A morte de Jean era uma constante nos pensamentos de Logan. O lobo solitário jamais se perdoara do que havia feito, ainda que isso tivesse salvo toda a humanidade e também os mutantes. Se seguisse seus instintos, Wolverine estaria perdido no mundo mais uma vez, vagando como um nômade, selvagem e sem destino. Mas, ao contrário do que poderia ser, a mansão lhe trazia uma sensação confortante, familiar e ao mesmo tempo intrigante e perturbadora. O que mais o segurava naquele lugar além das memórias de Jean e do amigo Xavier? Sim, a escola precisava de colaboradores, mas ele sabia claramente que aquilo não era suficiente para mantê-lo ali. Ele tinha uma personalidade explosiva, ele era do mundo. Como uma fera, não suportaria o cárcere que a permanência na mansão poderia lhe parecer. Mas algo muito forte e latente dentro de si inconscientemente o mantinha ali.

Logan havia mudado um pouco seu temperamento após instalar-se na mansão. Agora mais ponderado, maduro e, talvez, sossegado. Algumas vezes, ele se deparava consigo em flashes de memória lembrando de Jean, mas um desses flashes, em especial, o incomodava. Ele se lembrava vagamente de Mística querendo seduzí-lo, transformada na figura de Jean. Mas isso ainda não era o motivo de sua agitação. Ele se indagava por que durante aquela abordagem sedutora Mística havia sugerido também a figura de Marie. — Rogue? — Isso, vez em quando, ecoava em seus pensamentos e parecia-lhe não haver sentido algum! Que brincadeira teria sido aquela? Mas era uma brincadeira que inconscientemente o perturbava.

Claro, ele nunca havia tocado nesse assunto com ninguém! Era algo íntimo que apenas ele e Mística sabiam que havia acontecido.

Ao mesmo tempo ele se questionava por que seus sentimentos por Jean haviam enfraquecido depois de sua morte, não desaparecido completamente, mas haviam tornado-se mais sutis.

Além disso, um terceiro fato começava a lhe perturbar. Logan sempre teve pesadelos. Ora com seu passado obscuro e enigmático, ora com situações de perigo em batalhas e, principalmente, com Jean. Todos eram aterrorizantes até mesmo aqueles com Jean sempre em perigo e pedindo por ajuda. Mas algo havia mudado há alguns meses após a morte de sua querida Jean.

Em suas memórias lhe vinha uma imagem, a figura de um lobo branco sentado à sua frente o observando em meio a névoa de uma floresta canadense. Não lhe parecia uma ameaça, tampouco lhe causava algum terror ou agitação. O lobo tinha o olhar dócil e terno e lhe transmitia muita paz.

Aquela imagem enebriante durava poucos segundos, mas era o suficiente para que aquele homem rústico e atormentado a desejasse mais. Ao acordar, aquele lobo branco, de pêlos sedosos e brilhantes, com olhar terno, gentil, como se quisesse um afago, continuava em sua mente.

Não acontecia todos os dias, mas parecia um chamado inconsciente para algo que Logan ainda não havia percebido.