Wonderwall.
13 Abortar missão.
Notas iniciais
Deitada perto de você.
Sentindo seu coração batendo.
E eu estou pensando sobre o que você está sonhando.
Querendo saber se sou eu quem você está vendo.
Então eu beijo seus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos.
E eu só quero ficar com você.
Neste momento para sempre, para sempre e sempre.
I Don't Wanna Miss a Thing — Aerosmith — cover Hollie Aires.
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Abri meus olhos lentamente, encontrando o azul profundo dos de Oliver, seus olhos tinham um brilho novo para mim, que eu não conseguia distinguir, e ao mesmo tempo sentia que era algo bom, ele ficou calado, apenas fazendo um carinho delicado nos meus cabelos e me fitando, seus lábios contraídos, formando um sorriso pequeno e encantador. Meu corpo estava aquecido pelo dele, a sensação era uma das melhores que já havia sentindo, e ela sugava toda a minha vontade de levantar daquela cama.
Aconcheguei-me nele, pressionando minha testa contra seu peito, escutando o ritmo tranquilo do seu coração. Oliver passou o braço por meu ombro, me abraçando forte, protegendo-me de qualquer coisa, e eu pensando que era eu quem o protegia. Depois da noite que tivemos eu não consigo negar que o que sinto por ele é muito forte. E ao chegar nessa conclusão penso em tudo que passei ao lado de Oliver até hoje, o peso da mentira aumenta ainda mais o meu medo de perdê-lo. Se Oliver souber toda a verdade, estarei perdida.
Eu aceitei essa missão porque tinha um único objetivo, conseguir uma promoção, eu sabia que se fizesse meu trabalho direitinho, degrau por degrau, uma hora ou outra eu conseguiria a tão sonhada promoção, conseguiria atuar como uma verdadeira agente especial, nas ruas de Nova York, disfarçada, e prendendo traficantes. Agora, sinceramente, não sei mais o que eu quero.
Se conseguir a promoção, sairei da faculdade e isso me afastará de Oliver, e eu não conseguiria pensar em outra pessoa para protegê-lo, outra agente bonita tomando o meu lugar, se encantando por ele, da mesma forma que eu. Ou um agente fraco demais, incapaz de acompanhar a energia de Oliver. Mas, meu trabalho ainda é prioridade, continuarei o protegendo, e mentindo sobre quem sou de verdade.
Oliver afagou meus cabelos e pressionou os lábios contra minha têmpora, puxando-me de volta para ele, para seus olhos tão intensos e profundos, eles queriam me dizer algo, uma coisa simples, mas que eu não conseguia entender. Acariciei sua bochecha com a ponta dos meus dedos e aproximei nossas bocas, tocando levemente meus lábios nos dele.
— Eu tinha planos. — Oliver sussurrou, sua mão subiu sutilmente pela extensão das minhas costas, provocando-me arrepios, ele fechou os olhos e suspirou. — Trazer café da manhã na cama para você. — sorri e pressionei nossas bocas, beijando-o lentamente.
— Eu nem estava pensando em café da manhã. — murmurei, estampando um sorrisinho malicioso nos lábios. Talvez em grande parte eu estivesse mentindo, eu queria que ele trouxesse café na cama para mim, Oliver romântico é irresistível, porém a figura sem camisa na minha frente é ainda mais.
— Isso é você provocando meu autocontrole? — ele questionou, passando o braço pela minha cintura.
— E eu preciso? — retruquei, ficando de joelhos sobre o colchão, segurei os ombros de Oliver e o empurrei, ele me puxou para cima dele e segurou meu rosto.
— Você sabe que não precisa, sou completamente louco por você. — ele sussurrou, enquanto distribuía beijos em meu pescoço.
— Louco é uma palavra muito forte. — resmunguei, entre risos, a barba rala de Oliver proporcionava cócegas em meu pescoço e eu me contorcia para me livrar do domínio dele.
— Maluco? Doido? Pirado? — ele questionou, dando continuidade ao seu ataque.
— Maluco, é um termo mais apropriado. Ele ameniza. — respondi. Rolei para o lado da cama, mantendo meu pescoço longe da barba dele. — O que vamos fazer hoje?
— Eu não sei. — Oliver pressionou a nunca sobre minha barriga, e fitou o teto, afaguei seus cabelos, enquanto ele pensava em alguma coisa. — Está chovendo, acho que é uma ótima opção ficar o dia todo na cama. — ele virou o rosto e ergueu minha blusa, começou a beijar toda minha barriga. Agora o alvo das suas cócegas era outro.
— Não podemos ficar o dia inteiro na cama. — rebati, tentando cobrir minha barriga com a coberta.
— E por que não? — indagou, erguendo o rosto e cravando seus olhos intensos nos meus, como sempre eles são bem persuasivos, mordi os lábios e respondi:
— Porque se eu fizer isso, estarei te acostumando mal. — O semblante de Oliver mudou, ele estava tentando parecer ofendido, o que não funcionou comigo.
— Não sou um cachorrinho, Felicity, e nem o Mogus. — disse, rastejando, até seus lábios estarem perto dos meus.
Dei um sorriso e selei um beijo lento nele. Eu sabia que tudo que meu corpo desejava era aceitar a proposta de Oliver, e não tinha cabimento algum querer ir a qualquer outro lugar que não fosse seus braços, eu me sentia confortável neles, me sentia protegida e em casa, era como se nada faltasse e, existisse apenas nós dois, livres de qualquer ameaça.
Com muitos beijos, trocas de carinhos e muitas provocações nossa manhã passou mais rápido do que eu desejava. Estar como Oliver era como estar correndo contra o relógio. Enfim, quando a fome tomou conta de nós dois, levantamos. Por causa da chuva o ar estava gelado, Oliver me deu uma blusa dele, com seu perfume impregnado no tecido macio, não era como estar nos braços dele, apenas uma pequena amostra quente e confortável.
— Vou fazer almoço para a gente. — ele comentou, me dando um beijo suave na testa, para depois sair do quarto.
Levantei, sentindo o carpete grosso do chão. Arrumei a cama que estava toda revirada, enquanto lembrava-me de cada detalhe da nossa noite. Ela foi tão perfeita, que não consigo pensar em outra que venha antes. Oliver foi tão carinhoso e cuidadoso comigo nesses últimos dias, não é novidade alguma que eu esteja tão envolvida com ele. Não consigo nem pensar em me afastar agora.
Abro as cortinas da janela e observo as gotas grosas de água caírem continuamente, algumas de desmancham quando encontram o vidro, se transformam em minúsculas gotas da água da chuva e deslizam. Agarro o moletom de Oliver e inalo seu perfume, seria ótimo ter essa jaqueta sempre por perto, para usar quando ele estiver longe. Por um momento penso na possiblidade de tê-lo longe, longe o bastante para que eu precise usar essa jaqueta apenas para lembrar do seu cheiro, isso me deixa irritada e com medo. Afasto o pensamento.
— Ei. — escuto sua voz carinhosa logo atrás de mim. Antes mesmo que eu me vire, os braços de Oliver me abraçam e ele beija meu pescoço, seu toque esparrama calor por todo meu corpo.
— Você não consegue ficar um minutinho longe de mim? — provoco, Oliver emite um suspiro e posso afirmar que ele está sorrindo.
— Um minuto sim, mais de cinco é muito difícil. — ele responde. Eu sorri e me aconchego em seus braços. Um longo silêncio tomou conta do recinto, ambos olhávamos para a janela, até Oliver abrir a boca uma ou duas vezes e perguntar, de repente. — Namora comigo? — Fiquei surpresa, embasbacada e sem saber o que falar. Não sabia nem se conseguia me mexer, respirar tinha se tornado uma atividade difícil. — Tenho muitos argumentos.
Eu me virei no círculo de seus braços, curiosa para saber quais seriam esses argumentos.
— E quais são eles? — indaguei, com os olhos cravados nos dele.
— Você é especial para mim, Felicity. — ele pegou minha mão entre as dele. — Entre todas as pessoas que me envolvi, você é a única que significa algo para mim, não vou mentir, as outras garotas eram descartáveis, e agora meu maior medo é que você me descarte quando meu tempo acabar. — arqueei as sobrancelhas.
Então me lembrei que perdi a aposta e isso concedeu a Oliver uma semana para tentar de uma forma me conquistar, é claro que ele omitiu isso, mas eu sabia desde o inicio suas intenções. Uma semana que eu pensei que seria intragável, estava errada. Uma maldita semana que me aproximou dele. A melhor semana que tive desde que aceitei esse trabalho. Oliver continuou seus argumentos.
— Nunca pensei que fosse gostar de alguém como gosto de você. É bem possível eu estar apaixonado. — seus olhos brilharam, libertos daquilo que eu enxergava pela manhã e não conseguia identificar.
— É bem possível que seja reciproco. — sussurrei de volta.
— Por que temos que pensar no que já temos certeza?
— Não disse que precisava pensar.
— Tive medo que usasse isso como argumento. — ele sorriu nervoso. — Qual é sua resposta?
Oliver de alguma forma sabia que usaria o argumento: Preciso de um tempo para pensar. E pensou em uma maneira de me desarmar. Eu realmente precisava pensar, mas diante dele, dos seus olhos persuasivos e depois de tudo que ele usou como argumentos, estava disposta a mergulhar em uma piscina rasa, onde eu sabia que no fim ia me dar mal.
— Gosto de cada parte sua, não sei se consigo conviver sem elas. — ahh como Oliver consegue ser tão doce e intenso ao mesmo tempo? Como posso estar a um passo de aceitar um relacionamento sério com o cara que tenho o dever de proteger?
Quando foi que me meti nessa bagunça?
Diminui a distância que existia entre Oliver e eu, passei meus braços entorno do seu abdômen e relaxei minha bochecha em seu peito que emanava o mais profundo calor, que chegava até os meus ossos. Eu sabia a resposta para a minha pergunta, tudo começou quando Robert surgiu com a “ótima” ideia de me aproximar do seu filho. Se soubesse que aquilo ia se transforma nisso, nunca teria aceitado.
Posso abortar a missão, mas não quero. Não acho que exista alguém que eu confie para proteger Oliver.
— Eu aceito. — falei por fim, olhando em seus olhos.
No final, essa era a minha missão mesmo.
— Eu achei que ainda usaria um tempo para pensar como argumento. — eu sorri. Oliver tomou meus lábios para ele, beijando-me de forma lenta e doce, demonstrando o quanto significava para ele. Não queria que nada atrapalhasse aquele momento, mas meu medo, minha preocupação e principalmente a culpa estavam martelando na minha consciência.
— E se no fim eu for uma decepção para você? — perguntei baixinho, enterrando meu rosto em seu peito.
— Por que está me perguntando isso? — questionou, pegando meu queixo e erguendo meu rosto.
— Porque eu... eu. — suspirei, frustrada por não conseguir dizer a verdade. — Deixa para lá, é só receio. — mordi o lábio. — E o almoço que você ia fazer?
— Bem lembrado, deixei no fogo. — Oliver segurou minha mão e me puxou porta afora.
Estava mais enrolada do que nunca.
[...]
Depois do almoço, ficamos no sofá, assistindo um filme. Não foi diferente da manhã, trocamos beijos e caricias durante todo o tempo, igualzinho um casal apaixonado. Depois de dois filmes, que entendemos poucas coisas, eu dei mais um beijo em Oliver e caminhei rapidamente para a lavanderia, onde tinha deixado minhas roupas secando. Tinha que ir para casa, tinha um gato para alimentar.
— Você já está indo? — Oliver questionou, a me ver sair da lavanderia com a trouxa de roupas na mão.
— Sim. — respondi. — Tenho que ver se está tudo bem com Mogus. — acrescentei, andando para o quarto dele.
Enquanto eu me vestia, Oliver ficou parado na porta, com os braços cruzados, me observando. Seu olhar cheio de desejo me deixava tentada, mas terminei de me vestir, sentindo ter de me afastar da sua jaqueta. Podia usar o frio como desculpa.
— Posso levá-la? Estou com frio. — pedi, apertando o tecido, Oliver sorriu e balançou a cabeça.
— Pode sim. — respondeu.
— Vamos a algum lugar hoje à noite?
— Podemos jantar juntos. Depois damos uma passada no bar da Nyssa, por causa de ontem.
— Ah sim, ás nove então. — resmunguei. Não sabia se estava pronta para voltar para aquele bar, apesar de Nyssa ser uma pessoa agradável, eu não conseguia me esquecer da cena ridícula de ciúmes que tinha feito.
— Algum problema?
— Não, tudo bem. — respondi, andando até Oliver, joguei meus braços entorno do seu pescoço, e ele passou os deles pela minha cintura. Fitei seus olhos. — Preciso ir.
— Vou te levar. E fico lá com você.
— Não precisa. Meu aparamento está uma bagunça, preciso organizar algumas coisas. — argumentei, tinha certeza que não era meu apartamento que precisava ser organizado, e se não bastasse a minha bagunça interna, ainda tinha que falar com John. — Além do mais, se ficarmos o tempo inteiro junto, vamos acabar enjoando um do outro.
— Ás vezes penso que você me usa apenas como objeto. — ele resmungou, em tom brincalhão. Deixei meu queixo cair, fingindo estar ofendida.
— Depois da noite de ontem. — ponderei. — Objeto sexual, talvez. — Oliver riu e me beijou.
— Tá bom, tá bom, algumas horinhas não são nada. — murmurou, contra meus lábios, acariciando meus cabelos com as pontas dos dedos. — Quer as chaves?
— Não, vou caminhando. E a chuva deu uma folga agora.
— Está bem. — disse. — Pelo menos posso te levar até a porta?
— Claro.
Mas ele não me levou até a porta, e sim até o elevador, e se pudesse me levaria até a portaria, quando chegássemos lá, ele usaria seus olhos persuasivos e me faria aceitar sua companhia pelo resto do dia, se eu não fosse forte, é claro. Despedimo-nos com um beijo apaixonado, então entrei no elevador. As portas se fecharam e eu desabei. Pela primeira vez em tanto tempo, tive vontade de chorar. Apertei os olhos, sentindo um aperto na garganta, contei até dez e me livrei daquela angustia.
— Preciso me manter firme. — balbuciei, trazendo um pedaço da jaqueta de Oliver até meu nariz, sentindo o leve aroma de almíscar.
Quando cheguei em casa, Mogus estava deitado no braço do sofá. Ele percebeu que eu não estava muito bem, porque assim que me joguei no sofá, ele cobriu minhas coxas com seu pelo cinza e macio. Afundei meus dedos em seu pelo, e o gato começou a ronronar, retribuindo meu carinho. Antes tudo que eu achava confortável, era o meu sofá e Mogus ao meu lado, agora eu sentia que faltava alguma coisa. Tão ridículo gostar de alguém.
Depois de alguns minutos sendo consolada por Mogus, ele pulou do meu colo e com a calda apontada para cima, Mogus desfilou até a cozinha. Levantei e o segui. Por sorte, tinha deixado bastante comida na tigela dele, apenas repus e troquei a água. Peguei meu computador e inicie uma chamada de vídeo com Diggle, seria mais fácil falar se estivesse vendo suas reações.
— Felicity. — ele cumprimentou, sem o tom profissional. — Estamos nos falando pouco.
— Eu sei, está tudo uma loucura. — comentei.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa? — questionou, preocupado. — É com o Oliver?
— Sim. — respondi. — Diggle... Estou gostando dele.
— Ah meu Deus, é uma afirmação. — ele concluiu. — Como isso aconteceu? Felicity, eu te coloquei nessa missão porque te julgava capaz de se envolver sem — ele se deteve antes de falar: — sentimentos.
— Ah John, sou humana. — explodi. — Do jeito que você fala, pareço uma mulher fria, sem sentimentos. Não sei como aconteceu, apenas aconteceu.
— Não te acho fria. É que sempre colocou o trabalho na frente de tudo. — argumentou, e não tinha como eu negar.
— Ele também me contou o nome verdadeiro dele, contou sobre Robert.
Essa declaração fez o semblante profissional de Dig voltar, ele ponderou, respirou fundo e despejou tudo de uma só vez:
— Vou abortar a missão, te tirar daí agora. Oliver revelou algo que não podia falar a ninguém. A ideia maluca de Robert colocou a missão em risco, e se fosse outra pessoa? Um inimigo e Oliver falasse tudo? Estaria morto á essa altura.
Imaginar Oliver em perigo me causa calafrios, morto então, parece que estou perdendo o chão.
— Vou agendar uma reunião com Robert, repassar tudo que você me falou e entrar em um acordo para te tirar daí. — ele deu uma pausa, expulsou o ar dos pulmões e acrescentou. — Amanhã mesmo te tiro dessa missão.
— Não! — exclamei. — Não pode me tirar daqui. — Dig ficou ainda mais sério.
— Nos falamos amanhã, Felicity, preciso encerrar a ligação agora.
— John, não. — tarde demais, ele já tinha encerrado a chamada.
— Ah meu Deus. — suspirei frustrada.
Agora estava ferrada. A missão estava a um passo de fracassar. E podia ser minha última noite com Oliver. Seria tirada da missão antes mesmo do tempo dele acabar, estaria fora da sua vida no domingo, pelo que conheço de John, o mais cedo possível.
Ás horas até o jantar se arrastaram de vagar. Troquei de roupas umas três vezes, até resolver ficar com o primeiro que tinha experimentado. Um vestido tubinho, estampa corrida, gola redonda, mangas 7/8, com um longo zíper na lateral e renda nas costas. Deixei reservado um casaco longo, para usar por cima. Sandálias pretas. Optei por usar cabelos soltos e maquiagem leve. Queria estar bonita para o que talvez fosse minha última noite com Oliver.
Quando escutei o som da campainha, sequei as mãos suadas no vestido, respirei fundo andando até a porta. Oliver estava como sempre muito bem vestido em roupas normas, camisa azul marinho, jeans e tênis. Seus olhos percorreram todo meu corpo, com um brilho desejoso, mas ele se deteve nos meus olhos.
— Você está maravilhosa. — falou, tirando uma caixa de veludo de trás das costas. — Tenho uma coisa para você. — ele pegou minha mão carinhosamente e colocou a caixa sobre minha palma.
— Para mim? — ele assentiu.
— Abre. — estava curiosa demais, abri a caixa, encontrando uma pulseira com pequenas pedras azuis incrustradas ao redor.
Topázio. Reconheceria a pedra com clareza, uma vez mamãe disse que elas pareciam meus olhos.
— É linda, Oliver. — disse, olhando fixamente para a pulseira.
— Combina com seus olhos. — comentou, pegando a pulseira e colocando no meu pulso. — Vamos?
— Sim. Só vou pegar meu casaco e a bolsa. — ele assentiu. Fui até o sofá onde tinha deixado tudo, vesti o casaco e segurei a bolsa. Voltei para onde tinha deixado Oliver, ele pegou minha mão e nós saímos do meu apartamento.
O restaurante era agradável, a comida era deliciosa. Mas sentia que não estava sendo uma boa companhia para Oliver, fiquei o tempo todo em silêncio e quando ele me perguntou o que estava acontecendo, menti que mamãe tinha ligado e dito que não estava muito bem, assim, se eu sumisse repentinamente, Oliver acharia que tinha ido às pressas para Las Vegas. Depois do jantar, partimos para o bar da Nyssa, por sorte Brithany não tinha dado o ar da sua graça.
— Por conta da casa. — disse Nyssa, me entregando uma garrafa de cerveja. — Por ter acabado com Brithany ontem. — minhas bochechas esquentaram.
— Foi ridículo. — murmurei.
— Não foi. Acredite! Você mostrou para aquela vadia o lugar dela. — afirmou Nyssa. — Eu gostei.
— Você gosta de espetáculos, Nyssa. — apontou Oliver. — Ainda mais quando são mulheres, te excita. — Nyssa sorriu maliciosa.
— Aproveitem. Tenho que cuidar dos outros clientes.
— Está tudo bem? — questionou Oliver, quando Nyssa se afastou.
— Sim. Mamãe vai ficar bem. — respondi. — Vem, vamos dançar.
— Okay. — segurei a mão de Oliver e o puxei para a pista.
Meu corpo logo reagiu ao dele. Fiquei envolvida pela eletricidade que nos unia, pela forma que Oliver me tocava e beijava meu pescoço. As reações que só ele desencadeava no meu corpo logo me fizeram esquecer de tudo e pensar em apenas nós dois. Girei de supetão e selei um beijo urgente nos lábios macios dele, ele me puxou para mais perto, seus lábios deslizaram até meu ouvido.
— Vamos sair daqui? — sussurrou.
— Sim. — só passamos pelo balcão para pegar minhas coisas. Depois saímos correndo do bar e embarcamos no audi. Em questão de minutos estávamos no meu apartamento, tirando a roupa e caindo nus na minha cama.
A gente fez amor de forma lenta e intensa. Eu queria congelar aquela noite, não sabia se era a nossa última e não queria de jeito nenhum que fosse. Quando Oliver dormiu, fiquei um longo tempo olhando para ele. Poderia ficar a noite toda olhando para ele, escutando sua respiração tranquila. Desejei ficar perdida naquele momento, para sempre. Mas logo acabei adormecendo, e acordando pela manhã, com meu celular tocando dentro da bolsa.
Levantei, vesti a camisa de Oliver e andei pelo quarto, encontrando a bolsa caída perto da porta, peguei o celular, o nome de Dig pulava no visor. Instantaneamente o medo tomou conta de mim, não queria atender. Talvez se acordasse Oliver, contasse toda a verdade e pedisse para fugir comigo, não, no máximo ele me expulsaria da sua vida, não tinha para onde correr.
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