World Legendary
1 Dança de Lâminas.
Uma dança de lâminas, foice versus espada, o corpo da mais velha foi jogado contra um salgueiro centenário, formando sua perfeita silueta na casca negra, que crepitou quando o corpo que o a ocupava finalmente se libertou, brandindo a espada prateada sob a luz delgada da lua minguante.
A imagem travou, tremeluziu e desapareceu do monitor, aquela voz ecoou em sua mente enquanto desligava as coisas apenas mexendo seus dedos. Ignorando as reclamações e afirmações arrogantes da voz ela tirou o capacete de realidade aumentada, se agachou e tocou o disco prateado sob seus pés, que se encolheu até ficar do tamanho de um ovo de galinha comum.
Andou até seu computador enquanto enfiava sua geringonça na mochila preta já lotada, fechou o zíper com dificuldade e se sentou na cadeira com a mochila no colo, ligando sua webcam. A menina de cabelos rosados sorriu para ela, um sorriso arrogante. Duas meninas apareceram logo depois, uma com os olhos clarinhos travessos e a outra com o cabelo preso para frente dos ombros, meio soltos e repicados sobre os olhos quase negros.
“Eu teria ganhado, sem duvidas!”. Berrou a rosa.
“Vamos, não seja tão convencida, Amy”. Resmungou baixo a menina de olhos cinzentos.
“Estou atrasada, moro mais longe do que vocês, então estou indo, tchau!”. Gritou e, antes que elas respondessem desligou o computador. Pegou a mochila e desceu as escadas correndo com a chuchinha na boca e penteando o cabelo apressadamente, o prendeu o cabelo num rabo de cavalo alto e deixou a franja solta, enfiou a maçã entre os lábios, abriu a porta e gritou antes de sair:
-Até depois tio!
-
Judal resmungou baixo, e ficou a fuçar na sua lista de jogos, pulou na cadeira quando olhou o relógio e pegou a mochila descendo as escadas do prédio, aproveitou e bateu à porta do apartamento dois andares abaixo do seu, um menino de olhos cor de bronze atendeu, ainda de pijama.
- O que foi cara...? – Balbuciou coçando a nuca, recebendo um olhar repreensivo – Ta bem, já estou indo me vestir! – Deliberou baixo soltando uma série de palavrões enquanto abria a porta para o colega entrar.
O apartamento era bagunçado, mas ao menos limpo, algumas roupas jogadas pelo chão, peças masculinas e femininas acompanhadas de jarras e jarras de whisky e vodka vazias, Judal ergueu uma sobrancelha encarando o amigo. Que o encarou de volta com um sorriso maculado e travesso.
- O que foi? – Resmungou Patch escovando os cabelos rebeldes, já havia colocado o uniforme, as mangas curtas expunham duas tatuagens de dragão, uma em cada braço. Quando considerou seu cabelo arrumado o bastante o cobriu com um boné dos Yankees de Nova York, a cintura de sua calça pendia pra direita, necessitada de um cinto.
- Vamos logo, temos que pegar o metrô. – Judal resmungou e saiu sendo seguido pelo amigo que trancou a porta, ambos desceram as escadas e na porta do prédio, avistaram uma amiga. Zola se aproximou e agarrou Judal pelo pescoço como se quisesse asfixiá-lo.
- Você não me respondeu ontem! – Bradou ela com um ar irritado, de sua boca miúda e vermelha floresceu uma gargalhada ao ver a expressão cansada de Patch – Ficou batendo punheta na frente do computador de novo, garanhão?
Patch resmungou e tirou o boné, passando seus dedos por entre os anéis dourados de seu cabelo, arrumou o boné novamente, enfiou as mãos nas calças, girou sobre seus calcanhares e saiu andando rua abaixo, em direção à estação de metrô.
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Liesel sorriu para Mello e Amy, esta última andava mais a frente, e Mello, bem, Liesel precisava correr para se manter ao lado dela, que andava com passos duros e firmes, a mochila pendendo em um ombro só e os olhos heterocromáticos distraídos, encarando o horizonte.
- Nee, Mello-chan, fez o dever de casa? – Tentou fazer a loira falar, mas ela continuou em silêncio, era sempre assim, Amy resmungou baixinho e andou até a estação deixando Liesel e Mello para trás, ela não suportava a presença das duas, correu até sua amiga que a esperava na estação de metrô.
Mitchiko sorriu sendo suspendida do chão pelo abraço de urso de Amy, ambas subiram no metrô um pouco antes dele partir, deixando Mello e Liesel para trás, essa última bateu o pé no chão, de seus lábios rosados brotava um vocabulário não adequado à sua aparência frágil e timidez exagerada.
Mello olhou pro lado e viu Shionji, ainda à entrar no carro à frente de sua casa, a menina virou o rosto e acenou com a mão aberta, torcendo os lábios carnudos e clarinhos num sorriso forçado, Mello cutucou o ombro de Liesel e apontou pra menina a duas ruas dali.
Ambas se aproximaram lentamente, Shionji baixou a cabeça, cobrindo seus olhos clarinhos com os fios castanhos de sua franja reta, os olhos de Mello, principalmente o vermelho, lhe causavam arrepio se mantivesse um contato visual ininterrupto.
- O que querem? – Perguntou fria enquanto um mordomo abria a porta do carro para ela. Liesel sorriu timidamente, as bochechas cor de porcelana ruborizaram rapidamente.
- Pode dar uma carona pra gente?
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Hiromi pulou no pescoço do amigo, sendo seguida por Syerra, que ajudou a derrubar Felipe no chão, o garoto teve dificuldades de respirar até que elas se levantassem e, uma puxando cada braço, o levantaram, Syerra choramingou.
- A Amy-chan me deixou de lado pela patricinha da Liesel e aquela emo que não fala. – Resmungou cruzando os braços, Felipe riu sem graça, coçando a nuca, seu cabelo cor de água parecia albino naquela luz forte. – Shinzou-chan, posso jogar com vocês hoje?
- Opa, vai ter que jogo hoje? – Hiromi deu de ombros, com um sorriso tímido e meio sem graça.
- Também não faço idéia..! – riu, puxando os dois pelo braço.
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Dois meninos, um de onze e outro de quinze, abriram os portões prateados, os burburinhos animados dos alunos do lado de fora logo foi abafado pelo som e mil pares de pés caminhando em união.
Shionji sorria tímida ao lado de Mello e Liesel, sendo essa última a responsável pelo diálogo desde que entrou no carro da menina de olhos claros, Zola andava do lado de Judal e Patch logo atrás, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça caída.
Syerra, Felipe e Shinzou correram para não se atrasar, enquanto Mitchiko e Amy já estavam dentro de sala faz um bom tempo, que visse acharia que gostavam de estudar.
- O que vai acontecer esse ano? – Resmungou baixo.
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