World Sekai Gakuen | Interativa
4 Regra 3#: Varo Venäläiset
Notas iniciais
Cyzarine Braginskaya
Sorrio para a expressão irritada de Daisy.
Estamos assistindo a aula de Física que hoje é conjunta com a classe de Lise – a E-2. Já se passou uma semana desde o nosso primeiro dia de aula, e os professores já nos preparam para as provas que começarão daqui há dois meses. Durante esse tempo, percebi que Daisy fez amizade com uma canadense chamada Olívia J. Williams que é de sua classe. Elas estão conversando sobre algo que não consigo ouvir, apenas vejo seus lábios se mexendo.
Presto atenção à aula que se desenrola de maneira bastante interessante; a Física ensinada aqui é um pouco mais avançada que a que aprendi na Rússia, mas consigo entender graças ao professor que parece saber exatamente as minhas dúvidas. O sinal toca e o professor se arruma para sair, Daisy imediatamente se levanta junto com Olívia e ambas as duas vão em minha direção.
– Oi, Cyzarine. O que você achou da aula, eh? – Olívia me pergunta. A canadense não é exatamente uma amiga intima minha, pois quase nunca mantemos contato quando Daisy não está por perto. Ela geralmente sempre está ao lado do japonês amigo de Ludwig, Kiku, quando Daisy "desaparece". Mesmo assim, ela parece gostar bastante de mim quando não está com medo.
– Foi ótima. Muito reveladora. – respondo, sorrindo.
– Foi um saco, Cyz. – Daisy diz, com sua sinceridade sem limites. Já me acostumei com a irreverência da americana boca suja que passa 90% do tempo me perseguindo; ela é minha primeira amiga, assim como eu sou a primeira amiga dela. – Quase dormi de tanto tédio. Que horas começa a aula de História?
– Daqui a pouco – Olívia responde, mexendo em seus cabelos tingidos de violeta. A canadense tem a mesma altura que eu, e é bastante branca. Como dito antes, ela tem cabelos violeta-claros, longos. Suas sobrancelhas são da mesma cor que seus cabelos, finas e bem feitas. Seus olhos são azuis, e ela é a mais magra de nós três. Seu uniforme é mais arrumado e limpo, deixando óbvia sua diferença com a americana. Ela fala "eh" com mais frequência do que o outro irmão mais novo de Daisy que também é canadense, Matthew. – Gylla deve estar nos esperando lá fora, eh.
Olívia tinha razão. A finlandesa está parada na porta, com um sorriso gigantesco e um olhar entusiasmado. Ela tem algum plano em mente, o que não é nada bom. Troco um rápido olhar com Daisy, que geme ao pensar na possibilidade de Gylla estar preparando alguma coisa louca... De novo.
Anteontem, ela nos obrigou a colocar gelo na calça do inglês com quem Daisy declarou guerra. É claro que a americana aceitou a oferta, mas nenhuma de nós imaginava que Gylla ia colocar gelo na calça de todo mundo, até mesmo do diretor Roma. Foi o suficiente para recebermos uma advertência que Lottie disse ter sido por pura sorte, visto o que aconteceu com Gylla dias antes. Ela havia inventado que queria roubar os óculos de Alfred para vender no eBay, e acabou "acidentalmente" roubando as respostas do simulado semanal do terceiro ano e vendendo-as no eBay por $10 dólares. Roma mandou ela limpar o segundo andar inteiro, incluindo os banheiros. E todo mundo sabe que o banheiro masculino do segundo andar é assombrado e que é o mais sujo dos três.
– GENTE! QUE TAL NÓS–?
– NÃO. – Nós três dizemos em uníssono, assustando uma Gylla que quase cai. Ela nos fita por alguns minutos, então pista várias vezes.
– Eu ainda nem contei a minha ideia!
– Gylla, todos nós sabemos que as suas pegadinhas sempre dão errado, eh. – Olívia diz, com um pequeno sorriso misericordioso. Concordo com a cabeça e Daisy faz o mesmo, com os braços cruzados. – Da última vez, você sabe o que aconteceu.
– Mas não é uma pegadinha! – Gylla diz, com um muxoxo. Daisy levanta a sobrancelha, sorrio e Olívia a observa com curiosidade. A finlandesa vê aquilo como uma chance de continuar. – Olhe, o aniversário da Lottie é amanhã. Então eu pensei em fazermos uma festa lá no dormitório, só que tem dois problemas.
– E quais são? – Pergunto.
– Lottie não pode saber; e não sei quem convidar. – A menor diz, com um olhar tristonho. – Lottie fala com todo mundo, então não sei bem quem ela gosta e quem ela não gosta.
– Ela não gosta de todo mundo que a gente não gosta, então não convide o Ludwig e a trupe dele. – Daisy diz, com os olhos fechados, lendo meus pensamentos. – Muito menos o Arthur.
– Convide o Kiku. Ele é uma ótima pessoa. – Olívia diz, com um sorriso envergonhado.
– Pensei que a primeira coisa que você tinha dito à ele foi "você é feio". – Digo, com um pequeno sorriso. Daisy e Gylla soltam uma gargalhada sonora, e Olívia morde os lábios.
– A-aquilo foi sem q-querer! – Ela diz, e Daisy coloca a mão na boca para tentar não rir. Gylla continua gargalhando. – Estávamos na biblioteca e eu estava lendo uma parte do livro em que a protagonista diz isso; foi sem querer, eh!
– Alright, nuts! We understand. – A americana diz, controlando uma risadinha e chacolhando os ombros da canadense. A olho confusa e Gylla também faz isso. – Ah. Eu disse: "Tudo bem, maluca. Nós entendemos.". – Daisy parece um pouco envergonhada por ter esquecido de uma coisa; meu inglês é tão básico que me perdi na parte do "alright". – Então, vamos convidar quem?
– Tem a Caterina e o Kiseki. – Gylla diz, se recordando. – E o V de Vingança também. – V de Vingança é o apelido do melhor amigo de Gylla, um estudante sueco que ela conheceu na internet. Graças à ele, Ludwig me odeia, mas Cevin continua sendo uma pessoa muito bacana. Além de dizer que ele meio que parece ter uma quedinha por Daisy – o que é péssimo, porque ela sabe.
– É. – Concordo.
– Por que não convidamos o Ludwig e o Arthur, eh? Pode ser uma boa ocasião para vocês se resolverem, sabe. Além de ser bom, porque a Lise vai parar de ficar perseguindo dele o tempo todo, eh. – Olívia diz, e mando um olhar psicopata para ela; Daisy age como se ela tivesse dito que ia se casar com uma vaca, e Gylla esbugalha os olhos.
– 'Cê bebeu alguma coisa? Tá doente? Pirou? – Daisy pergunta, checando a temperatura da amiga.
– Não, não. Mas você não acha que seria bom, eh? Quem sabe vocês podem até ser amigos.
– Amizade com o Ludwig não seria uma coisa muito boa, Olívia. – Digo, com a voz um pouco alta demais. – O cara me odeia. Lembra o que aconteceu naquela aula conjunta com a classe dele? Ele passou a tarde inteira competindo comigo e me observando de esguelha. O Ludwig vai acabar me assassinando durante essa festa, isso se ele não ficar com medo de fazê-lo.
– E eu me recuso a passar um tempo conversando com aquele homossexual do Arthur. Ele só é "amigo" do meu irmão porque eu sei que ele gosta dele, mas o Alfred não é gay... Eu acho. E ele me odeia também, me odeia mais do que odeia a qualquer coisa. – Daisy diz, dando a língua para o garoto que passava ali perto junto com o irmão da garota.
– Observe, eh. – Olívia diz, indo na direção de Arthur. Daisy quase morre ali mesmo, fazendo Gylla rir mais do que ela estava rindo antes e me deixando preocupada; a festa seria muito ruim se Ludwig estivesse lá. Charlotte ficaria triste se Daisy passasse a noite brigando com Arthur, Gylla se sentiria ruim por ter destruído a festa da melhor amiga, e Olívia iria ficar triste por seu plano não ter dado certo. – Oi, Arthur! Charlotte vai fazer aniversário, a festa vai ser no dormitório feminino A amanhã; você e o Alfred não querem vir, eh?
– Claro, por que não? Estaremos lá! – Alfred interrompe Arthur, sorrindo. Olívia retribui o sorriso e volta para o lado das amigas. – Oi, sis! – Ele cumprimenta de longe a irmã, que manda o dedo para ele. Gylla continua rindo sem parar, e penso que talvez seja impossível ela parar de rir.
– POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? – Daisy grita e Olívia dá de ombros.
– Eu disse; é uma boa forma de você se resolver com ele. Posso falar com o Ludwig assim que encontrar o Kiku, eh. E a Charlotte ficaria feliz em ver que vocês fizeram outras amizades.
– Não, não precisa. Não preciso de outros amigos. Só a Cyz, você, Lottie e a Gylla já bastam pra mim.
– Concordo com a Daisy. – Digo. – Já se passou uma semana e nada. Faço Geografia com o Ludwig, e Daisy faz Leis com o Arthur. Não nascemos para nos dar bem. Convidá-los é ridículo. A festa vai ser horrível, porque eles vão passar a noite nos incomodando. Além de dizer que a Lottie está de TPM, o que deixa tudo pior.
– Já estamos há quase trinta minutos aqui, eh. A aula já vai começar, pessoal. Discutimos isso depois. – Olívia diz, agindo como se fosse "a voz da razão" e indo embora. Resmungo baixo, e Daisy faz o mesmo. Me despeço das duas e vou na direção da aula de Inglês.
Gylla Virtanen
Daisy e Czar são tão bestas que meu Deus do Céu! Hehehe... A festa vai ser incrível mesmo! Charlotte mal vai conseguir respirar com as surpresas que estou preparando para ela~
Encontro Caterina conversando com Cevin na hora do almoço, e vejo que os dois estão se dando bem. Pelo menos eles dois estão juntos, então posso fazer isso mais rápido e ainda ter tempo suficiente para preparar as coisas de última hora. Me aproximo e percebo que eles conversam sobre o aniversário de Charlotte; Caterina é muitíssimo amiga dela, tipo, amigas até o fim. Quer dizer, não tanto quanto Charlotte é próxima à nós, mas elas praticamente vivem juntas. Fazem aulas juntas, fazem trabalho escolares juntas... Isso é um pouco irritante.
– Oi! Vocês querem ir para a festa da Lottie? – Pergunto.
Caterina é alta, com um corpo "normal"; nem tão magra, nem tão gorda. Seu busto não é gigante e ela tem uma estrutura comum. Seus cabelos são castanho-claros com algumas luzes, liso e preso num rabo de cavalo. Ela tem heterocromia – uma coisa que Cyza me disse um tempo atrás – e com um olho verde e o outro azul. Sua pele é bronzeada, mas não exageradamente escura, o bastante para não ficar pálida como Cyza ou Daisy.
Já Cevin tem olhos roxos e cabelos não muito longos pretos, além da pele pálida. Ele é bem alto, mas tanto Olívia quanto Cyza tem quase a mesma altura que ele. Não é muito musculoso e é extremamente magro, como se não se alimentasse muito bem. A estrutura de seu corpo é longa, e ele seria muito bonito se não... Bem, se não fosse Cevin. Ele usa o uniforme todo arrumadinho, com as calças bem lavadas e todas aquelas coisas de nerd. A única diferença é que ele tem binóculos presos no pescoço, para observar as pessoas. É, ele é um stalker da vida.
– Claro que sim. Onde vai ser? – Cevin pergunta calmamente. Ainda não sei como alguém tão calminho assim pode ser meu amigo, porque né.
– No dormitório feminino A, às sete. – Caterina abre um sorriso; ela também é do A e seu quarto fica logo ao lado do nosso – o que explica sua amizade com Charlotte. – e ela o divide com uma húngara chamada Elizabeta, Olívia e uma garota de Liech... Alguma coisa, chamada Lili que tem um irmão suíço.
– Estarei lá. Acho que vou comprar um jogo para a Lottie. Lili e Liz podem vir também? – A espanhola pergunta e concordo com a cabeça. Cevin fica repentinamente curioso.
– Quem é Liz?
– Ah, você só conhece a Lili e a Olívia. A Liz chegou de última hora; o nome dela é Elizabeta e ela é da Hungria.
– Hm, legal. Vou conhecê-la na festa, então. A propósito, Viinkinki, Daisy vai? – Cevin me pergunta, com uma pontada de esperança. Caterina arqueia as sobrancelhas; ela provavelmente não sabe sobre o segredinho do Vin. Ele me chama de "Viinkinki" porque meu nome é viking, então faz "sentido".
– Vai. – Simplesmente digo, com um sorrisinho. Rosa tinge as bochechas de Cevin e sinto pena dele; o amor não correspondido dele parece mais interessada em se vingar de um inglês do que ligar para a própria vida amorosa. – V de Vingança, você pode convidar o Kiseki? Olívia vai convidar o Kiku, então diga para ele que não precisa ir convidá-lo. Ah, convide o Ludwig, o Feliciano, o Lovino... Todo esse pessoal, okay?
– Tá. E pare de me chamar assim.
– Hehe~ Vejo vocês lá! – Corro para a minha próxima aula, pensando o que poderia acontecer naquela festa que vai, definitivamente, ser inesquecível.
***
São 4 da tarde e as aulas acabaram, já que hoje é sábado. Corro para a loja de conveniência do dormitório A, que mais parece um pequeno supermercado ou um shopping pequeno. Tem várias coisas de aniversário, além de alguns presentes bem legais. Decido comprar um vestido vermelho pra Lottie, com um decote gigantesco; ela iria adorar aquele vestido, com toda certeza, além de que combinava com os óculos dela. Compro alguns doces, como um tal de "petit gâteau", uma torta de maçã francesa chamada Tarte Tatin, alguns crepes e um bolo de chocolate gigantesco, além da decoração toda dourada e branca.
Então eu vejo Cyza sentada no parque usando um gorro azul. Será que ela também veio comprar o presente da Lottie? Se for, vou querer saber qual é! E seria tãããão legal se ela me ajudasse a arrumar as coisas também~ Cyza é bem alta, então seria fácil pra ela colocar os balões e tal.
Decido abraçá-la de surpresa, pelas costas. Discretamente ando até o banco e deixo as compras atrás, para que ela não veja. Cyza vai tomar um susto, com certeza!
– Cyzaaaaaa~! Surpresa–?
Mas não é a Cyzarine.
É o irmão dela. Ivan Braginsky.
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