Wonderland

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Minha primeira fanfic, espero que gostem. Boa leitura! ;)

Hermione não podia acreditar no que via.

Era uma linda manhã de terça feira, final de maio, e o tempo estava agradavelmente quente. O sol brilhava sobre a pele da bruxa, esparramada com sua amiga, Amanda, nos gramados de Oxford.

E não, não podia acreditar que ele estivesse ali, em uma universidade trouxa. Hermione esfregou os olhos para ter certeza de que não era alguém parecido, ou uma insanidade momentânea.

Ele parecia mais magro e abatido do que ela se lembrava, mas era definitivamente Draco Malfoy.

— Gostou do calouro? – a voz de Amanda a chamou de volta à realidade.

— O que?... ah, não. A gente estudou juntos. Eu conheço ele.

— Antiga paixão? – a amiga perguntou com um sorriso malicioso no rosto.

— Deus, não! Ele era um imbecil. Me tratava super mal.

— Então vamos pensar em um trote bem ruim...

— Eu prefiro quebrar o ciclo, Mandy — a bruxa interrompeu. — Seguir minha vida sem trazer o passado junto.

— Sempre tão nobre – Hermione mostrou a língua pra ela enquanto a garota checava o celular. – Tenho que ir pra classe, a gente se vê no almoço.

Hermione tinha esse período livre e não conseguiu evitar ficar curiosa. Daria um jeito de saber porque ele estava aqui. Sua obstinação grifinória não a abandonara, pelo visto.

Depois que a guerra terminou vários voluntários ajudaram a reconstruir Hogwarts. Era de se esperar que com magia a escola fosse reconstruída num piscar de olhos, mas, na pratica, não foi bem assim. Demorou cerca de um mês só para colocar o castelo de pé novamente. E mais um mês para limpar, remobiliar e arrumar seu interior e, depois que os feitiços de proteção foram recolocados, a escola voltou a funcionar.

Os primeiros três meses foram uma espécie de recuperação, para concluir os estudos do ano perdido. Após esse período, se seguia com o ensino do ano em vigor. Havia de fato uma áurea negra no humor de todos pelas perdas da guerra, porém mais forte do que essa áurea era a união que se instaurou na escola. O senso de camaradagem e a vontade de aprender e ensinar exalavam dos poros de cada aluno e professor. Mcgonagall era uma diretora extraordinária e todos concordavam que Dumbledore foi substituído à altura. Porém Hermione não viu Draco naquele ano, novidade que deixou Harry e Rony no melhor dos humores.

Seu relacionamento com Rony durou até um pouco antes da formatura. Eles eram simplesmente muito diferentes e apesar do clima chato algumas semanas após o rompimento, eles voltaram a ser os amigos que sempre foram. Era amor fraternal o que sentiam um pelo outro afinal.

Depois de formada, Hermione decidiu se dedicar a Medicina. Medicina trouxa. É claro que eventualmente acabaria estudando a bruxa também. Ela queria ir a lugares remotos levando saúde e uma vida melhor para as pessoas e não podia sair por aí com uma varinha curando todo mundo e apagando suas memorias logo em seguida. Ela sabia muito bem o dano que um feitiço de memória podia causar.

Recuperar a memória dos pais depois que a guerra terminou foi mais difícil do que ela pensara. Ou estava sendo difícil. Ainda haviam buracos na memória de ambos, e esse também foi um dos motivos que a fez escolher a Medicina. Talvez se conhecesse melhor o cérebro humano ela encontrasse uma solução mais apropriada. Já estava no segundo ano e Draco Malfoy era a última pessoa que ela esperaria encontrar ali.

Ele saía agora da secretaria e olhava com desconfiança os arredores quando seus olhos caíram sobre ela. A bruxa viu a descrença se transformar em raiva no rosto do rapaz, que ficou parado por alguns segundos antes de sair andando com sua carranca habitual.

Típico, Hermione revirou os olhos e ouviu uma funcionária do campus a chamando.

***

O dormitório de Draco o recebeu, e era minúsculo. Seu quarto na mansão era maior que o apartamento inteiro, com seus dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Era ainda menor se contasse que teria que dividi-lo com um estranho. Parecia bem comum e genérico, e não inspirou muito conforto ao bruxo.

A julgar pelos pertences, seu colega já se instalara. Draco imaginou com pouco interesse que ele devia estar na aula, e jogou a si mesmo e a mochila na cama. De solteiro.

Não podia acreditar que tinha encontrado Granger ali.

Como é que se deixa o passado para trás se ele insiste em te seguir?

Passou a mão pelos cabelos se lembrando que a universidade tinha mais de vinte mil alunos. Se fosse para os lugares certos eles sequer teriam que se encontrar. Ela não costumava se meter em sua vida em Hogwarts e Draco esperava que ela mantivesse o mesmo hábito ali.

Se levantou para começar a arrumar suas coisas quando ouviu uma batida na porta. Revirou os olhos. Se o colega de quarto era burro o suficiente para esquecer a própria chave, sua estadia ali seria um inferno.

Ao abrir a porta, porém, foi Hermione Granger quem encontrou do outro lado.

— Bom dia – ela ofereceu educada.

— “Bom... dia”? – Draco repetiu confuso, quando a mulher com quem ele conversou na secretaria saiu de trás dela e começou a falar.

— Sr. Malfoy essa é a srta. Granger. Pedi que ela fosse sua guia pelo campus já que ela está com o período livre e o senhor acabou de chegar.

— Eu agradeço... — ele disse controlando uma crise de mal humor — ... mas não vejo necessid...

— Oh, não seja ridículo. Esse lugar é gigantesco – a funcionária interrompeu.

— Eu...

— Esplêndido! Tenham um bom tour – a mulher girou sob os calcanhares e partiu, deixando os dois se encarando desajeitados.

— Ela já foi? – ele perguntou depois de uma pausa.

— Já – Hermione respondeu levemente insegura.

— Ótimo, então você pode ir também. Eu tenho um senso de direção muito bom. Não preciso da sua ajuda – ele cuspiu para ela, mais grosseiro que o necessário.

— Acho que está subestimando o tamanho desse lugar, Malfoy. Eu mesma precisei de uma semana para parar de me perder. É quase tão grande quanto Hogwarts.

— E você quer me ajudar? – ele perguntou incrédulo.

— Como ela disse, eu tenho o período livre, então eu não me importo. E devo confessar que ver você aqui me deixou bastante curiosa.

Draco riu sem humor.

— E você acha que vamos andar lado a lado como velhos amigos, e eu vou te dar alguma satisfação da minha vida? Se toca, Granger!

Hermione recusou se deixar abalar pelo comentário. Ela já sabia que ele seria difícil.

— Por que está aqui, Malfoy? – ela insistiu ousada. — Você não precisa responder, é claro, mas eu tenho um palpite ou dois.

— É mesmo? A sabe-tudo adivinhou porque eu estou aqui então?

— Talvez. Minha aposta seria uma combinação de não-tenho-escolha com começar-uma-vida-nova.

— Você é realmente patética se acha que uma sangue-ruim igual a você entende qualquer coisa da minha vida.

— Eu não tenho mais doze anos, Malfoy. Me chamar de “sangue-ruim”, não me afeta mais. Especialmente porque eu sei que você não acredita nessa baboseira de status de sangue. Você não conseguiu matar Dumbledore, não nos entregou quando fomos levamos para sua casa, e o Harry me contou que aquele dia que vocês se atacaram no banheiro, você estava chorand...

Draco voou para cima dela num movimento súbito, a espremendo contra parede, sem sequer toca-la. Aquele fora um dos momentos mais humilhantes de sua vida e ter a sabe-tudo esfregando-o em sua cara não era algo que ele apreciasse.

A varinha de Hermione já estava em seu pescoço, mas Draco não recuou.

— Então você acha que me conhece, não é? – ele disse perigoso.

— Por que você fica tão ofendido por eu acreditar que existe decência em você?

— Porque não existe! Eu sou quebrado. Eu sou a porra de um desastre. E o mais importante: não quero a merda da sua ajuda. Vai usar sua psicologia grifinória com outro e me deixa em paz!

Ele finalizou virando as costas e batendo a porta do quarto atrás de si.

***

Um mês se passara desde que Draco apareceu em Oxford. Hermione estava dando o melhor de si para evita-lo e tinha certeza que ele fazia o mesmo. Eles apenas se avistaram uma vez em um dos corredores e outra no gramado, ambos os encontros marcados com a devida carraca do sonserino e um rolar de olhos de Hermione.

A bruxa usou todo seu autocontrole para não soltar todos os tipos de maldições para cima do herdeiro Malfoy quando ele bateu a porta em sua cara naquele dia, mas depois de uma guerra as pessoas tendem a evitar confrontos. Pelo menos as sensatas. Ela estava mais do que disposta a começar uma vida nova e podia dizer seguramente que teria aceitado um pedido de desculpas e considerado até uma amizade com ele.

Ok, talvez amizade seja forçar a barra, mas ela com certeza o aceitaria como colega. Pelo visto ela era a única com sentimentos nobres ali.

Era manhã de sábado e Hermione queria aproveitar para revisar a última aula do Dr. Gyllenhaal. Ela só precisava de café.

— Qual é o seu problema? – Amanda perguntou saindo de seu quarto com os cabelos bagunçados pelo sono.

— Bom dia pra você também – Hermione respondeu com um sorriso.

— Por que você acorda cedo num sábado? – a amiga gritou através da porta do banheiro.

— São dez horas.

— Exatamente. Você precisa poupar energia, têm festa hoje!

***

— Que festa? – Draco perguntou confuso à Hunter, seu colega de quarto.

Para surpresa do bruxo, eles viraram amigos quase que instantaneamente. Hunter o fazia se lembrar de Zabini, não apenas por ambos serem negros, mas por seu senso de humor sarcástico e personalidade festeira.

— Alice no país das maravilhas. Vai ser demais, como Halloween mais cedo. Cerveja e garotas de fantasias! O que mais um homem precisa, certo? – perguntou dando um tapa nas costas de Draco.

— Alice... no país de quê? – Draco perguntou confuso.

— Alice no País das Maravilhas! O livro? – Hunter o encarou como se ele tivesse feito a pergunta mais absurda do mundo.

— A gente tem que usar fantasias também? – Draco desconversou.

— Claro.

— Mas eu não tenho...

— Relaxa, mano. Eu vou arrumar alguma coisa — Hunter respondeu antes de pôr os fones no ouvido. – Vou correr agora, a gente se fala mais tarde.

Antes que Draco pudesse responder a porta já se fechara.

Isso era absolutamente irritante. O bruxo não entendia metade das coisas que Hunter dizia, mas não podia perguntar demais. O que diabos era “Alice no País das Maravilhas”? Ele odiava parecer um ignorante. Teria que passar na biblioteca e procurar essa droga de livro. Só esperava que não fosse muito longo e que ele pudesse ler até a noite.

***

— De jeito nenhum! – Hermione encarava a si mesma no espelho da loja.

— Amiga, você tá linda! – Amanda insistiu.

— Eu tô parecendo uma prostituta.

— Oh, não seja tão puritana – a garota reclamou.

— Não estou sendo puritana, mas o tamanho dessa saia é indecente. E pra que um decote desse tamanho? Alice é uma criança, pelo amor de Deus!

— Mas você não é – Amada a encoxou brincando.

— Não me sinto confortável nesse vestido. Fora que esse salto é grande demais, e eu vou cair, e pagar um mico no meio da festa. De jeito nenhum! – a bruxa decidiu se enfiando novamente no provador.

— Pois eu adorei! Se você não for com ele, eu vou!

— Fique à vontade – Hermione gritou de sua cabine.

No final ela escolheu uma fantasia de Rainha de Copas. O comprimento do vestido era apenas um pouco acima do joelho, mas tinha um pequeno decote. Amanda conseguiu convence-la a usar uma bota com um salto que não era tão alto. A fantasia vinha também com um cetro e uma tiara.

***

— Não tenho certeza se isso é uma fantasia de verdade, Hunter – Draco vestia calça e colete sociais cinza, com um sapato social preto e uma camisa branca. Que por sinal pertenciam a ele, a única coisa que o amigo lhe trouxera fora orelhas de coelho e um relógio de bolso antigo.

— Acredite, as fantasias não serão assim tão rebuscadas, você tá ótimo. Eu vou pegar minha cartola e pôr um tênis e a gente já vai.

O bruxo deu de ombros. Hunter não parecia em nada com o chapeleiro louco. Estava apenas com uma camisa e uma cartola igualmente coloridas, mas Draco não se importou o bastante para argumentar. Ao invés disso foi até a cozinha pegar um copo d’agua quando foi surpreendido por uma coruja entrando pela janela.

— Caralho! – ele se apressou em pegar a carta que ela trazia e a enxotou o mais rápido que conseguiu para que o amigo não a visse.

A insígnia do Ministério da Magia brilhava para ele, mas Draco não teve tempo de pensar se queria lê-la. Assim que Hunter apareceu em seu campo de visão, ele enfiou a carta no bolso e foi arrastado para festa.

Notas finais
Deixe suas opiniões, sugestões e críticas. E para os leitores novos: Vocês são muito bem vindos! Não importa se a fanfic já está terminada, quero ouvir sua opinião mesmo assim. Me conta se esta gostando!! ;)