A escuridão tomou conta do lugar, o vento começou a soprar forte e meus longos cabelos pretos foram para os ares. Tudo o que eu via naquela imensa floresta eram grandes árvores negras e lindas rosas vermelhas. Rosas vermelhas. O que diabos elas fazem aqui? Nesse lugar sem vida e vazio? Olhei em volta e continuei a andar, estou feliz por estar fora de casa, mesmo sendo nesse lugar, sei que encontrarei e saída e serei mais feliz lá fora.

E então, começo a ficar confusa. A paisagem não muda é sempre a mesma coisa, árvores e rosas vermelhas, ventos a soprar e meus cabelos ao vento, e eu automaticamente olho para a garrafa com o pergaminho dentro. Talvez aqui tenha a resposta. Tento abrir a garrafa mas não consigo, o que me resta é jogá-la no chão até quebrar, e faço. Em questão de segundos a garrafa virou cacos de vidro inúteis. Peguei o pergaminho, amarrado com uma fita vermelha e enrolado perfeitamente. Desamarrei a fita e o abri. Branco. Papel em branco. Isso serve para alguma coisa? Talvez sim, talvez não. Examinei bem e não achei nada de suspeito, mas vou guardá-lo, quem sabe não ache uma solução.

Volto a caminhar lentamente sobre o mato seco, pés descalços e vestidos arrastando pelo chão. Até que ouço um uivado de lobo, vários uivados.

— Preciso sair daqui.

Os uivados chegavam cada vez mais perto, fiquei desesperada, não tenho pra onde ir. Tarde de mais. Eles me alcançaram. Olho para trás e vejo um circulo de lobos formando em minha volta, são muitos. Parecem imensos, seus dentes me triturariam com facilidade. Não posso me mexer se não eles me pegam, mas é o que eu tenho que fazer. Correr! Olhei para trás e fui, correndo desesperadamente, levantando o vestido para não tropeçar. E eles estão atrás de mim, correndo numa velocidade inacreditável, em questão de minutos eles me pegariam. Mas não. Correndo desesperadamente, caio em um buraco negro. Não paro de cair, parece interminável. A minha voz quase não sai mais de tanto que eu grito, mas ainda estou caindo.

Minha morte será assim? Caindo em um abismo? Fecho os olhos e me imagino caindo em um lindo gramado verde, com flores coloridas e um alguém para me guiar. E acontece. Abro os olhos e estou num gramado verde cercada de tulipas e rosas amarelas, meus olhos brilham de emoção ao ver aquilo. Levanto lentamente e olho em minha volta, sem lobos e trevas. Com um lindo sol a brilhar no céu e uma linda paisagem, é o paraíso.

— Perdida por aqui mocinha?

Alguém falou comigo. Ninguém nunca falou comigo. Será minha mente me pregando peças? Não. Parece real. E respondo:

— Quem está aí ? Você é real?

— Não seja boba, olhe para baixo. – ele me responde.

Olho para baixo e vejo, um gato preto. Mas como? Um bicho falou comigo. Isso talvez não seja real.

— Um gato? Como você...

— Como eu falo não é? Bom, isso não importa. O que importa é que eu fui mandado para cá para te guiar.

— Me guiar? Um gato me guiando? Só pode ser piada. – e me dei de costas para o bichano.

— Você não quer saber quem me mandou aqui?

— Quem? A mamãe gato falante? – respondo com sarcasmo.

— Não a mamãe gato, mas sim mamãe humana. A sua mãe.

Minha mãe. Ela está viva? Começo a odiá-la naquele momento. Como ela pode me deixar esse tempo todo sozinha, sabendo onde eu estava e o que estava acontecendo? Ela não é minha mãe. Ela é uma ninguém, e eu a odeio.

— Gatinho preto, seja lá pra onde você vai me guiar eu quero ir agora.

— A propósito meu nome é Zarden. E você é a Luna não é?

— Sim, sou a Luna.

E aí nós nos conhecemos, contei tudo o que eu passei naquela casa e como cheguei aqui, e ele me contou algumas coisas também. Contou-me sobre esse lugar, e disse que ao dia ele é lindo, mas a noite as trevas voltam a reinar. E aqui tem vários portais para outros mundos. Um mundo. Eu estou em um mundo diferente. Gostaria de viver aqui.

Notas finais
Segundo capítulo, um mar de rosas, não? Por enquanto.