WolfHill
25 Capítulo 24 - Annie
Notas iniciais
P.O.V Annie
Abri os meus olhos lentamente e sorri ao ver que estava em minha cama, ele sempre irá cuidar de mim. Passei minhas mãos pelos meus cachos e suspirei, queria poder dormir pela eternidade, entretanto, infelizmente, não tinha essa opção.
Levantei-me da cama e caminhei até o banheiro, tratei logo de tomar um banho, já que provavelmente ficaria um bom tempo sem ver um chuveiro. Lavei os meus cachos e fiquei um tempo debaixo do chuveiro apenas sentindo a água cair em meu corpo. Estava nervosa, e tinha muitos motivos para isso.
Sequei o meu cabelos com a toalha mesmo e o prendi em um rabo de cavalo, vesti uma calça jeans escura, uma camisa cinza e um Vans azul, olhei o meu reflexo no espelho e respirei fundo.
“Tudo bem, Annabeth, vai ficar tudo bem.” —Pensei, pensamento positivo sempre funciona, não é?
Batidas em minha porta cortaram os meus pensamentos, olhei para a mesma e vi a minha mãe parada ali, ela usava um vestido preto com um capuz e mangas esquisitas, aquela roupa só deixava claro que estava na hora. A segui em silêncio pela clareira, vi tochas acesas no meio da floresta e senti minhas pernas fraquejarem, engoli em seco e continuei a seguí-la.
Paramos em meio as árvores, todos estavam ali, o que só me deixava mais nervosa. Minha mãe olhou para uma mesa ao seu lado esquerdo, sobre ela haviam várias armas, ótimo. Caminhei até lá e olhei as armas, peguei uma faca de bronze, o material não era bom contra a maioria dos seres sobrenaturais, e não parecia muito resistente, mas algo me fez pegá-la. Voltei para a frente da minha mãe e a encarei. Ela se aproximou de mim e pegou a faca em minha mão, cortou a palma da mesma e seguiu com a faca até o fogo, quando o sangue pingou ali eu senti minhas veias queimarem, era doloroso, mas eu sabia que coisas piores poderiam acontecer.
Olhei para entre as árvores e vi que o espaço ali oscilava. Dei uma última olhada para os presentes ali, me amaldiçoei quando olhei para o Percy e as lembranças tomaram a minha cabeça.
1 dia atrás…
Estava nervosa com o que aconteceria naquela noite, muito nervosa. A Thalia ainda não havia descido, e não dava mais tempo de avisá-la. Poseidon fez um sinal para mim e eu caminhei até ele.
—Preciso que coloquei isso na bebida. -Ele me entregou um pequeno frasco. -Vai fazê-los dormir em alumas horas. -Assenti. -Seja discreta.
Voltei para onde estava e esperei alguns minutos, segui para a cozinha, as pessoas que estavam servindo eram humanos, talvez não encrencassem muito. Cheguei até o local onde as garrafas de Champagne estavam, olhei em volta e comecei a pingar a poção dentro das garrafas, o que sobrou eu pinguei nas taças.
—Hey! -Senti o meu sangue gelar. -O que pensa que está fazendo?
—Eu…
—O que é isso em sua mão? -Ele começou a se aproximar, porém dois braços passaram por seu pescoço, alguns segundos depois o cara caiu no chão apagado. Arregalei os olhos e vi o Percy.
—O que…
—Aprendi da maneira mais difícil que não devo te deixar sozinha. -Senti minhas bochechas esquentarem. -Para que isso?
—Não beba o champanhe. -Ele assentiu. -Obrigada.
—Não foi nada. -Eu assenti. Escutei passos e me desesperei, senti ele me puxar até um pequeno armário que havia ali, a luz ascendeu e apagou rapidamente.
—Indespectus. -Murmurei para acobertar o corpo no chão. O Percy fez sinal para eu ficar em silêncio e eu assenti.
—Onde ele se meteu? -Escutei alguém perguntar.
—Achou? -Era outra voz. -Sentiu isso? -Arregalei os olhos. -Tem alguém aqui. -Olhei para o Percy desesperada, vi que eles se aproximavam da porta.
—Confia em mim? -Ele perguntou em um sussurro.
—Nem um pouco.
Ele sorriu e colou os lábios nos meus, minha primeira reação foi afastá-lo, mas suas mãos em minha cintura me impediram, os meus sentimentos por ele falaram mais forte, e assim os meus olhos se fecharam, deslizei minhas mãos pelo seus braços até o seu pescoço o mantendo ali. Como eu havia desejado esse beijo. Sua língua tocou os meus lábios e eu os entreabri timidamente, sua língua explorava a minha boca com certo desespero. Minhas mãos escorregaram para os seus cabelos, eram realmente macios.
Nos separamos quando eu fiquei sem ar, respirei fundo e o olhei, seu dedo contonou meu lábio inchado e vermelho, meus olhos não desviavam dos seus, o cuidado que ele aparentava ter comigo fez borboletas voarem em meu estômago. Será que ele conseguia ouvi-las? Minha pergunta teve que esperar, já que a porta foi aberta e a luz bateu em meu rosto.
—O que fazem aqui? -Ele perguntou.
—Nunca viu um casal de adolescentes se pegando? -O Percy perguntou. -Obrigado por cortar o clima.
—Caiam fora daqui. -O moreno bufou e saiu me puxando.
—Me desculpa. -Pediu quando já estávamos longe. -Eu…
—Eu sei. -O cortei. -Foi só um beijo Percy, nada demais. -Saí de lá antes que ele pudesse ver as lágrimas se formarem em meus olhos.
—Annie. -Ele me chamou, mas eu não me atrevi a olhar.
Presente…
Senti algo dentro de mim queimar, minhas pernas fraquejaram e eu fui ao chão. Meu peito doía como se algo estivesse sendo retirado dele, eu não conseguia controlar o meu corpo. Escutava os meus gritos, mas não me sentia gritar, a dor era maior. Aquilo era para acontecer?
Podia escutar minha mãe me chamando, mas não conseguia responder, meu peito doía, minhas veias queimavam, meus olhos ardiam, sentia o meu corpo mole, estava fraca. Até que tudo parou, e algo tomou conta do meu corpo. Me senti sentar e olhar para a minha mãe.
—Pobre Atena, tão desesperada para ter uma filha bruxa. -Era uma voz grossa, e a risada era pior ainda. -Patética. -Me levantei e olhei para todos. -Vocês irão todos sangrar, todos irão morrer. -Olhei diretamente para o Hades.-Seu filho e a filha de Zeus, serão os culpados, mas eles já estão acostumados, não é? -Outra vez a risada. -Se querem o poder dela de volta, libertem Zeus, ou então… -Ergui minha mão em direção á Hazel, ela engasgou e caiu no chão com as mãos no pescoço e mal conseguindo respirar, fiz um galho voar em direção ao Leo, ele desviou por pouco. -Haverá consequências. -Eu pedia o tempo inteiro para aquilo parar, não era eu! Minha cabeça doeu tanto que achei que iria explodir, meu corpo bateu no chão e então tudo ficou escuro.
…
Abri os olhos lentamente, a luz machucava os meus olhos, meu corpo inteiro doía, e protestava, me sentei com certa dificuldade, e assim que o fiz minha cabeça começou a doer. Acariciei minha têmpora e suspirei. O que havia acontecido?
—Graças à Deus. -Senti braços me envolverem, olhei seus cabelos loiros e franzi o cenho.
—Mãe… O que…
—Shiiii… -Ela sussurrou.
—O que aconteceu? -Ela suspirou e desviou o olhar, não era preciso dizer nada, eu podia sentir o vazio dentro de mim. Meus olhos encheram-se d’água.
—Oh, Annabeth, eu sinto muito. -Ela voltou a me abraçar. Senti a raiva tomar conta de mim, a empurrei e saí correndo do quarto. -Annabeth!
A ignorei e caminhei até o homem acorrentado na fogueira. Peguei uma pedra do chão e acertei nele, o mesmo me olhou sem entender. E sempre soube o que ele havia feito, e já era motivo suficiente para odiá-lo, entretanto, ele nunca havia feito nada que me atingisse diretamente.
—Para que precisa dos meus poderes? -Eu perguntei, podia sentir a raiva em minha própria voz. -Eu não vou perguntar novamente. -Ele riu.
—E o que você vai fazer? Jogar pedras em mim? -Senti um formigamento em minhas mãos e algo dentro de mim ficar completo novamente. Ergui minha mão e fiz um galho atravessá-lo.
—Eu quero os meus poderes de volta! E os quero agora!
—Annie. -Olhei para a Thalia. -O que… -Senti minha cabeça latejar e o formigamento em minhas mãos parar, olhei para as mesma e arregalei os olhos, novamente minhas veias estavam negras.
—Não. -Sussurrei. Olhei para Zeus e vi o galho nele. -O que eu fiz?
—Annabeth. -Olhei para a minha mãe.
—Eu estou bem. -Sussurrei.
—Para quê precisa dos poderes dela? -Ele riu.
—Alguém teria que me tirar daqui, não é? -Vi a Thalia se aproximar e girar o galho, ele gritou, e desviei o olhar. -Filha da puta!
—Que bom que sabe que é uma puta Zeus. -Ele respondeu. -Sua estadia aqui mal começou, é bom dizer o que sabe, eu estou perdendo minha paciência, e se eu perder, não vou esperar respostas.
P.O.V Nico
Tudo aquilo não podia estar acontecendo. Até preso Zeus continuava a nos infernizar. Agora a Annie havia perdido os poderes, o que mais poderia dar errado?
A pior parte era saber a resposta, a Thalia caída no chão, os olhos fechando-se e o meu nome saindo de seus lábios como um sussurro. Apenas a lembrança me deixava nervoso e com o coração doendo, o que a realidade poderia fazer?
A Annie havia adormecido no colo da Thalia, a morena acariciava seus cachos loiros e suspirava, todos estávamos preocupados com a Annabeth, era impossível não se preocupar. A Hazel e o Leo haviam se recuperado do ataque do clã e estavam igualmente preocupados. O Percy não ousava aparecer, e eu não o culpava, ele devia estar se sentindo péssimo, eu o culpei uma vez por isso, e talvez, tenha exagerado nas palavras.
—O que foi? -Eu a olhei.
—Nada. -Balancei a cabeça em negação. -Eu tenho que ir ver o Percy. -Ela franziu o cenho, mas não contestou.
Segui até a casa de Poseidon e entrei, subi as escadas e bati na porta do quarto, não tive resposta e bati novamente, escutei um entre fraco e abri a porta. A cena me fez sentir ainda mais culpado. O quarto estava perfeitamente arrumado, coisa que nunca acontecia, era até estranho, o Percy estava sentado no chão encolhido, olhava para um ponto fixo na cômoda, era uma foto da Annie. Suspirei e me sentei ao seu lado.
—Eu ferrei com tudo. -Ele abriu um sorriso amargo. -A culpa é minha.
—Não é. -Ele suspirou, dava para perceber nitidamente que ele havia chorado até perder as forças, a camisa molhada, os olhos inchados e vermelhos, e o rosto ainda úmido deixava isso claro. -Zeus é o culpado.
—Zeus não a deixou matar uma pessoa.
—O que aconteceu não tem…
—Claro que tem, se eu estivesse com ela a iniciação já teria acontecido. -Olhei para a foto da loira e suspirei. -O que eu fiz Nico? -Vi que ele também olhava para a foto.
—Ela vai ficar bem, vamos recuperar os poderes dela. -Ele assentiu.
—Eu vou matar o desgraçado que fez isso. -Eu sorri.
—Entra na fila. -Ele riu. -Você é um babaca. -Ele continuou a rir. -Um babaca apaixonado, mas não deixa de ser um babaca.
—Isso era para me animar?
—Não. -Eu ri. -Ela vai gostar de ver você quando acordar. -Ele me olhou.
—Não, mesmo. -Suspirei. -Ela vai querer me matar.
—Então deixe-a, ela precisa descontar toda a raiva dela, sabe que a magia negra vai se aproveitar da vulnerabilidade dela. -Ele assentiu. -Então, fique com ela.
—Tudo bem. -Ele assentiu.
P.O.V Annie
—Isso é mesmo necessário? -Ela assentiu e eu suspirei.
Tomei um banho rápido e voltei para o quarto, ela me entregou um roupão e nós seguimos para a floresta. Ela acendeu as tochas e sentou-se no chão, fiz o mesmo ficando de costas para ela. Estendi a mão e fiz uma careta quando ela a cortou, desfiz o laço do roupão e o deixei deslizar.
Senti a mistura gelada em minhas costas, e logo o formigamento começou. Demoraria um pouco e eu não podia fazer nada para adiantar o processo, ou mesmo durante o processo, tinha que ficar parada e ereta, e ainda não poderia reclamar se alguém aparecesse e visse os meus seios expostos.
Minha mãe sussurra em latim enquanto desenhava, aquele som já estava me dando dor de cabeça, era sempre a mesma coisa. Como bruxa anciã ela já deveria estar acostumada, devo admitir, minha mãe não tinha a idade que aparentava, era quase tão… antiga quanto Poseidon, 823 anos. Queria eu chegar á essa idade com aquele corpinho.
Senti ela se mover e suspirei aliviada. O formigamento em minhas costas já estava diminuindo, isso significava que estava fazendo efeito. Olhei para frente e vi seus olhos totalmente cinzas, da primeira vez que vi tive pesadelos por uma semana.
—Triskle.*
—Ad aequilibrium. (Para o equilíbrio)
—Oculus Horus. (Olho de Hórus)
—Praesidio. (Proteção)
—Bubonem. (Coruja)
—Dirige me in tenebris. (Para me guiar na escuridão)-Seus olhos voltaram ao cinza normal e eu segurei um suspiro de alivio.
—Os símbolos irão te proteger. -Assenti. -Precisa ficar aqui até o formigamento parar. -Assenti, ela beijou minha testa e se afastou. -Nada de se cobrir ou se mexer até terminar.
—Posso falar pelo menos?
—Pode. -Ela começou a andar. -Vai me deixar aqui sozinha?
—Sim. -Suspirei.
O Sol se pôs e nada daquele formigamento parar, já estava começando a achar que tinha um bicho nas minhas costas. Meu nariz estava coçando, meus dedos queriam se mover e eu não podia fazer nada. Aos poucos eu senti os meus braços pararem de formigar, faltava só o resto das minhas costas.
—Annie? -Merda! O que ele estava fazendo ali?
—Percy? -Eu não conseguia vê-lo, pois graças á Deus ele estava atrás de mim. -Por favor, fique onde está!
—O que foi? O que é isso nas suas costas?
—Percy, vai embora! -Suspirei. Faltava apenas um pedaço para parar de formigar. -Só vai embora.
—Por que? -Que cara teimoso. -Annie. -Suspirei aliviada quando o formigamento parou, levantei tão rápido que esqueci de puxar o roupão.
Parabéns Annabeth, perdeu a inteligência também? Fica mesmo pelada no meio da floresta, ainda por cima na frente do Percy.
Senti o meu rosto queimar mais que nunca, eu não tive reação, estava estática, nada passava pela minha cabeça. O que eu tinha que fazer? Me cobrir, isso! Mas para eu me cobrir eu preciso pegar o roupão que está caído no chão atrás de mim, isso significa que vou ter que virar de frente para ele. Péssima ideia, ele já viu atrás não precisa ver a frente também.
Meus pensamentos foram cortados quando senti algo quente deslizar pelos meus ombros, olhei para trás e o vi. Engoli em seco e puxei o roupão para frente, me cobri o mais rápido que consegui
—Ah… Eu...
—Está bem? -Assenti. -Posso saber o que é isso nas suas costas? Não consegui ver direito de longe.
—Não. -Ele arqueou uma das sobrancelhas. -Coisa de bruxa.
—Entendo. -Abri um sorriso sem graça.
—O que veio fazer aqui?
—A Thalia teve a brilhante ideia de sair, achei que seria legal irmos até o French Quarter.
—Tudo bem. -Olhei em seus olhos, aquelas lindas íris verde mar. -Eu vou… -Me assustei quando senti os seus dedos tocarem meu ombro.-O que você acha que está fazendo?
—Eu… -Revirei os olhos e saí andando. -Annie.
—Por que me beijou? -O perguntei, lerdo como era, demorou alguns minutos para entender.
—Porque eu quis.
—Desde quando eu te dei liberdade para me beijar a hora que bem entender? -Senti ele segurar minha mão.
—E você me daria tal liberdade? -Engoli em seco, por essa eu não esperava.
—Percy, se a Rachel te deu um pé a culpa não é minha, eu não sou sou seu consolo, seu passa tempo e muito menos seu parquinho de diversões, e caso você não tenha percebido, eu acabei de perder os meus poderes, não acha que é o pior momento para você tentar algo?
—Hey, calma! -Suspirei. -Você disse que…
—Eu sei o que eu disse! -Fechei os meus olhos e respirei fundo. -Eu… Eu vou me arrumar.
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