Would you be mine?
8 Capítulo 8
Notas iniciais
As mãos permaneciam geladas. Aquilo já havia se tornado uma característica de seu corpo, embora houvessem tentativas falhas de acabar com isso. O cabelo agora estava sempre preso, ou em rabo de cavalo ou em um coque totalmente bagunçado. A verdade era que ela não estava preocupada com seu cabelo, corpo ou roupas, pelo menos não por agora. Passava a maior parte do tempo, quando não estava na escola, em sua cama, jogada e totalmente esparramada nela, enquanto tocava álbuns de suas bandas preferidas aleatoriamente em seu notebook. A janela agora possuía uma cortina azul escuro, que não deixava nem a luz do sol entrar em seu quarto, ela a havia colocado na janela. Era unanime, Emma Swan estava pirando.
Tudo começou a ocorrer logo após a noite que teve com Regina. Ah aquela noite, Emma poderia manter a lembrança daquela noite viva em sua cabeça por quanto tempo lhe fosse necessário. Funcionava como droga para ela lembrar dos beijos e toques da morena. Swan havia se tornado depende de Regina, não queria aceitar, mas no fundo ela sabia que aquela possível relação seria destrutiva, não para Regina, e sim para ela. Emma não se envolvia com ninguém há algum tempo, e ela se apaixonou perdidamente pela morena, o que não era uma coisa fácil de se aceitar para ela, e isso tornava tudo mais difícil.
Regina tinha uma marido, casa, família e uma vida, e Emma Swan não fazia parte dessa vida perfeita que a morena havia montado para si. Pelo menos, a loira não tinha um papel feliz nessa vida. A não ser que você considere que o papel de "A Outra" seja algo feliz. Porque era isso que Emma havia se tornado, a outra, a que Regina chamava quando era necessário. Swan ficou bem com esse papel durante algumas semanas, era difícil esconder uma troca de olhares na sala de aula ou quando elas se esbarravam no corredor do colégio. Na verdade, era muito difícil. Regina por um tempo se divertiu com isso, era bom testar os limites das loiras. Porém, começou a ficar perigoso demais.
Graham continuava viajando, agora talvez com mais frequência do que nunca, eram três, quatro viagens por semana, as vezes ele viajava com o dinheiro que Regina lhe dava. Sempre voltava estranho, falava pouco, apenas o necessário, e as vezes, nem o necessário ele falava, passava pela morena que lhe esperava usando nada mais que um robe de seda preta sem ao menos falar "oi". A cama do casal Mills permanecia fria nas noites que se seguiam, as vezes Emma dormia com ela, porém não era a mesma coisa.
Entenda, Emma é uma pessoa jovem, cheia de vida e muito bonita, faz com que Regina se sinta nas nuvens, amada novamente e talvez até mais mulher do que nunca. Porém, com Graham ela tem uma família, uma vida estável e a possibilidade de ter filhos, viagens, enfim, uma vida a dois, normal, como todos almejam ter. Ou pelo menos, era assim que Regina planejava que sua vida fosse. Seu planos estavam totalmente e completamente arruinados assim que ela deixou aqueles papeis caírem no chão e um certa loira se aproximou para ajudar com um sorriso doce nos lábios.
Ah as paixões, o algo a mais que a morena sempre procurou, luxúria ou simplesmente algo carnal que lhe fosse capaz de arrancar suspiros. Isso era o que Emma Swan era capaz de fazer com ela com apenas um sorriso. A loira era perigosa, porém, não fazia ideia disso, talvez isso a levasse a loucura. Mills é o tipo de pessoa que brinca com tudo e com todos, e com Emma não era diferente. Não era diferente até certo ponto. Amor talvez? Não, Regina Mills não poderia sentir amor por ninguém, nem mesmo por Graham ela sentia amor, era algo como sentimento de conforto, mas amor... Aquele casamento era apenas o bom e velho casamento por aparências.
Os meses que se seguiram desde que as duas se conheceram, foram os meses mais emocionantes de ambas as vidas. Os encontros as escondidas, os finais de semana que elas passavam juntas, os beijos dados dentro da piscina enquanto ambas estavam completamente nuas. Sim, tudo isso foi ótimo, revigorador diga-se de passagem. Porém, Regina não aguentava essa vida dupla que a um certo momento ela decidiu assumir, não era aceitável que Graham encontrasse Emma em sua casa sempre que ele chegasse, a loira já parecia um móvel, porque todas as vezes que ele chegava de viagem lá estava ela, com um meio sorriso e o com um cabelo bagunçado que só o sexo poderia proporcionar.
Cansada, infeliz e mal amada, era assim que Regina Mills se sentia nesse momento. Ver a cortina na janela do quarto de Emma lhe cortava o coração, mas talvez aquela cortina estivesse ali por seus próprios atos. A conversa que elas tiveram em uma tarde há duas semanas não havia sido amigável. Um tempo era o que Regina havia pedido, só isso, um tempo. Isso soava estranho porque aquela relação não era considerada um namoro, embora parecesse. Swan ficou boquiaberta, se sentiu o lixo do lixo, não suportava a ideia de ficar longe de Regina, uma distância que era separada por um simples atravessar de rua.
O cigarro continuava a queimar entre os dedos da morena. Ela permanecia na janela, o olhar triste nos olhos inchados por haver chorado um pouco demais. Graham havia ligado, e falado por telefone, eu repito, por telefone, que o casamento havia acabado, que ele estava traindo ela não só com uma, mas sim com várias mulheres ao mesmo tempo, fez questão de contar detalhes sórdidos, como nomes, cor de cabelo e o quão boa elas eram na cama, melhores até do que Regina talvez nem pudesse sonhar em ser. Disse também que havia chegado naquela conclusão após uma das mulheres engravidar, ele então teria seu tão sonhado filho, algo que Regina não havia conseguido lhe dar em quatro meses de casamento. Pouco tempo para se exigir alguma coisa, porém, Graham não ligava.
Apagou o cigarro na janela mesmo e o jogou no jardim, acendendo outro logo em seguida. As lágrimas continuava a cair, porém aquele era o tipo de choro silencioso, o mais doido de todos, o que fazia com que todo o sofrimento que ela sentia viesse para fora da maneira mais brutal possível, sim, o choro que era silencioso agora tomava som, e ficava cada vez mais perturbador. Ela simplesmente não conseguia parar, soluços atrás de soluços, enquanto sentia seu coração se partir em mil a cada vez que ela olhava para a janela da casa dos Swan. Era uma dor inimaginável, saber que seu consolo está do outro lado da rua mais você não pode ir busca-lo, e não pode porque fez merda.
O telefone tocava, porém ela realmente não queria atender, talvez fosse Graham, talvez fosse da escola para perguntar onde é que ela havia se metido, e assim ela teria que apresentar um motivo no mínimo razoável para não ter comparecido a reunião de pais e mestres que ocorrera naquele dia. A reunião na escala de um á dez de motivos para se preocupar se encontrava no nível zero. Ela não ligava para emprego uma vez que ela via sua vida inteira desmoronando feito um castelo de cartas aos seus olhos, e ela simplesmente não poderia fazer nada, absolutamente nada. Cruzou o quarto e atendeu o telefone porque o barulho que ele fazia estava lhe incomodando, uma vez que agora sua cabeça latejava.
–Casa dos Mills.
–Regina? -Uma voz feminina que parecia sair apenas por necessidade falava ao telefone.
–Sim, sou eu, quem é e o que deseja? Creio que esse não seja um momento bom para me prender ao telefone. -Ela dizia aquilo rispidamente, verdadeira raiva saia junto com suas palavras.
–Sou eu, Emma, eu sei que você pediu para que eu não te ligasse mais... Mas eu precisava saber se você está bem.
–Estou ótima, querida, desculpe ter sido tão ríspida.
–Tem certeza de que você está bem? -Emma estava em pé, perto da janela, agora sem a maldita cortina.
–Eu... Não, eu não estou nada bem. -O choro saiu de novo.
–O que houve? -Um tom preocupado assumia a fala da estudante.
Regina então foi até a janela e sorriu ao ver a loira do outro lado da rua, uma sensação boa começava aos poucos tomar seu coração.
–Nós podemos por favor não falar sobre isso, pelo menos, não agora. -Mills deitou seu rosto em sua mão no braço que se apoiava na janela.
–Regina, eu sei que nós tivemos aquela conversa, e que você não quer me ver, mas eu... -Emma fora interrompida.
–Me faça companhia, venha para cá, se não for um incomodo, por favor Emma, eu sei que não estou em condições de te pedir nada, mas... Eu não quero ficar sozinha mais uma vez.
Dentre tudo o que a loira poderia falar, dentre tudo quanto é xingamento, formas de se começar uma discussão, dentre outros, ela se calou e respirou profundamente.
–Me espere na porta. -E desligou o telefone, descendo a escada com certa calma.
Regina desligou o telefone e desceu as escadas rapidamente, fechando o robe com certa dificuldade pois as lágrimas dificultavam um pouco sua visão. Abriu a porta e viu Emma saindo de casa, porém, ela não se conteve. Enquanto a loira atravessava a rua, a Regina correu ao seu encontro, abraçando-a e recostando sua cabeça nos seios da moça que era mais alta que si. Abraçou Emma com tanta força que parecia que suas mãos iriam colar na costas da mesma.
–Regina... -Emma olhou para a morena que agora se encolhia em seus braços. -Eu estou aqui... Eu prometi que não ia te abandonar. -Emma sorriu. -Agora, fica calma e menos força no abraço, ou se não você vai me matar.
–Desculpa, me desculpa, querida. -O primeiro sorriso da noite brotava nos lábios da morena, porém ele logo se desfez, e outro abraço, agora mais brando, aconteceu. -Ele me deixou Emma, Graham me deixou.
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