WolfHill
7 Capítulo 6 - Maybe, you are not so unbearable.
Notas iniciais
P.O.V Thalia
–Você devia ser mais sociável. -Eu o olhei. -Faz dois meses que você está na cidade e não fala com ninguém.
–Olha a minha cara de preocupada. -Ele suspirou. -Estou falando sério, Jason. -Eu dei pause no jogo. -Não me importo com ninguém daqui.
–Mas é a nossa casa.
–Não é mais. -Eu me levantei. -WolfHill já foi a nossa casa, Jason! Estou aqui com um único propósito.
–Eu sei. -Ele se levantou. -Quer matar Poseidon.
–Exatamente.
–Já parou para pensar o que acontecerá depois que ele morrer?
–Voltamos para casa.
–Que casa, Thalia? -Ele riu debochadamente. -WolfHill é a nossa casa, você querendo ou não! Então pare de agir como uma criança mimada e entenda! Você não vai mais sair de WolfHill!
–Não pode...
–Ele está certo. -Eu olhei para o meu pai parado ao pé da escada. -Não deixaremos WolfHill.
–Não pode fazer isso comigo!
–Posso e vou. Eu ainda sou o seu pai Thalia Grace.
–Não pode me prender aqui nesse fim de mundo!
–Se quer ir embora essa é a sua chance. Faça as suas malas e saia.
–Está me mandando embora? Depois de tudo o que eu fiz?
–O que você fez? -Eu arregalei os olhos. A raiva tomou conta de mim e eu explodi.
–Devia ter deixado você morrer na Carolina do Norte! -Ele travou o maxilar e olhou para o Jason. -Não contou a ele, não é?
–Thalia...
–Aposto que não contou a ninguém. -Eu me aproximei dele. -Se você tivesse morrido, Poseidon já estaria morto a muito tempo. Você é um péssimo rastreador, assim como é em campo. O que faz de você um péssimo líder. -Senti o meu rosto arder e o olhei.
–Nunca mais repita isso. -Eu o encarei. -A culpa da sua mãe estar morta não é de Poseidon, é sua. Você matou a sua mãe, Thalia. -Eu engoli em seco.
–Eu sei. E nada do que eu faça vai mudar isso. -Eu tinha a respiração ofegante. -Só não se esqueça de uma coisa, Zeus. -Ele odiava quando eu o chamava assim. — Eu salvei a sua vida uma vez, mas isso nunca mais irá se repetir.
Me afastei dele e abri a porta, Ares estava parado na frente da casa e me olhou, eu passei direto por ele e corri em direção a mata. Eu podia ouvir a voz do meu irmão e do meu amigo, porém, os ignorava. Entrei na mata e corri em meio as árvores.
Lágrimas nublaram a minha visão. Eu odiava chorar, porém, quando o fazia ninguém nunca via. Minhas pernas eram arranhadas por algumas plantas, mas eu não me importava, eu só queria correr, queria ir para o mais longe possível de tudo aquilo.
Parei de correr quando me deparei com a linda paisagem de uma cachoeira. Me sentei próximo a água e deixei as minhas lágrimas caírem. Eu podia chorar ali, ninguém estava me vendo, então eu podia deixar as minhas barreiras caírem.
–Grace? -Aquela voz vez os pelos do meu corpo se arrepiarem. -O que faz aqui? -Eu limpei o meu rosto e o olhei. -Está chorando?
–Eu não choro, Di Ângelo. -Eu desviei o olhar e me levantei. -Eu já estava indo embora.
–Não estava não. -Eu o olhei. -Vi quando você chegou.
–Está me seguindo agora?
–Não. -Ele me olhou. — Seu pé está sangrando. -Eu olhei para baixo.
–Não é nada. -Ele sentou-se no chão e me olhou.
–Quer conversar? -Eu arqueei as sobrancelhas. -Estou tentando ser legal, Grace. -Eu suspirei e me sentei ao lado dele. -Por que estava chorando? -Eu o olhei. Algo nos olhos dele me intrigava, mas ao mesmo tempo me fazia confiar nele, coisa que não tinha explicação nenhuma.
–Briguei com o meu pai. -Eu olhei para a água. -E ele não perdeu a oportunidade de jogar na minha cara que eu sou a culpada da morte da minha mãe. -Ele riu.
–Bem vinda ao clube. -Eu o olhei. -Meu pais faz o mesmo sempre que pode.
–O que aconteceu com a sua mãe? -Ele abraçou os joelhos. -Desculpa, é que...
–Estávamos em casa, eu estava no quarto brincando. -Ele sorriu. -Eu tinha sete anos e adorava brincar com aquele malditos bonecos. -Eu acabei sorrindo. -Eu a ouvi gritar e corri até a cozinha. Quando cheguei lá, havia um homem sobre o corpo da minha mãe, e corpo dela esta caído no chão. -Ele me olhou. -Tinha uma flecha no pescoço dela, antes de fugir o homem sorriu para mim e fugiu pela janela. -Ele apertou mais os joelhos contra o corpo. -Meu pai me culpa, mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Eu só tinha sete anos.
–Entendo. -Eu peguei uma pedrinha e a joguei na água.
–O que aconteceu com a sua mãe? -Eu o olhei. -Talvez, explique o motivo de você ser tão... -Ele pareceu pensar.
–Thalia? -Sugeri.
–É. -Ele riu. De certa forma, o Di Ângelo estava certo, em dois meses eu fui parar na direção umas quinze vezes, deixei três meninas e cinco meninos da enfermaria, fui expulsa da sala pelo menos uma vez por dia, e ainda estava de detenção por ter mandado a professora ir procurar um consolo.
–Eu e a minha mãe fomos até um parque, até que alguém a atacou. Ela tentou fugir comigo, mas quando estávamos na estrada, batemos em algo, eu desmaiei e quando acordei estava do lado de fora do carro, e o corpo da minha mãe estava coberto por um plástico preto. -Eu desviei o olhar dele. -Tinha sangue para todo lado, e principalmente em mim. -Eu respirei fundo. -Os médicos dizem que eu fiquei acordada o tempo inteiro, mas bloqueei tudo o que vi. -Abracei os meus braços. -Meu pai está certo, a culpa foi minha.
–Não foi culpa sua. -Eu o olhei.
–Se eu fosse uma criança normal, e brincasse com as outras crianças no parque da praça, minha mãe ainda estaria comigo. -Eu suspirei. -A culpa foi minha.
–Não foi. -Ele me encarava de um modo tão profundo que eu me sentia invadida por ele. -Minha mãe sempre dizia para eu não ter medo da morte. -Ele sorriu. -Ela dizia que a morte chegaria para todos, e quando chegasse, não era para nós termos medo. -Ele sorriu. -La morte non è la fine, è solo l'ultimo modo in cui tutti noi dobbiamo prendere.
–O que quer dizer?
–A morte não é o fim, é apenas o mais um caminho que todos nós temos que tomar. -Eu o olhei. -Tudo bem, isso aqui está ficando muito deprimente. -Ele levantou e me olhou. -Que tal um mergulho?
–A água deve estar um gelo.
–Não está não, venho aqui quase todas as noites e nunca está gelada. -Eu o olhei, ele deu de ombros e retirou a camisa. O que me surpreendeu foi o fato do Di Ângelo ser realmente muito pálido, e não ter um tanquinho. Pelo que eu ouvia sobre ele um tanquinho era o mínimo que eu esperava. Ele se curvou para colocar o cordão sobre a camisa e eu pude ver que ele tinha sim um tanquinho, mas não era como o que se espera do "gostosão" da escola. Mas isso não o fazia menos gostoso. -Admirando, Grace? -Eu o olhei.
–O que? Não tem nada aí. -Ele riu.
–Talvez, você devesse olhar mais para baixo. -Eu revirei os olhos, e ele riu.
–Aposto que não vou achar nada. -Ele me olhou.
–Não me provoque, Grace. -Ele desfez o laço do short e eu desviei o olhar. Logo a água respingou em mim. -Você deveria vir. Está uma delícia. -Eu suspirei e me levantei. Retirei o meu moletom e ele riu. -Que sutiã é esse? -Eu olhei para baixo e ri também. Coloquei o meu cordão em cima do meu casaco e retirei o meu short. Me virei e caminhei até a água. Estava ralemente quente. Mergulhei e emergi no meio do rio.
–Você não devia criticar a lingerie de uma mulher. -Ele riu e nadou até mim. -Isso não é legal.
–Seu sutiã é... -Ele pareceu pensar. -Diferente? -Eu joguei água nele. -Hey!
–Você é um babaca. -Ele riu.
–Talvez, você não seja tão insuportável. -Eu passei a mão pelos meus cabelos.
–Você é realmente insuportável, Di Ângelo. -Ele fechou a cara e eu ri.
–Está parecendo um panda. -Eu ri e passei a mão molhada pelo rosto para poder tirar a maquiagem.
–Consegui limpar? -Ele negou e se aproximou, seus dedos foram de encontro ao meu rosto e ele passou o dedo no local a baixo do meu olho e me olhou. -Limpou?
–Limpei. -Ele continuava com a mão no local.
Seu corpo se encontrava tão próximo ao meu que eu podia sentir a sua leve respiração contra o meu rosto. Ele acariciou o meu rosto e desceu o olhar para os meus lábios. Eu retirei a sua mão do meu rosto e a coloquei sobre a água. Ele colocou uma mecha rebelde do meu cabelo para trás da minha orelha, eu acompanhei cada movimento dele, e pude perceber que ele mantinha o olhar em mim, sentia a minha pele queimar sobre o olhar dele. Nossos olhares se encontraram novamente. Era o preto competindo com o azul.
–Acho melhor eu voltar. -Ele assentiu. Eu soltei a mão dele e me virei.
Vesti as minhas roupas e ele as dele em silencio. Aquilo havia sido tão estranho, mas também, havia sido tão intenso. Tão...
–Hey. -Ele me chamou. -Quer que eu te acompanhe? -Eu abri um pequeno sorriso.
–Pode ser. -Ele assentiu. Nós começamos a caminhar pela mata, e por incrível que pareça, o Di Ângelo parecia conhecer aquilo perfeitamente.
Passamos o caminho inteiro conversado sobre banalidades, e rindo de qualquer coisa estúpida que um dos dois dizia, e acabei descobrindo que eu e o Di Ângelo tínhamos algumas coisa em comum, como adorar fazer maratonas de séries, ele fazia com as irmãs e eu com a Reyna. Ele também gostava de andar de skate, e gostava de Bon Jovi. Dentre outras coisas. Quando paramos na frente da minha casa eu o olhei.
–Obrigado. -Ele sorriu.
–Disponha. -Eu virei abri um pequeno sorriso e comecei a caminhar até em casa. Quando estava no meio do caminho eu virei e o vi, ele acenou e então virou, voltando para a floresta. Quando cheguei na porta de casa ouvi um uivo e me virei para a floresta. Foi impossível não me importar com o Di Ângelo.
(...)
Assim que o carro parou na frente da escola eu saltei do mesmo. Caminhei até o meu armário e peguei o meu livro de história. Entrei na minha sala, e me sentei no meu lugar habitual, mas por conta dos fones, eu não percebi que a sala estava ocupada. Eu olhei para frente e vi que tinha um casal se pegando na primeira carteira.
Eu forcei o olhar e vi que era o Di Ângelo e uma outra garota. Ela usava uma saia minúscula preta, uma jaqueta preta e saltos da mesma cor da jaqueta. Seus cabelos castanhos caíam pelas costas e ela tinha os braços ao redor do pescoço dele. Aquilo não estava me agradando. Fingi um pigarro e os dois continuaram a se pegar. Bati com o meu livro na mesa e eles se soltaram.
–Obrigado.
–Tinha que ser. -A menina falou e eu a olhei, suas características asiáticas eram inconfundíveis. Drew Takana. -Isso tudo é falta de sexo, Grace? -Eu a olhei. -Acredito que algum menino da escola esteja querendo você, pelo menos um. Ou quem sabe um garota.
–Cala a boca, Takana. -Ela sorriu.
–É o que dizem, Grace. -Eu revirei os olhos. -Ninguém em WolfHill tem preconceito. -Eu abri o meu melhor sorriso e caminhei até eles.
–Bom saber. -Eu acariciei a cintura dela e a mesma arregalou os olhos.
–Eu falo com você depois, Nico. -Ela retirou a minha mão dela e saiu da sala. Eu comecei a rir e o Di Ângelo me olhou. Eu me apoiei contra uma carteira e continuei a rir.
–Você é maluca?
–Maluca, não. Espontânea. -Ele revirou os olhos. -Qual é Di Ângelo, foi engraçado.
–Não, foi não. -Eu dei de ombros e voltei para o meu lugar. O sinal bateu e os alunos começaram a entrar na sala. O professor entrou na sala, ele colocou as suas coisas sobre a mesa e andou, com sua cadeira de rodas, até o centro da sala. Limpou a garganta chamando a atenção de todos.
–Bom dia a todos. -Ele apoiou a mão sobre as pernas. -Bom, por favor, fiquem em silêncio. -Ele abriu o diário. -Para esse semestre eu quero um trabalho em grupo. Sobre uma lenda local.
–De novo? -Alguém perguntou do outro lado da sala.
–Sim, senhor Valdez. -O professor Quíron olhou para o menino, magrelo do outro lado da sala. -Mas dessa vez, eu irei escolher a lenda local. -Todos soltaram um resmungo. -E eu irei formar os grupos. -Mais resmungos. -E dessa vez não será escrito, quero uma apresentação. -Muito mais resmungos dessa vez. -Sim, senhorita Chase? -Ele perguntou a loira que estava com o braço erguido.
–Qual será a lenda professor? -A Annabeth perguntou.
–Escolhi a lenda de acordo com o trabalho que mais me surpreendeu. -Ele olhou para mim. -Vocês deverão falar sobre os lobos. -Todos olharam para mim. -Aqueles que ficarem no mesmo grupo que a senhorita Grace, terão sorte. -Ele olhou para o Diário. -Primeiro grupo. Drew Takana. -A morena olhou para frente. -Rachel E. Dare. -A ruiva que estava rindo no fim da sala olhou para frente também. -Octavian. -O professor continuou a falar até que chegou no meu nome. -Ultimo grupo. Thalia Grace, Nicholas Di Ângelo, Annabeth Chase, Perseu Jackson, Jason Grace, Piper McLean e Bianca Di Ângelo. -O grupo do outro lado da sala olhou para mim.
Era tudo o que eu queria.
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