tinha pendurado no peito. – Gonzalez.
- Existem outras regras, além das 3 inquebráveis? – ele diz freneticamente, como se fazer perguntas fosse divertido para ele.
- Excelente pergunta Gonzalez, dentro deste livro tem algumas regras que nós apelidamos carinhosamente de “regras puníveis” Ou seja, para cada regra quebrada uma punição diferente.
- Pode dar o exemplo de alguma?
- Perambular pelo colégio após a hora de recolher. – a vice-diretora apontou o dedo para alguns alunos aleatórios. – coisa que vocês adoram fazer, não é mesmo?
- Qual seria a punição? – diz Gonzalez com um brilho assustador nos olhos.
- Ter o coração arrancado. – cantarola ela.
Todos do salão começam a rir, apenas eu fico com a boca exageradamente aberta, surpresa com a punição. Ela está falando sério?
Estou paralisada, nenhum músculo do meu corpo quer cooperar comigo, eu estou simplesmente perplexa e muito, muito assustada.
- Amanhã teremos um café da manhã especial e logo após vocês iriam seguir os horários de aulas. – ela correu os olhos pela prancheta que estava segurando. – Hã, acho que é isso. Por enquanto.
O diretor Salvatori tomou o microfone da mão dela.
- O jantar será servido aqui nesta mesma sala às oito. Se aprontem e cheguem no horário, as malas de vocês estão já devidamente depositadas em seus respectivos quartos.
Os alunos começaram a ser levantar de suas cadeiras e foram se dirigindo aos devidos quartos, rindo e animados com o início do ano letivo. Eu era a única que estava com cara de bosta com a mínima de vontade de me levantar daquela cadeira esburacada.
Percebi que o salão estava se esvaziando cada vez mais, então resolvi me levantar e seguir meu caminho. Não queria nem aparecer no jantar, queria ficar sozinha no meu quarto, porém meu estômago não estava concordando com essa ideia.
Subi três lances de escada para chegar ao terceiro andar, como eu sou uma pessoa completamente sedentária, já estava arfando.
O corredor do terceiro andar era longo, até onde as vistas não podiam mais alcançar. Havia dois sofás imundos e com uma pequena televisão que mostrava algumas imagens em preto e branco. Em cima da televisão estava uma plaquinha “Hall do terceiro andar”
Ah, que ótimo.
Procurei pelo quarto 302, e logo o encontrei. Assim como Melanie tinha dito, o terceiro andar possuía somente dois quartos, o trezentos e dois e o trezentos. Segundo ela são os quartos afastados dos demais que todos temem em se hospedar. Engraçado, nós estamos em uma “escola de monstros” e tem coisa pior do que monstros? Eles têm medo de algo? Haha.
Até quando eles pretendem continuar com essa idiotice? Ah por favor, eu não caio mais nessa.
Coloco a chave e giro com o propósito de abrir a fechadura, porém ela demora a ceder. Pelo estava do quarto vejo que ninguém se hospeda aqui faz um bom tempo.
Teias de aranha estão acumuladas nos rodas tetos. Um cheiro de mofo tão forte invade meu nariz que me dá vontade de vomitar. A única janela presente no quarto está com uma das laterais quebradas, corro para abri-la e deixar um pouco de ar entrar. Um guarda-roupa à direita da cama que milagrosamente está em um bom estado está entre aberto, pela frestinha da porta noto que minha mala e meus pertences estão lá dentro. Respiro fundo e me taco na cama, não muito preocupada em ajeitar minhas coisas agora.
Sinto meus olhos ficarem mais pesados à medida que o tempo vai passando.
***
Toc Toc Toc.
Levanto meio a contra gosto e abro a porta para quem quer que seja que estava batendo.
- O quê você quer? – o menino de óculos magricelo que adora fazer perguntas está na minha frente usando uma roupa social.
Ele mostrou o crachá pendurado no peito, com os dizeres escritos em azul “Aluno Thomás Gonzalez, primeiro ano”
-Hã, desculpe. E-Eu só. – ele engoliu em seco. – Só queria te avisar que o jantar vai ser servido dentro de alguns minutos.
- Eu não planejo ir jantar. – respondo seca.
- E por que não?
Bom nem eu sei o motivo pelo qual eu não quero jantar, apesar de estar morrendo de fome acho que não quero passar nem um segundo mais com aqueles figurantes, é, passei a chamar os alunos assim.
- Não tô afim. – dou de ombros.
- Tudo bem então. – ele deu um sorriso. – Ah, e a propósito eu sou seu vizinho.
Dei um sorriso tosco para pelos menos não deixar o pobre menino ofendido, ser simpática é bom às vezes, mesmo que não seja seu estilo tentar agradar as pessoas para deixa-las felizes, dica. Ninguém gosta de uma pessoa antipática o tempo todo, porém infelizmente eu sou assim.
- Que legal. – digo, indiferente.
- Legal? Eu odiei! – choraminga ele.
Olho para ele surpresa.
- Não! – ele percebeu que eu fiquei um tanto quanto ofendida. – Quer dizer, eu odiei ficar aqui no terceiro andar, eu gostei do fato de você ser minha vizinha...
Levanto uma das minhas sobrancelhas.
- Ai quer dizer, eu...é que...- ele estava suando, pois a cada palavra que ele dizia para se explicar só piorava tudo.
Fechei a porta na cara dele e me deitei novamente na cama, como uma pessoa inteligente faria, ele não vai voltar a me incomodar tão cedo.
Passou-se um tempo e a noite veio, com ela uma brisa fria, porém refrescante. Minha barriga roncava impacientemente então resolvi descer para o salão principal, onde estava sendo realizado o jantar.
Decido pegar uma coisinha para comer e subir pro meu quarto sem ninguém perceber, rapidamente.
Pé ante pé desço as escadas, procurando não ser vista e espiei dentro do salão.
Antes onde havia cadeiras e mesas espalhadas, agora estavam um enorme buffet com as mais variadas comidas e uma mesa enorme, circular, onde todos os alunos estavam sentados e podiam ver uns aos outros.
No buffet havia comidas estranhas para mim, nunca tinha visto nada daquilo. Um líquido vermelho escuro e pastoso estava despejado em um vaso, presumi ser um ponche especial. Fui procurar por um pedaço de frango ou qualquer coisa que forrasse meu estômago, mas as comidas eram tão estranhas que chegavam a me dar nojo, de todas as cores e texturas possíveis. Tinha até uma porção que parecia com dedos humanos, eu ri, como se isso fosse possível. Continuei a procurar até que achei uma porção de pães, bom pelos menos pareciam pães. Peguei um pouco e enrolei em um guardanapo, grata por ninguém ter me visto.
Subi as escadas apressadamente, arfando (acho que preciso fazer um pouco de academia) e sem querer esbarro com algo. Tropeço e derrubo meu pão no chão, irritada procuro pelo alvo no qual esbarrei.
- Ei, olha por onde anda! – digo, tateando no chão a procura do meu pedaço de pão.
- Na verdade foi você que esbarrou em mim e não ao contrário. – ele estendeu o pedaço de pão para mim.
Tomei da mão dele.
- Dá na mesma. – pego o pedaço de pão e assopro, como se isso fosse afugentar as bactérias, até porque elas esperam cinco segundos para infectar o alimento, ideia boba.
Percorro os olhos para ver onde estou. Há dois sofás sujos e uma televisão em preto e branco, é, estou no meu andar.
Mas o quê este garoto está fazendo no terceiro andar? Pelo que eu sei só tem dois quartos aqui, se um quarto é meu e o outro é do Gonzalez...
- O quê você está fazendo aqui? – pergunto olhando finalmente paro o rosto do intruso que me fez derrubar o único pedaço de comida disponível que eu tinha.
Mas quando me deparo com ele, fico admirada. Seu cabelo preto está desgrenhado de uma forma sexy, enquanto sua blusa branca de linha está propositalmente para fora da calça, dando um ar sofisticado. Ele dá um sorriso torto quando percebe que eu estou chocada com a beleza dele, ele é incrivelmente lindo.
- Eu não posso ficar aqui? – ele diz com uma voz rouca que me faz arrepiar.
Pode a hora que quiser, penso. Ainda não consigo parar de encarar esse aluno com uma beleza sobre humana. O peitoral largo, músculos definidos e o olhar atraente me fazem ficar com vontade de pular nos braços dele e não sair de lá nunca mais.
Sinto minhas bochechas corarem com vergonha dos meus próprios pensamentos.
Me xingo mentalmente, o que você está fazendo Katelin? Tente controlar esse desejo inoportuno e bizarro por ele e se acalme.
- Hã...- é tudo que eu consigo dizer.
Dou um sorriso amarelo para ele.
- Então...Qual seu nome? – finalmente palavras decentes saem da minha boca.
- Vai se danar.
- Como? – pisco duas vezes surpresa, tentando assimilar o que ele falou.
Ele vira de costas e se afasta rápido, descendo as escadas e sumindo do meu campo de visão. Um crachá cai da mão dele, fazendo barulho ao cair no chão. Ainda meio desnorteada com a conversa mais bizarra que já tive na minha vida, me abaixo e pego o crachá.
“Aluno Eric Peters, quarto ano” está escrito em azul com letras garrafais.
Eric Peters mal me conhece e mandou eu ir me danar, qual o problema dele? Uma raiva desconhecida cresce dentro de mim. Muito normal agredir verbalmente uma pessoa que perguntou seu nome.
Vou tomar um banho para esfriar a cabeça e me troco, afundo a cabeça no travesseiro sem me importar com o cabelo molhado que pinga nos lençóis.
- As luzes serão apagadas. – a voz da vice-diretora me fez pular da cama de susto. – Boa noite
A voz ressoa do corredor, anunciando para todos os quartos. Depois de um cinco minutos a escuridão toma conta do quarto e eu não consigo ver mais de um palmo à minha frente, me reviro na cama tentando achar uma posição confortável para dormir, mas simplesmente não consigo. Perguntas se embaralham em minha mente.
O que é exatamente o conselho dos anciões? Como eles sabem sobre o conselho? O que meu pai tem haver com tudo isso? E porque Eric Peters provoca essa sensação estranha em mim?
Repreendo a mim mesmo por essa última pergunta.
***
- Bom dia caros alunos! – a voz da vice-diretora me acorda logo de manhã cedo ressoando pelo corredor. – Hora do café da manhã, venham de uniforme, beijinhos.
Respiro fundo e me espreguiço, carambolas que voz irritante a dessa mulher.
Abro a janela e deixo a luz da manhã entrar, iluminando o quarto. Me visto e coloco o uniforme, uma saia na altura do joelho, uma blusa branca e um blazer azul marinho com a insígnia do colégio.
Reparo em um livrinho pequeno em cima da minha escrivaninha, eu o folheio. Está cheio de regras e coisas a fazer, hm deve ser o guia do estudante, preciso dar uma olhada nele depois.
O banheiro tem um único espelho pequenino, eu dou uma checada no meu visual e me arrependo. Seria melhor se eu tivesse saído sem me olhar, pois estou com o cabelo completamente bagunçado e embaraçado (Isso que dá dormir com o cabelo molhado, Katelin, bem feito) prendo meu cabelo em um coque e passo um gloss sabor cereja só para dar uma leve cor aos lábios.
Pego minha mochila com o material escolar e desço as escadas cheias e já movimentadas.
Novamente pego o pedaço pão, pois é a única coisa que é comível naquele estranho buffet e me sento em qualquer lugar, sendo um circulo a mesa não tem como se sentar afastada, como eu gostaria.
Mastigo o pedaço de pão e quase tenho um ataque, o gosto é completamente diferente do pão normal, é gosmento e gruda no céu da boca.
- O quê é isso? – pergunto para uma garota gordinha do meu lado.
- Larvas gratinadas na manteiga com saliva de cão infernal. – ela diz, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
- Cão infernal? – digo, engasgada.
- É, um tipo de besta.
A comida começa a ameaçar a voltar, eu tapo a boca com as mãos e fecho os olhos.
Alguém me tira daqui, por favor. – meu subconsciente implora.
A menina do meu lado olha assustada para mim e se afasta.
Saio correndo em direção a um banheiro e coloco tudo para fora, enojada e ainda não querendo acreditar que aquilo eram larvas com baba de cão infernal. Minha cabeça está rodando e eu estou quase desmaiando.
Um bando de meninas que usaram, abusaram e usufruíram demais da maquiagem passam rindo por mim com suas saias exageradamente curtas. Eu olho para minha saia na altura do joelho, eu pareço uma freira perto delas.
- Você está bem? Tá com cara de quem comeu e se engasgou. – diz uma voz que reconheço ser masculina. – Ah, parece que você comeu e se engasgou de fato. – ele ri.
Dou um sorrisinho amarelo para ele, e faço um gesto para que ele se afaste.
- Comeu o quê? Cérebros? Haha eu tenho um amigo que adora cérebro. – ele me disse como se fosse a coisa mais normal do mundo ter um amigo que come cérebros no café da manhã. – Ele sempre passa mal e tem umas dores de barriga bem fortes, mas quem mandou nascer zumbi? – ele ri.
Olho para ele assustada, e meu estômago se revira mais uma vez me fazendo colocar rapidamente a mão na boca.
- Certo, você não riu da minha piada. – ele fez uma cara de desgosto.
- Me...deixa...em paz. – consegui juntar fôlego para dizer.
- Ui, stress matinal é? – ele ri.
Irritada, tento me levantar da cadeira, mas estou muito fraca. Com certeza tinha colocado para fora todo meu café da manha e mais o almoço de ontem, meu estômago implorava por comida decente.
- Toma. – ele enfiou a mão no bolso e tirou de lá um pacote de balinhas.
Não era grande coisa, mas só de ter algum alimento descendo para o meu estomago já me aliviava.
Chupei todas as balinhas do pacote, uma por uma, o gosto era bem ruim, parecia baunilha e hortelã juntos, mas era o que tinha para hoje.
Ele riu.
- Está melhor?
Assenti.
- Obrigada. – digo procurando pelo crachá dele, mas por algum motivo ele não está usando.
- Maison Carter. – ele dá um sorriso sombrio. – Aluno do Terceiro ano. E você deve ser do primeiro ano, certo novata?
- É. – resmungo, sem nem me importar em me apresentar, pois estou usando o crachá corretamente, me levanto e caminho em passos firmes para a aula que já vai começar.
Mas ele agarra meu pulso.
- Não se preocupe, Katelin. – ele sussurra perto do meu ouvido com uma voz assustadoramente maligna e sexy. – Vou guardar o seu segredo.
E ele vai embora sem ao menos me contar que segredo é esse, porque eu também não sei.
- Ei! – grito para Maison, mas ele já saiu do meu campo de visão.
Alguém pode me dizer o problema das pessoas dessa escola?
***
A sala de aula tem uma atmosfera calorosa, todos estão rindo e conversando, animados pelo primeiro dia de aula. Me sento lá no fundo, como sempre afastada de todos.
Uma professora gordinha e simpática carregando uma quantidade enorme de pastas entra na sala e pede silêncio para a turma, que obviamente a obedece.
- Olá classe. – ela diz animadamente. – Eu sou a Srta. Durval, professora de História! Juntos vamos investigar o passado de nossos ancestrais, saber a raiz da nossa história, como tudo começou, como estamos aqui e hoje e o mais importante, vou mostrar que para aprender história não é preciso decorar nada, e pode ser divertido e interessante!
- Duvido. – diz um menino loirinho.
A turma caiu na gargalhada.
- Duvida é? Pois vou mostrar a você.
A professora começa um entediante discurso sobre como história é importante para nós, e eu não estou nem um pouco interessada nesse monólogo.
Deixo meu pensamento vagar pelas falas de Carter, o que ele queria dizer com “eu sei o seu segredo” Francamente.
Logo o sinal bate e eu olho na minha agenda para ver meu próximo horário.
Aula de defesa com o quarto ano.
Aula de defesa? Nunca tive essa disciplina em nenhum dos colégios que estudei, e acredite foram muitos.
Pelo que o mapa indica a aula de defesa é no ginásio, e graças a deus o ginásio e lá fora, perto do jardim. Vou poder respirar um ar puro.
- Bem vindos alunos do primeiro e do quarto ano. – o treinador dá o apito. – Colocamos vocês juntas para que possam se socializar e desse modo os alunos do quarto ano que são mais experientes passem seus conhecimentos para os novatos. Formem duplas! Um aluno do primeiro com um do primeiro.
Rapidamente as duplas são formadas, eu como não conheço ninguém, fico parada olhando as duplas.
- McGarden! – grita o técnico. – Cadê sua dupla?
Dou de ombros. O técnico procura por um outro alguém que esteja sem dupla, mas não encontra ninguém.
- Engraçado...não era para ser um número impar. – ele fez uma cara séria. – Alguém está cabulando aula.
- Eu vou chamar o monitor! – diz um aluno qualquer.
- Não, deixe a própria McGarden cuidar disso. – ele apontou para mim e eu fiquei imóvel. – Vá.
Por que eu? O menino tinha se oferecido que deixasse ele ir.
Meio relutante fui procurar algum monitor, como não conhecia bem a escola fiquei meio perdida.Tinha tantos corredores e portas que sinceramente eu não sabia mais para onde estava indo.
- Hm com licença. – perguntei para um aluno do segundo ano. – Você sabe onde estão os monitores?
- Estão em uma reunião.
- O professor precisava falar com um deles.
- O professor vai ter que esperar.
Certo, e o que eu faço? Volto pra aula e fico sem parceiro? Não, melhor ficar aqui perambulando do que voltar para uma aula e jogar um jogo de dois sozinha.
Passo por várias salas de aula onde alunos ávidos copiam a matéria, passo pelo clube de costura, pelo auditório, pelo salão principal e chego em uma sala com portas de mármore grandes que são o dobro do meu tamanho.
O quê será essa sala? A curiosidade me invade. Fico na ponta dos pés para tentar espiar por entre o vidro, forço a maçaneta. Está trancada.
- É a sala do grêmio estudantil. – diz uma voz familiar como se tivesse lido meus pensamentos.
Me viro para identificar o dono da voz. Maison.
Aperto as mãos de raiva, ali estava ele de novo, como se fosse um perseguidor traiçoeiro em sua busca.
Sem nem pensar agarro firme os pulsos dele, cerro os olhos e digo com a voz mais ameaçadora que consigo.
- O que você quis dizer com meu segredo?
- Wow, calma aí McGarden. – ele ri. – Esse é um jeito de tratar um amigo?
- Você não é meu amigo.
- Mas eu te alimentei e te ajudei numa hora que ninguém mais o fez.
Mordi a língua tentando me segurar, eu não pedi a ajuda dele, para inicio de conversa.
- Responda minha pergunta.
- Vice-presidente? – uma loirinha com um uniforme do time de torcida abre as portas do grêmio estudantil e dá de cara comigo segurando agressivamente o Maison.
- Vice- presidente? – repito ainda não conseguindo acreditar que aquele idiota é o vice-presidente do grêmio estudantil. Solto o pulso dele.
- Quer conhecer a sala McGarden? – ele dá um sorriso torto. – Poucas pessoas tem essa honra.
- Não. – digo rapidamente.
- Vai perder uma oportunidade dessas? – ele mordeu o lábio inferior de uma forma extremamente irresistível. — Lá tem uma mesa importada da China,na época da Disnatia Ming e eu adoraria fazer umas coisas em cima dela com você...
Fiquei sem ar por uns instantes.
- Pode me dar uma licencinha, Lizzie? – ele se dirigiu à loira.
Lizzie assentiu e saiu da sala do grêmio estudantil rebolando de uma forma exibida para Maison.
- Aqui está! Tcharãn! – ele abriu os braços e rodopiou pela sala e apontou para a mesa. – Não é linda? Foi construída com madeira carvalho original.
A sala era horrível. Escura e abafada, tinha um ar sinistro e precisava de uma faxina urgente. Os móveis pareciam que iam despencar a qualquer momento, o teto esburacado era como um aviso “corra enquanto pode”
Maison avaliou minha expressão de horrorizada.
- Ah, me esqueci. Você vê a sala como se ela fosse abandonada e suja né? Você vê a escola toda assim? – indaga Maison. – Interessante.
- Você...- me engasguei com as palavras. – Você não vê a escola da mesma forma que eu?
Ele deu um sorriso brincalhão.
- Não. Só humanos veem a escola de uma forma assustadora para eles saírem correndo daqui o mais rápido possível, mas parece que você foi uma exceção.
Meu cérebro estava tentando processar cada palavra que Maison havia acabado de dizer, sem sucesso, me apoiei na mesa no centro da sala e fechei os olhos. O quê estava acontecendo exatamente?
Será mesmo essa história possível? E-Eu estou em....uma escola para monstros?
Não, me recuso a acreditar nisso tudo.
Abro os olhos e me encontro só na sala, nenhum sinal ou vestígio de Maison.
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