WolfHill
27 Capítulo 26 - Dad Is Back
Notas iniciais
Vi o punho da Annabeth vir em minha direção e não fiz nada para desviar, o que me fez cair no chão. Suspirei e continuei deitada sobre a terra. Passei a mão pelos cabelos e suspirei, o que não passou despercebido pela loira, que sentou-se ao meu lado e ficou me encarando.
—Não conseguiu dormir ainda? -Balancei a cabeça em negação. -Precisa dormir Thalia, vai acabar afetando o seu lobo.
—Eu sei, mas…
—Olha, eu entendo, estão se culpando pelo o que aconteceu, mas não foi culpa de vocês. -Cobri os meus olhos com o braço. -Ele ainda está te evitando? -Assenti. -Vou tentar falar com ele.
—Não vai adiantar, ele não sai daquele quarto por nada. -Bufei e olhei para ela. -Não sei mais o que fazer.
—Eles vão ficar bem.
—Assim espero.
Cinco dias atrás…
Já devia estar amanhecendo, e nós ainda estávamos acordados. Não vou negar que estava um tanto quanto cansada, não diria exausta, mas algumas horas de sono não cairiam mal. Sentia algumas partes do meu corpo sensível, e o pela primeira vez, me considerava satisfeita.
Sua mão acariciava minhas costas de um jeito gostoso, quase me fazia dormir, mas eu não podia, ainda não. Tinha que falar com ele. Sabia que teria que ter todo um jeito para poder falar com ele, percebi seu ciúme na noite anterior, assim como o meu. Éramos muito possessivos um com o outro, e isso me preocupava um pouco, e tinha certeza que a ele também.
Apoiei meu rosto em seu peito e o olhei. Os cabelos úmidos, devido ao banho recente que ambos havíamos tomado, caíam em seu seu rosto, suas bochechas estavam avermelhadas, assim como seus lábios, e eu tinha certeza que eu estava em um estado bem parecido.
—Precisamos conversar.
—O que foi? -Respirei fundo e caí para o lado. -Thalia.
—Nós somos diferentes. -Ele franziu o cenho. -Quero dizer, somos diferentes dos outros. Eu acho. -Sentei-me e passei a mão pelos cabelos. -Por isso quis vir para cá, não queria que ninguém nos escutasse. -Eu o olhei, e ele estava visivelmente confuso. -Eu já havia transado com um lobo. -Ele sentou-se e me olhou.
—Como?
—Namorei o Luke por dois anos, em algum momento do relacionamento nós provavelmente transamos na Lua Cheia, mas eu nunca me transformei. Só com você.
—Minha vontade de bater nesse cara duplicou.
—Foco Nico.
—Tudo bem. -Ele respirou fundo. -Mas não faz sentido.
—Eu sei. É muito estranho. -Virei-me para ele e suspirei. -Não sei como contar á Poseidon isso.
—Nem eu. -Suspirei. -Olha, vamos dar um jeito de descobri. -Assenti. -Alguém ligou? -Peguei o meu celular e vi que tinha uma ligação da Annie. Retornei e a esperei me atender.
—Alô. -Sua voz estava sonolenta, provavelmente, eu havia a acordado. -Thalia?
—Aconteceu algo?
—THALIA! -Escutei um barulho estranho. -Onde vocês estão?
—Annie, eu avisei à você que iria vir com o Nico para a casa de Zeus.
—Thalia, vocês estão sumidos ha três dias. -Arregalei os olhos. -Nós fomos até a casa, e ela estava completamente vazia.
—Mas… Annie! Se isso for uma brincadeira, é melhor parar.
—Thalia, nós achamos que Zeus tinha feito algo com vocês. -Escutei som de passos. -Só voltem para a clareira. Urgentemente. -Olhei para o Nico e ele assentiu.
—5 minutos.
…
Zeus ainda estava preso, tudo ainda estava calmo, estava tudo normal, mas lá no fundo algo me preocupava. Andamos até a casa de Poseidon e aquela sensação tuim aumentou, a Annie havia me avisado que estariam lá. Antes mesmo de nós pensarmos em bater na porta, ela foi aberta por um Hades irado.
—Onde você estava?!
—O que aconteceu?
—Aconteceu novamente. -Ele arregalou os olhos e saiu correndo. -Nicholas… -Não adiantou, ele já estava longe.
—O que aconteceu? -Perguntei. -Hades. -Ele me ignorou e entrou na casa, eu segui o seu exemplo. Todos me encaravam, alguns pareciam preocupados, outros pareciam com raiva, e outros, como Atena, não demostravam o que sentiam. -Alguém vai me explicar o que aconteceu, ou terei que tirar as minhas próprias conclusões?
—Vocês sumiram.
—Estávamos na casa de Zeus. Avisei que iria para lá. -Respirei fundo. -Olha, eu não sei o que aconteceu. Fomos até lá porque eu precisava conversar com o Nico.
—Que tipo de conversa dura três dias? -Olhei para Ares.
—Desejei feliz Natal ao Nico noite passada. Não pode ser dia 28.
—Mas é! -Respirei fundo.
—Olha, eu não sei o que aconteceu, e discutir não vai adiantar, se quiserem entrar na minha cabeça, entrem, eu não vou negar, mas nós deixamos o French Quarter ontem a noite. -Eles se entreolharam. -O que aconteceu?
—Foi a Bianca. -Algo dentro de mim se agitou. -Overdose. -Agora fazia sentido a reação do Nico. -Ela não diz coisa com coisa.
—Ela não faria isso. -Eu disse.
—Ela já fez antes, Thalia. -Olhei para Hades.
—Pedi para a Piper enfeitiçá-la para toda vez que tentasse fazer algo do tipo sentisse dor. Ela não iria conseguir fazer. -Senti uma irá descomunal tomar conta de mim. -Então alguém fez por ela.
Dei as costas a eles e olhei para o homem preso. Minha paciência havia chegado ao fim. Era hora de Zeus ter o que merecia. Puxei as correntes fazendo-o ficar ereto, soquei seu rosto antes mesmo dele fazer qualquer pergunta.
—Você vai dizer o que Poseidon quer saber, ou eu irei extrair a resposta com as minhas próprias mãos. -Ele sorriu. -Eu não estou brincando. -Soquei novamente seu rosto. -Por que fez isso com a Bianca, o que ganha com isso?
—Sabe quantas pessoas ela matou? -Quebrei um galho e o enfiei em Zeus, que não conteve um grito. -Uma estudante de direito. -Girei o galho. -Um marinhei recém formado. -Quebre o galho e enfiei do outro lado. -Uma garotinha de 2 anos. -Ele riu. -A mãe de duas. -Girei os dois galhos. -Ela nunca irá se recuperar.
—Eu vou acabar com você. -Deixei minhas garras crescerem e arranhei seu peito. -O que você quer Zeus?! -Arranhei seu rosto.
—Você já sabe.
—Eu não tenho o Sanguini! -Segurei seu rosto e o fiz me olhar, não me importei com minhas garras atravessando a sua pele. -Como consegue fazer contato com suas bruxas? -Ele sorriu, o que fez minhas garras perfurarem ainda mais o seu rosto. -Eu quero respostas, estou cansa de você e dos seus jogos.
—O jogo não é meu Thalia Grace. -Ele cuspiu sangue. -Eu sou só um peão, você é a rainha, e o seu rei está prestes a receber um xeque-mate -Soquei seu rosto. -Precisa acabar com o outro lado, se quiser sobreviver tempo o suficiente para ter suas respostas. -Puxei os dois galhos e os joguei longe. Cravei minhas garras em seu pescoço e o fiz me olhar.
—Você tem uma semana para nos dar respostas, ou então, eu volto aqui e acabo com você. — Soltei o seu pescoço e o vi engasgar com o próprio sangue por alguns segundos.
—Thalia. -Ele me chamou em um sussurro. -Você devia ler. -Franzi o cenho. -Vai me agradecer mais tarde.
—Minha mãe disse que ela está melhor.
—Mas ela ainda não acordou. -Ela baixou o olhar. -Eu vou achar quem fez isso com ela.
—Primeiro tem que tirar o seu namorado do quarto dela.
—Ele só vai sair de lá quando ela acordar. -Ela se levantou e colocou o casaco.
—O que quer fazer hoje?
—Tem uma coisa que não sai da minha cabeça, Annie. -Me levantei. -O que Zeus disse. -Ela me olhou.
—Não vai cair no jogo dele novamente, vai?
—Preciso arriscar. -Ela balançou a cabeça em negação.
—Vai adiantar eu pedir para você não ir até lá? -Balancei a cabeça em negação e ela suspirou. -Vou chamar a Piper.
…
Abri a porta da casa que parecia estranha. Se tentasse podia lembrar do primeiro dia em WolfHill, da música clássica que vinha do escritório de Zeus, ou da casa perfeitamente arrumada, de Hera transitando pela casa com sua pose de dona do mundo. Aquilo parecia ter acontecido há séculos, e não há poucos meses.
Balancei a cabeça e espantei aqueles pensamentos. A casa continuava arrumada, mas não se ouvia mais a música clássica, e sim um silêncio, o puro silêncio. A porta rangeu quando eu terminei de abri-la, e algumas folhas voaram para dentro da casa.
Subi as escadas até o segundo andar. Continuava o mesmo silêncio. Por precaução fui até o meu quarto e peguei o meu arco, afinal, Hera, Héstia, Íris, Hermes e muitos outros ainda estavam desaparecidos.
Subimos as escadas até o terceiro andar e entramos na biblioteca. Aquele lugar me trazia boas lembranças com o Nico. Não Thalia! Subi as escadas e olhei para as prateleiras. Não via nenhum livro que eu já não tivesse lido, ou que não fosse “normal”.
Vi a Annie estreitar os olhos e se aproximar da prateleira sem livros, ela passou a mão pela madeira e abriu um sorriso, olhou para o resto da estante e então começou a derrubar todos os outros livros.
—Annie…
—É carvalho branco. -A Piper deve ter entendido pois começou a ajudá-la. -Carvalho isola magia, é como mandrágora, só que ao invés de matar, ele esconde, e quando esconde deixa marcas na madeira, e assim… -Ela tentou puxar um livro que não saiu. -É fácil para uma bruxa descobrir que tem algo errado. -Ela suspirou. -Mas nenhum ser que possua magia no sangue pode tocar no objeto. -Era um livro normal, tinha capa verde e letras em dourado, mas estava em latim. -Piper. -A morena assentiu.
Fechou os olhos por alguns segundos e quando os abriu os mesmos brilhavam em um tom de verde claro, assim como suas mãos. Ela fez um movimento enquanto sussurrava algumas coisa, e então, um galho cheio de folhas se formou em sua mão a partir de sua magia, ela o assoprou contra o livro e o galho se desfez em pequenas folhas. O livro que antes era verde se transformou em um livro antigo com a capa gasta e páginas amareladas, era grosso e largo, me perguntei como estava naquela prateleira.
—O que acontece com quem toca?
—Queima e torna o feitiço mais forte. -Suspirei. -Onde vamos conseguir um humano para pegar esse livro?
—Acho que sei quem podemos chamar. -Olhei para a Annie. .
…
—Me chamou até aqui para isso? Não consegue pegar um livro?
—Groover, por favor. -O moreno suspirou e puxou o livro e o entregou à Annie. -Obrigada.
—O que não fazemos pelos amigos? -Ele bufou. -O que tem nesse livro de tão importante?
—É o que vamos descobrir. -Puxei o livro da mão da Annie e o coloquei sobre a mesa.
“Preste atenção nestas palavras criança, pois elas podem ser sua luz ou suas trevas.
Nascidos em meio a guerra de paz, um fruto do ódio, o outro fruto da paz, essas almas ninguém nunca irá separar, unidos serão invencíveis, separados cairão. Mas sob a lua de sangue no inferno congelado aquele a quem se deve temer retornará, e na guerra sem fim em diferentes lados estarão, mas se todos os sinais perceberem, vidas podem poupar.
Gravem bem o que tenho a dizer, pois se as pistas não reconhecer, todos irão morrer, e aquele a quem se deve temer, no fim irá se reerguer.
—Ótimo! Isso faz todo o sentido. -Virei a folha.-O resto do livro falava sobre a história das lobos, tudo o que Poseidon e Zeus haviam me dito. Até que eu fui virar e senti ela grossa demais. -Tem algo aqui. -Com cuidado eu separei as duas olhas. Aquela desenho me lembrava alguém, mas não sabia dizer quem. Em baixo do desenho, tinha escrito Reia, 1012. —Reia. -Sussurrei. Seus olhos intensos me faziam lembrar de alguém, eu precisava saber quem.
—Ela… Parece com você, Thalia. -Olhei para a Piper. Olhei novamente para a imagem, ela tinha os cabelos encaracolados, e os olhos bem destacados no desenho. -Reia.
“-E você terá. -A mulher disse e olhou em meus olhos, como se soubesse que eu estava lá. -Você irá matar Thalia Grace sob a luz da lua cheia quando o inferno se tornar frio, e anjos caírem do céu.”
—Filho da puta! -Murmurei.
—O que foi? -Olhei para a Annie.
—Não é Zeus. Nunca foi Zeus. -Escutei o Grover rir e olhei para trás. Seus olhos estavam tomados por um brilho vermelho assustador, havia uma áurea escura envolta dele, e ele olhava em meus olhos.. -Grover.
—Patética. -Algo se chocou contra mim e me fez voar longe. Me levantei e o olhei. -Você demorou demais para perceber os sinais, Thalia Grace. Agora, ninguém poderá impedir.
—Isso é impossível. -Novamente ele riu. -O que quer de nós, Reia?
—Não é de “nós”, é de você. -Ele saltou e parou a poucos metros de mim. -Eu quero o seu sangue. -Fui novamente jogada contra uma prateleira. Senti sua mão em meu pescoço e ofeguei. -Você já me deu trabalho demais.
—Para quê precisa do meu sangue? -Com dificuldade puxei o frasco em minha jaqueta.
—Você devia saber.
—E você devia saber que não se brinca com uma caçadora. -Quebrei o franco contra a parede e ele me soltou com um grito.
—Maldita! -Aquele franco era uma mistura que continha Raiz de Mandrágora.
Um vulto loiro acertou um chute perfeito em sua costela, e outro em seu peito, alguns livros caíram sobre ele na queda. Agarrei a sua camisa e o joguei na poltrona, a Piper surgiu do nada e assoprou algo em seu rosto. O Grover apagou e eu suspirei aliviada.
—Você disse Reia?
—Precisamos avisar a Poseidon, Annie. -Ela assentiu e olhou para a minha mão. -Vai curar.
—Eu sei, mas não é isso o que me preocupa. -Ela olhou para o Grover e eu segui o seu olhar, a mancha de sangue que estava em sua camisa estava sumindo aos poucos. -Vamos voltar.
…
—Nico abre essa porta! -Soquei a porta, e não obtive respostas. -Porra, Nicholas, abre esse caralho ou eu vou arrombar!
—Me deixa, Thalia! — Eu bufei e chutei a porta com toda força que tinha, a mesma quebrou e se abriu. -Está maluca?!
—Cala a boca. -Dei passagem para a Annie e a Piper. Elas sentaram-se ao lado do corpo pálido da Bianca e se entreolharam.
Segundo a Annie ela havia visto algo na possessão do Grover que poderia ajudar a acordar a Bianca. A loira ergueu a cabeça da Bianca pela nuca e a Piper passou a mão pelo pescoço, abriu um pequeno sorriso e assentiu para a Annie. Elas viraram a Bianca de bruços e ergueram os cabelos dela, havia uma espinha gigante pouco acima da nuca dela, não tinha outra forma de descrever aquilo. E o mais assustador? Aquilo se movia.
Pensei em perguntar para a Piper se estava vendo direito, ma a minha resposta vei logo em seguida quando a mesma espremeu aquele troço. Uma secreção verde nojenta saiu dali, e devo dizer que tinha um cheiro horrível. Logo em seguida vi a ponta de algo preto. A Piper continuou a espremer até aquele… Não sei o que era, ficar exposto o suficiente para ela puxar. Parecia uma lacraia (centopeia), e devia ter cerca de 15cm, no fim saiu um pouco de sangue, mas nada grave.
—PORRA! -A Bianca se ergueu e nos olhos. -Mas… -A cor voltou ao seu corpo e ela parecia confusa. -O que é isso? -Ela apontou para a criatura que se enroscava no braço da Piper.
—Não sei. -Ela colocou aquilo dentro do jarro de água na cabeceira e selou com magia. -Oi, Bia.
—O que aconteceu?
—Você não tem ideia. -Suspirei. -Bianca, preciso que me diga qual é a última lembrança que tem? -Ela pensou um pouco.
—Seus olhos. -Olhei para as meninas. -Mas não era você. -Mostrei o desenho que havia arrancado do livro.
—Era ela?
—Sim.
—Temos que falar com Poseidon, Thalia. -A Piper afirmou e eu assenti.
Corri até o lado de fora e olhei para Zeus. Poseidon estava sentado na frente dele o encarando, parecia esperar que Zeus amolecesse o coração e dissesse o que ele tanto quer saber. Aproximei-me deles, que não estavam sozinhos, Ártemis, Atena, Ares e Apolo estavam sentados um pouco mais afastados.
Joguei o desenho contra o peito de Poseidon e ele me olhou confuso, o homem observou o desenho por alguns segundos, depois me olhou confuso, os outros se aproximaram e ele entregou o desenho a Atena.
—Vai me contar tudo o que sabe sobre ela. -Rosnei.
—É a minha mãe.
—Nunca foi você! -Falei olhando para Zeus. -Eu não vi olhos azuis, eu vi castanhos. Não era você! -Ele sorriu satisfeito. -O que Reia faz viva?
—Reia?! Eu achei que ele estava sozinho. -Ele franziu o cenho. -Isso explica muita coisa.
—Do que está falando, Thalia? -Respirei fundo.
—Não é Zeus. Estamos perdendo tempo com ele. -O olhei. -Ele está ganhando tempo.
—Finalmente entendeu. -Ele se endireitou.
—Do que estão falando? -Zeus bufou.
—Poseidon, achei que essa sua lerdeza já havia passado. -Vi Poseidon travar o maxilar. -Não matei a Baryl, muito menos a Sally ou a Maria. Foi ele. -O mais novo finalmente pareceu ter entendido de quem se tratava.
—Não.
—Papai está de volta. -Ele sorriu. -E pelo visto ele não está sozinho.
—O que você fez?! -Poseidon rosnou.
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