Wonderwall.
35 Casamento.
Notas iniciais
Uau!
Não estava acreditando que finalmente o dia está acabando. Esse dia foi o mais longo e insano da minha vida. Acho que nem quando estive no meio de tiroteios e bombas no Afeganistão passei por algo tão bizarro como esses dois últimos dias. Eu fui enterrado vivo e salvo por uma agente russa que nem consegui agradecer, pois ela saiu correndo. O mais bizarro nem foi ter ficado dentro de uma cova por algumas horas, e sim ter sido enterrado vivo pelo pai da mulher que amo.
Nossa! Que dia insano. Mas finalmente ele chegou ao fim e estou indo para o apartamento de Felicity. E o que mais quero é deitar em uma cama com o corpo dela bem junto do meu, sentindo seus cabelos roçando no meu rosto, inalando seu perfume. Céus, não vejo a hora disso acontecer.
Quando chegamos, vou direto para o banheiro tomar um banho.
Felicity me explicou que Jemy e Donna estão em um lugar seguro. Depois que ela descobriu sobre o pai ser um grande bandidão achou melhor deixar Donna e Jemy afastados, seguros em um lugar que Noah não pode encontrá-los. Diggle concordou em deixar os dois sob proteção do FBI por alguns dias, já que agora o FBI sabe sobre o pai de Felicity e está montando uma força tarefa para prendê-lo. E agora que sabemos que Noah é quem estávamos procurando ficou um pouco mais fácil rastreá-lo.
Também tivemos problemas com o exército, já que Felicity precisou invadir o local aonde Derek estava para tirá-lo de lá. Mas conseguimos fazer um acordo com o General, ele deixava Felicity livre em troca da grande informação que tínhamos em mãos. Ou seja, o pai de Felicity continua sendo caçado pelo FBI, pelo exército e pelo governo Russo.
Desligo meus pensamentos quando sinto as mãos de Felicity deslizarem pelas minhas costas. Viro-me e deixo meus olhos passearem pelo seu corpo nu. Ela me abraça apertado e aninha a cabeça no meu peito. Ficamos um longo tempo abraçados, apenas sentindo a água quente do chuveiro escorrer pelos nossos corpos, levando embora todo o estresse do dia.
Beijei o topo da cabeça de Felicity e pedi para tudo isso acabar e a gente ficar livre do fbi, exército, agentes russos e do bandido do meu sogro.
O pai bandido da Felicity.
Repetindo isso nos meus pensamentos acabo vendo o quanto deve estar sendo difícil para Felicity, é o pai dela, querendo ou não. E ela sempre teve boas recordações dele.
— Você está bem? — indago, esfregando as costas dela.
Felicity afasta o rosto do meu peito e me encara.
— Por que ele fez isso, Oliver? — questionou, ver o tamanho da mágoa que ela estava sentindo meu deixou aflito e com muita raiva de Noah. — Abandonar a minha mãe? Me abandonar? Eu o amava, mas agora eu não sinto nada, nada, nem ódio, nem rancor. É como se ele estivesse morto. E para mim isso não mudou nada, ele continua morto, morreu no dia em que saiu de casa.
— Eu sinto muito, Felicity. — falei, pois não conseguia formular nenhum frase de efeito que a ajudasse a passar por aquilo. — Mas se serve de consolo. — segurei o rosto dela. — Eu estou aqui para você e eu sempre estarei. Jamais vou embora.
Felicity sorriu e puxou meu rosto contra o dela. Senti seus lábios tocarem os meus suavemente e então sua língua tocando a minha, ela me beijou lentamente, de forma carinhosa e intensa. Minhas mãos desceram pela cintura dela e eu girei, encostei o corpo dela contra a parede e Felicity ergueu as coxas ao redor do meu quadril. Ela ergueu o pescoço deixando minha língua deslizar por toda sua pele exposta.
Céus, eu me perdi dentro dela, como sempre eu me perco. E como sempre me senti inteiro, completo, e aquele sensação ninguém além dela podia me proporcionar.
[...]
Depois do banho pedimos algo para comer. Jantamos juntos na mesa da cozinha. Felicity estava pensativa, mas não quis perguntar, deixaria para depois. Ela me ajudou a lavar a louça e somente depois de organizar toda a cozinha nos deitamos. Ela deitou sobre o meu peito, me deixando livre para afundar meu nariz em seus cabelos. Eu sorri ao sentir o cheiro do seu shampoo que me fazia lembrar do nosso momento no chuveiro. Estava doido para tê-la novamente. Mas antes queria invadir seus pensamentos e saber o que ela tanto estava pensando.
Comecei uma massagem em seus ombros, toquei-a suavemente enquanto depositava beijos eu seu pescoço. O corpo dela estava totalmente relaxado e ela suspirava com cada toque mais forte que eu deliberava em seus ombros.
— No que você está pensando? — perguntei, beijei um ponto atrás da sua orelha, fazendo-a se afundar nos meus braços.
— Na gente. — ela respondeu. — Em quando a gente estava na faculdade.
— Lembro do dia que fui na biblioteca só para te ver. — falei, sorrindo.
— Você não foi para me ver, você precisava de um livro de código penal. — ela replicou, virando-se para mim.
— O livro era só uma desculpa. — retruquei, deslizei meu polegar na bochecha dela. — Eu só queria ver você.
Ela soltou um risinho.
— Balela!
— É sério. — afirmei. — Eu só não entendo por que você usava aquelas roupas feias.
Ela deu um gargalhada alta e me encarou.
— Eu era sexy, Oliver... Admita! — exclamou.
— Sim, você parecia uma vovozinha muito sexy. — retruquei, mas me arrependi logo em seguida, pois ela me deu um soco no peito. — Isso doeu. — falei, esfregando a região dolorida.
— Fazia parte do disfarce. — ela começou a explicar. — Eu precisava ficar longe do seu radar. E como você só enxergava garotas como a Tifany...
— Era Brithany. — interrompi Felicity que me lançou um olhar mortal, eu estremeci no mesmo instante.
— A então você ainda lembra o nome dela? — questionou, seu tom era calmo, mas seu olhar entregava o seu ciúme.
— Ela era gostosa mesmo.
— Oliver!
— Mas você é muito mais gostosa que ela. E nenhuma roupa, por mais feia que fosse, esconde o quanto você é linda.
— Está querendo ganhar pontos a seu favor? — ela se aproximou e me encarou.
— Eu consegui? — ela sorriu e me beijou.
— Você sempre consegue.
Ela voltou a me beijar, mas dessa vez mais intenso e voraz. Ela rastejou para cima de mim e continuou me beijando, e então parou do nada e me encarou.
— Casa comigo, Oliver? — nossa! A sua proposta me pegou totalmente de surpresa. Mas eu não conseguia pensar em outra resposta além do sim. Era tudo que eu mais desejava.
— Amanhã?
— Quando você quiser.
Ela se agachou e me beijou. Acabamos selando nosso compromisso e adiantando a nossa lua de mel.
[...]
— Eu não quero mais. — Felicity disse, tombando ao meu lado da cama, gotículas de suor desciam pela sua testa e seu peito subia e descia com força.
— Você não quer mais transar?
Ela virou-se e me beijou calidamente.
— Isso eu quero.
— Então o que você não quer mais? Se casar comigo? — questionei, segurando meu rosto para poder encarar os olhos dela.
— Isso eu também quero. — juntei minhas sobrancelhas, ou Felicity estava louca ou eu estava louco. — Não quero fazer parte dessa força tarefa que Dig está montando. Não quero arrumar mais encrenca. Não agora que estou me sentindo completamente Feliz. E não quero que você saia atrás do meu pai, sei que Dig consegue fazer isso sozinho.
Ela segurou meu rosto.
— Quero ficar com você e o nosso filho.
— E como vamos fazer isso? — indaguei, me virando para poder observar a expressão séria da minha noiva. — Temos um acordo com o exército e o FBI. Não podemos sair antes de prender o seu pai.
Felicity rebateu no mesmo instante.
— Podemos fugir. — sugeriu, erguendo uma sobrancelha. — Vamos para Vegas e nos casamos amanhã mesmo.
— Felicity, você sabe que não tem como a gente simplesmente fugir. — expliquei, tocando levemente sua bochecha. — Temos que ficar.
Felicity virou-se de costas para mim e bufou.
Rastejei até ela, beijei seu ombro, então seu pescoço e sua têmpora.
— Eu também quero sair. — arrumei os cabelos dela atrás da orelha. — Mas esse não é o momento. Se a gente fugir, o FBI vai atrás da gente.
— Merda! — ela praguejou, virando-se novamente na minha direção. — Você tem razão.
— Eu tenho. — concordei. — Mas podemos fazer assim, prendemos Noah e vamos para Vegas, casamos lá.
Felicity segurou meu queixo e olhou em meus olhos.
— E se algo der errado, Oliver? — notei o medo exalando das suas palavras. — E se algo acontecer com você, ou comigo, ou comigo? Algo que impeça a gente de ficar juntos.
Eu a beijei suavemente, tentando confortá-la.
— Nada vai acontecer com a gente. — sussurrei, deixei uma beijo em sua testa. — Eu prometo.
Felicity colocou os braços entorno de mim e deixou seu rosto de afundar no meu peito.
— Eu te amo tanto, Oliver.
— Ei, olha para mim. — Felicity ergueu o rosto e encarou meus olhos. — Eu também te amo, e prometo que vamos ficar juntos.
Eu não sabia se conseguiria cumprir a minha promessa, mas eu ia fazer de tudo para manter nós dois seguros.
[...]
Assim que o dia amanheceu recebemos instruções de Diggle. Alguns homens da força tarefa que Dig montou para prender Noah, conseguiram interceptar uma transação de armas que estava sendo feita pelos homens de Noah, parece que após uma troca de tiros a força tarefa conseguiu capturar um dos capangas Kuttler e agora ele estava em uma das salas do FBI. E Diggle queria que nós dois o interrogássemos.
— Eu espero que esse inferno acabe hoje. — disse Felicity, guardando o celular no bolso.
Nós partimos para o FBI. Quando chegamos, Diggle nos encaminhou para a sala de interrogatório, aonde estava o capanga que a força tarefa havia capturado. Antes ele passou algumas instruções, precisávamos tirar o máximo de informações possível do capanga, principalmente aonde estava se escondendo Noah.
Felicity entrou na sala e eu entrei logo atrás dela. Quando o capanga me viu arregalou os olhos. Era o mesmo que me enterrou vivo, o que tinha o sotaque alemão e se chamava Fritz.
— Assustado? — indaguei, encarando Fritz.
— Mas... como?
— Pois é, como você me colocou em uma cova e agora eu estou aqui, bem na sua frente?
— Eu devia ter metido uma bala na sua cabeça.
— É você devia, porque agora quem está com problemas é você.
Felicity que estava avulsa da conversa pigarreou, chamando a minha atenção e de Fritz.
— Nossa, a filha gostosa do chefe. — soltou Fritz.
Felicity que estava me encarando, passou a olhar para o homem na nossa frente. Ela caminhou para perto dele e se agachou, pressionando as mãos na mesa de metal. O olhar que ela disparou para Fritz o fez engolir em seco.
— É melhor você parar de gracinha. — ela disse. — Por que eu vou descobrir o seu nome, vou descobrir o nome de todos da sua família e se eu entregar essas informações para o exército, você irá se cagar nas calças.
Nossa! Eu nunca vi Felicity falar com ninguém dessa forma. Isso assustou Fritz, porque ele não fez mais nenhuma gracinha.
— Você trabalha para Noah Kuttler? — Fritz assentiu. — Onde ele está?
Fritz deu uma gargalhada após a pergunta que Felicity fez.
— Acha mesmo que vou falar onde ele está?
Felicity ajeitou a postura, mas continuou encarando Fritz.
— Eu acho que vai. — rebateu. — Onde ele está?
Fritz não sorriu dessa vez, ele apenas ficou quieto. Felicity assentiu com a cabeça e saiu da sala. Eu fui atrás dela.
— O que vai fazer?
— Você viu como ele ficou com medo quando falei da família dele? — eu assenti. — Talvez a fidelidade que ele tem ao meu pai não resista a uma ameaça verdadeira, então vou coletar informações.
Ela foi até a mesa dela e sentou-se na frente do computador. Em poucos minutos Felicity tinha colhido todos os tipos de informações de Fritz, ele tinha uma mãe, claro, dois filhos, e precisou fugir da Alemanha porque matou muitas pessoas.
— Pronto. — ela levantou, com várias cópias de informações de Fritz. — Vamos tentar conversar com ele novamente.
Ela caminhou de volta para a sala. Entrou e começou a espalhar sobre a mesa tudo que tinha encontrado sobre Fritz no banco de dados do FBI. Fritz ficou de cabeça baixa, encarando uma fotografia dos filhos.
— Eu Disse que conseguiria várias coisas sobre você. — ela cruzou os braços e ficou olhando para Fritz. — Agora você vai me falar aonde está Noah Kuttler.
— Eu não falo para você e você entrega essas informações para o exército. — ele diz. — Eu falo aonde está Noah e ele manda matar meus filhos e a minha mãe. Acha que isso é uma escolha justa?
Felicity me encarou. Não, não era justo usar a família de Fritz, são apenas crianças e uma senhora. Se queríamos arrancar informações dele, íamos ter que fazer diferente.
— Podemos proteger sua família. — falei. — Entramos em contato com autoridades alemãs e enviamos ajuda para sua família. É só você falar tudo que sabe sobre Noah Kuttler.
— E depois vocês me deportam para a Alemanha e eu sou preso.
— Você cometeu crimes precisa pagar por eles.
Fritz riu após o que falei.
— Fritz. — disse Felicity, ela sentou-se em frente o homem. — Eu sei que é uma escolha difícil, mas vejo que nessa faca de duas pontas, você quer escolher o que é melhor para os seus filhos, percebo que você se preocupa muito com eles. — ela diz, fazendo Fritz prestar atenção. — Meu pai abandonou a própria filha, você acha mesmo que ele vai ser fiel a você como está sendo a ele? Na primeira oportunidade ele vai acabar com você e sua família. — ela encarou os fundo dos olhos dele. — Não abandone seus filhos como Noah me abandonou, eles nunca vão ter perdoar.
— Vocês vão mesmo proteger meus filhos?
— Eu prometo que vamos. — falei. — Você só precisa nos contar aonde Noah está escondido.
— Eu não sei. — disse Fritz. — Ele tem várias propriedades aqui, nunca sei ao certo onde ele fica. Ele registra as propriedades com um nome falso.
— Qual o nome dela?
— Eu não lembro, acho que é. — Fritz fechou os olhos e apertou as mãos ao redor da cabeça. — Dianna.... Dianna Hastings. Isso, esse é o nome dela.
— Okay.
Saímos da sala e passamos a informações para John. Ele reuniu a força tarefa enquanto Felicity pesquisava as propriedades no nome da mulher que Fritz nos informou.
— Achei. — ela disse. — São três propriedades. Um casa de campo e duas coberturas em Manhattan.
John dividiu a força tarefa em três grupos. Cada grupo ia para uma das propriedades. Felicity determinou que íamos para a casa de campo, ela disse que lembra que o pai dela falava muito sobre casas de campo, que era sonho dele morar em uma.
— Vou testar o drone. — disse Felicity, pegando um controle remoto. — Ele consegue verificar se há calor corporal dentro da casa, assim vamos saber se ele está ali dentro e quantos homens estão com ele.
Ela colocou o drone para sobrevoar a construção enquanto Jones olhava as imagens pelo talet.
— Tem gente dentro da casa. — afirmou Jones, nos mostrando os pontinhos vermelhos nas imagens do tablet. Pelos menos seis pessoas.
— Conseguimos lidar com eles. — disparou Felicity. — Estamos em dez.
— Ainda é perigoso. — rebato.
— É nossa única chance, Oliver.
— Eu não sei. — observo. — Parece fácil demais.
— Eu sei, mas é agora ou nunca, Oliver. — Felicity me encarou. — Vegas, lembra?
É claro que eu lembro. Não paro de pensar nisso, em quando tudo acabar e nós finalmente poder nos casar, mas tudo está muito fácil, eu sinto que há algo errado. Não sei o que é, mas Noah é muito esperto para simplesmente estar dentro dessa casa esperando por nós.
— Vamos invadir!
O grupo começou a se organizar após a ordem de Felicity. Eu resolvi ficar calado, havia duas possibilidades, ou Noah está ali dentro e nós conseguimos ou Noah está longe daqui.
— Beleza, vamos! — Jones e Smith foram na frente dando cobertura para o restante do grupo.
O primeiro grupo entrou e imediatamente iniciaram os disparos vindos de dentro da casa. Nós reagimos, atiramos novamente. E adentramos a residência. Havia três homens no primeiro cômodo, derrubamos os três e então adentramos a cozinha. Um dos homens veio para cima de Felicity e eu tive que atirar, prometi a mim mesmo que a protegeria. Após alguns segundos conseguimos neutralizar 5 das sete pessoas que estavam dentro da casa, e nenhum era Noah. Ele não estava na casa, nós olhamos por tudo e não o encontramos.
As outras duas propriedades também estavam vazias. Noah não estava em nenhuma e novamente tínhamos voltado à estaca zero. Felicity queria voltar para a sala onde estava Fritz, mas nós já tínhamos conseguido extrair todas as informações dele. A verdade é que Fritz também não conhece tanto Noah.
— O que vamos fazer agora? — Felicity andava de um lado para o outro.
— Calma. — falei, movendo-me até ela, parei na sua frente e segurei seus ombros. — Não vamos conseguir fazer nada de você continuar agitada desse jeito. — eu a abracei. — Respira, a gente vai conseguir.
Ela agarrou o tecido da minha e eu senti sua respiração quente e nervosa no meu peito.
— Estou cansada, Oliver.
— Eu sei. — afaguei as costas dela. — Eu também estou.
Ficamos um segundo abraçados, até o celular de Felicity começar a tocar. Ela se afastou e retirou o celular do bolso, checou a ligação.
— Minha mãe. — falou, virando a tela do aparelho para mim. — Oi mãe. — a faceta de Felicity ficou pálida e seus olhos se arregalaram. — Escuta aqui seu desgraçado se você fizer algo com eles, eu juro que eu te mato!
Naquele momento todos os meus pensamentos positivos explodiram. Não tinha como pensar em tudo acabando bem depois daquela ligação.
— Ele está com minha mãe e o Jeremy.
Eu peguei o celular da mão de Felicity e coloquei na orelha, mas a ligação já havia sido encerrada.
— Aonde ele está?
Felicity engoliu em seco.
— Na casa que Diggle deixou eles. — respondeu. — Ele disse que quer conversar, que não vai machucar ninguém e é para eu ir encontrar ele. — Felicity me encarou. — Sozinha.
— Eu não vou deixar você ir sozinha, Felicity.
— Nós não temos escolha. — rebateu. — Nosso filho, minha mãe, eles correm perigo, temos que fazer do jeito dele.
— Vamos fazer do nosso jeito. — rebati. — Juntos.
Não avisamos Diggle, nem o general. Apenas Felicity e eu sabíamos, e seria desse jeito. Coloquei escutas em Felicity e uma câmera de corpo. Partimos apenas nós dois para a casa em que estava Jeremy e Donna. Paramos duas quadras antes da residência do FBI. Felicity desembarcou e foi sozinha. Tínhamos uma palavra de segurança, se Felicity falasse casamento, eu entrava.
— Nada pode dar errado, nada. — sibilei, olhando para as imagens que a câmera de corpo me fornecia.
Felicity já havia entrado no quintal da casa, estava chegando perto da porta que ela nem precisou bater, Noah abriu para ela. Eu não conseguia ver o rosto, mas eu conhecia a voz dele.
— Filha. Seja bem-vinda. — ele disse, afastando o corpo para o lado. — Entre e sente-se, chegou bem na hora do chá.
— Não me chame de filha. — Felicity falou baixo, mas eu pude escutar, ele riu.
— Antes, me dê a arma. — ordenou Noah.
Ela deu a arma para ele e adentrou o imóvel. Pude ver Jeremy sentado no chão, ele estava tranquilo, brincando com peças de lego, também foi possível ver Donna, ela estava sentada em um sofá da casa, ao contrário de Jemy, ela não estava tranquila e nem confortável.
— Donna, sirva o chá para nós. — disse Noah. — Temos uma longa conversa pela frente.
— O que você quer? — indagou, Felicity.
Pude escutar o riso de Noah.
— Sente-se, Felicity. — ele apontou para a poltrona ao lado de Donna. — Vamos colocar o papo em dia.
— Você não está esperando que eu seja amigável com você depois de tudo que fez. — a voz de Felicity estava carregada de raiva perante do pai que a abandonou, mas Noah continuava inabalável.
— Eu sei que o que fiz foi terrível, mas eu só queria dar uma vida melhor para minha família.
— Que família? — devolveu Felicity. — Você nos abandonou, nunca nos deu notícias, agora que tem um monte de gente atrás de você, vem com esse papinho de dar uma vida melhor para a sua família, me poupe, Noah! — Felicity se ajeitou na poltrona e agora a câmera focava em Noah sentado no sofá, de frente para ela.
— Tome seu chá. — Noah segurou a xícara e a levou aos lábios.
— Eu não gosto de chá! — Felicity largou a xícara na mesa de centro. — Me diga logo o que você quer com a gente e pare com essa ladainha de família, você perdeu sua família assim que escolheu nos abandonar.
— Me magoa você achar que estou aqui por interesse. — Felicity solta uma gargalhada.
— E por que mais estaria aqui?
Noah levantou-se com a xícara de chá e bebeu mais um gole, então soltou o utensílio sobre a mesa de centro e se agachou perto de Jeremy. Felicity levantou-se de imediato e pegou Jeremy no colo.
— Não chega perto dele. — ela se afastou do pai. — Me diga logo o que você quer.
Noah a encarou, não tinha mais aquela expressão tranquila no rosto.
— Que vocês parem de tentar me pegar. — respondeu, sentando-se novamente no sofá. — Ainda não perceberam que sou mais esperto que vocês.
Felicity virou-se para Donna e entregou Jeremy para ela. Por mais discreta que Felicity fosse, eu ainda consegui escutá-la pedir para Donna se afastar.
— Eu não tenho esse poder. E você sabe que jamais vai conseguir se livrar do FBI. — Noah levantou-se e cambaleou para o lado, então ele virou-se para Donna.
— O que você colocou nesse chá?
— Mãe, saí! — exclamou Felicity.
— Fica aí, Donna.
Eu não esperei a palavra de segurança, a coisa estava saindo do normal. Desembarquei do carro e saí correndo em direção a residência, as pessoas que mais amo estão lá dentro, correndo perigo. Não entrei pela porta da frente pois sabia que eles estavam na sala e se entrasse ia deixar Noah muito bravo. Invadi a casa pela porta dos fundos, atravessei a cozinha.
— Ninguém vai para lugar algum.
Eu cheguei até a sala, Noah estava de costas para mim, ele apontava uma arma para Felicity, eu senti meu coração acelerar ao vê-la em perigo. Ela estava na frente de Donna e Jeremy, os protegendo e assim que me viu balançou a cabeça e sorriu, as ações de Felicity fizeram com que Noah virasse e olhasse para mim, Felicity disparou na direção dele, mas antes que força de Felicity o jogasse no chão e o nocauteasse, a arma dele disparou e eu caí.
— Não... não... não. — a voz de Felicity. — Oliver! — ela correu na minha direção e começou a levantar a minha camisa. — Merda Oliver!
Eu não sei o que me fez começar a rir naquela hora, mas foi incontrolável. Por um momento eu pensei que ia morrer, mas a bala estava penetrada no colete, não em mim, mesmo assim doía pra cacete. Felicity estava enchendo o meu rosto de beijos e a única coisa que eu conseguia fazer era rir e gemer de dor.
— Meu deus, Oliver. — ela sussurrou, sentando-se ao meu lado. — Você quase me matou de susto, porra!
— Eu acho que acabei de quebrar umas duas costelas.
— Com certeza você quebrou.
— E Noah?
— Ele vai dormir por um bom tempo, coloquei uns remedinhos no chá dele. — disse Donna, caminhando até nós. Jeremy também veio correndo e sentou ao meu lado.
— Vuxê tá machucado, papai?
Eu olhei para o rostinho do meu filho.
— O papai vai ficar bem.
A dor ainda era muito forte para eu tentar fazer qualquer movimento, mesmo assim puxei Jeremy para perto e o abracei apertado.
— Vou ligar para a emergência. — Felicity se afastou. — E para Diggle.
Em poucos minutos Diggle já estava na casa e eu estava a caminho do hospital. Felicity está sentada ao meu lado dentro da ambulância, eu sinto seus dedos apertados ao redor da minha mão. Olho para ela.
— Vamos para Vegas. — solto, fazendo-a rir.
— Você quebrou uma costela, depois falamos sobre isso.
— Vamos para Vegas depois do médico me examinar. — insisti.
Ela se curvou e aproximou a boca da minha.
— Vamos. — me beijou calidamente.
[...]
É claro que não fomos para Vegas naquele dia. Tudo havia sido uma grande loucura, então naquela noite optamos esperar mais um mês ou dois. Até tudo se organizar, então partimos para Washington, Donna não aguentava mais ficar em NY, rever o ex marido que a abandonou era demais e ela prometeu jamais voltar para NY, claro que Felicity concordou com a mãe.
O tiro que levei me deu de brinde uma tipoia, mas fui muito mimado por Felicity, esse foi o lado bom de quebrar uma costela.
A prisão de Noah garantiu a minha dispensa amigável do exército. Finalmente eu estava livre. Agora era um homem desempregado. Felicity também se afastou por completo do FBI, ou seja, na verdade, somos dois desempregados. No entanto, estamos em Las Vegas, prontos para o nosso casamento, nós até tentamos esperar 1 mês, mas não conseguimos esperar 24 horas, no dia seguinte estávamos comprando a passagem e embarcando no avião.
As portas da pequena capela de paredes rosas se abriram e minha noiva entrou. Ela estava linda, a noiva mais perfeita que eu já vi em toda a minha vida. Meus olhos observaram cada parte dela, o vestido curto branco, o cabelo preso com uma flor, a boca vermelha, os olhos azuis cintilando, linda, a coisa mais linda do mundo. Felicity encarou meus olhos e seu sorriso ficou maior. Céus, que privilégio o meu casar com a mulher mais incrível que já conheci.
Ela parou na minha frente e me deu a mão.
— Você está linda. — sibilei, e dei um beijo na sua testa.
— Não acredito que estamos mesmo fazendo isso. — suspirou.
— Estamos.
Ficamos um de frente para o outro no altar, o juiz de paz iniciou seu discurso, eu não conseguia tirar meus olhos de Felicity, meu coração estava pulando mais que pipoca, acho que poucas vezes na vida me senti tão feliz, e em todas elas Felicity estava metida no meio. Eu amo tanto essa mulher, porra, eu a amo demais.
— Você, Oliver Queen aceita Felicity Smoak como sua legítima esposa?
Meus olhos se fixaram nos dela.
— Sim. — respondi.
— Você, Felicity Smoak aceita Oliver Queen como seu legítimo esposo?
Ela sorriu.
— Sim.
— Pelos poderes a mim investidos, eu os declaro marido e mulher. — disse o juiz. — Pode beijar a noiva.
Eu a beijo apaixonadamente.
— Eu te amo, Felicity Smoak Queen.
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