World Of Dolls
8 Capítulo 8 - O enigma.
Notas iniciais
– Bianca. –Fez um sinal com a mão para me aproximar enquanto a outra fora para a cozinha preparar o lanche. Olha! O ser folgado finalmente diz meu nome. — Eu achei uma coisa sobre o World of Dolls.
Fiquei surpresa e logo fitei o livro que o mesmo segurava.
– Espera... Esse livro...
...
Olhei o livro por alguns segundos, quando percebi seu nome "O mistério da família desaparecida".
– É o da família desaparecida!! – Exclamei..
– Eu estava lendo o livro, e parece que está relacionado com o que procuramos.
– Como assim?
– O livro conta sobre uma família feliz e normal, a mais rica da cidade, moravam em uma bonita mansão, eram ricos devido à loja de bonecas que administravam. Era um comércio de grande sucesso, os moradores da cidade sempre compravam aquelas adoráveis bonecas devido à beleza, e ao bom sentimento que as mesmas transmitiam. Porém, cinco anos depois, a casa já não era mesma, suja, velha e empoeirada, parecia até mesmo abandonada. As bonecas estranhamente estavam com expressões tão tristes e sombrias na loja, elas assustavam os clientes e os mesmos nunca mais voltaram a comprá-las. Os vizinhos preocupados com o que havia ocorrido àquela família resolveram que um grupo de pessoas iria até a casa, mas estes nunca mais foram vistos novamente. No dia seguinte os vizinhos apavorados relataram a policia, mas acabaram descobrindo que família já havia morrido há cinco anos. No dia 13 de Novembro, de uma maneira cautelosa, a polícia conseguiu tirar uma foto de uma pessoa que estava sentada em uma cadeira de madeira. Era uma mulher sem expressão de cabelos castanhos até os ombros e olhos castanhos claros que pareciam dourados ao Sol. Isso é tudo que o que o livro fala, a partir daí as paginas estão em branco.
– E o que tem haver conosco esta história? – Perguntei tentando interligar os fatos.
– A mulher da foto é idêntica as características de Elza. Ou seja, eu presumo que esta família conhecia de alguma forma Elza e roubara a tal boneca sagrada da mesma por algum motivo ainda desconhecido. Isso poderia ter levado a morte deles, na qual recusaram a revelar o lugar que escondiam a boneca para a mulher. E como Elza criou as B.As, não me parece anormal que aquelas sombrias da loja não eram de sua criação, e que estavam espalhadas pela mansão. Isso explicaria a morte do grupo.
– Hum... Faz sentido. Você é bom mesmo nisso. – Coloquei o indicador no queixo de maneira pensativa. – Mais alguma pista?
– Sim... Na ultima pagina, tem um enigma. – Folheou até a última pagina. – "Há um fio vermelho que liga o cavaleiro a rosa. E não o contrário. Se cortado, famintos tigres irão reinar"
– Huuum... Entendi...
– Entendeu??! – Perguntou incrédulo. Nossa! Duvida de minhas capacidades.
–... Nada. – Continue duvidando...
Ele socou o próprio rosto. Ele também tem problema.
– Sem comentários. – Voltou a olhar o livro atentamente.
– Ok,ok. – Fiz bico. – Perguntou à Beatriz?
– Sim. Ela disse que está em uma loja de brinquedos. Uma das bonecas é a passagem.
– Ah claro... E VOCÊ TEM IDEIA DE QUANTAS BONECAS TEM EM UMA LOJA DE BRINQUEDOS??!! COMO VAMOS SABER QUAL É??
– XIUUUUUUUU! — Tampou minha boca com a mão. – Quer que sua mãe descubra isso??!
Olhei para a cozinha da sala, vendo minha mãe fazendo dois mistos quentes com suco usando fones nos ouvidos, dançando que nem uma- pata- doida, já se preparando para ir até nosso encontro. Nota da performance: 0. Assim, adentrou ao local, despejando a bandeja na mesinha de centro, dando uma piscadela para minha pessoa, e saindo do cômodo depois de terminado o dever. Na verdade, FOI UM BANQUETE! PORQUE DO NADA APARECEU PUDIM, BOLO, BOLACHAS, SALGADINHOS, PANETONE, SORVETE, E OUTROS MAIS! PARECIA ATÉ QUE ESTAVA ALIMENTANDO DUAS BALEIAS. Minha mãe é ninja, e nunca me contou.
– A boneca não tem nome de empresa, e nada do tipo na embalagem. – Respondeu, pegando um lanche e dando uma mordida.
– E nunca suspeitaram? – Estranhei, também pegando um lanche do prato e mordendo.
– Acham que é um defeito de fábrica. Deixaram-na no deposito, temos que ir lá. – Mordeu outro pedaço.
– E como conseguiremos? – Arqueei uma sobrancelha, tomando um gole do suco de uva logo após.
– Aprenda com o mestre. – Fechou os olhos e deu um sorriso confiante.
Ai... Lá vem.
. . .
Saímos da casa e o segui até onde supostamente era a loja. Entrando, pude ver gigantescas prateleiras de brinquedos. Era um lugar relativamente amplo, com um largo corredor, alguns atendentes supervisionando e os caixas atendendo aos clientes. Ao ver crianças segurando embalagens de jogos, bonecos, fantasias, e tudo mais, senti-me um pouco envergonhada devido ao fato de ser uma adolescente. Encolhi os braços graças ao ar condicionado que estava um pouco forte, e segui o corredor ao atrás do outro.
– O deposito é ali. – Apontou discretamente.
– E como vamos ir até lá sem sermos vistos? Há vários funcionários!
– Exatamente. Olhe e aprenda.
Foi até um atendente.
– Com licença, eu gostaria de comprar certo jogo para meu primo que uma amiga sugeriu ao ver aqui nesta loja, mas não o vejo nas prateleiras.
– Ah, pois não. Venha comigo, irei levá-lo até o estoque. – Disse indo em direção ao deposito.
Michael me fez um gesto para segui-lo.
Entramos num ambiente pequeno e com varias caixas amontoadas.
– Como é o jogo que procura? – Perguntou o atendente.
– É um de tabuleiro medieval. Não me lembro o nome. Poderia me mostrar os que têm?
– Ah claro, vou pegar alguns. – Respondeu o moço subindo as escadas para o segundo andar do depósito.
– Aquela. – Sussurrou apontando para uma boneca. – Saia com ela pela porta dos fundos.
– Nossa! – Exclamei.
– O que?
– Que boneca mal feita e feia. Não curti. – Reprovei, balançando a cabeça negativamente.
– Não importa sua opinião, apenas pegue e saia agora!! – Repreendeu baixinho.
– Ok, ok. Entendi. Estressadinho. – Retirei a mesma da embalagem, nesse momento senti um calafrio. Coloquei a parte dianteira da caixa para a parede, assim eles não dariam por falta, e saí silenciosamente pela porta dos fundos. Pus o objeto na bolsa e contornei a mata que havia atrás do estabelecimento, indo até a frente do mesmo, sentando-me num banquinho próximo.
Logo, Michael sai da loja pela porta automática de vidro.
– O que você disse para ele?
– Que não era nenhum dos que ele mostrou. Simples. – Colocou os braços atrás da nuca. – Agora vamos ir para um lugar sem movimentação.
– Esperem aí vocês dois!! – Exclamou uma voz conhecida.
– RODRIGO? – Virei rapidamente para trás e vi Rodrigo encostado em uma árvore da calçada. E logo depois Melina e Paty saíram de trás da mesma. Ôou.
– O que vocês fazem aqui? – Perguntou Michael nervoso.
– Nós seguimos vocês ao vê-los saindo da casa da Bianca. – Respondeu Melina.
– O que está acontecendo? – Perguntou Paty preocupada com aqueles olhinhosbrilhantes.
– A onde pensam que vão? E que negocio é esse de ir até um lugar sem movimentação?? – Agora quem falara era Rodrigo, sua feição era de raiva.– Por acaso vai fazer algo com a Bianca, em Michael?! AAH Seu Maldito!! O que pensa em fazer?? – Saía faíscas de seu corpo.
– Rodrigo, não é nada disso, é só que...
– É só que o que?! — Ai meu Deus! Ferrou tudo agora! O que eu falo? Eu não possa contar a verdade... ou posso? AAAAAAAAAAAAAAAAAAH MINHA VIDA TÁ UMA MARAVILHA, IGUAL O BONDE DAS MARAVILHAS!!
– Por que você quer saber? –Agora que o Michael acaba com a mínima paciência que o Rodrigo tem... Quer dizer que ele tinha.
–PORQUE EU SOU O AMIGO DELA?? E VOCÊ O QUE É? NÃO TEM O DIREITO DE... –Explodiu Rodrigo até ser interrompido.
– Sou o namorado dela. – Michael diz normalmente. ALÔ? É DA POLICIA? EU QUERIA FAZER UMA OCORRÊNCIA. URGENTE. ALÔ? É DO HOSPÍCIO DE SÃO JUDAS? EU GOSTARIA DE UMA VAGA. OBRIGADA. Pronto, agora to preparada.
– O-O q-que? – O garoto dos olhos esmeraldas o olhava pálido.
Continua...
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