Would you be my little girl?
1 Alguém se importa
Notas iniciais
– Elsa! – Anna chamou, dando suas típicas cinco batidinhas na porta. – Você quer brincar na...
– Poupe seu tempo, Anna. – A garota parecia cada vez mais fechada, tal como a porta de seu quarto sempre estava para sua irmã, e tão fria que se podia sentir na pele ao se aproximar de lá. O por quê? Anna não sabia. Estava tão cansada de insistir e ser rejeitada que já havia tomado iniciativa de brincar sozinha no pátio do palácio, algumas vezes. Nevando ou não. Com seus pais viajando á negócios e os empregados ocupados em seus afazeres, ninguém a veria sair, e consequentemente ninguém brigaria com ela. Sorriu para o sol fraco e para o chão. Andava exercitando sorrir, para não desaprender. Pisou na neve com gosto e seu pé afundou, congelando.
– Está bastante frio, não é Elsa? – Disse fazendo de conta que estava acompanhada. – Ah, é mesmo, você não se incomoda. – Deu mais alguns passos, com dificuldade. – A mãe não me deixa vir aqui fora quando está em casa... – Desenhava a irmã no chão com um graveto, como imaginava que ela fosse. – Eu queria ser como você, mas minha ultima gripe durou semanas. – Falou, jogando-se ao lado do desenho. – Queria que você se importasse... Ou alguém que não fosse obrigado á isso. – Seu sorriso havia sumido e as lágrimas tentavam vir, mas Anna se esforçou para lembrar das estórias que seu pai lhe contava para consolar. – Sabe Elsa, eu acho que acredito mesmo que o Jack Frost existe. E nunca quis tanto vê-lo como quero agora. Eu acho que ele me faria sorrir de novo, sorrir de verdade. – A garota fechou os olhos, sentindo o gelo ao redor de todo seu corpo com intensidade. Sua saúde frágil reclamava. Duas mãos geladas tocaram seu rosto e seus olhos se abriram instantaneamente a tempo de ver o show que os flocos de neve faziam, dançando no ar e criando formas. Sua boca se abriu em um ‘o’ e sua mente constatou o óbvio. – Jack... Frost!
– Só esperando você perceber que eu estava aqui o tempo todo, Anna. – A menina gargalhou maravilhada, de forma contagiante.
– O tempo todo? Por que não apareceu antes? Não viu que eu precisava de um amigo? Porque você é tão velho? – O jovem franziu a testa, tapando a boca da criança.
– Quantas perguntas! Vamos com calma, ok? – Anna suspirou, encarando Frost ainda admirada. Ele soltou sua boca. – As coisas não são fáceis assim. No começo eu ainda queria te fazer acreditar, assim como as outras crianças. Mas depois que me tornei guardião tudo ficou mais claro...
– Guardião? Como assim? – Jack ameaçou tampar sua boca de novo e ela mesma o fez. Ele riu.
– Muito bem, uma coisa de cada vez. Eu descobri que quando vocês pedem por uma prova eu posso oferecer. – Anna levantou a mão, como uma aluna em sala de aula. – Fala baixinha.
– Hey! Não sou baixinha. – seu rosto enrubesceu e Jack deu sinal para que continuasse. – Eu não pedi uma prova. Eu só disse que queria te ver. — Ele a olhou como quem diz “e não dá no mesmo?” e ela retribuiu com seu olhar de “eu estou certa”. Ele não resistia á tanta fofura.
– Você entendeu, baixinha. – Ela se fez de brava, mas na verdade não estava. Estava muito feliz por ter um amigo pra brincar.
– Então senhor Frost, pretende ficar pra sempre, não é? –O garoto deu um passo pra trás, surpreso.
– Pra sempre? Mas... E as outras crianças? – Anna parou pra pensar. Ela realmente não podia monopolizar Jack Frost. Suspirou outra vez, imaginando brincar sozinha e conversar com os quadros pelo resto da vida. O Suspiro atingiu Jack em cheio. Ela o lembrava a irmã dele, e isso fez com que sentisse afeto desde a primeira vez que a viu.
– Não Anna, espere. – Pensou também... Se tirasse alguns minutos de cada dia para vê-la sem ninguém saber, ninguém sentiria falta, não é? – Uma vez por dia está bom pra você? – Aquilo era loucura e até injusto com as outras crianças, mas ele sentia que era o que ele precisava fazer. Anna balançou sua cabeça de um lado para o outro, como quem não tem muita escolha, e Jack deu um sorriso aberto. – Acordo feito? – Ele quis ouvir um sim. Estendeu a mão, observando se moverem os pequenos dedinhos hesitantes da outra, desejando selar aquele compromisso com ele. O que ela tinha a perder?
– Feito!
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