Womanizer
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Mas uma ideia me passou pela cabeça: que tantos pecados Ana tem para viver tanto na igreja?
No final, isso aconteceu!
Obviamente Caetano é ''interpretado'' pelo Werner Tesudo Schunemann ♥ Não resisti.
Era impossível não notar quando ele passava.
Sua classe, bom porte e roupas devidamente bem ajustadas – mesmo que simples – já lhe entregavam: ele era um sedutor nato.
Tal como muitos de sua ‘espécie’, Caetano Monteiro era bem aprumado e possuía os olhos mais belos que Anastácia já havia visto em sua vida.
Obviamente, na época em que se conheceram, ela – pobre coitada, inocente moça vinda do sítio – não sabia nada da vida, e caiu na besteira de se apaixonar por ele.
Não foi surpresa quando ele fugiu no dia seguinte em que descobriu que a filha dos Barões de Goytacazes estava carregando um filho seu. Anastácia sofreu muito, afinal de contas, não poderia ser mãe solteira, e Caetano havia lhe prometido que se casaria com ela.
Sem nenhum auxílio ou amparo, a moça escondeu sua gravidez até o máximo que pode, usando vestidos bufantes e ridiculamente grandes. Infelizmente, acabou sendo descoberta quando a bolsa estourou e sua mãe – a Baronesa – juntamente com a empregada, a ajudaram a dar a luz a um lindo menino. Apesar de não ter tomado nenhuma precaução em especial durante a gravidez, seu filho nascera saudável como um touro, com pulmões fortes, já anunciando sua chegada ao mundo aos berros.
Berros os quais foram ouvidos pelo pai da moça, que possuído de ira, mandou o capataz jogar a criança no rio. Por sorte e por ajuda divina, o empregado não cumpriu as ordens do Barão, deixando a empregada colocar a criança dentro de um cesto com a única coisa que lhe ligava à mãe: um medalhão de ouro em formato de coração, com desenhos extremamente distintos.
“Deus proteja meu menino! Essa correntinha trará meu filho de volta para os meus braços, tenho fé que sim!” pensou a moça enquanto se debulhava em lagrimas, ajoelhada perto da imagem da Virgem Maria.
O sofrimento que Ana passara com a traição de Caetano nada se comparava com a incessante sensação de vazio que se encontrava em seus braços e o peso desesperador do seus seios – cheios de leite, mas sem ter quem alimentar. Dois meses passaram, e como o Barão já havia feito um acordo com um empresário, o jantar de noivado foi o primeiro passo na relação de Anastácia e Bento.
Bento não era nada parecido com Caetano, muito pelo contrário. Tudo que Caetano era parecia ser o completo oposto de Bento. Bento era vários anos mais velho que Ana e possuía olhos castanhos amendoados que inspiravam calor. Trazia sempre um sorriso sutil e reconfortante no rosto, muito diferente do sorriso predatório que Caetano tanto ostentava com seus gélidos olhos azuis esverdeados. Talvez o semblante zombeteiro do pai da criança se devesse ao fato do mesmo ser alguns anos mais novo que a própria Anastácia, mas ele compensava sua juventude com um charme único e hipnotizante.
O casamento de Anastácia e Bento foi feito em uma igreja em São Paulo, extremamente luxuoso, já que ambos os noivos tinham uma boa condição financeira: Anastácia era filha de barões e Bento havia construído uma empresa promissora de sabonetes. Apesar de ter visto seu noivo apenas duas vezes antes do casamento, Anastácia nunca lhe traiu ou faltou com o respeito – muito pelo contrário, era a perfeita imagem de esposa exemplar.
Até mesmo Emma, sua amiga e confidente, ficava surpresa com a devoção cega da mulher para com seu marido. Os anos se passaram e tanto ela quanto Bento amadureceram. Mesmo não tendo outros filhos e ainda sofrendo com o segredo que guardava, Anastácia não tinha do que reclamar, tinha uma vida boa, um marido carinhoso e atencioso – mesmo que muito ríspido de vez em quando – e para completar, acabou abrigando os dois jovens sobrinhos de Bento que perderam os pais.
Obviamente a vida dela não foi um mar de rosas, mas também não foi um rio de lágrimas. Muito ligada aos sobrinhos, Anastácia começou a se envolver na Aroma – já que seu marido já não estava muito bem de saúde para ir até a empresa cuidar de seus negócios. Foi uma época difícil, governar a maior empresa de sabonetes do país não era coisa simples, foi assim que ela decidiu contratar um advogado como consultor.
Araújo era um homem extremamente alto, de cabelos cor ébano e olhos gentis, apesar de se parecer com um galã, o charmoso advogado era extremamente tímido – em especial perto dela – e acabara sofrendo uma terrível tragédia: sua amada esposa morrera no parto. Tendo o coração mole, a mulher de olhos verdes tratou logo de ajudar o homem, comprando-lhe uma casa ao lado da sua e lhe dando emprego – para o desespero de seus sobrinhos.
Essa ação acabou se mostrando muito vantajosa e os dois formaram uma amizade muito próxima, tão próxima que Bento começou a desconfiar.
“Pela ultima vez, meu marido, não existe nada entre Araújo e eu!” ela suplicou em meio a uma das inúmeras brigas que tiveram.
“Me poupe de suas falsidades, Anastácia! Pensa que não percebo os olhares que trocam? Acha que sou cego??” urrou de raiva o marido enraivecido.
“Isso é patético.....você tem noção do quão injusto está sendo Bento Manoel de Souza Sampaio??”´ela retrucou com as mãos na cintura.
“Patética é você, que fica se oferecendo e se dando ao disfrute a um rapazote! Já disse, quero ele fora da empresa! Trate de se livrar dele ou eu mesmo darei um jeito nisso!”
Por sorte, ela sempre conseguia adiar essa data, arranjando inúmeras desculpas para não mandar o homem embora. Mesmo que isso significasse viver um inferno.
Mas, como eram pessoas da alta sociedade de São Paulo, tudo que acontecia entre eles ficava por debaixo dos panos, escondido. Nem mesmo Sandra e Celso – seus sobrinhos – sabiam o que acontecia entre eles. A medida em que Bento se tornava mais prepotente e revelava um lado medonho de sua pessoa, Anastácia se afundava no trabalho, tentando – de alguma maneira – achar uma válvula de escape para esquecer – mesmo que momentaneamente — o inferno em que vivia atualmente.
Numa dessas noites, após uma terrível briga com o marido, Anastácia se preparou para o jantar a qual fora convidada por Emma e seu marido. Não querendo passar mais nenhum segundo com o homem a qual ela chamava de marido, Ana resolveu ir, sozinha.
O jantar em si foi ótimo, mas Anastácia se encontrava distante. De alguma maneira, sentia que alguém lhe vigiava. De súbito, ela olhou para trás, extremamente perturbada por essa sensação de ameaça.
No mesmo seguinte em que seus olhos encontraram os olhos dele, seu rosto perdeu a cor.
Ela reconheceria esse homem em qualquer lugar. Caetano Monteiro estava jantando com uma mulher mais jovem que ele e, ao ver Anastácia, levantou sua taça de vinho, em sinal de um brinde, com o mesmo sorriso zombeteiro que tanto assombrava a vida da mulher.
“O que foi Ana, não está passando bem?” perguntou a amiga, preocupada. “Por Deus! Está pálida como um papel! “
“Estou bem,estou bem...” Anastácia consegui responder, tentando se recompor. “Foi só uma falta de ar.”
“Tem certeza, Dona Anastácia?” perguntou o marido de Emma “Parece até que viu um fantasma!”
“Eu....eu preciso sair um pouco, o restaurante está muito cheio, mal consigo respirar!” ela disse, se levantando apressadamente. “Com licença....” Anastácia deixou escapar um suspiro nervoso enquanto praticamente corria para fora do estabelecimento.
“Sabe, não deveria ficar na rua á essas horas da noite....” a voz rouca disse, alertando-a da presença dele.
Não foi surpresa nenhuma para ela ver Caetano sorrindo como se nada estivesse acontecendo ao se virar.
“C-Como você ousa chegar perto de mim?? Depois de todos esses anos, achei que já havia morrido!” ela consegui dizer com certa dificuldade, claramente alarmada.
Toda sua reputação estava em risco. O segredo que ela guardou por mais de vinte anos viria a tona a qualquer momento se ele abrisse a boca.
Mesmo sendo desesperador ver Caetano, uma parte dela – nem tão pequena quanto ela gostaria de admitir – se sentiu animada ao revê-lo, pois, apesar de tudo, ainda o tinha em seu coração.
Ele tinha mudado, mas de alguma maneira continua o mesmo Monteiro de sempre. O mesmo sorriso malicioso, olhos de gavião com um olhar tão penetrante que ela podia jurar que ele via sua alma. O mesmo porte de galã – embora, ela notou, tenha ganhado alguns quilos e ter agora os cabelos levemente grisalhos.
O homem simplesmente sorriu e deu alguns passos para perto dela, levemente acariciando seu rosto
“Ana.... não finja que não gostou da surpresa....te conheço melhor do que ninguém. “
Se esquivando de suas caricias, Anastácia retrucou com os olhos semicerrados
“Não me toque seu cafajeste. Você.... Você acabou com a minha vida! Eu pensei que me amasse! “
“Vamos, não seja dramática. Dá para perceber que a vida foi muito gentil para você! Olha só, nem é tão caipira quanto antes! Veste tecidos caros.... aposto que deu o golpe em alguém, tal como tentou dar o golpe em mim? Quem foi? Um exportador de café, eu imagino... “
Ele mal pode se afastar quando a palma da mão dela entrou em contato com seu rosto, soltando um ruidoso estalo.
“Como se atreve....” ele grunhiu, a segurando pelos pulsos, agora bem próximo dela.
Por mais que ela não quisesse, seu corpo se mexeu involuntariamente, e logo os dois se beijaram. Não era um beijo calmo e romântico – muito longe disso. Era cheio de ódio, mágoa e desejo – sentimentos esses que ela mesma havia engarrafado por anos a fio.
Quebrando o beijo, Monteiro sorriu maliciosamente, antes de constatar:
“Sabia que ainda era minha, Anastácia. Não tente lutar contra isso. Você e eu.... nos completamos. “ Caetano sorriu levemente antes de se afastar. “Aqui está meu cartão.... não posso ficar, Ilde deve estar me esperando — e você sabe que eu detesto magoar as minhas garotas....”
E com isso, ele se virou e partiu para dentro do restaurante, com o mesmo gingado de quem sabia o segredo do mundo, seguro de si.
“Desgraçado!” Anastácia praquejou.
Se ela fosse mais controlada.
Se não tivesse uma fraqueza tão grande...
Ou um sentimento tão profundo pelo cafajeste, ela teria jogado o cartão fora e fingido que nada aconteceu.
Hah.... se ela visse juízo não teria começado a se encontrar as escondidas com ele.
Os encontros eram sempre os mesmos.
Ela ia até seu escritório – as vezes no final do dia – e tomava cuidado para não ser seguida.
Não falavam. Nem ao menos trocavam palavras como “Boa tarde” ou “Até breve”, este fora um pedido que ela lhe fizera: manter tudo que faziam ali num nível carnal, sem envolvimento emocional.
Hipócrita.
Anastácia tentava cegamente se enganar e, a medida que sua vida de casada desmoronava, ela se via cada vez mais indo aos braços de Caetano – que não lhe dizia nada.
Apenas suas mãos faziam o trabalho antes de sua boca.
Em seguida era a vez das roupas.
Poucas eram as vezes em que ela conseguia tirar todas – seus encontros com seu cafajeste eram tão afobados que o sexo era, no mínimo, violento.
Mordidas e arranhões brotavam em seus corpos enquanto os dois se moviam, se tornando um só. Marcando suas peles como tatuagens.
Quando a luxuria e o excitamento pelo perigo passassem, ela passaria horas tentando cobrir as inúmeras marcas que ele lhe deixava.
No pescoço. Seios, quadris e coxas.
Ao invés de lhe repreender, ela fazia questão de deixar marcas nele. Nem sempre de amor mas, quase sempre, querendo causar-lhe dor. Como se – se deixasse marcas nele – as próprias marcas e cicatrizes que o coração dela carregava cicatrizariam.
No final do dia, ela se encontrava sozinha, com um marido grosseiro e invalido ao seu lado, praquejando ofensas que ela não merecia.
Ou talvez merecesse. Era difícil dizer.
Ela nunca chegou a perguntar a Caetano o que ele fazia para viver – também isso pouco importava – mas ela tinha a sensação de que era algo perigoso, e a quantidade de dinheiro que ele recebia deixava claro que boa coisa não era. Talvez fosse agiota – na melhor das opções – ou talvez era assassino. Depois de mais de vinte anos, ela não saberia dizer qual.
A medida que a saúde de Bento piorava, a culpa que ela sentia ia lhe tomando conta,che gando ao ponto em que, em uma das inúmeras vezes que se encontrava com Caetano, ela finalmente falou algo que não fosse gemidos de prazer e luxuria.
“Para,para para!” ela se inclinou para tras, tentando se ver livre dele. A culpa que sentia era tão grande que lhe embrulhava o estomago.
O que diabos ela estava fazendo!
Sempre fora tão correta e bondosa, justo agora iria virar mulher de bandido? E o pior, do mesmo cafajeste que lhe desgraçou a vida?
“O que?” ele grunhiu, mas não lhe soltou – ao invés disso continuou a se mover, cada vez mais bruscamente.
“Caetano,não!” ela vociferou, batendo nele com toda a raiva e culpa que tinha acumulado nesses três meses em que eles se viam. “Já disse que não quero mais!”
A situação mudou drasticamente. Todo o fogo que tinha entre os dois se tornou gelo, e ele, sem cerimonia, a empurrou.
“Mas o que é agora, Anastácia?” ele perguntou, irritado.
“E-Eu... não quero mais te ver, Caetano...” ela disse com os olhos se enchendo d’agua, enquanto tentava, inutilmente, arrumar o vestido que usava, não fazendo a mínima ideia de onde sua roupa de baixo fora jogada. “Acabou... eu e você.... nós... não po—não vamos mais fazer isso. Eu não posso fazer isso.”
Como ela previa, ele não reagiu nem um pouco bem. Ficou agressivo, quebrou alguns vazos e vociferou suas vontades, como se desse ordens. Ela, por sua vez, percebeu que estava tomando a atitude certa.
Caetano nunca lhe amara. Ele não sabia o que era amor. Tudo para ele era um jogo, de desejo, golpes e intrigas....e ela não passava de um peão no tabuleiro.
Não mais.
Com o mesmo silencio mortal que ela havia lhe tratado antes, Anastácia arrumou suas roupas e cabelo como pode, pegou sua bolsa e deixou uma grande quantia em dinheiro para ele — que compreendeu o recado — e partiu sem olhar para trás.
Ele nunca mudaria – seria sempre o mesmo sedutor mulherengo pelo qual ela se entregou de corpo e alma – e ela fingiria que não o conhecia.
Era melhor assim.
No fim das contas, a história se repete, apenas mudando o elenco principal.
Meses depois, uma surpresa, Araújo acabou se casando com uma moça – que era estranhamente familiar. Ilde parecia ser uma moça digna e de boa família, mas o olhar tristonho do filho de Araújo as vezes perturbava Anastácia.
Sua relação com Bento melhorou – agora sem a ‘ameaça’ de perder a esposa para o advogado – mas mesmo assim ela não sentia mais o mesmo. A culpa lhe atormentava como um esqueleto dentro do armário.
Após a morte de Bento, precisamente um ano após esses ocorridos, Anastácia finalmente encontrou paz – não por ter perdido o marido – mas por ter se encontrado na Igreja, a qual frequentava todas as missas. Seus sobrinhos e amigos próximos não podiam nem imaginar o porque de tanta fé, mas nem poderiam. Ela ia para pagar por seus pecados, sua fraqueza e para pedir proteção para seu filho.
Ela nunca mais viu Caetano, e nem pretendia. Agora ela podia finalmente ir atrás do filho dela.
E moveria céus e terras para encontra-lo.
Notas finais
Nao estou 100% feliz com essa, mas acho que está razoavel.
Tal como foi falado anteriormente, Caetano pertence a mim.
Dependendo do curso que a novela tomar, essa fanfic será considerada em um AU (Alternative Universe).
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