Would It Matter
17 Provocações
Notas iniciais
~Tokiya
Já faz um bom tempo que o senpai saiu, desde então estamos completamente sem noticias do Ranmaru-senpai, estou muito preocupado, e pelo jeito vejo que Otoya também, pois mal consegue manter-se parado.
Por sorte nosso quarto fica com a janela voltada para a entrada do prédio, o que facilita muito em saber quem entra e quem sai do prédio.
Há poucos minutos vi o Nagi sair daqui, o que ele veio fazer aqui, eu não tenho ideia, ele nunca falou com nenhum de nós, a não ser para discutir. E agora viu o Kurusu sair correndo. Algo me diz que eles brigaram novamente.
– Ei, Ittoki. – chamei-o.
– Hm? – murmurou de volta. Agora ele parou um pouco, por Kami-sama, eu não sei como ele não se cansa.
– Eu vou dar uma volta.
– Eu vou junto. Não agüento mais ficar parado.
– Mas você não parou quieto desde que o Reiji-senpai saiu.
– Mas é diferente Tokiya! Eu não agüento mais ficar nesse quarto. – resmungou.
– Okay, okay. Vamos então.
– Hai! – gritou e pulou da cama.
Saímos do quarto e rumamos para a sala de entrada rapidamente.
– Nee, Tokiya. O que você tem? – Otoya perguntou.
– Só estou preocupado com o Senpai e com o Syo.
– Com o Syo? O que tem ele? – perguntou
– Eu vi ele sair correndo daqui há alguns minutos, fiquei pensando o que pode ter acontecido com ele.
– Então ande logo Tokiya pode ter sido alguma coisa séria. – pegou meu braço e começou a correr, me puxando junto.
– E-ei calma Otoya! – gritei e puxei meu braço da mão dele
– EEEhhh?! Você me chamou pelo nome Tokiya!! – comemorou e pulou no meu pescoço me abraçando.
– E o que tem? – perguntei abraçando ele de volta, e sentindo meu coração acelerar.
– É que eu gosto quando você me chama pelo nome. – sussurrou em meu pescoço. – Eu sinto que sou importante.
– Mas você é importante Otoya. Para mim e para todos os outros. – sussurrei em resposta.
– Mas, você é o meu melhor amigo, Tokiya. Então eu fico feliz que você me ache importante.
Nesse momento meu coração já queria saltar para fora, e eu sentia meu rosto esquentar, num claro sinal que eu estava enrubescendo.
Ficar perto dele já é tentador demais, é extremamente difícil controlar a vontade que eu tenho de beijá-lo, resistir a ele é terrível. Eu nunca conheci ninguém mais amável, e fofo que ele. Mesmo tendo a mesma idade, eu tenho vontade de erguê-lo no colo e levá-lo para longe de todos, onde só eu consiga ver ele, e o ter somente para mim.
– Você sempre foi, e sempre será importante Otoya. Sempre. – murmurei o mais baixo possível, na intenção de que ele não escutasse, mas ele escutou.
– Sempre Tokiya? – perguntou se afastando um pouco para me olhar com os olhos marejados.
– Sempre. – respondi, secando uma lágrima que escorreu por aquele rosto que tanto me encantava. Em resposta ele abriu um dos sorrisos dele. Fazendo-me sorrir de volta.
Me afastei dele um pouco relutante, não queria soltá-lo, mas estando preocupado com o Kurusu é complicado.
– Vem Otoya. Vamos achar aquele baixinho. – disse puxando ele puxando ele e voltando a caminhar. Quando chegamos à sala ouvimos Ai-senpai no telefone.
– Claro... Mas como ele está?... Por Kami-sama, pelo menos ele não se feriu gravemente... O que? Como assim você o viu? Não tem nenhuma marca?... Tudo bem...Aham... Entendo... Mantenha-nos avisados Reiji... Okay, até. – e desligou.
– Etto, Ai-senpai. – Otoya chamou.
– Sim?
– Alguma noticia do Ranmaru-senpai?
– Ele vai ficar bem, pelo que o Reiji me disse, ele ficará mais algum tempo na UTI devido aos calmantes e talvez vá para o quarto hoje ou amanhã pela manhã. Então ficará em observação por uns dois ou três dias talvez.
– Entendo. Obrigado Ai-senpai. – Otoya falou sorridente. — Err... Senpai, você sabe o que aconteceu com o Syo-shan?
– O chibi? Bom ele ficou bravo por uma coisa que o Nagi fez, e saiu correndo. Daqui a pouco ele volta. Não se preocupem. – respondeu calmamente, pude ver que não era só isso, mas acabei deixando passar.
– Hm. Então não precisamos nos preocupar Tokiya. – o ruivo comemorou.
– É verdade. Obrigado senpai. – agradeci.
– Nee, Tokiya, vamos dar uma volta? – Otoya sugeriu.
– Mas... – comecei, mas ele me cortou.
– Eu não quero ficar sozinho, e não quero voltar pro quarto. – explicou. – Nee, nee, vamos Tokiya. – pediu fazendo bico.
– Okay. Vamos. – respondi. Vi que o Ai-senpai nos olhava e segurava uma risada. Até que o ruivo se jogou no meu pescoço novamente. Ele estava pegando esse costume, e eu tenho que parar com isso, mesmo gostando. Droga.
– Vocês dois, fariam um casal bonito. – o senpai ironizou. Otoya corou furiosamente, fazendo com que seu rosto ficasse quase do mesmo tom que seu cabelo, e eu desviei os olhos.
– Como assim senpai? – Otoya perguntou receoso.
– Isso, mesmo, vocês dois fariam um ótimo casal, você faz o Tokiya ficar menos mau humorado, e ele faz você ficar menos irritante.
– Etto, etto... – vendo que ficamos embaraçados começou a rir, e pela primeira vez vi o senpai rir. Foi um tanto quanto surpreendente.
– Não precisam ficar envergonhados. Só sugeri uma coisa. – e desatou a rir novamente.
– Vocês não iam sair? – perguntou depois que conseguiu parar de rir.
– Etto, íamos. – Otoya respondeu.
– Íamos, não. Estamos indo. – corrigi o ruivo. – Até depois senpai.
– Tchau senpai.
– Tchau. – respondeu. – Tokiya não leve o Otoya pro mau caminho ele ainda é muito inocente. – provocou novamente, fazendo nos dois corarmos.
– Pode deixar senpai. – respondi. – Vamos Otoya. – disse puxando ele.
– Vamos.
*****
~Camus
Entrei em meu quarto, tudo escuro e quieto, as cortinas haviam sido fechadas e não notei nenhum movimento no mesmo. Quando acendi as luzes, vi que não havia ninguém, o que me deixou um pouco preocupado, Aijima não estava muito bem quando sai.
Cruzei o quarto e me aproximei da cama dele, e vi que o colar que ele sempre usava estava sobre a mesma, peguei-o e o olhei de perto, era muito bonito, com certeza nunca vi nada igual, era uma pedra única, e linda.
– Camus? – chamou-me. Me assustei com a chegada repentina, achei que ele não estava no quarto.
– O que foi Aijima? — perguntei me virado para ele, enquanto ainda observava a pedra.
– O que você ta fazendo com isso? – perguntou apontando para o colar.
– Só estou olhando, vi-a em cima da cama e peguei para olhá-la de perto. – respondi. – Ela é muito bonita. – comentei.
– Obrigado. Eu a acho linda. Lembra-me muito de casa.
– Entendo. Desculpe ter pego. – estendi a pedra para ele.
– Não tem problema. – Sorriu. – Aliás, como está o Ranmaru-senpai?
– Segundo o médico disse para nós no hospital, ele está estável, mas quando saímos de lá os exames ainda não tinham ficado prontos. Estou esperando o Reiji ligar para confirmar que não é nada de mais.
– Tomara que ele ligue logo. – sussurrou. – Vocês são muito próximos não é? – perguntou erguendo os olhos nos meus.
– Por mais difícil que seja de acreditar, eu e o Ranmaru somos muito amigos. Mas discutimos muito por termos a paciência curta.
– Eu notei. – concordou sorrindo.
– Até o Ai que parece indiferente é muito ligado a nós, e quando se preocupa com qualquer um que goste, ele se descontrola. – contei sorrindo de volta.
– Eu não imagino o Ai-senpai descontrolado. Ele sempre parece ser tão calmo e centrado.
– É bem difícil de imaginar mesmo. – comentei e caminhei até uma cadeira perto da janela, sentando nela. – Eu quando não o conhecia, achava que ele era apático a tudo e a todos.
– Eu achava isso até agora. – comentou, sentando na cama. Sorri para isso, às vezes ele não era tão irritante e até dava para conversar civilizadamente com ele.
– Todos acham. Ele é realmente apático a todos que não sejam amigos ou próximos a ele. Só é possível saber desse outro lado dele quando se aproxima o suficiente para se tornar importante. Você não notou o quanto ele estava cuidadoso com o Kurusu, antes de ele ter de ir fazer os exames?
– Sim, eu notei que ele estava tratando ele diferente, com mais cuidado.
– Exato. Ele se afeiçoou a ele e ao Shinomiya. Mas como o Kurusu parece ser mais frágil, ele ficou preocupado e começou a tratá-lo diferente. Como se quisesse protegê-lo. Entende?
– Hai. – concordou. – Nee, Camus, você se preocupa com alguém fora eles? – perguntou abaixando os olhos para as mãos e corando levemente.
– Eu me preocupo com muitas coisas Aijima, – respondi calmamente. Fazendo-o olha para mim de novo, para então completar – com você também, é meu kouhai, e eu quero que seja um bom ídol.
Vi ele corar até a raiz dos cabelos e abaixar os olhos rapidamente, segurei o riso. Ele parecia uma criança daquele jeito.
– Obrigado. – sussurrou.
– Não tem de que. – sorri. – Eu vou tomar um banho e depois ir comer alguma coisa. – disse me levantando.
– Hai. – respondeu.
– Ei, Aijima, – chamei e ele olhou-me novamente. – você fica uma graça corado. – provoquei para ver ele avermelhar de novo. Se ele estive perto do Itokki poderia facilmente confundir o rosto dele com o cabelo do ruivo. Dei algumas risadas e rumei para o banheiro afim de tomar banho.
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