Worlds Crash

19 Problemas em Los Angeles


Notas iniciais
Taê o próximo capítulo, as coisas estão ficando sérias... Espero que curtam.

O mundo girava ao redor de Percy. Mas, ele não podia ter certeza disso visto que não havia luz nenhuma, somente a escuridão. Até onde o garoto sabia, ele podia estar girando ao redor do mundo. Estava tudo confuso. Ele não entendia nada daquilo, seu braço ardia. O fogo da Quimera não podia ser uma chama normal, a queimadura em seu braço dava a impressão que sua pele ainda estava em fogo vivo.

Ele tentou gritar, mas o som não saia. Era como se ele girasse em um universo estranho. Percy apertou com força a mão de Annabeth durante toda a aparatação. Era isso que lhe dava forças para continuar.

De repente, ele sentiu uma dor aguda em seu braço esquerdo – o que estava queimado. Todavia, não era a dor da queimadura, era algo novo. Ele abriu a boca para tentar gritar, mas novamente não conseguiu.

Poucos segundos depois. O universo se refez diante seus olhos.

O mundo ganhou cor e formas novamente.

Harry, Hermione, Annabeth e Percy caíram sobre grama úmida. Era noite, mas provavelmente o sol não tardaria a nascer.

Hermione olhou ao seu redor, era um campo vazio. Não havia nada alem de grama até onde a visão conseguia alcançar. Grama e céu, por quilômetros. Um grito quebrou o silêncio. O grito era grave e quem quer que o estivesse emitindo parecia estar sofrendo muito.

A garota virou seu olhar e encontrou Percy caído ao seu lado. Seu braço havia estrunchado durante a aparatação. Depois do primeiro grito, todavia, o garoto ficara calado. Hermione não considerou isso um bom sinal.

Correu até ele, se ajoelhou ao seu lado, e checou sua respiração. Estava irregular – mas ele respirava – pelo menos isso.

— Harry, Annabeth – falou ela em um tom urgente -, me ajudem! Percy pode estar morrendo.

Os dois estavam deitados perto de onde Percy estava. Quando ouviram a voz de Hermione pareceram despertar do transe em que se encontravam. Annabeth, quando ouviu a menção de Percy, se levantou correndo e foi a primeira a chegar. Harry chegou logo em seguida.

— O que houve? – inquiriu Annabeth com uma cara de desespero.

— O Percy – falou Hermione enquanto sacava sua varinha – O Percy estrunchou. Eu não sei nenhuma magia contra isso! Harry, o que faremos?!

O garoto parecia tão desesperado quanto Hermione e Annabeth.

— Eu não sei. Nunca vi nada assim.

— O que é estrunchar?! – perguntou Annabeth inquieta.

— Significa que durante a aparatação, algumas células do Percy foram perdidas. O braço dele ainda está inteiro, mas perdeu um pouco da pele. Está em carne viva.O que eu faço?!

Percy estava estranhamente quieto. Perdera a consciência – essa é uma das medidas do cérebro humano quando se sente muita dor. Ele simplesmente se desliga, para evitar que você a sinta. O sangue escorria pelo braço do garoto.

— Err... Braço Reparo! – tentou Harry, mas nada aconteceu.

— Ah meus Deuses! – falou Annabeth – Não sei se isso dará certo com ferimentos mágicos, mas... – ela vasculhou em sua bolsa. Quíron tinha lhe dado uma pequena quantidade de Ambrosia para emergências. Quando ela finalmente encontrou, destampou o frasco e despejou um pouco do líquido na boca de Percy. Estava ansiosa, nem ela sabia quais seriam as conseqüências disso, mesmo assim, tomou cuidado para não dar Ambrosia demais.

— O que é isso? – perguntou Hermione.

— Ambrosia – respondeu Harry. Já estava familiarizado com o líquido dourado. Havia visto Madame Pomfrey dá-lo a Percy, quando eles estavam na enfermaria, ainda em Hogwarts.

Annabeth assentiu com a cabeça.

— É uma bebida dos Deuses. Ele possui poderes curativos sobre nós, semideuses. Mas, em quantidades erradas, pode ser fatal – disse a garota.

Hermione continuou olhando para Percy, esperando que algo acontecesse. Mas, o braço do garoto continuava sangrando. A essa altura, já havia uma pequena poça de sangue ao redor dele.

— E está dando certo? – perguntou a bruxa – Percy ainda está sangrando!

— Precisamos estancar o sangramento – disse Annabeth, olhando ao redor, procurando por um pedaço de pano. Tirou uma pequena capa de sua bolsa e apertou com bastante força ao redor do braço de Percy. Aquilo impediria a perda de sangue.

— A Ambrosia – explicou Annabeth – pode levar algumas horas para surtir efeito, e não sei como ela vai reagir em ferimentos mágicos... – ela aproximou seus ouvidos do peito de Percy – Os batimentos cardíacos dele estão regulares, assim como a respiração. Acho que ele ficará bem – disse por fim. Agora a garota podia respirar aliviada novamente – Só precisa descansar por um tempo.

Todos se silenciaram. Hermione conjurou alguns pedaços de madeira e depois lançou um Incendio sobre elas, criando uma pequena lareira. Deixaram Percy próximo o suficiente para se aquecer, mas não para se queimar.

— Desculpem – falou Hermione, quando todos já estavam sentados ao redor da lareira – Foi tudo minha culpa.

— Hermione – se intrometeu Harry – Não foi culpa sua. Todos nós sabíamos do risco de aparatar, mas era nossa única escolha. Para alguém que nunca tinha feito isso, você foi muito bem. Acredite. Os ferimentos de Percy poderiam ser piores, ele vai ficar bem.

Annabeth assentiu, mas quando Harry mencionou os ferimentos do filho de Poseidon, a garota se lembrou de uma coisa. Ela levantou-se e se ajoelhou ao lado do garoto ferido. Analisou seu braço.

— Ele está queimado. Fogo de Quimera. Espero que Ambrosia cure isso também.

— Provavelmente curará – falou Hermione – se está curando ferimentos mágicos, não tem porque não curar ferimentos causados por monstros gregos.

Annabeth concordou com a cabeça. Não estava pensando direito. É claro que Ambrosia curava queimaduras. Mesmo assim, ela não gostava de ver Percy ferido...

— Onde estamos? – perguntou Harry.

— Não sei – respondeu a semideusa.

— Era só o que faltava – Hermione entrou na conversa aparentemente irritada – Nós nos machucamos para aparatarmos e viemos parar no lugar errado. Não estamos em Los Angeles?!

Todos ficaram em silêncio. Aquilo era uma possibilidade. Hermione nunca treinara a magia, poderia ter ido parar no lugar errado. Como saberiam? Estavam no meio do nada.

Decidiram deixar isso para amanhã. Por hora, dormiriam.

Quando acordaram no dia seguinte, Percy já estava desperto. Ele estava sentado, encarando a madeira queimada, que na véspera fora utilizada na fogueira. Os olhos de Annabeth – mesmo que ninguém tivesse notado – brilharam quando viram que Percy estava recuperado.

— Acho que isso quer dizer que você está bem, não é? – disse Harry, sentando-se perto da ex-fogueira também.

— Mais ou menos – respondeu Percy – Digo, meu braço ainda dói um pouco. Mas é suportável agora. Hermione, obrigado por nos tirar de lá. Se não fosse por você, estaríamos mortos agora. Annabeth, obrigado pela Ambrosia, sem isso...

A garota corou. Percy sorriu para ela.

— Não foi nada – respondeu rapidamente.

Essa conversa poderia ter levado a algum outro lugar, mas Harry, com senso emocional de uma pedra, estragou o momento.

— E então – disse ele – o que fazemos agora?

Silêncio.

Essa era a pergunta que todos tentavam evitar. Não tinham idéia de onde estavam. Sabiam que deveriam ir para Los Angeles, na Califórnia. Também sabiam que podiam estar do outro lado do mundo, nesse exato momento.

— Bom – falou Hermione -, não vamos aparatar, não é? Então sugiro que andemos até alguma cidade ou povoado. Não estamos num deserto. Deve ter alguém por perto.

Assim, caminharam durante a maior parte do dia.

Às vezes conversavam, mas na maior parte do tempo ficavam quietos. Todos pensavam na missão quase suicida que ainda teriam que enfrentar. Mesmo que conseguissem resgatar Artemis e as Caçadoras – apesar de não terem certeza de que essas precisavam ser salvas – eles não podiam ter certeza de que ganhariam de Cronos ou de Voldemort. Ainda tinham que descobrir os outro quatro membros da Profecia e, talvez, somente talvez, tivessem uma chance de sucesso.

O braço de Percy latejava um pouco, mas ele não falou sobre isso com ninguém. Apenas continuou andando. Estava suportável, afinal de contas. Ontem, durante a aparatação, doera de verdade, mas agora...

Encontraram uma estrada. E, melhor de tudo, era uma estrada povoada. Havia um considerável número de carros passando por ali. Mas, a estrada não era boa por isso. Harry havia acabado de se lembrar de outro meio de locomoção bruxo. Ele só havia utilizado-o uma vez na vida, por isso quase nunca se lembrava dele. A maioria dos bruxos não lembrava.

O garoto estendeu o braço para a estrada, em um claro sinal de pedindo carona. Mas, diferente dos sinais normais, ele estendia sua varinha na mão. Os trouxas é claro, não entenderiam o que aquele pedaço de madeira significava, mas ele não queria que os trouxas entendessem.

— Harry – falou Hermione -, duvido que consigamos carona, é melhor andarmos seguindo a estrada e chegar em uma cidade.

— Não estou pedindo carona a qualquer um, Hermione. Veja e aprende.

Seu tom era presunçoso, como se gostasse de pela primeira vez na vida, saber de algo que Hermione ignora. A garota não gostou daquele tom.

— Mas, o que você...

Não terminou a frase, naquele momento um vulto apareceu na rua. Foi um vulto por apenas alguns segundos, depois tomou forma. Era grande – na verdade, tinha três andares. Era de um roxo berrante que sem dúvida chamava a atenção na rua. E tinha escrito em letras douradas e garrafais na sua lataria “Nôitibus Andante”.

— O que é isso? – perguntou Annabeth chocada.

— Me lembrei dele agora – disse Harry com um sorriso. O ônibus o havia ajudado quando tinha treze anos e tentara fugir da casa dos Dursley – É um transporte que ajuda bruxos perdidos e os leva aos seus destinos. Vocês sabem o que isso significa? Estamos indo para Los Angeles.

A porta do Nôitibus se abriu com um pequeno rangido e Harry reconheceu o rosto de quem estava parado na porta.

— Lalau – falou Harry –, já faz algum tempo. Como está?

Os dois se cumprimentaram. Harry o apresentou a todos. Aquele era Stanislau Shumpike, o cobrador do Nôitibus. Harry pagou a entrada de todos.

— Não estou gostando disso – comentou Lalau – Aqueles dois não são bruxos. O Nôitibus é apenas para bruxos perdidos.

Harry conversou com o cobrador por alguns minutos e terminou resolvendo o problema. Informou que queriam descer em Los Angeles, o quanto antes, melhor.

— Onde estamos – perguntou Annabeth curiosa.

— Columbus, Ohio – respondeu Lalau.

Os quatro garotos foram em direção às camas que o Nôitibus tinham no lugar de cadeiras, e se deitaram. Por fim, tinham conseguido, estavam indo em direção a Los Angeles. Sem dúvida, resgatariam Thalia. Resgatariam Artemis. Salvariam a todos.

Assim como o previsto, desceram na Cidade dos Anjos no dia seguinte.

Todos olharam ao redor. Era uma cidade enorme. De fato, era a segunda cidade mais populosa em todos os Estados Unidos. Eles estavam perdidos no meio de tantos prédios e arranha-céus. Annabeth era a única que parecia ver o lado positivo das coisas e se deliciava com a arquitetura das construções da cidade.

— E agora? – perguntou Hermione.

— Bom – respondeu Annabeth -, vamos tentar encontrar as ruas do Foods 4U. Não é muito, mas é a melhor pista que temos.

Muito simples de falar, mas difícil de fazer. Ninguém na cidade tinha sequer ouvido falar desses tais restaurantes. Como podia? Devia estar ali. Por que Annabeth tinha se esquecido de ver o nome das ruas? Poderia ser de muita utilidade agora... Ou melhor, por que não pediram a Lalau que os deixasse na porta das lojas? Agora era tarde.

— Percy – começou Hermione –, você não tem nenhuma idéia de onde pode ser? Digo, você não sente nada?

— Não – respondeu o garoto inocentemente – Eu já disse, só sonhei com a rua. Apenas isso.

— Meus Deuses! – gritou Harry – Será que ninguém nessa cidade sabe onde fica a droga da Foods 4U?!

Os pedestres da rua olharam o bruxo com um olhar indignado, como se gritar em público fosse crime. A maioria deles apressou o passo para sair de perto daquele possível grupo de malucos, apenas um homem se aproximou de Harry.

O homem usava um terno preto, com uma gravata vermelha, carregava uma mala para negócios. Isso era bastante sugestivo sobre a profissão do indivíduo, provavelmente devia ser dono de alguma empresa ou algo assim. Ele possuía olhos castanhos e um corte na bochecha, o que tornava de fácil identificação.

— Foods 4U, você diz? Eu sei onde fica – disse ele – É uma pequena lanchonete. Muito boa, por sinal. Às vezes como lá com minha família. Se vocês quiserem, posso dizer onde fica.

Hermione sorriu para o homem.

— Seria de grande ajuda, senhor – disse ela.

Assim, o cara disse o que eles deveriam fazer para chegar a lanchonete. Na realidade, eles não estavam tão longe assim, apenas algumas ruas os distanciavam de seu objetivo. Em meia hora encontraram a lanchonete.

— É essa rua? – perguntou Annabeth curiosa.

Supostamente havia três lanchonetes dessa na cidade. Com um pouco de sorte, essa seria a rua dos sonhos de Percy.

— Não – disse o garoto secamente.

Todos respiraram fundo. Teriam que recomeçar a busca, ainda tinham mais duas possibilidades.

— Vamos entrar lá – recomendou Harry – talvez os funcionários saibam onde ficam as outras duas lojas da franquia.

Todos concordaram. Aquilo fazia sentido.

Assim, os quatro adolescentes entraram na lanchonete. Ela não era exatamente o que se pode chamar de “recomendável”. O chão não era dos mais limpos. O lugar era mal iluminado e as paredes davam a impressão de que nunca haviam sido limpas. O lugar todo gritava “por favor, chame a inspeção sanitária”. Sem dúvida, não era o tipo de lugar onde você arriscaria uma refeição.

E, de fato, não havia muitas pessoas arriscando uma refeição ali. Na realidade, só tinha uma. Estava sentada num dos cantos da lanchonete e comia silenciosamente um X-Burguer com fritas. Como estava de costas para eles, os garotos não conseguiram muitos detalhes, mas puderam perceber que o homem possuía um cabelo de tamanho mediano e loiro.

Percy se aproximou do balcão. Um homem o atendeu.

— Em que posso servi-lo, senhor? – perguntou ele.

O homem parecia ter meia idade. Fios de cabelos negros – e pouco tratados – misturavam-se com uns poucos fios brancos. Sua roupa estava amarrotada e sua cara dizia que ele não era funcionário do mês com bastante freqüência.

— Eu apenas gostaria de uma informação – falou Percy – Onde ficam as outras lojas da franquia Foods 4U?

— Senhor – respondeu o homem responsável pelo caixa –, se quer comer na Foods 4U, pode comer aqui. As outras lojas não são muito melhores que isso...

— Sim, sim – tentou Percy novamente – Mas, onde ficam?

— Temos um código aqui, senhor. Sem comida, sem informação.

Harry revirou os olhos. Algumas magias tornariam aquele funcionário mal educado muito mais suscetível a conversas. Ele falaria! Ah, se falaria! Ele já estava quase sacando a varinha, mas Hermione o impediu com o braço

- Ele é um Trouxa, Harry. Não podemos – sussurrou a bruxa de forma que somente Harry a escutasse — Além disso, Percy já tinha o controle da situação.

— Uma Coca Zero, por favor – disse o semideus.

O homem do caixa anotou o pedido, pegou o dinheiro e saiu para pegar o refrigerante.

— O que está fazendo? – perguntou Annabeth.

— Pegando Coca, ué – respondeu Percy – Depois a gente pega informação.

O funcionário voltou com um pequeno copo preenchido por um líquido escuro. Entregou-o a Percy. Hermione sentiu algo diferente. Algo estava errado naquilo tudo...

— Obrigado por comer no Foods 4U — disse ele sem um sorriso enquanto entregava a bebida — Por favor, volte sempre.

— Mas e quanto aquelas ruas da franquia? – perguntou Percy – Como é que fica?

O rosto do homem se fechou ainda mais.

— Por que não bebe um pouco? – perguntou ele – Depois nós conversamos.

Percy deu de ombros. Começou a levar o copo até a boca, mas Hermione foi mais rápida.

Depulso! – gritou a garota e o copo saiu voando das mãos do semideus.

— Hermione?! – exclamaram todos surpresos.

A garota se virou para o balconista.

— Quem é você? Aquilo que você deu a Percy não era Coca. Era poção do sono. Teria dado certo, mas eu sou muito boa com poções. Eu sinto o cheiro de magia à distância. – disse ela presunçosa.

— Garota miserável! – gritou o balconista e virou-se para Percy apontando uma varinha, aparentemente surgida de lugar nenhum – Estupore!

Percy se abaixou no balcão rapidamente, desviando por pouco do feitiço. Este por sua vez, terminou acertando uma poltrona atrás do garoto.

Tarde demais, o garoto entendera tudo. Uma emboscada! Provavelmente Cronos havia implantado aquela imagem da lanchonete no sonho dele, sabendo que o garoto procuraria pela Foods 4U. Eles haviam caído. Agora tinham um Comensal da Morte com eles.

Harry sacou sua varinha assim como Annabeth desembainhou sua adaga e Percy destampou Contracorrente.

— Renda-se – disse Annabeth – Somos quatro e você é só um.

O Comensal apenas deu risada. E cuspiu no chão.

— Seus estúpidos. Vocês não podem me derrotar.

— Não podemos? – perguntou Harry pronto para o combate – Vamos ver: Incarcerous!

Cordas voaram da ponta da varinha do garoto, prendendo o Comensal nelas, impedindo que ele se movimentasse.

— Essa luta já acabou – respondeu Harry – renda-se.

— Não – o homem lançou um sorriso cínico a todos na sala – Essa luta não acabou... Pelo contrário, está apenas começando...

— Isso é o melhor que você tem? – disse uma voz conhecida, vinda de trás dos garotos – Deixe me mostrar como bruxos lutam de verdade. Incarcerous Nerus!

Cordas negras voaram da varinha do bruxo atrás de Harry e o prenderam. Diferentemente das cordas que o garoto lançara – que apenas pretendiam prender — essas visavam esmagar, sufocar e quebrar ossos. Era magia negra.

Harry virou os olhos para trás para ver quem tinha lançado o feitiço e, por algum motivo, não se surpreendeu: Lucio Malfoy. De súbito, todos entenderam tudo. Malfoy era quem estava comendo o X-burguer quando chegaram, mas ele estava de costas, assim ninguém pode reconhecê-lo. Aquilo tudo fora uma armação desde o começo. Cronos e Voldemort queriam os quatro ali. Provavelmente o homem de negócios que havia dado a informação era outro Comensal, ou algum tipo de monstro grego. Compreender isso, todavia, não mudava a situação. Eles estavam encrencados.

Finite Incatatem! – lançou Lucio, fazendo com que o feitiço das cordas que Harry lançara sobre o Comensal-balconista se desfizesse.

Harry começou a gritar quando as cordas negras apertaram-no. O ar começava a faltar.

— Vocês tiveram sorte e conseguiram fugir de nósna biblioteca, mas Voldemort me encarregou de levar vocês até ele... Digamos que eu não possa chegar de mãos abanando, não é mesmo? Vocês vêm comigo.

Nós? – perguntou Percy virando-se para o balconista – Quem é você?

- Não se lembra de mim? – perguntou o Comensal atrás do balcão – Estava na biblioteca com vocês... – Ironicamente, naquele exato momento a poção Polissuco que o Comensal tomara começou a perder efeito. O rosto dele se transformou revelando sua verdadeira forma: Yaxley – Isso torna as coisas mais claras agora?

Percy saltou sobre Yaxley tentando acertá-lo com Contracorrente, mas foi inútil. O bruxo apenas deu um passo para o lado, desviando-se do golpe do semideus.

Estupore! – disse ele.

O jato acertou Percy em cheio, enquanto ele ainda estava indefeso no ar. O garoto voou alguns metros até finalmente se chocar com a parede da lanchonete, desacordado.

— Percy! – gritou Annabeth.

Hermione levantou sua varinha para dar fim às cordas que prendiam Harry, mas o Lucio foi mais rápido.

Expelliarmus! – disse ele pegando Hermione desprevenida. A varinha da jovem bruxa saiu voando.

Hermione pulou para tentar agarrar sua varinha, mas novamente Lucio atacou primeiro.

Petrificus Totalus!

E Hermione caíra paralisada no chão. Harry gritava de dor, mas percebeu que as cordas não queriam matá-lo, apenas aprisioná-lo de forma que não pudesse lutar. Agora, só sobrara Annabeth na luta. A garota estendeu sua adaga, pronta para lutar.

— Podem vir.

— Garota tola – falou Lucio com um sorriso sarcástico – Você não tem chance. Avada...

— Não! – falou Yaxley, impedindo Lucio – Já se esqueceu? O Lorde das Trevas mudou de idéia. Ele quer todos vivos. Provavelmente quer apenas torturá-los pessoalmente antes de matá-los, mas de qualquer forma, não podemos matar a garota.

Lucio olhou com cara de nojo para Annabeth.

— Parece que é seu dia de sorte, fedelha. Petrificus Totalus!

Annabeth rolou para o lado, desviando do feitiço. Saltou sobre Lucio com sua adaga em punhos. Sabia que não ganharia a luta. Os dois Comensais haviam pegado os quatro desprevenidos, pelas costas. Fora um ataque covarde. Mas, já que ela perderia de qualquer jeito, resolveu ferir seus oponentes tanto quanto possível.

Quando baixou sua adaga, havia conseguido fazer um corte na bochecha de

Lucio. Ela fez uma anotação mental: Bronze Celestial fere bruxos. Depois disso, viu um pequeno filete de sangue correr do rosto de Lucio, antes de ouvi-lo gritar:

— Desgraçada! Crucio!

Annabeth caiu no chão se contorcendo de dor. O Malfoy apenas encarava-a sadicamente.

— Como ousa me cortar? – dizia ele enquanto mantinha a Maldição – Eu devia matá-la aqui e agora...

— Lucio, não – repetiu Yaxley olhando a cena.

— Você está certo – disse Lucio por fim –, Mas isso não me impede de me divertir um pouquinho...

E então, aumentou a intensidade do Cruciatus. Annabeth gritou. Era como se milhares de facas cortassem cada uma de suas células. E não havia nada que a garota pudesse fazer contra isso. Apenas gritar.

— Lucio! – falou Yaxley – Vamos logo com isso, antes que os outros acordem.

O Comensal não gostava de ser contrariado, mas Yaxley estava certo. Era melhor dar um fim a isso de uma vez. Ele cancelou seu Cruciatos.

Estupore! – lançou ele antes que Annabeth tivesse tempo de se recuperar da primeira magia.

A garota voou até se chocar contra uma parede, caindo próxima a Percy. Assim como ele, ela também desmaiou. Os quatro foram capturados.

Notas finais
E ae? O que acharam desse capítulo? Comentários? Recomendações? Críticas? Algo?