WolfHill
8 Capítulo 7 - The first party
Notas iniciais
WolfHill, podia não ser uma cidade perfeita, mas não era ruim, mesmo ficando em um lugar, basicamente, desconhecido de Nova Orleans. Tinha pequenas lojinhas, lanchonetes, restaurantes, pizzarias, parques, praças. Tudo o que uma cidade normal tem, só que WolfHill não era normal.
–Hey! Você de preto. -Ouvi a atendente me chamar. -Seu pedido. -Ela me entregou o café.
–Obrigado. -Me sentei em uma das mesas e olhei para a janela. Chovia em WolfHill, o que era estranho já que no início do dia estava sol.
O pequeno sino da porta tocou chamando a minha atenção. Vi a cabeleira loira da Annabeth e ouvi algumas risadas. Ela me olhou e abriu um sorriso enquanto acenava. Eu olhei para trás e vi que não tinha ninguém atrás de mim. Abri um meio sorriso de volta.
Ela caminhou até a mesa que eu estava sentada e sentou-se na minha frente. Eu a encarei por alguns segundos. Os olhinhos acinzentados, os cachos loiros, as bochechas rosadas, os óculos de armação preta, eram tão... Annabeth.
–O que faz aqui? -Eu a perguntei.
–Oi, para você também, Thalia. -Ela disse enquanto roubava o meu copo de café. Ela bebeu um gole e fez um careta. -Odeio café. -Ela bebeu mais um gole.
–Então, porque está bebendo? -Ela riu.
–Não sei, minha mãe diz que eu preciso, então... -Ela deu de ombros. -Respondendo a sua pergunta, eu e as meninas viemos dar um passeio.
–O que faz na minha mesa, Annabeth?
–Você estava aqui sozinha. -Eu a encarei e ela suspirou me devolvendo o café. -Olha, eu sei o que é ser o remédio ruim, okay? -Ela olhou para trás. -Não darão a minha falta tão cedo. -Ela voltou a me olhar. -Só quero te entender.
–Não preciso ser entendida.
–Thalia, eu não estou aqui para te julgar ou... -Ela pareceu pensar. -Sei lá, eu só estou tentado ser sua amiga.
–Não preciso de amigos. -Ela suspirou. -Olha, loira, eu sou assim, não sirvo para ter amigos.
–Então, bem vinda ao clube. -Ela abriu um sorriso sem graça.
–Annie! -Uma ruiva parou na nossa frente. -Olha, eu estava pensando. -A Dare pensava?. — Será que você pode falar com o Percy que eu estarei esperando por ele hoje? Meu celular ficou sem bateria.
–Ah... Claro...
–Que não. -Eu a cortei e ela me olhou. -Cai fora, Dare. -Ela me fuzilou com os olhos e saiu andando.
–Por que...
–O celular dela está funcionando perfeitamente. -Apontei para a outra mesa, onde a Dare agora falava no celular.
–Eu a detesto. -A Annabeth disse quando virou para frente. Eu a observei por alguns segundos.
–Você gosta do Jackson, não é? -Ela me olhou com o rosto corado.
–O que?! Não! Claro, que não! -Ela riu sem graça.
–Gosta sim. -Ela abaixou a cabeça.
–É tão nítido assim? -Ela perguntou em um sussurro.
–Só falta o holofote. -Ela fez uma careta que me fez rir. -Você escolheu muito mal, Annabeth.
–Não posso fazer nada, Grace. -Ela riu. -Mas, o Percy já aprontou comigo uma vez, então... -Ela balançou a cabeça e abriu um sorriso. -Podemos mudar de assunto? -Ela pegou o cardápio. -Júniper, pode trazer um especial número três para mim, por favor? -Ela perguntou a mulher no balcão.
–Claro, Annie.
–Todos te chamam de Annie?
–Sim. Assim como seu irmão te chama de Thals. -Eu revirei os olhos. -Não gosta?
–Não muito. -O celular dela tocou no bolso.
–Se incomoda se... -Fiz sinal e ela atendeu. -Nico? -Pausa. -Festa? -Pausa. -Não sei. -Ela coçou a nuca. -Eu acho melhor não. -O pedido dela chegou. -Eu tenho escolha? -Ela suspirou. -Tudo bem. -Pausa. -Te vejo mais tarde. -Ela encerrou a ligação e me olhou por alguns segundos. -O que acha de ir a uma festa?
...
Aquela hora as ruas de WolfHill estavam vazias, mas naquela noite, os adolescentes da cidade estavam nelas, e pelo o que eu sabia, todos eles iam para um mesmo lugar. A casa da Dare. Ela era filha do prefeito, mas por sorte, o pai resolveu ir até a casa de campo, então ela estava sozinha. Nada melhor do que dar uma festa e chamar a cidade inteira.
Ares parou o carro e olhei para a loira ao meu lado, ela deu de ombros e desceu. Ele me mandou ter juízo e me deu dinheiro, para o caso de eu precisar de algo, como pagar fiança de alguém. A Annabeth parecia uma mulher e não uma adolescente com aquela roupa, não que eu fosse a melhor amiga da moda, mas aquele blazer não estava caindo nada bem nela.
Caminhamos até a mansão Dare, de onde vinha uma música do século passado, quem em pleno 2015 colocava Poker Face para tocar em uma festa? Eu não merecia aquilo. Não mesmo. Por que mesmo eu aceitei ir até lá?
Entramos na casa que, normalmente, deveria ter pessoas dançando e quase se comendo ali mesmo, mas naquela festa elas estavam quase dormindo. Procuramos pelo Di Ângelo, pelo meu irmão, ou qualquer um que andasse com a Annabeth. Ela me puxou pela mão e me levou até um canto mais afastado.
–Você demorou, Annie! -Ouvi a McLean dizer. -Estava preocupada.
–Calma, Piper. -A loira riu.
–Com quem você veio, Annie? -A morena perguntou e se aproximou dela. -Annabeth Chase. Com quem você veio? Isso é perfume masculino! É cheiro de homem! -A loira ficou mais vermelha que um tomate.
–Pegamos carona com meu primo. -Eu disse e todos me olharam.
–O que ela faz aqui? -A Takana perguntou. -Quem te convidou?
–Não preciso de convite. -Eu a respondi.
–Foi você Annie? -Ela perguntou para a loira.
–Sim.
–Por que?!
–Por que eu quis. -Ela respondeu como se fosse óbvio.
–E desde quando você quer algo? -Eu fuzilei a Takana com os olhos.
–Desde sempre. -A loira a olhou.
–Isso é sério?-A Takana perguntou rindo.
–Sim. E no momento eu quero distancia de você, Drew. -Ela levantou. -Vem, Thalia.
–Uma tarde com a Grace e você já está como ela. -A Annabeth a olhou e sorriu.
–Ainda bem que eu não fiquei vadia como você, não é Drew? -A Takana ficou boquiaberta. A loira me puxou até o bar e respirou fundo quando encostou-se na bancada.
–O que foi aquilo? -Eu perguntei rindo.
–Eu odeio a Drew. -Ela suspirou. -E odeio o fato do Nico usá-la para aliviar as suas nescessidades. -Eu comecei a rir. Tipo rir de verdade, de jogar a cabeça para trás e tudo. -O que foi?
–"Aliviar as suas nescessidades?" -Ela ficou vermelha. -Desculpa, mas...
–Eu sei. -Ela suspirou. -Não te culpo. Não sei usar esses termos que vocês usam.
–Tipo, ser o brinquedinho dele, transar, foder, trepar... -Ela arregalou os olhos e voltou a ficar vermelha. -Annabeth, por acaso você é...
–Oi, Annie. -Virei para trás e vi que era o Jackson. -Viu o Nico? -Ela o olhou com os olhos arregalados.
–Percy. É... Não, não vi o Nico não. -Ele a encarou por alguns segundos.
–Tudo bem. -Ele pegou a bebida que o bar man estendeu para ele. -Te vejo mais tarde. -Ele sumiu no meio da multidão.
–Não conta para ninguém, nem o Nico sabe disso. -Ela suspirou.
–Tudo bem. -Eu virei para o Bar Man. -A coisa mais forte que você tiver. -Ele assentiu e me entregou um copo com um líquido azul em seguida. -O que você vai querer?
–Nada. -Eu dei de ombros. Não iria forçá-la. -Ele chegou. -Virei para trás e quase deixei o meu copo cair. O Di Ângelo estava incrivelmente gato, eu realmente senti a minha respiração falhar, e o meu corpo reagir. Os cabelos bagunçados, os lábios rosados, o sorriso safado, a camisa branca de gola V, a calça preta, os coturnos, até a chave em sua mão estavam me deixando louca. Engoli a minha bebida em um gole só e pedi outra ao Bar Man.
–Oi, Annie. -O seu perfume me inebriou antes mesmo que eu pudesse ouvir a sua voz.
–Oi, Nico. -Ela o encarou. Virei de costas bebi o líquido do meu copo novemente e pedi outro. -Controle a Drew, ou então, eu vou enfiar a mão na cara dela novamente. -Ela bufou e ele riu. -O Percy, está te procurando. -Senti a minha pele queimar sob o seu olhar.
–Não a deixe beber, Grace. -Ele disse e eu o senti se afastar.
–Preciso de algo mais forte! -Disse ao Bar Man.
...
Já tinham pelo menos duas horas que eu estava naquela festa, e estava num tédio da porra. A Annabeth estava conversando com umas meninas, o meu irmão estava quase engolindo a McLean, e o resto... Bom, era o resto.
–O que está achando da festa, Drew? -Ouvi a Dare perguntar.
–Está ótima. -Eu ri e elas me olharam. -O que foi?
–Querida, se o seu DJ toca músicas de 2010 em uma festa de 2015, com certeza a sua festa não está boa. -Ela me fuzilou. -I Gotta Feeling? Sério? -Eu ri. -Já ouviu falar em David Guetta? Calvin Harris? Skrillex? -Ela cruzou os braços indignada.
–O que você acha Nico? -A Takana o perguntou. -Nico? -Ela o balançou, ele tirou os olhos do celular e a olhou.
–O que?
–A música.
–Você quer a verdade? -As duas bufaram. -Eu dou um jeito. -Ele beijou o rosto dela e caminhou até o DJ. A música parou e segundos depois começou a tocar um remix de Runaway do Galantis. Eu amava aquela música. Automaticamente as pessoas começaram a dançar.
Bebi o resto da minha bebida, que eu já não tinha ideia do que era. Peguei outra no bar e comecei a balançar o meu quadril no ritmo da música. Peguei a bebida e fiquei no meio das pessoas, continuei a dançar como se não tivesse amanhã.
Senti a minha pele queimar e ergui o olhar. O Di Ângelo me olhava, eu sorri e ergui o copo em sua direção. Continuei a dançar, logo a McLean arrastou o meu irmão para a pista. Eu fui até a Annabeth e a puxei para a pista, ela arregalou os olhos me fazendo rir. Virei de costas para eles só para ter o prazer de olhar nos olhos castanhos do Di Ângelo.
Ele estava dançando com a Takana, e aquela maldita asiática estava se esfregando nele. Fechei os olhos e virei de costas. Senti uma presença atrás de mim e me arrepiei.
–O que você quer, Di Ângelo?
–Beber. -Ele disse e eu tive a confirmação de que ele estava bêbado, e eu também estava. Aquilo não iria prestar. -E dançar. -Ele esticou a mão para mim.
–Por que não? -Eu peguei a mão dele e matei o que tinha no meu copo, desceu queimando tudo.
Ele me puxou contra si, fazendo os meus seios ficarem espremidos e me fazendo arfar. Eu o olhei e levei uma de minhas mãos até o seu braço, ele seguiu a minha mão com o olhar, me fazendo morder o lábio. Que porra estava acontecendo comigo?
Suas mãos agarraram a minha cintura. Uma música com uma melodia sexy começou a tocar. Comecei a mover lentamente o meu quadril no ritmo da música. Ele fechou os olhos por alguns segundos, e antes que eu pudesse pensar ele me virou de costas e colou o corpo no meu. Mordi o lábio com mais força e apertei o seu braço.
Seus lábios roçaram em meu pescoço me causando deliciosos arrepios. As suas mãos em minha cintura faziam com que não restasse nenhum centímetro entre nós, o que me fazia rebolar colada nele.
–Sua namorada não vai reclamar? -Ele riu contra o meu pescoço, me causando ainda mais arrepios.
–Não tenho namorada, Grace. -Eu ri.
–Então não tem problema nenhum se eu fizer isso?-Eu virei de frente para ele e coloquei as minhas mãos sob a sua camisa, podendo sentir o quanto a sua pele estava quente, para em seguida erguê-la e a jogar em algum lugar desconhecido. Ele riu. -Ou isso? -Mordi o se pescoço e subi as minhas mãos arranhando o seu abdômen.
Senti alguém esbarrar em mim e algo gelado escorreu pelo meu colo e abdômen. Olhei para o lado e vi a Takana. A fuzilei com os olhos e ela riu.
–Me desculpa. -Ela disse se fazendo de inocente.
–Estava quente aqui mesmo. -Puxei a minha camisa para cima e a joguei no chão. Ela bufou e saiu pisando duro.
Senti o Di Ângelo agarrar a minha cintura e me puxar contra si. Sem mais delongas ele começou a distribuir beijos e mordidas pelo meu pescoço, me fazendo gemer baixinho, mas o suficiente para ele ouvir.
Ele me virou de frente para si e voltou a atacar o meu pescoço, minhas mãos desceram pelas suas costas arranhando levemente a pele exposta. Suas mãos agarraram as minhas coxas, apertando-as com força, me deixando maluca. Eu podia sentir os meus seios rijos, e sabia que ele também.
–O que está acontecendo comigo? -Ela sussurrou no meu ouvido me fazendo estremecer. -O que você fez comigo, Grace?
Ele ergueu a cabeça e olhou em meus olhos, o castanho estava tão escuro quanto a noite, poderia facilmente se passar por preto. Rocei os meus lábios nos dele e olhei em seus olhos. Quando estava prestes a beijá-lo…
–ME SOLTA SUA VACA!!-Ouvi a Takana gritar. Soltei o Di Ângelo rapidamente e caminhei na direção da voz. A Takana estava caída no chão e a Annabeth estava sobre ela.-NICO TIRA ELA SE CIMA DE MIM!
–Chega, Annie. -Ele ergueu a loira que se debatia.
–Me solta, Nico. Eu vou matar essa piranha!-A Takana se ergueu com certa dificuldade. -Me solta, Nico! -A Annabeth se debateu novamente.
–Já chega, Annie! -Ela suspirou e o olhou. Ele arregalou os olhos a soltando rapidamente e subiu correndo as escadas, todos ficamos com cara de confusos.
Não demorou nem dois segundos para ele descer com uma menina nos braços, todos abriram espaço para ele passar. Eu identifiquei a menina em seu colo como a Di Ângelo. A Annabeth passou por mim correndo e foi atrás dele, que já estava do lado de fora da casa. Tomada pelo impulso eu fui atrás deles. Os dois estavam parados no meio da rua, olhando para os lados.
–O que aconteceu? -Eu perguntei.
–Cadê o meu carro?! -O Di Ângelo perguntou desesperado. Me aproximei do carro mais próximo e acertei uma cotovelada no vidro.
–Serve esse daqui? -Abri a porta e me abaixei. Fiz rapidamente uma ligação direta e motor rugiu. -Vocês vão ficar aí?
Os dois pularam para dentro do carro rapidamente. Acelerei o carro quase atropelando um grupo de pessoas no meio da rua. Segui pelas ruas da cidade feito louco, avancei todos os sinais, quase bati em dois carros, e quase atropelei um cachorro. Parei o carro na frente do hospital, o Di Ângelo pulou do carro e entrou correndo no hospital.
–APOLO! -Ele gritou. -APOLO! -As pessoas que estavam presentes ali o olharam assustadas.
Não demorou muito para um médico loiro aparecer. Ele arregalou os olhos e correu até nós, checou os sinais vitais da Di Ângelo e puxou as pálpebras dela. Falou algo para os médicos e o Di Ângelo colocou a irmã em uma maca. O médico loiro e alguns outros enfermeiros empurraram a maca para algum lugar desconhecido. O Di Ângelo socou a parede mais próxima com tanta força que a parede ficou manchada de sangue. A Annabeth suspirou e sentou-se na cadeira mais próxima.
–Nico. Calma, Apolo vai cuidar dela. A Bianca vai ficar bem.
–Até quando? Até ter outra overdose? -Eu o olhei. -A culpa é minha. Eu devia ter ouvido… Eu devia…
–Shiiiii… -Ela levantou e o abraçou. -Você estava distraído. -Ela o olhou. -Você não tem que cuidar dela o tempo inteiro. A Bianca já é bem grandinha. Pode cuidar de si mesma.
–Ela vai se machucar. -Eu vi uma lágrima escapar dos seus olhos. -Isso está a fazendo mal. -Ele suspirou. -Está a deixando descontrolada. Ela vai acabar se matando. Ou pior.-Ele olhou para a Annabeth e os dois olharam para mim.
Por que eu eu estava totalmente perdida naquela história?
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