WolfHill
5 Capítulo 4 - The Encounter
Notas iniciais
—Thalia Grace. -Eu ergui a cabeça. Já fazia um mês que eu estava em WolfHill, e aquela era a primeira vez que alguém pronunciava o meu nome naquela escola. -Venha até a minha mesa, por favor. -Eu me levantei e todos me olharam, eu não os culpava. Meu irmão me desejava bom dia e olhe lá, eu não falava absolutamente nada, e nenhum professor falava comigo, quer dizer, quase nenhum, Quíron, era o único que falava. -Seu trabalho de história. -Ele me entregou as folhas grampeadas, na capa tinha a foto de um enorme lobo. O trabalho era sobre os mitos locais, então eu falei sobre os lobos. -Me surpreendeu. De onde tirou as informações?
—Dos livros do meu pai. -Eu dei de ombros e peguei o trabalho.
—Se continuar assim a senhorita Chase terá uma concorrente. -Eu olhei para a loira sentada na cadeira da frente.
Joguei o trabalho dentro da mochila e voltei a copiar a matéria e a ouvir música. Quando o sinal bateu todos saíram da sala, menos eu e mais três meninas, entre elas estava Annabeth. Eu a olhei e ela me olhou, seus olhinhos acinzentados brilhavam em curiosidade, peguei o trabalho dentro da mochila e coloquei na mesa dela.
Caminhei até o ginásio e me sentei nas arquibancadas, era o intervalo e o time de basquete estava treinando, não que eu gostasse, mas ali ninguém iria me encher o saco. Coloquei a minha mochila no banco ao meu lado e fechei os olhos. Depois de cinco músicas eu senti alguém tocar o meu ombro, abri os olhos e vi a Annabeth.
Ela fez sinal para a cadeira ao meu lado e eu dei de ombros, ela sentou-se ao meu lado com o trabalho em mãos e me olhou e depois para o trabalho, e então para mim novamente.
—Não sou burra. -Eu disse. -Sei que todos acham isso.
—Não, é só que...
—Eles tem medo de mim? -Ela assentiu colocando um dos cachos para trás da orelha. -Isso é normal. -Ela mordeu o lábio inferior e sua expressão ficou pensativa.
—Por que é tão agressiva? -Eu a olhei.
—Um sábio vampiro disse uma vez "Porque quando as pessoas veem bondade, esperam por ela. E não quero ter que viver com as expectativas de ninguém." -Ela piscou os olhos algumas vezes. -The Vampire Diares. -Ela franziu o cenho. -Você nunca viu?
—Não. -Eu arregalei os olhos.
—Já viu alguma série? -Ela negou. -Que tipo de adolescente nunca viu série?
—As que leem. -Ela ergueu o livro que segurava em baixo do trabalho.
—Não é só por que você lê, que você não pode ver séries.
—Eu sei, mas... -Ela riu. -Estamos em WolfHill. -Ela sorriu baixando olhar para o meu trabalho, para em seguida me entregar o mesmo. -É realmente muito bom. -Ela se levantou.
—Sobre o que você fez o seu? -Ela sorriu.
—Bruxas.
(...)
—Vamos! Deixem de ser molengas! Só faltam dez voltas! -Eu nunca achei que fosse querer matar um senhor de sessenta anos, mas isso foi antes de conhecer o treinador Hedge. Se aquela velho apitar novamente... Ele apitou. -Vamos!
Educação Física era a pior coisa do mundo, mesmo que eu fosse uma caçadora, era um saco ficar correndo naquela quadra debaixo daquele sol. WolfHill era uma cidade engraçada, principalmente o clima, uma hora era frio, outra era sol, outra ficava nublado, e há quem diga que já havia nevado em WolfHill, mas pelo que eu sei havia sido na época que os lobisomens e os caçadores estavam em paz. Paz? Sim, já houve paz.
A história dos lobisomens começa em 1729, quando Gaia, uma bruxa, se apaixonou por Urano. Mas Urano não era um bom homem, ele a maltratava e a traia, então Gaia amaldiçoou Urano o tornando escravo da Lua, o primeiro lobisomem. Urano e Gaia tiveram um filho, Cronos. Mesmo depois de tanto tempo juntos, Urano ainda maltratava Gaia, então Cronos matou Urano e casou com Gaia, dessa união nasceu Reia, que mais tarde matou Gaia e casou com Cronos. Cronos e Reia deram origem a outra linhagens de lobisomens, entre eles Poseidon, ma como eles ainda estão vivos?
Segundo o mito de Gaia, ela era um bruxa tão poderosa que não só tornou o corpo dos lobisomens escravos da Lua, mas também tornou suas vidas, a maldição dizia que enquanto a Lua estivesse no céu os lobisomens caminhariam pela Terra. A única coisa que mata um lobisomem é prata banhada no sangue de uma virgem que é oferecido de bom grado... Brincadeira. A prata é verdade, os lobisomens mais antigos só morrem com a prata pura, por isso nossas armas são feitas de prata. E foi a única coisa que matou Cronos.
Em 1845 Cronos e Reia acharam um lugar na floresta onde criaram sua casa e sua família, que hoje é conhecido como WolfHill. Mas os homens das vilas próximas ouviram rumores sobre um homem que se transformava em monstro e se alimentava do sangue das crianças, o que era mentira, mas foi assim que o primeiro caçador surgiu, Aaron Fitzburg, era um camponês que decidiu caçar o monstro escondido na floresta.
Depois de meses de caçada ele e seus seguidores encontraram Cronos, mas não o mataram. Eles queriam fazer de Cronos um verdadeiro monstro, então mataram Reia, e assim Cronos, tomado pela ira, destruiu cidades, assassinou vilas inteiras, até encontrar Aaron. Cronos achou Aaron em uma pequena vila escondida três anos depois, mas foi morto pela mulher de Aaron, Freya, e assim os caçadores surgiram.
Só em 1900 que houve paz, Aaron e Freya estavam cansados de tanta matança, então fizeram um acordo com o Alfa de cada bando, eles não matariam mais ninguém inocente e os caçadores os deixariam em paz, se o acordo fosse quebrado a guerra voltaria, e decidiu-se que WolfHill seria território sagrado. O acordo durou até 1950, quando uma mulher foi encontrada morta em WolfHill, ela havia sido morta por um lobisomem e desde então estamos em guerra.
—Thalia! -Eu ouvi o meu nome e olhei para trás. Quando eu pisei novamente não senti o chão, meu corpo caiu e eu me segurei na beira da pedra.
—Thalia! -Ouvi a voz do Jason.
—Jason, me tira daqui! -Eu gritei. Mas ele não respondeu, como eu conhecia bem o meu irmão, ele estaria parado sem reação. -Jason, sua ameba! Faz alguma coisa! -Minha mão estava começando a escorregar, e por mais que eu tentasse não conseguia me erguer. Olhei para baixo, o rio corria fortemente e eu sabia que as pedras seriam enormes. -JASON! -Minha mão estava sangrando já. Quando apenas os meus dedos me seguravam alguém puxou a minha mão, eu olhei para cima e vi o Di Ângelo.
—Consegue apoiar o pé na pedra? -Ele perguntou e eu assenti, apoie os meus pés na pedra. -No três eu vou te puxar. -Eu balancei a cabeça novamente. -1, 2, 3. -Eu dei impulso e ele me puxou. Eu caí por cima dele e nós dois fomos ao chão, ergui a cabeça e o olhei, seus olhos castanhos brilhavam em divertimento. -Confortável?
—Você é um babaca. -Eu me levantei e limpei a mão na calça.
—Nem um obrigado por salvar a sua vida? -Eu revirei os olhos.
—Tudo bem, vamos voltar. -O treinador disse. Quando foi que nós entramos na floresta? Senti alguém puxar o meu braço e vi o Di Ângelo, ele deixou todos passarem na nossa frente e então me jogou contra uma árvore.
—O que foi? -Eu bufei.
—Gosto de ser agradecido pelas coisas que faço. -Eu revirei os olho e tentei sair, mas ele me empurrou novamente. -Estou falando sério, Grace.
—Não vou te agradecer por nada. Agora sai da minha frente. -Eu ameacei a sair e ele me empurrou. -Que merda! -Ele riu. Eu abaixei a cabeça e a balancei, até que algo no chão me chamou atenção. Era uma pegada. -O que? -Eu o empurrei e me abaixei no chão, ficando na frente dele.
—O que você...
—Não vou fazer o que você está pensando. -A pegada era de tênis, mas ninguém tinha ido até ali, pelo menos não alguém que eu tenha visto. Me levantei e comecei a seguir as pegadas.
—Grace! -Ele me chamou.
—Me deixa Di Ângelo. -As pegadas seguiam até entre duas árvores, depois desapareciam, eu olhei em volta e achei o que eu procurava. As pegadas do lobo estavam a cerda de cinco metros a frente. -Te peguei. -Comecei a seguir as pegadas do lobo rapidamente.
—Grace! -Eu o ignorei. -Soube que tem animais nessa área.
—Está com medo Di Ângelo?
—Não. -Eu o olhei por cima do ombro e algo em sua expressão em intrigava.
—Medroso. -Eu ri e voltei a seguir as pegadas. Elas paravam na frente de uma árvore, eu olhei e não vi mais as pegadas. -Droga! -Soquei a árvore e senti algo diferente, eram marcas de garras. Eles subiram nas árvores. -Estão virando humanos. -Eu passei a mão pela marca. Não havia mais marca em cima, eles estavam subindo como humanos.
—Grace. -Eu o olhei. -Está falando com a árvore?
—O que? Não! -Ele começou a rir. -Você é um babaca.
—E você fala com as árvores. -Ele começou a rir. -Isso é um pinheiro, sabia?
—Hum. -Peguei o meu celular no bolso e liguei para Ares.
—Não posso. -Ela disse assim que atendeu.
—Ares, avisa para o meu pai que achei uma trilha na parte oeste da trilha da escola. -Eu olhei para trás. -300 metros mata a dentro.
—Como você achou?
—Por que eu sou Thalia Grace. -Eu encerrei a ligação. Olhei para cima e vi que o Di Ângelo ainda estava ali. Ele moveu a boca algumas vezes. -Não pergunta.
(...)
—Thalia, você tem certeza disso? -Eu o olhei pelo retrovisor.
—Tenho. -Ele assentiu. O carro parou alguns minutos depois e nós saltamos. -É por aqui.
Entrei na trilha da escola e segui até a árvore que o Di Ângelo havia me imprensado. Balancei a cabeça para esquecer a lembrança e continuei o caminho. Podia ouvir os outros atrás de mim, o barulho de suas armas e seus passos sem cuidado, eu me perguntava como eles eram caçadores. Parei na frente da árvore com as marcas e passei o meu arco pelo braço, subi na árvore com certa dificuldade e cheguei ao seu topo.
A lua brilhava no céu e me deixava ver perfeitamente onde eles haviam pulado, duas árvores a frente, pulei da árvore e rolei quando atingi o chão e levantando perfeitamente. Fiz sinal e eles me seguiram, as pegadas voltavam alguns metros a frente da árvore e seguia até uma clareira.
—Thalia? -Ouvi a voz do meu pai.
—A trilha acabou. -Eu bufei e soquei a pedra. -Merda!
—Calma, isso já é um avanço.
—O primeiro em um mês. -Eu o olhei. -Odeio isso! -Ouvi um barulho nas árvores e armei o meu arco. -Ouviu isso?
—Isso o que? -Eu ouvi novamente e caminhei até o centro da clareira. -O que... -Um homem pulou de uma das árvores e aterrissou sobre uma pedra, suas garras estavam expostas, seus olhos estavam brilhando, suas presas a mostra e seu corpo em posição de ataque. Meu pai rosnou.
—Zeus.
—Poseidon. -Meu pai disse e apontou sua arma para ele.
—Saudades de mim?-O homem sorriu. -O que faz em WolfHill?
—Vim acabar com a sua raça de uma vez por todas. -Meu pai apertava a arma com tanta força que a arma tremia em sua mão.
—Ainda com ódio?
—Você a matou! -Meu pai gritou.
—Eu não matei a Beryl!
—Eu não acredito em você! -Eu podia sentir o ódio do meu pai em sua voz.
—Você vai morrer, Poseidon.
—Claro que vou, eu vou morrer, você vai morrer, ela vai morrer, -Ele apontou para mim. -todos vamos morrer. -Ele sentou-se na pedra. -Só que não hoje. -Ele saltou para trás e se transformou em um enorme lobo marrom, ele uivou e nos olhou. Vários uivos puderam ser ouvidos depois.
Luzes se acenderam na floresta, não, aquilo não era luz. Os lobos apareceram, vários deles, e em cima de alguns deles estavam mulheres sentadas, e elas carregavam aquela luz. Não era luz, e elas não eram mulheres. Eram bruxas. Olhei para o meu pai e ele engoliu em seco. Uma delas desceu de um lobo cinza, eu não conseguia ver o seu rosto pois ele estava coberto por um capuz.
—Zeus. -A mulher disse e eu tive a impressão de já ter ouvido aquela voz. -Essa guerra tem que acabar. Poseidon não matou sua mulher.
—Você vai ficar ao lado dele?
—Sinto muito, Zeus. -Ela abaixou a cabeça.
—Se vai ficar ao lado dele, vai queimar junto com ele. -Meu pai atirou e Poseidon saltou sobre a mulher rolando com ela pela pedra, quando eles chegaram ao solo ela estava sentada sobre ele.
—Eu estou bem. -Ela disse quando ele virou o rosto em sua direção. Poseidon rosnou e os lobos atacaram. Eu atirei a minha flecha em um deles que passou de raspão, fui de encontro ao chão quando um lobo cinza me derrubou, ele iria me morder, mas eu rolei para o lado e saltei sobre ele, peguei uma das minhas flechas e enfiei em seu ombro, o lobo rosnou e caiu, ele não conseguia se equilibrar direito.
Saltei e preparei outra flecha, quando iria disparar fui jogada para o lado, bati com as costas em uma árvore e gemi de dor, olhei para frente e vi um enorme lobo negro. Meu coração bateu mais rápido quando eu olhei nos olhos dele, e vi aquele mar de escuridão, ele era o lobo que eu havia sonhado.
Ele rosnou para mim e se virou, colocou o lobo cinza no ombro e saiu correndo com ele, sumindo na mata. Quando eu olhei em volta, não havia mais nenhum lobo, só os caçadores e um Zeus furioso.
—Vamos voltar!
(...)
O sinal do intervalo bateu e pela primeira vez eu fui uma das primeiras a sair, um grande erro. Estava na porta da sala quando uma menina passou por mim e me derrubou, ela continuou a andar como se nada tivesse acontecido. Eu girei no chão e bati com o pé no seu calcanhar a fazendo cair, ela gritou, gritou de dor e se contorceu. Eu me levantei e a olhei, eu nem tive chace de fazer nada, o Di Ângelo surgiu do nada e se ajoelhou ao lado dela.
—O que foi que eu falei para você? -Ele a pegou no colo e ela gemeu.
—Desculpa, Nico.
—A Annie vai te ajudar, Bianca. -Ele me lançou um olhar de pura raiva e saiu andando. Eu o segui.
—Hey! -Ele me olhou, a menina estava encolhida em seu colo. -O que...
—Cai fora, Grace. -Ele voltou a andar, eu o segui.
Eles foram até o pátio externo e a menina foi deitada na mesa, a Annabeth arregalou os olhos e retirou o casaco dela. Tinha um enorme machucado nas costas dela, e eu me senti extremamente culpara por aquilo. Caminhei até lá e o Di Ângelo me fuzilou com os olhos.
—Eu vim em paz. -Todos me olharam e eu ergui as mãos. -A culpa é dela, ninguém mandou ela me derrubar.
—Grace, você já pode calar a boca.
—Você também já pode ir para o inferno, Di Ângelo. -Eu bufei e saí andando, esbarrei no Jason quando saia mas, pouco me importei. Eu oficialmente odiava WolfHill!
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