Would You Fall In Love With Me Again - Loki &S
1 Loki & Sigyn
Notas iniciais
Esperar.
Era o que Sigyn fazia sempre.
Sua paciência e perseverança eram inesgotáveis, assim como a sua esperança. Atualmente, vive em uma área mais afastada da Nova Asgard. Morava em uma casa simples, mas que era muito bem cuidada por ela.
Todo dia, olhava para a porta e imaginava o seu amado passando por ela e dizendo que estava vivo e que não a assustaria mais novamente. Entretanto, com o passar dos dias, dos meses e dos anos, isso nunca chegou perto de acontecer.
Antes de continuar a falar sobre a sua atualidade, primeiro, temos que voltar ao passado e entender melhor sua história que está interligada com um deus trapaceiro.
Essa jovem era uma dama de honra da rainha Frigga. Sigyn sempre foi uma mulher muito discreta e reservada, enquanto as outras damas de honra eram o oposto. Devido a isso, ela era deixada para trás pelas outras.
Em uma das vezes em que caminhava bem atrás das damas, como não conseguia ver o que se passava em sua frente, acabou se esbarrando em alguém. Quando pôs os olhos no homem em sua frente, se apaixonou perdidamente. Tentou evitar que esse sentimento se estendesse mais, mas nada adiantava. Estava apaixonada por Loki.
Príncipe de Asgard, deus da trapaça e da mentira. Apesar de todos, ou a grande maioria, não gostar de Loki, Sigyn sentia que ele não era tão ruim quanto os outros pensavam. Ela passou a notá-lo melhor, sempre o observando. Percebendo cada detalhe que ele aprontava ou não. No fim, Sigyn sabia que as trapaças que cometia e as mentiras que ele contava só não passavam de uma máscara para ocultar a sua dor.
Com o passar dos anos, eles começaram a se aproximar. Sempre se encontravam na biblioteca. Loki havia percebido os olhos de Sigyn sobre ele e por isso passou a olhá-la também. Faziam curtos comentários sobre os livros e com o tempo as conversas passaram a ser mais elaboradas, sempre sobre algum livro.
Devido a essa aproximação, passaram a conversar melhor, nada sobre livros. Descobriram gostos em comum e se aproximavam cada vez mais. Loki não notava, mas quanto mais tempo passava com Sigyn, mais desejava a tê-la por perto. Quando notou, percebeu que estava completamente apaixonado.
Havia chegado a um certo ponto em que ambos estavam perdidamente apaixonados e deprimidos. Não se declaram de início, motivo que os deixavam depreciados, pois havia vários impedimentos para que eles ficassem juntos.
Primeiro, Sigyn era uma dama de honra da rainha. A inferioridade de seu nascimento, a sua posição, era um aviso de que nunca poderiam ficar juntos. Na mente de Loki, Odin iria implicar com a moça, impedi-los de ficarem juntos, apenas por não ser um filho querido.
Segundo, Loki era um homem problemático. Vivia arranjando problemas, abalando a confiança das pessoas. Temia ferir os preciosos sentimentos de Sigyn.
Terceiro, Sigyn acreditava que não era digna do amor de Loki. Pensava que Loki nunca se interessaria por ela, e sim por mulheres de grande riqueza, da realeza.
Depois de um tempo, finalmente decidiram se declarar um para o outro. A iniciativa foi tomada por Loki, que desejava ser sincero com a moça.
Pela diferença de classes sociais, eles tiveram que se encontrar às escondidas. Liam um para o outro, observavam a natureza e as estrelas, ficavam minutos abraçados, davam pequenos beijos cheios de amor. O amor deles era puro, não havia maldade e nem luxúria.
Infelizmente, chegaram os tempos tempestuosos, que abalaram a relação do jovem casal. A incerteza, o futuro e as mentiras eram motivos para os causar medo.
Tudo começou quando Loki, Thor e os quatro cavaleiros voltaram de Jotunheim, no dia em que Thor quase foi coroado como rei de Asgard. Naquele dia, Loki desconfiou que fosse um gigante de gelo e foi até a sala dos tesouros para descobrir se era verdade. Sigyn foi junto, mesmo ele dizendo que, se sua suspeita estivesse certa, ela não iria gostar do que veria.
Quando encostou suas mãos na caixa de gelo, de pouco em pouco, sua pele se transformou em perfeito tom azul. Desenhos, em tom mais claro, percorriam por todo o seu corpo. Suas íris, que eram azul como o gelo, agora eram negros como a obsidiana. A parte branca dos olhos se transformaram em vermelho, como rubi.
Loki não gostava daquilo. Não gostava de se ver daquele jeito e de como descobriu as mentiras de Odin. E o pior, tinha medo da reação de sua amada. Se sentia um completo monstro, mas Sigyn não achava isso. Na verdade, o achava ainda mais belo.
Depois disso, Odin os encontrou e ocorreram brigas e confusões, sendo uma delas o desmaio de Odin. E logo após isso, se acarretaram ainda mais confusões, como Loki subindo ao poder e enviando o gigante de ferro para atrapalhar Thor em Midgard. Sigyn tentou intervir, mas nada havia adiantado. Loki era um sujeito muito teimoso.
Sigyn não podia julgar e nem o culpar. As mentiras que o pai de todos contou, a verdade sendo revelada de uma vez, mexeu com o psicológico do moreno, o qual já era abalado pelos ocorridos de sua vida.
No fim, Thor retornou a Asgard e lutou contra o irmão. Loki caiu da Bifrost e foi dado como morto. Apesar de ter chorado muito com a notícia, algo dentro de Sigyn dizia que ele não havia morrido. E ela passou a acreditar nisso.
As pessoas ao seu redor começaram a julgar muito, dizendo para ela parar de sonhar e aceitar que ele havia partido. Além disso, quase todos do castelo passaram a desconfiar da relação de Sigyn com Loki. Pois viram o quão próximos eles eram quando Loki estava no lugar de Odin.
A única pessoa que não a julgava era a própria rainha. Frigga sabia que Sigyn era uma boa moça e, por isso, a defendeu e conseguiu que ela não sofresse nenhuma consequência por seu amor a Loki. As duas se aproximaram ainda mais devido a isso. Compartilhavam a mesma dor e falavam sobre uma com a outra. Uma era o suporte da outra. Em meio a dor nasceu uma amizade muito linda e querida.
Um ano se passou e surgiu a notícia que ninguém acreditou: Loki estava vivo. E com essa notícia surgiu outra, a qual desagradou a todos: Ele estava querendo governar Midgard.
Enquanto Odin e Thor planejavam o que fazer com Loki, Frigga e Sigyn compartilhavam entre si o sentimento de felicidade e alívio. Estavam alegres por Loki estar vivo, mas tristes por ele estar fazendo algo errado.
Logo, Thor foi enviado para Midgard para trazer Loki para Asgard e enfrentar as leis asgardianas. Odin retornou ao seus afazeres, enquanto aguardava o retorno de Thor. Frigga e Sigyn ficaram na Bifrost, recebendo todos os detalhes que se passava em Midgard através de Heimdall.
Em dado momento, Heimdall disse que Loki havia sido capturado por Thor e um grupo de midgardianos. Frigga sabia que seu filho estava planejando algo. Conhecia ele, ele não seria pego tão facilmente a não ser que quisesse. Sabendo que Loki poderia escutar Sigyn e desistir da ideia de fazer algum mal, Frigga mandou Heimdall levá-la para Midgard para conversar com Loki.
Sigyn foi enviada rapidamente para a nave onde Thor e Loki estavam. Ela ficou bem assustada quando foi recebida por vários homens armados, mas que se acalmaram quando Thor chegou e disse que ela era uma amiga.
Thor ficou surpreso com a presença de Sigyn e a perguntou o motivo de ter vindo para Midgard. Ela respondeu que Frigga a enviou para conversar com Loki para desistir de governar Midgard. Thor ficou confuso, dizendo que já haviam pegado o irmão, mas Sigyn explicou que era essa a preocupação da rainha.
Quando entendeu o que a jovem estava dizendo, Thor a levou até a sala onde Loki estava aprisionado. Ele os deixou sozinhos para que eles tivessem um pouco mais de “privacidade”, apesar de ele e os midgardianos (vulgo os vingadores e alguns agentes da s.h.i.e.l.d.) observarem eles através das câmeras de segurança.
Loki não havia olhado para Sigyn por achar que fosse um dos vingadores ou algum midgardiano. Quando finalmente olhou em direção a pessoa que o visitava, sua feição mudou completamente. O rosto que estava sério, com uma expressão de deboche acompanhada de um sorriso cínico, agora estava surpreso.
Ao mesmo tempo que estava feliz em vê-la, sentiu um mal estar por ela ver ele naquela situação. Enquanto ela se aproximava calmamente da prisão de vidro, ele sentia um gosto amargo cada vez mais forte. Ela parou em sua frente e um pequeno sorriso surgiu ali. Loki, que estava ansioso, agora estava um pouco mais relaxado ao ver o sorriso de sua amada.
Enquanto Sigyn tentava convencer Loki, os vingadores observavam tudo com muita atenção. Estavam surpresos pela mudança de comportamento de Loki, pensavam que poderiam usar Sigyn para deter Loki. Entretanto, os planos foram por água abaixo quando viram, com o passar do tempo, que Loki não desistiria.
Todos ficaram desesperados quando a nave apresentou problemas e começou a cair. Nesse caos, a sela de Loki é aberta e ele abraçou Sigyn. Dizia que não poderia desistir pois outro homem estava o controlando e se ele não o obedecesse ele e ela morreriam.
Eles ficaram abraçados por pouco tempo, até Loki mandar ela ir embora de Midgard naquele instante para ficar segura. Sigyn obedeceu, vendo que não poderia fazer nada para parar Loki. Ela o beijou e correu para ir embora. Ela ficou na área livre da nave, se segurando em alguns ferros soltos e chamou por Heimdall.
Voltando para Asgard, ela explicou a situação para Frigga, que sentiu grande pesar por seu filho estar sendo controlado. As duas foram até o rei explicar a situação para que Loki não sofresse nenhuma punição quando chegasse, mas Odin nem sequer as escutou, achando que eram apenas desculpas para Loki não sofrer as consequências.
Percebendo que não poderiam fazer mais nada, elas voltaram para Bifrost para continuar recebendo as notícias de Midgard. Ambas estavam frustradas com a situação, mas Sigyn também sentia uma pequena raiva e revolta dentro de seu peito por Odin não querer saber nada a respeito do filho. Foi ali que ela percebeu que Odin não amava Loki, o filho que criou desde bebê.
Quando finalmente Loki foi capturado e levado para Asgard, após destruir uma pequena parte de uma cidade de Midgard, Frigga e Sigyn foram juntas ver o julgamento de Loki.
Enquanto o julgamento acontecia, Sigyn ficava mais ansiosa e revoltada com as palavras crueis que Odin dizia a Loki. Podia ver as palavras cortando bem no fundo da alma de Loki, mesmo ele disfarçando. Não aguentava vê-lo assim.
Odin declarou que Loki passaria o resto de sua vida nas masmorras do castelo e nunca mais veria ninguém. Sigyn não pode mais ficar calada e foi contra a ordem do rei. Todos os presentes ficaram espantados com a postura dela e Odin estava prestes a dar a mesma sentença de Loki para ela, mas decidiu escutar tudo o que ela queria dizer.
Sigyn disse tudo o que sabia a respeito a Loki, que não achava justo ele sofrer essa sentença se não tinha escolha. Ainda disse que achava Odin muito cruel por estar fazendo aquilo. Odin escutou tudo com muita atenção e ficou surpreso pela forma que ela defendia Loki, mesmo Loki ter enganado ela como os outros.
Quando Sigyn terminou, Odin disse em alta voz que, mesmo ela tenha infringido as leis por ir contra ele, ficou de certa forma admirado por ela ser leal e ter compaixão por Loki, mesmo sabendo de todas as coisas que ele fez. Naquele momento, ele a declarou a deusa da fidelidade e da compaixão. Ainda permitiu que ela fosse a única pessoa que poderia visitar Loki.
Passou-se um ano, Sigyn visitava Loki nas masmorras todos os dias. Trazia livros e outras coisas para que ele se distraísse. Loki odiava aquele lugar, mas quando Sigyn estava por perto aquele lugar ficava suportável. Sigyn dizia tudo que acontecia no castelo e fora de Asgard, sempre mantendo Loki informado sobre o que acontecia fora das masmorras.
Um dia, Sigyn chegou com uma notícia que deixou Loki com uma pulga atrás da orelha. Jane Foster, a mulher que Thor amava, estava em Asgard. Thor a trouxe devido a ela sofrer com alguma coisa, mas Sigyn ainda não sabia o que era. Loki ficou muito curioso com aquela história e pediu para Sigyn investigar mais sobre, ele sentia que tinha algo de errado.
No momento em que Sigyn saiu das masmorras, o local foi tomado pelo caos. Um dos presos conseguiu escapar e começou a libertar todos os presos. Loki nada disse, nem ao menos apontou onde ficava a saída da masmorra. Mesmo que odiasse o estado em que estava e que gostaria que Asgard pegasse fogo, ele não poderia fazer tal coisa. Sua amada tinha acabado de sair, não queria que ela sofresse algum risco de vida.
No final de tudo, algumas horas depois, Sigyn retornou com o rosto inchado de tanto chorar. Loki, ansioso e com um sentimento ruim, sabia que o que ela falaria não seria nada bom. E ele estava certo. Frigga foi morta por um dos elfos negros, os responsáveis por todo aquele caos. Os dois choraram juntos com a perda. Loki havia perdido a mãe e Sigyn a melhor amiga e sogra.
Um tempo depois, Thor foi até a cela de Loki para propor um acordo. Ele o ajudaria a sair de Asgard e mataria o responsável pela morte de Frigga. Apesar de Loki ter pensado um pouco a respeito, aceitou a proposta quando o nome de sua mãe foi citado. Loki se despediu de Sigyn, com a promessa que retornaria para ela bem, e ele e o irmão, junto com Jane, foram atrás dos elfos negros.
Mais horas se passaram e um guarda apareceu. Sigyn escutou a conversa dele com o rei e seu coração foi estraçalhado novamente em pouco tempo. O guarda havia dito que Loki foi morto por um elfo negro. Apesar do coração sangrar, novamente, algo dentro de si disse que ele não havia morrido.
Naquele mesmo dia, na madrugada, Sigyn foi acordada com um vulto em seu quarto. Se assustou, mas quando olhou direito, notou que era seu amado. Ela chorou e o abraçou, seu coração cicatrizou novamente.
Quando se recompôs, Loki disse que forjou sua morte para não retornar para as masmorras. Disse ainda que conseguiu levar Odin até Midgard e que está fingindo ser ele. Sigyn o repreendeu e disse que era uma péssima ideia, mas Loki era teimoso. Mesmo não concordando com aquela situação, ela prometeu não fazer nada para ele ser descoberto.
Cinco anos se passaram. Durante esse tempo, Loki e Sigyn se casaram às escondidas. Ficaram muito felizes, mas ao mesmo tempo muito tristes por ninguém saber da união deles.
Quando tudo parecia estar indo bem, as trevas novamente retornaram para Asgard. Uma mulher, dizendo ser a filha primogênita de Odin, chegou em Asgard para conseguir o trono. Sigyn temia que ela fosse a responsável pelo sumiço de seu marido, que tinha ido até Midgard com Thor para encontrar Odin. Com a presença de Hela, deveriam ter retornado.
Passou-se algumas horas e nada de Loki e Thor retornarem, até que Sigyn descobriu que Hela que os impediu de chegar, além do fato da espada que é a chave para a Bifrost funcionar ter desaparecido.
Vendo que a sua cunhada era muito poderosa, decidiu ficar às escondidas no castelo, sempre evitando ficar perto dela. Entretanto, Hela acaba descobrindo a sua existência, quando soube que ela era considerada uma deusa. Ela chamou Sigyn e a perguntou o motivo de ser considerada uma quando não tinha uma gota de poder. Sigyn respondeu que foi nomeada a deusa da fidelidade e da compaixão por Odin, pois amava e era leal a Loki.
Hela perguntou se era leal aos seus superiores também. Sigyn respondeu que sempre foi muito leal, sempre obedecendo e nunca indo contra. Mas, quando se aproximou de Loki e se apaixonou por ele, acabou quebrando algumas regras e percebeu que o rei não era tão bom quanto ela pensava.
A sinceridade de Sigyn, e o fato de que ela não gostava tanto de seu pai, fez com que Hela a olhasse com bons olhos. Entretanto, ela não sabia se poderia confiar nela, já que ela quebrou algumas regras.
Não pode pensar com o que faria quando Thor retornou a Asgard. Enquanto Hela lutava contra Thor, Sigyn e outros asgardianos correram para uma nave para escapar de Asgard. Lá encontrou Loki, o responsável por ter trazido a nave. Se abraçaram, cheios de saudades um do outro.
Com a derrota de Hela e a destruição de Asgard, os asgardianos ficaram sem um lugar para ficar. Por sorte, existia um lugar em Midgard para eles se estabelecerem. Então seguiram para Midgard, com a esperança de um novo recomeço.
Quando tudo parecia que ficaria bem, o medo e a destruição voltaram novamente para o povo asgardiano.
Thanos, um titã louco, invadiu a nave, querendo o Tesseract. Matou vários asgardianos e quase destruiu Thor e seu amigo Hulk. Loki, que estava com o tesseract, resolveu o entregar. Além de entregar o cubo, prometeu lealdade para Thanos.
Sigyn estava desacordada, devido a uma pancada em sua cabeça. Por isso, não viu a terrível cena de seu marido tendo o pescoço quebrado pelo titã.
Depois de um tempo, os sobreviventes do massacre foram resgatados e levados para Midgard. Quando chegaram lá, pensando em como se adaptariam ali, algumas pessoas se transformaram em pó. No começo, não sabiam o que aconteceu e entraram em profundo desespero, ainda abatidos com o trauma de horas atrás, mas logo entenderiam.
Com a vitória de Thanos, todo o universo foi obrigado a se adaptar com o sumiço de metade dos seres vivos. Os asgardianos conseguiram se erguer, de certa forma. O lugar onde ficavam o nomearam de “Nova Asgard”. Ganhavam dinheiro através da pesca, por morarem bem próximos ao mar. Apesar de toda a desgraça que havia acontecido, as coisas estavam melhorando.
Passaram-se cinco anos e não houve um dia sequer em que ela não pensou em seu amado. Escutava uma voz, dizendo que ele não havia morrido, mesmo que Thor tenha visto com os seus próprios olhos a sua morte.
Durante esses cinco anos, houve muitos homens querendo o seu amor, mas ela sempre os dispensava, pois só conseguia pensar em Loki. Acordava pensando nele e dormia com o mesmo pensamento. Havia noites em que sonhava que ele estava ao seu lado, a abraçando fortemente. E em outras noites sonhava com o absoluto nada.
Um dia, foi até a casa de seu cunhado na parte da tarde. Assim como ela, Thor sentia muita falta de seu irmão. Alguns dias da semana ela ia para sua casa ver se ele estava bem. Sempre o encontrava com o rosto vidrado na tal TV ou bebendo cerveja. Mas naquele dia em específico ele não estava lá.
Resolveu que iria passear pelo campo. Voltou para casa e pegou uma cesta, colocando nela um livro e um lanche. Saiu e foi caminhando, olhando tudo ao seu redor. Ouvia o barulho das ondas batendo sobre a rocha e os pássaros cantando no alto de uma árvore. Via algumas borboletas voando sobre algumas flores e um gato perturbando um cachorro assustado.
Depois de um tempo andando, resolveu sentar-se. No meio da grama, próximo das pedras onde as águas batiam, sentou e pegou o seu livro de dentro da cesta. Durante esses cinco anos, ela devorou muitos livros midgardianos. Naquele momento, estava lendo “Bíblia”. Ficou curiosa sobre o livro quando soube que muitos midgardianos não gostavam, enquanto outros seguiam o que chamavam de mandamentos que continham no livro.
Se era verdade ou não aquelas palavras, foi a única coisa que conseguiu a tranquilizar durante aquele tempo. Apesar de algumas palavras soarem como um tapa, outras eram como uma mão amiga.
Algumas horas depois, resolveu ir embora. O sol estava prestes a se pôr, quase sumido de trás das árvores. Levantou-se e pegou a cesta, ainda lendo o livro. Começou a caminhar quando de repente escutou passos atrás de si. Ela parou, assustada, e virou a cabeça para trás devagar.
Era um homem alto, com cabelos negros que iam até abaixo dos ombros e olhos gelicos.
— Sigyn. — ele disse, com a voz baixa.
O coração de Sigyn pareceu errar as batidas por um instante, devido à visão à sua frente. Sentiu uma vontade enorme de chorar e acabou deixando as suas coisas caírem no chão..
— É você? — disse, ainda em dúvida. Ela se aproximou dele em passos lentos. — Minhas preces foram ouvidas? É realmente você que está parado aí? Ou estou sonhando mais uma vez? — desabafou, com a voz trêmula.
O homem deu um pequeno sorriso e se aproximou dela também. Ficaram próximos um do outro. Sigyn levantou uma de suas mãos e a aproximou no rosto dele. Sentiu a pele tipicamente gelada, cada traço que reconhecia em seu marido. No fim, desabou em choro vendo que ele estava ali.
— É você mesmo! — exclamou alegre. — Loki… — o abraçou.
— Estou aqui…
Loki retribuiu o abraço, dando um suspiro de alívio. Não pode deixar de chorar vendo novamente a sua esposa depois de tanto tempo. Depois de um tempo, se soltaram, mas não se afastaram.
— Você está diferente, seus olhos parecem abatidos. Seu corpo está magro, seu sorriso cansado…
— Eu fiz de tudo para conseguir te encontrar, acabei me desleixando um pouco. — disse Loki, pousando um selinho na testa de sua amada. — Eu sei que você esteve esperando, esperando por amor. Perdoe-me novamente por fazê-la esperar…
— Está perdoado. — o beijou. — Agora vamos para casa, quero que me conte tudo que aconteceu.
— E depois quero que me conte tudo que aconteceu com você e o povo de Asgard.
Beijaram-se novamente e deram as mãos, olhando para o outro. Começaram a caminhar tranquilamente até a casa de Sigyn. No meio do caminho, viram o sol desaparecer atrás das árvores, um cachorro e um gato brincando e as borboletas indo embora. Sentiram a brisa gelada, ouviram os sons das cigarras e das águas batendo sobre as rochas.
E finalmente, tudo ficou em paz.
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