Would It Matter
13 Acidente
Notas iniciais
~Ranmaru
Mas que droga, logo agora que eu tinha tomado coragem para falar com o Reiji sobre aqueles beijos, ele tinha que ligar. Sai do quarto do moreno amaldiçoando a tudo e a todos.
E também, porque diabos o beijo que ele depositou em minha mão fez meu coração acelerar? Se controla Ranmaru, foi você quem aceitou sair com o Misaki novamente.
Segui até o estacionamento, onde encontrei meu ex-namorado me esperando apoiado numa moto. Sério que ele acha que eu vou ir de moto? Ah, não! Nem morto.
– Oi Ranmaru.
– Oi Misaki. Vamos com o meu carro. Vem. – disse seguindo em direção ao meu carro.
– Um porsche Ranmaru? O que deu em você para comprar esse?
– Ele é bonito, rápido e gostei dele. Porque da pergunta?
– Por nada, eu prefiro motos. – disse sorridente.
– Eu notei. – murmurei para que ele não escutasse. E entrei no carro. – Onde vamos?
– Ainda não pensei nisso. – respondeu desviando o olhar. Ele ainda tinha o costume de fazer isso. Balancei a cabeça negativamente enquanto ligava o carro e sai da garagem.
– Então vamos dar uma volta. Que tal? Se ver algum lugar que queira parar é só falar.
– Tudo bem.
......
Seguimos em silencio durante alguns minutos, eu não dirigia muito rápido. E ficamos dando voltas na cidade, sem nenhum destino certo, apenas apreciando.
– Sabe Ranmaru – ele quebrou o silencio – eu queria falar com você em particular por isso o convidei para sair comigo novamente.
– E sobre o que seria Misaki? – perguntei, sem desviar os olhos da rua.
– Eu ainda gosto de você, da mesma maneira que antes. Talvez até mais do que naquela época. – disse por fim.
– Sério? – perguntei para confirmar, e acabei olhando para ele, desviando minha atenção da rua, e não vi que o sinal tinha fechado.
A ultima coisa que vi foi ele gritando para eu tomar cuidado. E no momento seguinte um barulho ensurdecedor e eu apaguei.
*****
~Camus
– O que foi agora Aijima?
– Etto, é que eu queria sua ajuda Camus.
– Diga logo, eu sei que se eu não ajudar você vai ficar me enchendo. – disse irritado.
– Você é muito estressado Camus. Nem parece um conde assim.
– O que disse? – Gritei – Pode ir esquecendo que eu ia te ajudar, agora não quero nem saber.
– Calma Camus, foi só um comentário. – disse se aproximando. – E eu preciso da sua ajuda com uma coisa.
Girei a cadeira que estava sentado, ficando de costas para o indiano. Ele realmente me tira do sério.
– Camus! – gritou – Aja como um senpai pelo menos uma vez.
– Você está pedindo para apanhar Aijima. – disse, mantendo meu tom calmo. – Primeiro disse que eu não parecia um conde. E agora diz que não sou um bom senpai.
– Etto, desculpa Camus, eu acabei me irritando, não quis dizer isso.
– Mas, já disse, e eu fico pensando onde foram parar as coisas que eu ensinei para você, pois se não sou um bom senpai, você deveria procurar outro. – retruquei secamente.
– Eu não quero outro senpai! – gritou mais uma vez – Eu já me acostumei com você, sei que você tem um cubo de gelo, no lugar de coração. Mas, eu fico bem assim, pelo menos por enquanto. – disse mais controlado. – E eu realmente preciso da tua ajuda dessa vez. — sussurrou.
– Ok, Aijima. – virei novamente à cadeira para ele. – Sobre o que é?
– Etto... – começou – etto...
– Diz logo Aijima! – gritei. Eu não gosto nem um pouco de ficar esperando, e quando me deixam curioso é pior ainda.
– Ta bom, só não grita mais. – disse. É impressão minha ou ele esta corando.
– Ok.
– Então, o meu pai me mandou uma carta, dizendo que eu tenho que me casar, e que eu tenho que escolher minha noiva. Mas o problema é que eu já gosto de alguém e esse alguém nunca vai gostar de mim, e eu não conseguiria enganar outra pessoa dizendo que está tudo bem. – despejou tudo num só fôlego, e eu tive que me concentrar para conseguir entender tudo o que ele disse.
– Calma, respira Aijima. – disse tentando acalmar o indiano. – Você precisa de uma noiva, certo?
– Sim.
– E você gosta de alguém?
– Gosto.
– E porque não transforma essa pessoa que você gosta em sua noiva?
– Porque ela nunca ia aceitar.
– Por que não iria? – perguntei erguendo uma sobrancelha diante a afirmação dele.
– Porque ela me detesta Camus. – respondeu cabisbaixo. Não pude ficar parado diante aquilo e quando vi já tinha o abraçado.
– Sabe Aijima, você até que não é de se jogar fora. É um bom idol, se preocupa com seus amigos. – sussurrei – Tirando a parte de você ser irritante, é uma boa pessoa. – me afastei dele, mas mantive minhas mãos em seus ombros. Observei que ele estava muito vermelho.
Ele ficou em silencio, e evitava me olhar nos olhos. Diante aquela reação resolvi continuar a falar o que achava, ele era meu kouhai e eu sentia que precisava ajudá-lo de alguma forma.
– E também, Aijima. – prossegui, mas dessa vez ele olhou em meus olhos, vi que ele começava a lacrimejar e que estava segurando o choro. – Você é muito bonito, veja como as fãs ficam atrás de você. – pela primeira vez vi os olhos dele brilhando, e reparei neles verdadeiramente, eram de um verde único, esmeraldinos, e que agora mostravam um brilho enorme. – Essa pessoa seria louca se não quisesse ficar com você. – conclui.
– O-o-obrigado Camus. – ele se soltou das minhas mãos que ainda estavam em seus ombros e me abraçou, colocando seu rosto na curva do meu pescoço. Senti, então as lágrimas que ele tanto segurou molhando o colarinho da minha camisa. Não me importei com aquilo, somente o abracei de volta e permiti que ele chorasse o quanto quisesse.
E por um único momento, quis matar essa pessoal que estava o fazendo sofrer. Mesmo ele sendo muito irritante quando quer eu me afeiçoei a ele. E agora o considero como um irmão menor, sinto que eu preciso protegê-lo, nem que seja um pouco.
......
Ele chorou por alguns minutos em meu ombro, e conforme foi se acalmando me agradeceu, e disse que ia dar uma volta para pensar no que eu disse.
Depois que ele saiu fiquei alguns minutos pensando e tentando descobrir de quem o indiano gostava, será que essa pessoa é tão insensível ao ponto de não notar o que ele sente?
Meu celular começa a tocar, quando vejo quem é me surpreendo, o Ai me ligando, sendo que estamos no mesmo prédio, é algo estranho, deve ser importante.
– Alô – digo.
“Camus, venha até o saguão o mais rápido possível!” – ele diz desesperado.
– Acalme-se Mikase, o que aconteceu?
“O Ranmaru sofreu um acidente há poucos minutos, o Misaki me ligou do hospital agora, disse que ele não se feriu muito, porque o outro carro bateu no lado do motorista, no caso, ao lado do Ranmaru.”
– E como ele está?
“Segundo o Misaki, ele está inconsciente e foi levado para o hospital, direto para a UTI.”
– Nós temos que ir pro hospital agora Ai! – disse já saindo do quarto.
“Eu sei, mas antes temos que contar ao Reiji. O Misaki disse que não teve coragem de avisar para ele pelo telefone, porque acha que o Reiji gosta do Ranmaru.”
– Então, vamos contar pra ele rápido, e então vamos para o hospital. Me encontre na porta do quarto dele.
“Já estou indo.” – e desligou. Comecei a correr pelo corredor em direção ao quarto do moreno. Não queria nem imaginar a reação dele, ele e o albino eram amigos há muito tempo, e agora com essa suspeita que o Misaki tem do Reiji gostar do Ranmaru, seria ainda pior.
......
Corri por alguns minutos, o prédio é grande e os quartos são afastados uns dos outros e eu não sei por quê.
Quando virei no corredor que dava acesso ao quarto do Kotobuki, consegui ver o Mikase correndo na minha direção, chegamos ao mesmo tempo na porta. Nos encaramos por alguns instantes, discutindo pelo olhar quem contaria ao moreno sobre o acidente. No fim nenhum de nós venceu. Bati na porta e esperei que alguém abrisse. E por nosso azar, ou melhor ainda, sorte, quem abriu a porta não foi Reiji, mas sim o ruivo.
– Camus-senpai, Ai-senpai, entrem. – disse o ruivo alegremente nos dando espaço para entrar no quarto.
– Obrigado Otoya. – Agradeci.
– Myu-chan, Ai-ai, o que aconteceu? – Reiji perguntou. Enquanto nos analisava. – O que aconteceu com você Myu-chan? Você nunca saiu somente de camisa.
– Reiji, eu vou ser bem direto do porque estamos aqui. – Ai disse. Por Kami-sama, ele me livrou de ter de falar para o moreno. – o Ranmaru sofreu um acidente há pouco tempo, e segundo o Misaki disse, ele foi direto para a UTI.
– O Ran-ran, sofreu um acidente? – ele perguntou arregalando os olhos, para em alguns instantes depois marejá-los.
– Eu sinto muito Reiji, mas é verdade – respondi a pergunta.
Com a confirmação ele começou a chorar, eu e Ai corremos até ele e o abraçamos, tentando acalmá-lo para podermos ir para o hospital. Após uns cincos minutos de choro incessante ele se acalmou.
– Mas, como ele está? Eu preciso vê-lo. – o moreno disse, levantando da cama e correndo trocar de roupa.
– Não sabemos como ele esta ainda Reiji, mas vamos logo. – Ai disse.
– Claro. — o moreno disse, e saiu correndo pela porta, comigo e com Ai logo atrás.
Corremos para o estacionamento, e acabamos indo com o carro do Ai que até agora é está se mostrando o mais calmo da situação. Seguimos até o hospital o mais rápido que conseguimos. Mal deu tempo de descermos do carro e o moreno saiu em disparada para dentro do prédio. Encontramos ele no balcão da recepção.
– Mas como ele está? Eu preciso saber dele! – ele gritava com a recepcionista. – Ande logo e me diga como o Ranmaru está!
– Calma Reiji! – disse o puxando um pouco, já que o mesmo já estava quase pulando sobre a mulher. – Você gritar não vai levar a lugar algum, acalme-se primeiro, então quem sabe nós conseguiremos alguma informação.
– Desculpe Camus. – disse notando a grosseria para com a mulher. – Me desculpe também, eu não quis fazer isso, só estou preocupado com ele. – pediu virando para a recepcionista.
– Eu entendo Senhor Kotobuki. Acalme-se, o médico logo virá, e vocês terão noticias, enquanto isso peço que aguardem na sala de espera.
– Tudo bem. – o moreno respondeu, para então dirigir-se para a sala indicada.
......
Ficamos alguns minutos sentados, em absoluto silencio, notei que a cada instante uma lágrima escorria pelo rosto do moreno, e que este estava controlando-se para não desabar.
Após quase meia hora de espera o médico veio até nós.
– Boa tarde. Vocês são os amigos do Ranmaru Kurosaki, certo? – o médico perguntou.
– Sim, somos nós. – Ai respondeu.
– Você tem noticias dele? Como ele está? – Reiji perguntou, levantando-se da cadeira e se aproximando do médico.
– Sobre isso, ele não está nada bem Mister Kotobuki, o outro carro bateu ao lado dele, o que gerou uma série de complicações. Como já devem saber ele foi direto para a UTI, e seu quadro ainda é grave.
Escutando a afirmação do médico o moreno desabou novamente, em meio ao choro acabou caindo ajoelhado no chão. E novamente demoramos muito tempo para acalmá-lo. O médico ficou por ali até que conseguimos fazê-lo parar de chorar, para então pronunciar-se novamente.
– Ele precisará de um acompanhante, pois mesmo estando na UTI ainda, estamos tentando tudo o que podemos. E se tudo correr como imaginamos, logo passará para o quarto.
– Eu fico! – Reiji disse, antes que qualquer um de nós pudesse ter qualquer reação.
– Mas Reiji, você está muito nervoso. Não seria melhor eu ficar? – Ai perguntou.
– Não Ai, eu vou ficar. Ele é meu melhor amigo há muito tempo, e eu sinto que sou eu quem deve ficar ao lado dele agora.
– Deixe-o Mikaze, ele não vai desistir. — disse olhando para ele. – E você Kotobuki, controle-se é ele quem precisa de cuidados, e se você começar a chorar só vai piorar as coisas.
– Eu sei Camus. Eu vou fazer o que eu puder para que ele melhore logo.
– Então, já decidiram quem irá ficar. Mister Kotobuki, acompanhe-me, por favor, vou levá-lo para dar os dados necessários, para a internação do Mister Kurosaki.
– Tudo bem. Tchau Camus, Ai.
– Cuide-se Kotobuki, e nos mantenha informados sobre o estado dele.
– Claro Myu-chan. Até. – e se foi com o médico. Eu e Ai nos dirigimos para o estacionamento, para voltar à academia.
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