Would you be mine?
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Emma fez com que Regina entrasse em casa depois de algum tempo chorando ali no meio da rua. A morena tinha claras dificuldades para falar sobre aquele assunto, porém Emma estava ali como sua ouvinte, não importa o quanto demorasse, ela estaria ali para escutar Regina quando ela estivesse pronta para falar. O que parecia era que Regina não queria falar, ela só queria colo, conforto, alguém que a abraçasse e mesmo que por mentira dissesse que tudo iria se resolver, que ela ficaria bem. Emma não era o sinônimo de afeto, bem, ela não sabia ser muito carinhosa porque nunca teve que ser, porém agora ela deveria fazer esforços, talvez sobre-humanos, para passar segurança para aquela mulher, mesmo que nem ela mesmo tivesse segurança de si. Difícil? Claro, mas era Regina, e ela estava triste, chorando, Emma tinha que fazer qualquer coisa para fazer com que ela ficasse feliz, ou pelo menos parasse de chorar.
Estavam no chão da sala, Emma sentada com as costas encostadas no sofá tomando uma xícara de café e Regina deitada em seu colo, abraçada a uma almofada e aninhada a uma coberta. A loira lhe afagava o cabelo com bastante carinho enquanto seu olhar estava perdido nas fotos de Regina na parede a sua frente.
–Você sempre foi bonita. -Emma sorriu, tirando o olhar da foto para concentrá-lo em Regina.
–Mentir é feio, Emma. -Aquilo era uma brincadeira, porém a morena dizia aquilo de uma forma sentida e séria.
–Não estou mentindo. -A loira lhe beijou a cabeça e Regina então se colocou sentada.
–Obrigada por ficar comigo, mesmo depois de tudo. -Emma sorriu ao ter o toque das mãos gentis da morena, que agora estava sentada, em sua coxa.
–Não consigo quebrar minhas promessas. -Ela sorriu puxando Regina pelo robe, a beijando.
Os braços da morena então pousaram gentilmente ao redor do pescoço de Swan. O beijo era um tanto molhado pois Regina continuava chorando, porém essa era a ultima coisa que Emma ia notar agora. Ela tinha a necessidade de cuidar de Regina, mesmo que a mesma não precisasse de cuidados a todo momento. Emma via a mulher de verdade por trás da máscara de mulher imponente e soberana, Regina era humana por de baixo de tudo aquilo.
–Meu beijo é tão ruim que te fez chorar? Poxa. -Regina sorriu limpando as lágrimas, deixando um selinho demorado nos lábios da loira.
–Você é idiota assim às vezes ou é em tempo integral? -Emma riu a abraçando.
–Se é pra te fazer ficar melhor eu faço um esforço e fico sendo idiota por tempo integral. -Ela sorriu apertando Regina contra si. -Eu não suporto te ver triste.
–Me desculpe por deixar que você me veja nessa situação. -Regina agora brincava com a alça do sutiã preto de Emma que caia em seu ombro. -Prometo que não vai acontecer de novo.
–Guarde as suas desculpas para quando você realmente precisar se desculpar, eu vim aqui porque gosto e me importo com você, e não importa o quanto você tenha chorado, pra mim… -Emma desfez o abraço, olhou ternamente para a morena e colocou o cabelo da mesma atrás da orelha. -Você sempre será a mais bonita de todas.
Outro beijo aconteceu, esse agora mais demorado que os outros. Se deitaram no tapete felpudo da sala, em meio a algumas almofadas e uma coberta que Regina havia trazido de seu quarto. A morena se aninhou, abraçando a loira enquanto mantinha seu rosto enterrado no peito da mesma. Era bom sentir o calor que Emma emanava, sensação de estar em casa.
–Eu vou passar a noite aqui ok? E sim, minha mãe sabe que eu não irei dormir em casa, Miss Mills. -Emma riu.
–Ah, que gracinha, -Regina levantou o rosto sorrindo. -Você aprendeu como se deve fazer as coisas, estou orgulhosa.
–Shiiiu, calada. -Emma a beijou mais uma vez, se abraçando com Regina.
A pouca luz que entrava vinha da janela, enquanto a lareira fazia com que o ambiente ficasse ainda mais agradável. Era para loira estar em uma festa que Killian havia dado, porém ela não queria estar em qualquer outro lugar que não fosse ser naquela casa, no chão da sala com Regina Mills a seu lado.Por mais que Emma houvesse sofrido com toda essa história, saber que Regina estava bem e segura era o principal para a loira. Ver Regina sorrir ao menos um pouco depois de uma crise de choro incontrolável a fazia se sentir util. Na rua, a morena havia dito que Graham a havia deixado, porém a loira não conseguia entender aquilo, na verdade, ela não entendia o porque desse surto seguido de uma separação assim, do nada. E ela nem havia visto aquele homem chegando na casa de Regina, será que havia terminado por telefone? A loira revirou os olhos, não era possível... Ou era, Graham era um filha da mãe mesmo, era a cara dele fazer aquilo.
–Regina? -Emma desfez o sorriso.
–Sim, o que foi? — Regina abriu os olhos e olhou para a mulher a sua frente.
–Você andou bebendo. -Aquilo não era uma pergunta, e sim uma afirmação.
Haviam três garrafas na mesa da cozinha, todas vazias, logo conhaque. Emma não sabia como Regina estava parando em pé, Killian que era acostumado a beber ficava louco com três copos de conhaque, imagina Regina, toda frágil e pequena, embora fosse uma mulher adulta seu corpo não parecia suportar muita bebida. A loira estava um tanto passada, assustada e preocupada. Como se não bastasse o vício do cigarro, e falando nisso, era possível ver uma carteira de cigarro vazia em cima da mesa, agora também tinha esse vício em bebida que talvez Regina fosse adquirir pela fragilidade causada pela separação repentina. Emma Swan estava muitíssimo preocupada.
–É claro que eu bebi, olha a minha situação, eu precisava beber. -Regina se defendeu, ficando um pouco alterada.
–Eu sei que não tenho nada com a sua vida, porém eu me preocupo e não quero que você vá adquirir outro vício assim de graça. -Emma se levantou indo até a mesa da cozinha. -Olha isso Regina, conhaque, você ficou maluca? Quer ter um coma alcoólico de graça assim? É só me avisar que da próxima vez eu te trago umas garrafas de tequila, um barril, te viro de ponta cabeça e você bebe tudo por um canudo, fica mais divertido caso você tenha um coma alcoólico e morra em uma cama de hospital. -Emma estava irada, falava tudo sem pensar se ia ou não machucar a morena.
–Ah me desculpe, você agora é minha mãe? -Regina sorriu cínica. -Olha aqui Emma, eu pedi para que viesse aqui para me apoiar e me escutar, eu sei que não disse muita coisa, porém eu achei que nesse momento você fosse a ultima pessoa que iria me julgar. -Agora ela estava perto da loira, a veia de seu pescoço saltava mostrando sua raiva, misturada com a bebedeira. -Se você não quer aguentar uma bêbada que também é viciada em cigarros sai da minha casa, eu realmente não estou te obrigando a ficar aqui, corre para os braços do seu amiguinho que deve querer te pegar nas horas vagas, eu não me importo, eu não preciso de você aqui, eu te odeio Emma. -A bebida agora já falava mais alto que tudo.
–Eu achei que você fosse diferente, só mais uma viciadinha de merda. -A loira revirou os olhos e foi saindo da casa.
–Você me chamou de que? -Regina gritou indo atrás dela.
–Viciadinha de merda, porque é isso que você é, Regina Mills. -Emma gritou abrindo a porta da casa.
Chovia bastante lá fora, porém isso não foi bem um empecilho para Emma. Ela queria ir embora dali, não é fácil escutar um “eu te odeio” de alguém que você ama. Sabia que Regina estava um tanto bêbada, porém Emma acreditava que tudo aquilo que falamos quando estamos bêbados são apenas pensamentos que ficam guardados por não termos coragem de falar deles quando estamos sóbrios. Era uma verdade então, ela realmente odiava Emma.
–Emma, volta, por favor. -Saíram as duas na chuva, por causa do barulho os gritos de Regina ficavam abafados, porém seu choro havia retornado, perder duas pessoas em uma noite não era brincadeira.
–Você me odeia. -Emma parou no meio da rua. -Porque eu deveria voltar?
–Eu amo você. -Regina disse ao ver a loira virando de costa, então ela correu e segurou Swan pelos braços. -Eu amo seu cheiro, eu amo quando você morde a ponta do lápis quando está concentrada, eu amo quando você se irrita porque o coque que você no cabelo é desamarrado pelo seu amigo, eu amo quando você come pizza e fica com a boca toda suja ao redor, eu amo te ver toda tímida quando te falo alguma bobagem impensada, eu amo te ver sorrir para mim, eu amo você. -Regina sorriu. -Por favor, não me deixa.
–Você é contraditória demais, Regina, é demais para mim, ficar com você é como estar na guerra, em um momento se está ganhando e no outro você está em desvantagem, perdendo, eu nunca sei como lidar com você, com o seu temperamento explosivo e com os eu modo de ser, de ver as coisas. -A morena então abaixou o olhar, a batalha estava perdida para ela. -Mas... -Levantou então o rosto e olhou para Emma. -Talvez seja por isso tudo que eu não posso deixar você, e nem que eu quisesse eu poderia deixar de te amar. -Emma sorriu a beijando. -Eu amo você.
Estavam ambas com roupas encharcadas ao entrar na mansão Mills aos beijos. Se trocaram no quarto de Regina e desceram para a sala novamente. Emma não precisava de mais nada naquela noite, precisava apenas de Regina, estar com ela já era o suficiente. Odiava brigar com a morena embora as vezes fosse necessário, quem ama se preocupa, assim Emma pensava enquanto cobria a morena que já estava deitada perto de si.
Não demorou para que Regina pegasse no sono, afinal o ambiente estava propicio para isso. Emma demorou um pouco mais para dormir por estar fazendo carinho no cabelo da morena. Era bom estar ali, era bom fazer com que Regina Mills se sentisse feliz, mas acima de tudo, era bom saber que agora, a partir daquele momento, ela era sua. Não no sentido de possuir Regina, mas sim de ter seu coração. A mão da morena se encontrou com a de Emma, a apertando. A loira sorriu, beijando o topo da cabeça da mulher que estava perto de si.
–I love you. -Ela sussurrou em meio a um sorriso. -I’ll always love you.
Fale com o autor