WolfHill
6 Capítulo 5 - Nico
Notas iniciais
—Hey. -Eu ergui o olhar. -Posso? -Ela apontou para a cadeira ao meu lado, eu assenti e ela sentou. -A culpa não é sua. A Bianca pode ser explosiva quando quer. -Eu a olhei. -Ela caiu em cima de uma pedra quando foi pular da cachoeira, e o fato dela ter caído ajudou a ferida a abrir. -Algo naquela explicação não me agradava.
—Ela me derrubou. -Ela me olhou. -Ela tem algo contra mim que eu não saiba? -Ela engoliu em seco.
—Não. -Ela riu. -Claro que não. -Ela pegou a mochila. -Quer saber, eu acho que...
—Annabeth Chase, você não sabe mentir. -Ela sorriu sem graça. -O que foi?
—Nada. -Ela acabou esbarrando em alguém. -Des... Percy? -Ela franziu o cenho. -O que faz aqui?
—É o Nico. -Ela arreglou os olhos e os dois saíram da biblioteca.
P.O.V Nico
Eu simplesmente odiava aquilo! Odiava ficar preso! Simplemente odiava! E o pior é que eu não podia fazer nada! Absolutamente nada! E eu odiava aquilo!
—Hey! -Eu ergui a cabeça e vi a Annie. -Perdeu novamente? -Eu caminhei até ela e ela acariciou o meu pelo. -O que vamos fazer com você, Nico? -Se eu pudesse reviraria os olhos. -Tudo bem. -Ela caminhou até a prateleira e começou a pegar um monte de ervas, misturou tudo e me entregou, o cheiro daquilo me fez querer sair correndo. -Vai te fazer dormir. -Ela colocou em uma tigela e eu engoli aquilo. A olhei e logo me senti fraco.
—Hey! -Eu a olhei, seus olhos azuis brilhavam. -Vamos, eles estão nos esperando. -Ela sorriu e caminhou até mim, acariciou os meus pelos e sorriu. -Anda logo, Nico.
Ela saiu do quarto e eu a segui, os outros estavam do lado de fora, ela montou em mim e eu comecei a correr pela floresta, a risada dela era o única som que eu ouvia, e era tudo o que eu precisava. Parei na frente de uma cachoeira e ela desceu das minhas costas, retirou a camisa e o short pulando na água em seguida. Ela emergiu e olhou para mim sorrindo.
—Vamos logo cadáver ambulante. -O Leo passou por mim e pulou na água. -Vem Nico!
Eu me concentrei e senti o meu corpo estremecer, então eu era apenas o Nico. Pulei na água como todos eles e emergi, senti alguém pular nas minhas costas e vi que era a Thalia, ela sorria para mim, seu sorriso brilhava tanto que podia iluminar a floresta mais escura.
—O que foi? -Ela perguntou e escorregou para a minha frente. -Para de me olhar, Nico. -Ela empurrou o meu ombro.
—Não consigo. -Ela riu e enlaçou o meu pescoço. -O que você fez comigo, Thalia? -Ela riu novamente. -Eu não gosto de você. -Ela continuou a rir. -Não posso gostar de você.
—Nico. -Eu olhei para o lado e vi a Annie. -Nico, acorda.
—O que?
—Nico. -A Thalia me chamou, mas era a voz da Annie. -Acorda.
—Nico. -Abri os olhos e vi a Annie, ela estava na minha frente ajoelhada, eu ergui o corpo e ela sorriu. -Bem melhor. -Eu olhei para baixo e vi que tinha voltado ao normal. -Como o que estava sonhando?
—Nada demais. -Ela riu. -Falei alguma coisa enquanto dormia?
—Não. -Ela levantou rapidamente, mesmo se eu não soubesse que ela estava mentindo os batimentos cardíacos dela haviam se alterado.
—Annie, você não sabe mentir. -Ela suspirou e virou-se para mim.
—Chamou pela Thalia enquanto dormia, Nico. -Eu arregalei os olhos. -Está acontecendo algo que eu não saiba?
—Não. -Ela suspirou.
—Odeio isso. -Ela bateu com a tigela na mesa de madeira. -Odeio quando me fazem de idiota.
—Não aconteceu nada entre mim e a Thalia, Annie. -Ela suspirou.
—Só não deixe Poseidon ouvir. -Ela ainda estava de costas.
Suspirei e virei as costas, abri a porta da enfermaria e caminhei até a minha casa, que ficava do outro lado da clareira. Entrei em casa e não ouvi nada, ótimo estava vazia. Caminhei até o meu quarto, que era o único do primeiro andar, e fechei a porta. Entrei no banheiro, me despi e entrei no box, quando liguei o chuveiro eu gritei. A ouvi rir e soquei a parede.
—ANNABETH SUA BRUXA DESGRAÇADA! -Ela riu ainda mais. -TUDO BEM! DESCULPA! -Ela riu e a água voltou ao normal.
—DISPONHA, NICHOLAS. -Eu a ouvi dizer. Ter uma bruxa como melhor amiga as vezes não era legal. Deixei o meu corpo relaxar sob a água e suspirei.
Eu ainda não conseguia entender o motivo de ter sonhado com a Grace. Eu não gostava dela. Na verdade eu a odiava. Ela quase havia matado a minha irmã. Não que a Bianca não estivesse merecendo, mas não precisava matá-la!
Quando eu vi a Grace com aquela flecha apontada para a minha irmã, a raiva me dominou, eu não queria machucá-la, não era a minha intenção, mas quando vi que a Bianca estava ferida eu quis matá-la. Eu só não o fiz, porque Poseidon deu a ordem de recuar, e além do mas, a Grace não tinha culpa. O que piorava tudo.
Desde que aquela garota chegou em WolfHill eu não consigo dormir, pensar, comer, correr, ou fazer qualquer outra coisa direito. Era mais forte que eu. Toda noite era a mesma coisa, esperava todo mundo dormir e saia escondido, me transformava na floresta e corria até a casa dos Grace. Algumas vezes eu me arriscava em chegar perto da casa. Não me perguntem o motivo. Passava a noite toda na floresta, cochilava algumas vezes, mas a maior parte do tempo eu ficava acordado. Só voltava para casa quando o sol raiava.
Na escola era pior. Eu fazia de tudo para me controlar, mas nem sempre conseguia. Era impossível não olhar para ela, o seu cheiro era inebriante, e me desconcentrava. Não sei quantas vezes ela me pegou olhando para ela. A melhor parte de olhar para ela era poder ver o sorriso que ela abria, era raro, mas ela abria.
A Grace parecia esconder tantos segredos, e ter tanta... Dor? Talvez, essa não fosse a palavra certa. Mas, as vezes, parecia que tudo o que ela precisava era de um abraço. E eu tinha certa suspeita que ela era como eu. Acordava todos os dias, vestia a máscara de indiferença e ia viver.
O que será que Thalia Grace escondia?
(...)
—Nem tenta. -Disse antes que ela batesse na porta. -Não vou falar com você. -Ela abriu a porta e me olhou.
—Eu devia estar assim. -Eu revirei os olhos. -Eu trouxe chocolate. -Continuei a não olhá-la. -Chocolate com caramelo, morango e... -Pulei da cama e peguei a sacola que estava na mão dela. -E refrigerante. -Ela terminou de falar e se jogou na cama ao meu lado.
—Está desculpada. -Ela revirou os olhos e pegou o morango da minha mão. -Hey! -Tentei mover a minha mão, mas não consegui. -Hey! -Ela riu. -Isso não tem graça, Annie!
—Tem sim. -Ela pegou o chocolate da minha outra mão e eu não conseguia mais mover nenhuma das duas. -Isso é realmente gostoso.
—Annabeth Chase. -Ela riu e ligou a televisão, colocando no Discovery Channel. -Isso é tortura.
—Não, esse programa é legal. -Eu bufei. -Está perdoado. -Ela me soltou, saltei sobre ela e comecei a fazer cócegas nela. -Não! Nico! Para. -Ela começou a rir. -N-N-N-Não... P-P-P-Para. -Ela estava começando a ficar vermelha, eu parei com as cócegas e voltei a deitar na cama. -Eu te odeio.
—Eu sei que você me ama. -Ela bufou e cruzou os braços.
—Nico, meu pai... -Ele parou de falar assim que a viu. -Atrapalho algo? -Eu olhei para a Annie, que tinha se sentado, e depois para ele.
—Não, Percy. -Ela disse. -O que foi?
—Ele quer uma reunião, quer falar sobre Zeus. -Eu assenti e olhei para a Annie, ela suspirou e beijou o meu rosto, saindo do quarto em silêncio.
—Você é o maior babaca de todos os tempos. -Eu falei e ele suspirou.
—Eu sei disso.
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