Wraack

2 Bisbilhotando


Notas iniciais
Desculpe pela demora .-.

Em meia hora, passaram vários talentos pelo palco, colegas de classe de Alice. Mas Dylan não estava interessado nelas. Quando a sua irmã subiu ao palco, usando um vestido longo e preto – com pequenos detalhes em um marrom clarinho –, o jovem explodiu em palmas. Quando ela se virou para sentar-se no piano, tornou-se visível um pequeno detalhe nas costas, em formato de “x”. Como sempre, ela estava linda, mas estava passando dos limites hoje. Começou a tocar a música. O garoto não tinha ouvido aquela melodia no piano ainda, mas reconheceu, pelas batidas, que era “Numb”. Muito famosa, um grande sucesso da banda “Linkin Park” – uma das bandas preferidas da menina.

Dylan seguiu os olhos de Alice e percebeu que eles se chocaram com o seu pai, Ivanildo. No mesmo momento, ela chorou – particularmente, uma atitude esperada pelo jovem, já que a menina era bastante sensível.

– Ela viu o papai – Dylan fez um comentário com a sua mãe.

Cassandra fez uma cara estranha para Dylan, do tipo “Seu pai está aqui?”. Ela olhou estranha para as cadeiras, procurando o homem. Só acreditou quando o viu.

– Tá, mas como você sabe que ela viu ele? – a mãe do garoto duvidou.

– Simples, ela está chorando e olhando para ele – ele respondeu.

Eles continuaram apreciando a bela melodia que a garota tocava. Uma música boa daquelas, com o frio do ar condicionado do teatro deixava Dylan com sono – o que não era muito difícil. O jovem olhou novamente para sua irmã. Ela continuava se derretendo nos prantos e a plateia parecia achar que era teatrinho da menina. Repentinamente, um som chamou a atenção do jovem. Vinha do palco. De novo, voltou a atenção da apresentação.

Alice ainda chorava, o que tornou a apresentação bem dramática pra plateia, que começou a vaiar silenciosamente ela. Dylan não ficou nem um pouco satisfeito com isso. O jovem olhou para sua irmã e fez um gesto para ela parar de chorar. Que foi correspondido com um típico: “eu faço o que eu quiser!” da irmã.

[...]

O resto da apresentação foi normal. Depois da apresentação, Dylan e Cassandra foram encontrar Ivanildo. Não demorou muito para encontra-lo, pois foi o único que ficou aplaudindo Alice até o final.

Dylan abraço seu pai com toda a força que ele tinha, fazia dois anos que não via o velho.

– Senti tanta falta... – o garoto falou.

– Eu também – disse Ivanildo – Onde está a sua irmã?

Alice chegou no justo momento em que a palavra saiu da boca de seu pai.

– Essa serve? – perguntou Alice.

– Claro – o pai dos irmãos sorriu – Me dê um beijo.

A menina não hesitou e o fez. Dylan notou que sua mãe olhava com cara feia para seu pai. “Ciúme, óbvio”, pensou o jovem. Ele abraçou novamente Ivanildo, junto com sua irmã.

– Abraço em família! – os irmãos gritaram em uníssono, com toda a infantilidade que Ivanildo refletia neles.

Os irmãos pouco se importavam com as todas as pessoas do teatro olhando para eles, assustados. Dylan notou que a o cenho franzido na cara da mãe não se devia ao ciúme, já que a mulher havia desviado o olhar da família. O jovem tentou seguir o olhar dela, mas não conseguia: a direção estava mudando constantemente.

Parando de se preocupar, o garoto voltou a atenção para seu pai e Alice. Também notou o cenho do pai franzido, a olhar pra cara da ex-mulher. A única que aparentava não ter notado era a irmã de Dylan, que continuava abraçando Ivanildo fortemente.

O pai suspirou:

– Vou falar com a mãe de vocês, fiquem aqui.

À visão de Dylan, o pai não percebera que eles cresceram, apesar de Alice ainda ter 14. Começou a relembrar de como era quando ele morava sozinho com Ivanildo, há dois anos. Perdido nas memórias, o garoto não notou que só restara ele Alice ali, já que seus pais estavam caminhado para um lugar um tanto reservado.

O jovem já fazia ideia de onde isso ia dar, não tinha mais a inocência de antes que o falavam: “Isso é conversa de adulto, não se meta”. Claro, sentia falta daquela época, entretanto, não de seu pai zumbindo no seu ouvido o tempo inteiro. Isso era muito, muito irritante.

– Você viu eles saindo? – Dylan perguntou à irmã.

Ela fez um gesto de negação com a cabeça, cujo foi respondido com o dar de ombros do garoto. Alice fez uma cara de ideia que ele já conhecia. Não era exatamente uma cara de ideias, era como ela quisesse saber mais. Ele compreendia esse fato. Sentia a mesma coisa.

– Sabe... Eu sei que você sempre teve fama de bisbilhoteiro... – Alice disse – Quero ver se é verdade... Vamos ver o que estava acontecendo?

O jovem – cuja mente era totalmente poluída – tinha pelo menos uma ideia do que estava acontecendo. E não queria nem um pouco que sua irmã o visse. Embora ela já tivesse catorze anos, ela era totalmente limpa. Ele não queria estragar com a vida da caçulinha que ele tanto amava. Todavia, ela não tão esperta assim, então Dylan poderia inventar uma desculpa esfarrapada para os gemidos – que provavelmente iam escutar.

– Topo – o garoto concluiu – Mas, como vamos acha-los?

– A gente se vira, O.K?

Assentiu com a cabeça.

Não foi muito difícil os achar. Estavam no banheiro de deficientes, nem um pouco discretos, pois dava para escutá-los de longe. No entanto, pouca gente permanecia no teatro, não era tão vergonhoso assim. Os irmãos deitaram lenta e delicadamente os ouvidos na porta do local. Dylan não escutou o que estava esperando, mas não foi nada que ele gostasse.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.