Worlds Crash
41 A Última Valsa
Notas iniciais
O céu brilhou com o poder do Raio Mestre por apenas alguns segundos, mas logo ele voltou a sua luminosidade habitual. O que era claro se tornou escuro novamente. Não havia mais nada. Apenas o barulho de pingos de chuva batendo contra o chão se fazia ouvir. Nem mesmo a chuva estava tão forte quanto antes estivera.
Todos olharam para o céu, o lugar onde antes havia Cronos estava vazio. Ele havia sido desintegrado com o poder do golpe. Por fim, a profecia do oráculo – assim como a Maldição de Urano – se concretizaram. Sim, a maldição levou alguns milênios para acontecer, mas ninguém poderia acusar Urano de não cumprir sua palavra...
Percy tinha suas mãos ao redor da cintura de Annabeth. Juntos eles viam o começar de uma nova era. Uma era em que não haveria bruxos das trevas ou titãs. Uma era na qual os semideuses e os bruxos viveriam harmoniosamente.
— Acabou – disse Annabeth por fim.
Percy respondeu a essa afirmação com um caloroso beijo.
— Sim. Acabou. – completou ele quando soltou os lábios da filha de Atena.
— GRAÇAS AOS DEUSES! – gritou Rony estragando todo o momento e se jogando no chão. Em questão de um segundo, ele estava roncando. Todos deram risadas.
Os Comensais e monstros que ainda restavam no local olhavam abismados para o céu. Como se esperando que, a qualquer segundo, as cinzas de Cronos se reagrupassem e seu mestre retornasse para guiá-los até a vitória. Quando perceberam que isso não iria acontecer, se desesperaram. Os que podia, começaram a aparatar, os que não podiam começaram a correr.
— Capturem todos – disse Zeus friamente – Não aceitarei que nenhum deles escape.
E assim, todos os estudantes e campistas urraram em alegria, comemorando a vitória. Puseram-se a caçar os inimigos que ainda sobravam, ao lado dos Deuses claro. Mais ou menos nessa hora, o Ministério da Magia chegou à Hogwarts.
— Mas o que diabos está acontecendo aqui?! – perguntou Fudge irado, ao ver o estado no qual se encontrava o colégio – Exijo explicações! E exijo agora!
Quando viu Zeus e o resto do Olimpo ali, todavia, seus lábios tremeram.
— Z-Ze-Zeus... Eu... – ele gaguejava.
— Então, Fudge – começou o Líder do Olimpo com um tom sério, mas dando risada por dentro -, quando é que você ia me contar que outros bruxos além de você sabiam do segredo?
O Ministro da Magia se borrou – figuradamente, é claro. Todos que assistiram a cena deram altas gargalhadas, deixando o responsável pelo Ministério ainda mais sem graça.
Harry olhou para seu amigo dorminhoco no chão. Dormir... Até que não era uma má idéia, ele nem era capaz de se lembrar da última vez que tivera uma boa noite de sono. Imperceptivelmente, suas pálpebras foram ficando pesadas. Ele tentou resistir, mas elas adquiriram um peso insustentável e ele não pode fazer nada. Caiu adormecido no chão.
Um a um, os Escolhidos terminaram por segui-lo. Não havia mais nada a ser feito. Haviam ganhado a Guerra. Agora só precisavam de uma boa noite de sono. A chuva finalmente parara.
Percy foi o último que ficou de pé. Viu todos os seus amigos dormindo no chão e deu uma risada. Até que era engraçado, quando se pensava direito. Olhou para o horizonte: o sol nascia resplandecente. Estava amanhecendo! Finalmente, deixou-se levar por seus instintos e caiu dormindo no chão, ao lado de todos os outros Escolhidos.
Harry abriu os olhos vagarosamente.
Piscou uma vez. Piscou duas. O mundo que via parecia somente um borrão de cores sem sentido. Ele tateou a mesa ao seu lado, buscando seus óculos. Quando por fim os encontrou e colocou a frente dos olhos, viu que estava na Ala Hospitalar de Hogwarts.
O lugar estava apinhado de gente, tanto semideuses quanto bruxos. Todas as camas estavam ocupadas e muitos dos pacientes estavam deitados em colchões improvisados pelos corredores. Harry achou difícil de acreditar que houvesse tanta gente ali. Madame Pomfrey certamente estava tendo trabalho.
O sol atravessava as enormes janelas do cômodo, dando um ar natural a sala. Apesar de estarem todos feridos, Harry sentiu uma enorme paz interior em estar ali. A luz parecia tornar o lugar mais alegre.
Fez força para levantar-se. Primeiramente, seu pé falhou e ele caiu no cão, mas na segunda tentativa conseguiu manter-se de pé. Viu Madame Pomfrey tratando de Silenna, uma semideusa. Ela não parecia ter ferimentos muito graves.
— Com licença... – disse Harry.
Madame Pomfrey virou o rosto para ver que lhe chamava.
— Ah, até que enfim acordou! Três dias! Acho que isso foi um pouquinho de abuso de hospitalidade, não é?
Harry tentou compreender, sem sucesso, o significado daquelas palavras.
— Três dias... – ele repetiu. Por fim, entendeu – Eu estive dormindo por três dias?!
A enfermeira concordou com a cabeça.
— Sem acordar para nada. Tive que lhe dar nutrientes através de magia! Imagine a situação!
— E onde estão todos os meus amigos? – perguntou Harry ainda chocado com a notícia.
— Ah, acordaram não faz muito tempo também. Os primeiros quiseram ficar e esperar todos se levantarem, mas eu não permiti. Já tem gente demais nessa Ala hospitalar! Gente demais pro meu gosto! Mandei todos embora! Além disso... Acho que Dumbledore e aquele centauro estavam procurando por eles... Vá saber... Não confio em quadrúpedes, se você me perguntasse. Mas não confio mesmo!
Harry deu risada. Sim, sem dúvida, Madame Pomfrey estava muito ocupada com o trabalho.
— E você está rindo do quê exatamente? Vamos, dê o fora daqui!
— Eu não preciso ser tratado e descansar? – brincou ele.
— Já tratei de você nos últimos três dias e temo que se descansar mais do que já descansou, você termine engordando! Anda logo! Chispa!
O garoto decidiu não arriscar a irritar ainda mais a enfermeira, e saiu da Ala hospitalar rapidamente. Atravessou os corredores até que, por fim, encontrou Gina. A garota, ao vê-lo, corou. Depois daquele incidente no Mundo Inferior, eles não haviam se falado mais do que o estritamente necessário. As coisas estavam estranhas entre eles...
— Oi, Gina – disse ele sem graça -, eu estava pens...
A garota saltou sobre ele e beijou-o como nunca havia feito na vida. O contato durou alguns segundos até que ela se afastou.
— Desculpe, não agüentava mais esperar – confessou a garota.
— Não tem problema – e então ele a beijou.
Percy e Annabeth estavam caminhando pelo campo de Hogwarts, a beira do Lago Negro. Apreciando a luz do sol. Ao longe, podiam ver Hermione, Rony, Nico e Thalia que davam risada sob a sombra de uma árvore. Podiam ir alcançá-los, caso quisessem, mas não o queriam. Desejavam ficar sozinhos, isso é, um com a companhia do outro.
— Então, Percy, o que acha que vai acontecer à seguir? – perguntou Annabeth.
— Como assim? – perguntou ele, como sempre, lento no pensamento.
— O que vai acontecer sobre tudo isso? O que os Deuses vão fazer?
— Não sei dizer, as coisas ficaram estranhas. Ouvi dizer que os Deuses iniciaram um segundo Conselho essa manhã e estão nele até agora.
A garota mordeu seu lábio inferior. Olhou para o Castelo. Ele estava reconstruído a essa altura. Os bruxos ajudaram com magia, mas o Deuses reconstruíram a maior parte, com apenas alguns movimentos de braço. Ele não estava exatamente igual ao que era antes, é verdade, mas sua estrutura estava de pé. Todos os semideuses foram acolhidos pelas quatro casas, até que os Deuses decidissem o que fariam acerca de tudo isso. O Ministro da Magia, Cornelius Fudge, foi destituído de seu cargo pelo próprio Zeus e agora o Ministério tentava encontrar alguém para substituí-lo.
Annabeth estava com um peso no peito. Olhou mais uma vez para debaixo da árvore, onde Rony e Hermione se encontravam. Eles haviam se tornado amigos, nessas últimas semanas. Zeus não podia simplesmente proibir os dois mundos de se encontrarem e apagar a memória de todos, podia?
Sabia que podia. Ele era o Deus dos Deuses, afinal de contas. Se quisesse, ele poderia. Olhou para Percy. Pelo menos, acontecesse o que acontecesse, ela sempre o teria, por perto, e isso a acalmava. Ela deu risada sozinha.
— O que foi? – perguntou Percy.
— Nada não, acho que só estou contente – e riu sozinha novamente.
— Annabeth, você me faz contente – e beijou-a novamente. Estavam fazendo muito isso desde que acordaram.
Rony dava gargalhadas debaixo da árvore em que se encontravam.
— Não acredito que ela disse isso! – exclamou ele.
— Pois é – continuou Thalia – As pessoas ficam um pouco sem noção naquele Acampamento, às vezes...
Hermione olhava sem piscar, não acreditou no que ouvia.
— Vocês me assustam, sabiam disso? – disse ela, o que apenas contribuiu para aumentar as risadas de Rony e fazer com que Thalia e Nico também rissem – É sério...
— E ainda nem cheguei na pior parte – continuou a filha de Zeus – Esperem até eu contar para vocês como Clarisse descobriu sobre toda essa armação...
Hermione interrompeu Thalia, cutucando fortemente em seu ombro.
— Ei, olhe lá, olhe lá – disse ela apontando para Annabeth e Percy.
— Os dois estão se pegando – concluiu Nico – Grandes coisas, eles só fizeram isso, desde que a Guerra acabou.
— Para dizer a verdade, eles começaram a fazer isso antes da Guerra acabar – notou Rony.
— Ah, eu meio que fico feliz por eles – admitiu Thalia – Eles se completam, eu sempre soube.
Nico ergueu as sobrancelhas.
— Você sempre soube? Você não faz exatamente o tipo romântica...
— Ah, cale-se Di Angelo, ou eu o forçarei a fazer isso...
Hermione riu.
— Sabe – começou ela com um sorriso maroto – Bem que eu gostaria de ter alguém para compartilhar esse momento de agora, do mesmo jeito que Annabeth e Percy estão fazendo...
— É verdade... – admitiu Rony, sem compreender para onde a conversa estava indo.
Nico e Thalia soltaram risadinhas abafadas. Até eles já haviam entendido o que Hermione queria com aquela frase.
— Sabe... – a garota tentou deixar mais óbvio – Talvez alguma pessoa ruiva... Os Deuses sabem como tenho um fraco por ruivos...
— É... – concordou Rony.
Agora os semideuses não puderam conter a risada e gargalharam abertamente. Rony ficou sem entender o que se passava. Céus, como alguém podia ser tão burro?
— Ah, Rony – falou Hermione sem graça – Seu tonto! Me beija logo!
O garoto, quando entendeu tudo, corou e – de bom grado, diga-se de passagem – fez o que lhe foi sugerido. Nico e Thalia ficaram sem graça vendo aquela cena, não queriam encarar os dois namorados naquele momento tão intimo, então simplesmente desviaram o olhar.
Infelizmente, o olhar dos dois se encontrou.
— Você quer... – tentou Nico.
— Oh, claro que não Di Angelo! – declarou Thalia, já cortando o mau pela raiz – E além do mais, não poderia sou uma caçadora!
— Ah, tenho certeza de que Artemis não se incomodaria com uns pegas...
— "Uns pegas"?! Isso lá é vocabulário para usar comigo?! – explodiu ela.
— Isso é um não? – perguntou ele.
Thalia suspirou e revirou os olhos.
— É claro que não – e beijou-o também, apenas uma vez.
— Mandou chamar? – perguntou Harry colocando a cabeça para dentro da sala de Dumbledore.
— Oh, Harry, sim – alegou Dumbledore – Por favor, entre, entre...
Ele fez como era pedido, sendo seguido por Gina. Viram que eram os últimos a chegarem, todos os outros seis Escolhidos já estavam sentados em cadeiras, de frente para a mesa do diretor. Na sala, além deles, também estava Quíron.
Harry e Gina se acomodaram.
— Professor – antes que o diretor começasse a falar, tinha algo que vinha incomodando Harry – Naquela noite, durante a luta... Eu me lembro de ter visto Thalia usar magia. Como isso é possível?
Não somente Dumbledore, mas Quíron também, olhou para a filha de Zeus com uma cara de espanto.
— Magia você diz? – perguntou ele.
— Sim.
Thalia concordou com a cabeça.
— De fato – disse ela.
— Bem – explicou Dumbledore – Não estou muito surpreso, eu já suspeitava que algo assim era possível, apenas duvidava que fosse verdade...
— Do que está falando? – indagou Quíron.
— Bem, os bruxos, como sabemos, são frutos de um engano dos Deuses. A magia deles se espalhou pela terra, contaminando os mortais. Assim, é natural que a magia deles passe para seus filhos também.
— O que quer dizer?
— Quero dizer que, se Thalia lançou magia naquela noite, é provável que todos os semideuses tenham um pouco de magia dentro de si...
— Isso quer dizer que podemos fazer magia como bruxos? – perguntou Nico esperançoso.
— Não seja absurdo! É claro que não! Isso quer dizer que vocês podem fazer alguma magia... Algumas coisas básicas, entende? Nossa raça teve milênios para aprimorar a arte da magia. Por isso somos tão bons nisso, nós desenvolvemos a magia que os Deuses nos deram. Vocês até podem ter magia bruta aí dentro de vocês, mas sem treino, nunca servirá para nada. E, mesmo com muito treino, dificilmente chegaram ao nível de um bruxo de verdade...
— Ah... – foi tudo que Nico conseguiu dizer.
— Mas não é isso que queremos discutir, não é mesmo? – interrompeu Quíron.
— E o que estamos aqui para discutir o quê? – perguntou Hermione.
— O futuro de vocês – disse Dumbledore.
— Como assim?
— Vamos fazer uma comoção... – e então, Quíron e Dumbledore explicaram toda a situação...
Zeus estava ficando realmente irritado. Por quê? Ele se perguntava, por quê? Será que eles não podiam fazer uma única reunião de Deuses que não terminasse em briga?
— Iupiii! – declarou Afrodite – Vencemos, vencemos!
— Na verdade, você não venceu – cortou Hera friamente – Nós vencemos. Você não. Você não fez nada além de ficar parada!
— É mentira! INTRIGAS!
— Hã?!
— Eu ajudei vocês... – disse a Deusa da Beleza.
— É mesmo? E posso saber como?
— Eu dei apoio moral...
— Você não fez nada!
— CALEM-SE! Pelos céus! – gritou Zeus – Não estamos aqui para discutir isso e sim para discutir o futuro dos bruxos: eles devem ser extintos, é o que vos digo.
— Mas eles ajudaram a salvar o mundo! – interveio Atena.
— Eles ajudaram a salvar o mundo da ameaça que eles mesmos criaram... Se não fosse por Voldemort.
— Isso não é justo – defendeu Poseidon – Você ouviu Quíron falando... Cronos confessou que foi tudo uma armação dele desde o começo. A culpa é dele e de ninguém mais.
— Por que estão defendendo-os? – perguntou Zeus – Vocês mesmos viram do que eles são capazes? Foi por muito pouco, muito pouco que não se vai tudo pelos ares!
— O que você quer dizer com "tudo" – perguntou Apolo.
— Quero dizer, tudo. O Mundo Bruxo, o Mundo Grego, o Mundo Humano. Tudo. Foi por um triz que Cronos e Voldemort não acabaram com a vida da forma que a conhecemos e vocês me pedem para deixar os Bruxos como estão?!
— Mas a culpa não é deles! – falaram todos os Deuses juntos.
— Para ser bem sincera – interveio Artemis – Duas bruxas, juntas de Thalia, foram quem me salvaram. Eu sou grata a elas. E até prometi dar um role pela cidade com elas.
Todos encararam-na chocados. Esperavam ouvir tudo, menos "dar um role"...
— É o quê? – perguntou Deméter.
— Fazer compras! – esclareceu Artemis – É fazer compras.
— Oh, céus – disse Deméter – No meu tempo, chamávamos fazer compras de "fazer compras". Era mais simples, garanto-lhes que não tinha confusão alguma...
— No seu tempo? – brincou Ares – E quando foi isso?
— Cale-se, possuído por um Imperio. Sinceramente, esperava mais de você, Ares. Tomado por um feitiçozinho bruxo... Humpf, você me enoja.
— Como é que é? – ele começou a arregaçar as mangas, o que quase nunca era um bom sinal.
— Gente, gente – pediu Atena – Dá pra focar no problema? Lembram-se? O futuro dos bruxos?
— Ah, sim, já ia me esquecendo... – disse Ares, tratando de abaixar suas mangas – Pois bem, falemos sobre os bruxos...
— Falemos sobre a destruição dos bruxos – esclareceu Zeus – Eu proponho um raio. É simples, é prático e é rápido.
— Mas o quê? – interveio Poseidon – Você já decidiu sozinho que vai eliminá-los?!
— No final, a minha opinião é a que mais conta mesmo...
— Zeus, poupe-me – disse Artemis – Eu voto para a permanência dos bruxos.
— Eu também.
— Igualmente...
E um a um, os Deuses votaram a favor dos bruxos. Agora, depois que aquela espécie já havia mostrado seu valor, não tinha como ser contra eles.
— Mas e se eles criarem outra Guerra?
— Com o quê? – disse Deméter, rabugenta como sempre – Nosso maior inimigo se foi, o maior inimigo deles se foi. E todos os outros inimigos menos importantes também se foram. Até onde eu vejo, devíamos estar fazendo uma Festa da Colheita para festejar, não um conselho...
— Ela tem razão – disse Afrodite.
— Sobre a Festa da Colheita?
— É claro que não, nem sequer sei o que é isso! Estou falando dos inimigos... Todos eles foram destruídos, como criariam uma nova Guerra?
— Certo, podemos não ter nenhum inimigo agora, mas e daqui a milhares de anos? – provocou Zeus – Quem me garante que não nascerá outro bruxo das trevas que queira destruir o Olimpo?
— Mas sempre tem alguém querendo destruir o Olimpo – disse Hermes – Francamente, estou acostumado a isso...
— É verdade... – concordou Hefesto.
— Só podem estar de brincadeira comigo – disse Zeus – Querem mesmo deixá-los vivos?
Todos concordaram.
— Então que assim seja – anunciou ele – Quando o tiro sair pela culatra, pelo menos poderei dizer que "eu avisei"... Então vamos apagar a memória de todos eles.
— O quê? Mas por quê? – perguntou Atena.
— Como assim "por que"? Não podemos deixar as coisas como estão, um não pode saber do outro!
— Mas se eles já sabem, qual o problema em deixar as coisas como estão?
— Já estamos arriscando em deixá-los vivos... Vocês ainda querem piorar ainda mais a situação? Vocês perderam totalmente o juízo?!
— Está me chamado de burra? – perguntou Afrodite, achando que a pergunta era dirigida para ela. Ela detestava quando chamavam-na de burra.
— Hã? É claro que não – corrigiu Zeus – Mas me dêem um bom motivo para deixar todos com suas memórias?
— Você não viu? – disse Atena – Nesses três dias que se passaram, eles fizeram amizades. Eles já estão começando a se acostumar um com a presença do outro, não podemos simplesmente privá-los disso.
Zeus pareceu refletir por um momento.
— Ah, minha decisão é inexorável. E ponto. Mas, considerando as atuais circunstâncias...
E a discussão prosseguiu por mais algumas horas.
Quando os Deuses saíram da sala de Conselho – que na verdade era o Salão Comunal de Hogwarts, pois não estavam no Olimpo –, não esperavam encontrar aquela enorme comoção a sua porta.
Todos os semideuses e bruxos estavam ali reunidos. Seus rostos radiavam em sorriso, apesar de que o que faziam era um protesto. Carregavam cartazes onde podia-se ler frases como: "UNIÃO ENTRE BRUXOS E SEMIDEUSES!", "ABAIXO A TIRANIA DIVINA" ou, até mesmo, "EXIJIMOS UM INTERCÂMBIO ESTUDANTIL ENTRE OS DOIS MUNDOS". Enfim, tem doido para tudo.
— Mas o que significa tudo isso? – disse Zeus embasbacado.
— Acho que os estudantes não vão aceitar que vocês simplesmente lhes roube a memória – disse Dumbledore, aproximando-se de Zeus, seguido por Quíron.
— Com todo o respeito, senhor – disse o centauro – Eu sugiro deixar as coisas como estão.
— Pois saibam todos vocês – disse Zeus em um tom de voz tão alto que todos escutaram e se silenciaram – Saiba vocês que tudo o que vocês fizerem é inútil! – muitas vaias tomaram conta do local, mas Zeus os acalmou com as mãos – É inútil porque já decidimos que vocês podem manter suas memórias!
E então, os Deuses todos abriram sorrisos marotos para os campistas e estudantes, como se dissessem: "pegamos vocês...". Toda Hogwarts explodiu em alegria. Eles poderiam manter os dois mundos colididos! Eles conseguiram!
— Sabem – disse Quíron – Acho que isso tudo merece uma festa de comemoração...
— Eu não podia concordar mais, meu caro Quíron – disse Dumbledore.
— Isso quer dizer que vai rolar a Festa da Colheita? – perguntou Deméter.
— Afinal de contas, o que diabos é uma festa da colheita? – perguntou Hera, já ficando estressada com aquilo tudo – Alguém me conte, do contrário, não conseguirei dormir!
— Eu estava pensando numa festa normal... – disse Quíron.
— Ótimo – concordou Zeus – Conto com vocês para arrumar tudo para essa noite então. Agora, se nos derem licença, gostaríamos de conversar com os Escolhidos...
Os Deuses voltaram para o Salão Principal de Hogwarts, mas dessa vez, acompanhados pelos Oito. Os Deuses sentaram em seus tronos improvisados – que na verdade, eram as cadeiras da mesa dos professores, apenas um pouco maior que a dos estudantes – e olharam para aqueles adolescentes no centro do salão.
Zeus foi o primeiro a romper o silêncio.
— Gostaria de agradecer a cada um de vocês – disse sinceramente – Sem vocês, todos nós estaríamos condenados...
— Mas – interveio Atena – Por mais grata que eu esteja por você, Perseu, eu não pude deixar de notar tudo o que você fez com minha filha o dia todo...
— Vai lá, filhão! – explodiu Poseidon, levantando-se de sua cadeira. Mas Atena o fulminou com um olhar e ele sentou-se novamente.
— E você não aprova? – perguntou Percy.
— Nem um pouco.
— Mas, mamãe...
— Não, Annabeth. Primeiro me escute: eu não aprovo, é verdade. Mas, devido as circunstâncias... Todos nós, Deuses, resolvemos conceder a cada um de vocês um desejo, como forma de agradecimento. E eu acho que já sei o que vocês dois vão pedir... – finalizou ela, olhando para Percy e Annabeth.
Percy sorriu e, sem hesitar, disse:
— Eu peço sua permissão para namorar sua filha.
— E eu peço sua permissão para namorar Percy.
— E eu concedo-lhes essas permissões – disse a Deusa com um sorriso maroto – Mas juízo vocês dois... Principalmente você, Percy. Lembre-se eu estou de olho... Sempre estou de olho...
— Podemos pedir qualquer coisa? – perguntou Thalia.
— Qualquer coisa – concordou Artemis.
— Nesse caso... Eu quero namorar Nico, sem deixar de ser uma caçadora.
Artemis quase se engasgou com a própria saliva quando ouviu isso. Ela podia esperar tudo de Thalia, menos isso...
— O que posso dizer? – falou Nico – Sou irresistível.
— Nico – cortou Thalia –Não faça com que eu me arrependa de meu pedido...
— Nossa! – estourou Afrodite – Como estamos românticos hoje! Sim, sim, sim, sem dúvida, eu gosto de todo esse romance! Formando Alianças!
Aquela palavra, lembro Annabeth de uma coisa.
— Mãe, agora que a Guerra acabou o que faremos com a Aliança que formamos a Worlds Crash?
— Bom –disse Atena – Se vocês se lembram, a função da Worlds Crash era garantir que os dois mundos continuassem coexistindo e unidos e me parece que já conseguimos isso, não é mesmo? Não vejo mais motivos para mantermos essa Aliança...
— Que Aliança é essa que eu não estou sabendo? – perguntou Zeus curioso.
— Nada –dissera todos rapidamente e, em seguida, se lançaram olhares de cumplicidade.
— A Aliança está desfeita no momento – disse Atena – Mas, quem sabe? Talvez num futuro próximo, ela seja necessária novamente... A qualquer momento, a Worlds Crash pode estar de volta...
— Esperemos que não – disse Percy – Isso significará que um dos Mundos está ameaçado...
— De qualquer forma – cortou Hera – Essa conversa está muito sombria para um tempo de comemoração e ainda temos mais desejos a realizar. Vamos logo com isso, sim? Rony, Hermione, o que vocês querem?
Os dois se entreolharam.
— Queremos que vocês prometam que nunca, não importa o que aconteça irão sequer cogitar em destruir um dos mundos novamente. E que para sempre irão deixá-los unidos, como estão hoje.
Zeus engoliu em seco.
— Certo, nos prometemos. Por mais que eu ache que isso é uma falta de sensatez enorme, nunca iremos separar os dois mundos novamente...
— Nico, filho? – perguntou Hades – O que você quer?
— Nada – admitiu ele.
— Nada? – perguntaram todos – Nadinha?
— É. Já consegui tudo o que eu queria nos últimos dias. Arranjei amigos e vocês acabaram de prometer que nunca irão nos separar – disse ele sem graça – Arranjei até uma namorada – e deu uma piscadela para Thalia, que corou. Não era do feitio dela corar – Não quero nada.
— Tem certeza? – perguntou Hades decepcionado.
— Absoluta.
— Se é assim... Gina?
— Hm, é difícil dizer algo que eu queria assim, sem pensar antes... Acho que concordo com o Nico, já tenho tudo o que poderia querer bem aqui.
— Se é o seu desejo... – falou Zeus – Harry?
O garoto estava em silêncio desde que entrara na sala. Ele tinha algo que queria pedir, mas temia que não pudesse pedir isso. Seria abusar da boa vontade divina, certo? Renascer os mortos, como Hades falara, não é algo tão freqüente assim. Ainda mais dois deles...
— Peça, Harry – disse Hades, lendo os pensamentos do garoto – Zeus não poderá recusar, se você o fizer agora.
— Recusar o quê? – perguntou Zeus curioso – Vamos lá! Não se acanhe! O que você quer?
— Não – Harry tomou uma decisão – Não vou pedir para trazerem os meus pais de volta...
— Mas, Harry – tentou Gina -, por quê?
— Como Hades mesmo falou durante a Guerra: os mortos não são brinquedos. Por mais que eu queira, não vou trazê-los de volta. Além disso, eles estão nos campos Elísios, eu mesmo estive lá e o lugar é ótimo! Não vou arrastá-los da perfeição dos Elísios para a confusão do Mundo dos Vivos... Seria muito egoísmo de minha parte. Deixe-os como estão. Além disso, como vocês acabaram de dizer, já tenho tudo que poderia querer.
Hades e Zeus sorriram juntos. Pelo menos, esse mortal tinha uma noção do que é certo e o que é errado. Os bruxos não eram tão maus assim.
— Bom, assim sendo – terminou Zeus –, eu acho que já atendemos todos os pedidos, certo?
Todos assentiram.
Naquela noite, ninguém desgostou da festa. Dumbledore e Quíron aliaram seus poderes aos Deuses e fizeram, no Salão Principal, uma festança inesquecível. Do teto do Salão, pendiam velas que iluminavam todo o local. Em um dos cantos, colocaram uma enorme mesa, que servia comidas dos mais variados tipos, para todos os gostos. E, espalhadas próxima dessa mesa, havia várias mesas circulares, caso as pessoas quisessem se sentar para comer.
Apolo, Deus da Música, havia decidido agraciar a todos com música ao vivo. Ele formara uma banda com algumas criaturas gregas e, no lugar onde deveria estar a mesa dos professores, encontrava-se ele. Até mesmo Dumbledore, idoso como era, dançava alegremente ao lado de McGonagall.
Mas cedo naquele dia, haviam feito um funeral decente para todos aqueles que morreram durante a Guerra – como o professor Slughorn, Travis, dentre muitos outros. De forma que agora, todos estavam sentindo vontade de trocar os ares de tristeza por um de alegria, e festejavam como se não houvesse amanhã.
— Thalia – disse Nico lhe oferecendo a mão -, me concede essa dança?
Thalia deu risada.
— Ah, Nico... Quando você pede dessa forma, quase me convence de que é um legitimo cavalheiro. Quase...
— Isso é um sim?
— É claro que sim!
E os dois foram correndo até a pista de dança o mais rápido que podiam.
— Você também quer dançar – perguntou Rony à Hermione.
-Ah, só se você realmente quiser... Sabe que eu não sou boa com essas coisas...
— Ótimo – disse Rony – Porque eu também não sou.
Harry, por algum motivo que não compreendeu, deu risada da cena quando a viu.
— E você, Gina?
— Ah, Harry... – disse ela – EU AMO DANÇAR!
E puxou ele pela gravata até a pista de dança. Não que ele não quisesse, é claro.
— E então, Percy? – perguntou Annabeth – Não vai me convidar para dançar?
— Annabeth... – disse ele sem graça – Você sabe que eu não gosto de festas... Muito menos de danças...
Ele ficou vendo os olhos de Annabeth.
— Mas... – ele continuou falando, agora abrindo um largo sorriso – Você também sabe que por você, eu faria qualquer coisa.
A filha de Atena deu risada.
— Vamos...
Todos estavam se divertindo.
Os semideuses e campistas dançavam. A grande maioria deles já havia formado pares, sem levar em consideração se eram suas raças. Até mesmo os Deuses misturaram-se à festa e pareciam estar gostando de toda aquela bagunça. Na realidade, mais do que ninguém, eles agitavam a multidão inteira.
Afrodite começou dançando com Ares, o que levou Hefesto à loucura, criando o primeiro tumulto da festa. A confusão foi tão grande que Zeus teve que agir como mediador para separá-los, mas os campistas e estudantes ficavam gritando absurdos, e colocando lenha na fogueira.
Impedida de dançar por ordem de Zeus, Afrodite tomou uma decisão diferente. Reuniu tantas meninas quanto podia em um canto da festa e começou a lhes dar dicas de beleza e de como conquistar o coração masculino.
Apolo, vendo o que se passava, reuniu os meninos em um canto e ensinou-os a como resistir aos truques de Afrodite e a como pegar mais garotas em uma única festa. Depois disso, começou-se uma espécie de concurso na festa. Afrodite contava quantas de suas meninas conseguiam fazer algum rapaz se apaixonar por elas, enquanto Apolo contava quantos garotos conseguiam resistir a esses impulsos e somente ficavam com a garota, dispensando-a em seguida.
Para a infelicidade de todos, Zeus proibira Dionísio de dar vinho para quem fosse menor de idade. O que basicamente significava que somente os professores e Quíron o tomariam...
Então, Annabeth pareceu se lembrar de um pequeno detalhe da Profecia que até hoje, era um mistério. A garota puxou Gina e Hermione com ela e as três foram falar com a Deusa da Sabedoria. Encontraram-na sentada numa mesa, ao lado de Apolo, Poseidon, Deméter e Artemis.
— Ah – chegaram a tempo de ouvir a Deusa da Agricultura confessar – Não é bem uma Festa da Colheita, mas está boazinha também...
— Com licença, mãe – pediu Annabeth.
— Olá, filha – Atena abriu um largo sorriso – Gostando da festa?
— Muito, mas eu tenho um dúvida...
Atena franziu o cenho.
— O que seria?
— A Profecia do Oráculo estava errada...
Apolo sentou-se direito na mesa, prestando toda a atenção em cada palavra que lhe era dita.
— O meu Oráculo nunca está errado – respondeu o Deus do Sol – É impossível.
— O que você quer dizer, Annabeth? – perguntou Artemis.
— Bem... O Oráculo disse, em sua Profecia, que uma sábia iria guiar o caminho... Por esse motivo, Quíron achou que somente eu ou Hermione éramos uma das escolhidas. Terminou que ambas e éramos e guiamos igualmente o caminho... Ou seja, houveram duas sábias e não somente uma. A Profecia estava errada...
Atena trocou um olhar de cúmplice com Apolo. O Deus, por sua vez, recostou-se na cadeira, mais calmo, esticou os braços e colocou-os atrás da cabeça.
— Como eu disse – começou ele, aparentemente tentando conter uma risadinha – O Oráculo nunca erra...
— A Profecia estava certa, Annabeth... – tentou Poseidon.
— Pense um pouco... – tentou Artemis.
— Do que é que vocês estão falando?! – explodiu Gina de uma vez – A Profecia dizia claramente: ou Hermione, ou Annabeth. Não poderia ser as duas!
Agora Apolo não agüentou mais e riu.
— É que a Profecia não fazia referência a nenhuma das duas – explicou Atena – Na verdade a sábia era outra pessoa... Era você, Gina.
Não somente Gina, mas Hermione e Annabeth também, quase se engasgou com a própria saliva.
— Agora eu sei que o Oráculo errou – falou Gina – Eu? A sábia que guiou o caminho?
— Faz muito sentido, sim... – interveio Poseidon e Deméter a apoiou.
— Pensem bem – tentou Atena – No começo da aventura de vocês, somente Gina e Rony podiam aparatar, lembram-se? Nessa parte, é lógico que foi ela quem guiou. Mas não é nisso que eu quero chegar... Lembram-se de quando vocês estavam em Hogwarts, naquela tempestade de raios, logo após recuperar a memória que Fudge lhes roubara? Vocês queriam um jeito de ir para o Olimpo e bem... Quem foi que sugeriu a aparatação pela lareira de Dumbledore? Gina! Quando vocês precisavam de dinheiro para pagar o Caronte e irem ao Mundo Inferior: quem é que se lembrou do dinheiro bruxo? Quem criou o plano para invadir Azkaban? E, mais recentemente ainda, quem foi que entendeu a charada de Voldemort, sobre onde ele escondera Artemis? Gina, Gina, Gina.
"Ela esteve presente e deu idéias fundamentais para o sucesso da missão de vocês. Assim, nada mais natural que ela seja a sábia da Profecia. Sinto muito, garotas, mas Quíron errou em supor que seria uma de vocês duas..."
Annabeth e Hermione puseram-se a pensar por alguns segundos, tentando se lembrar de todos os eventos que Atena falara. Sim, Gina havia definitivamente colaborado de forma imprescindível em todos eles. Ela era a sábia...
— Ah... – foi tudo o que Hermione conseguiu dizer.
— Não fiquem tristes – disse Artemis – Eu ainda vou levar vocês três, mais Thalia, para fazerem compras comigo! Sábias ou não!
Aquilo pareceu animar as duas garotas. Afinal de contas, a missão tinha sido bem sucedida. Eles ganharam de Cronos e salvaram não somente um mundo, mais dois. Que diferença fazia saber quem havia sido a sábia proposta pelo Oráculo? Exatamente, nenhuma... Sorriram pela lembrança de Artemis. Sem dúvida, esperariam por esse rolé ansiosamente.
As três deixaram disso e voltaram para a pista de dança.
— Sabe – disse Poseidon, olhando Annabeth ir embora – Fico feliz que tudo tenha dado certo entre nossos filhos...
— É... – admitiu Atena.
— Agora, eu queria que tudo desse certo entre nós dois...
Não somente Atena, mas todos os Deuses na mesa, olharam para Poseidon com cara de incrédulos.
— Poseindon – disse Apolo em um tom brincalhão -, seu garanhão!
Atena parecia estar sem graça. Poseidon ergueu-se da mesa e estendeu a mão para a Deusa da Sabedoria.
— Me concede esta dança?
— Ah... – Ninguém nunca vira Atena tão sem graça assim – Nem estão tocando música lenta...
— Nada que eu não possa resolver – disse Apolo erguendo-se e indo trocar umas palavrinhas com a banda.
Atena olhou para a mão de Poseidon. Sim, por de trás de todo aquele fingimento que ela tinha com Poseindon, ela definitivamente tinha sentimentos ocultos pelo Deusa da Água. Só não sabia se gostaria ou não que esses sentimentos continuassem ocultos. Poseindon esperava sua resposta.
Ela suspirou.
— É claro que lhe concedo esta dança. – disse ela segurando a mão dele e levantando-se.
— Afrodite vai amar saber disso – sussurrou Artemis.
— Não tenha dúvidas disso... – concordou Deméter com um sorrisinho.
E como prometido por Apolo, uma música lenta começou a tocar ao fundo, permitido a todos os namorados – ou não – dançarem bem juntos.
Quíron e Dumbledore estavam sentados em uma mesa, próximos a mesa dos Deuses, acompanhados de Minerva McGonagall e Severo Snape. Eles olhavam os seus alunos dançando lentamente na pista de dança.
— Pelos Deuses – disse Snape carrancudo como de costume – Eles realmente precisam de aulas de dança...
Minerva lhe deu um tapinha leve no ombro.
— Não seja um estraga-prazeres, Severo...
— Pelos céus! – explodiu Quíron – Aqueles dois ali são Atena e Poseidon?! Não creio...
Dumbledore deu risada.
— Sabe, eu sei que o momento é de comemoração – disse o diretor – Ainda assim, estou triste.
— Por quê? – perguntou Quíron.
— Olhe para nossos alunos: interagindo. Eles estão se dando bem, é verdade. É uma pena que logo eles iram se separar...
— Zeus disse que não tomará a memória deles... – tentou o centauro.
— Sim, mas eles ficaram separados por um Oceano Atlântico de distância. Depois dessa noite, raramente se verão novamente...
Todos na mesa ficaram em silêncio, pois sabiam da verdade contida naquelas palavras.
— Não existe nada que possamos fazer? – perguntou Quíron.
Dumbledore sorriu marotamente.
— Fico feliz que tenha perguntado. Eu tenho um plano...
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