WolfHill
20 Capítulo 19 - Can we talk?
Notas iniciais
P.O.V Thalia
—Você vai morrer mamãe? -Senti as lágrimas inundarem meus olhos. -Por favor, fica comigo.
—Eu queria poder, querida. -Ela acariciou o meu rosto. -Você é mais forte do que você pensa. -Ela sorriu. -Não tenha medo. -Ela sussurrou. -Poseidon vai cuidar de você. -Eu olhei para o homem à minha frente. -Você a menina mais forte que eu conheço, Thalia. -Eu a olhei novamente. -Cuide do seu irmão, tudo bem? -Eu assenti. -Pegue. -Ela retirou o cordão e me entregou. -Vai ajudá-la a achar seu caminho. -Eu coloquei o cordão e a olhei. -Eu te amo querida.
Abri os meus olhos lentamente, os raios do sol passavam vagarosamente pelas copas das árvores. Olhei em volta e vi que estava na floresta. Senti o meu peito doer quando lembrei do ocorrido. O Nico era um lobo e a Drew estava morta. Seu corpo ainda estava no chão da mesma maneira que eu havia deixada, já que, como nós, ela também não podia sair. Não que eu fosse a fã número um da Drew, mas ela morreu em uma luta que não era dela, mesmo que soubesse sobre o Nico, ela talvez, não tivesse ideia do perigo que corria.
—Thalia. -Olhei para a mulher que me chamava. Era Ártemis.
—O que você quer?
—Sei que precisa conversar. -Revirei os olhos. -Olha, o Nico…
—Ele mentiu para mim. Conquistou minha confiança, assim ficou muito mais fácil vigiar Zeus. -Ela balançou a cabeça em negação e sentou-se no chão encostando-se na barreira.
—O Nico pode ter sim mentindo para você, mas ele nunca faria isso com a intenção de machucar você, ou vigiar o seu pai.
—Claro. -Disse ironicamente.
—Conheço o Nico desde sempre, e nunca o vi assim. Consigo ouvir o coração dele bater por você daqui, e ele é o melhor que qualquer um de nós para esconder as emoções. Ele se preocupa com você, Thalia.
—Onde quer chegar, Ártemis? Não vou cair nesse papo novamente, já aprendi a minha lição.
—Então, você é a pessoa mais idiota e burra que conheço. -Eu a olhei incrédula. -Vocês não conversaram ainda...
—E nem vamos. -A cortei.
—Então, você vai me ouvir. -Eu não tinha muitas opções presa ali, então, eu a deixei continuar. -Desde que você chegou em WolfHill, ele está diferente, ele sabia que um dia ele iria voltar, mas…
—Espera! Voltar?
—Atena não apagou somente as suas lembranças do acidente, ela apagou suas lembranças de WolfHill. -Ártemis olhou para o Nico que estava sentado do outro lado da barreira. -E consequentemente apagou as suas lembranças do Nico. -Fiz o mesmo que ela.
—Eu conhecia o Nico?
—Vocês eram insuportáveis. -Ela riu. -Não sei o que tanto faziam naquela cachoeira, mas passavam o dia inteiro lá. -Ela me olhou. -Vocês tinham uma ligação, ninguém nunca soube explicar, mas toda vez que um precisava o outro aparecia. -Eu a olhei. -Foi ele quem disse a Poseidon que você precisava de ajuda no dia do acidente.
—Como…
—Eu disse, vocês sabiam quando estavam precisando um do outro. Se não fosse por ele, você estaria morta. -Olhei para o Nico.
—Isso não justifica a mentira dele.
—Se ele te contasse você o mataria sem pensar duas vezes. -Acabei abaixando a cabeça.
—Não. Não o mataria.
—Não precisa dizer, eu sei o motivo. -A olhei. -Vai descobrir que precisa mais dele do que pensa. -Ela se levantou. -Vão retirar a barreira.
P.O.V Nico
Assim que a barreira “caiu” a Thalia saiu sem falar com ninguém. Aquilo só fez eu me sentir pior do que já estava. Ouvir Ártemis contar tudo a ela foi pior do que eu achei que seria, na verdade, nunca achei que um dia alguém contaria a ela.
—Nicholas. -Olhei para Poseidon. -Quer me contar algo?
Noite passada foi a primeira vez que Poseidon havia me visto com os olhos vermelhos, e aquilo não seria nada bom. Eu não iria esconder nada dele, não seria uma boa opção, então disse tudo o que havia acontecido desde a volta da Thalia. Ele ouviu atentamente, não fez perguntas ou objeções enquanto eu falava, apenas me ouvia.
Eu nunca tive vontade de ser alfa, sempre aceitei muito bem a minha condição de beta. Sei que não há como ter mais de um alfa em uma matilha, e era o destino do Percy tornar-se um, e se ele fosse um alfa, eu não poderia ser um. O único problema é que em disputas de alfa, o mais forte sempre ganhava. E entre mim e o Percy, nunca ouve dúvidas de que eu era o mais forte, ele até dizia que seríamos a matilha mais forte que já existiu, eramos descentes dos primordiais, a Annie era uma bruxa tão poderosa quando Reia, e eu era forte, sempre fui o mais forte.
Nunca ouvi relatos de matilhas com dois alfas, ou uma que ousasse desafiar Poseidon, não como eu faço. Talvez, venha da descendência de Cronos, mas nossas brigas estavam ficando cada vez mais intensas, tão intensas que o meu pai está tendo que intervir em nossas discussões para nós não brigarmos de verdade. Poucos dias atrás ele mostrou as presas para mim, ao contrário do que eu esperava eu não senti medo algum, ou tive o impulso de me curvar perante ele. Apenas o encarei. Naquela mesma noite, seus olhos se ascenderam, suas garras cresceram, ele iria se transformar. Eu não senti medo algum em nenhum momento. E isso apenas me assustava ainda mais.
—Por que não me disse antes? -Passei a mão pelo rosto.
—Não sabia com iria reagir. Mas você já sabia. -Ele assentiu.
—Vamos descobrir quem está fazendo isso com vocês. -Assenti.
Passei por ele voltei para a clareira. Entrei no meu quarto e tranquei a porta, depois de um banho quente eu me joguei na cama, por mais que estivesse cansado, a minha preocupação com o que Thalia Grace iria fazer não me deixou dormir direito.
Eu queria ter contado a ela milhares de vezes, todas as vezes que eu a olhava eu queria contar a verdade, sobre mim, sobre a mãe dela, sobre Poseidon… Sobre tudo, mas não sabia como ela iria reagir. E ainda não sei se fico preocupado ou feliz pela reação dela. O plano desde o início foi trazê-la para o nosso lado, a maioria, vulgo meu pai, Poseidon e Atena, queriam usar minha ligação com ela para convencê-la, mas eu nunca tive tal intenção.
E principalmente, não planejava me apaixonar por ela. Por mais que tentasse negar, eu estava perdidamente apaixonado por ela. Idiotice? Com certeza. Estou parecendo uma menininha falando que estou perdidamente apaixonado por ela? Sim. Conseguiria esquecê-la? Nunca. Thalia Grace é aquele tipo de pessoa que você tenta esquecer o dia inteiro, e quando você acha que consegue ela aparece e abre aquele sorriso maravilhoso, e então, faz você se apaixonar 15 vezes mais.
Eu ainda lembrava da mágoa e a decepção em seus olhos, ainda podia escutar seu coração falhar uma batida, sua respiração falhar, e ela começar a chorar. Eu por mais que tudo isso tenha acontecido conosco, eu ainda me arrependia profundamente de ter trazido a Drew para esse mundo. Ela podia ser implicante quando queria, mas sempre foi minha amiga, com benefícios, mas manteve o segredo por anos. Ainda não conseguia acreditar que ela estava morta, não conseguia acreditar que a Thalia havia descoberto sobre mim, não conseguia acreditar em nada.
…
Ouvi batidas em minha porta. Faziam dois dias que eu não saia do quarto, não importava quem vinha me ver, eu não abria a porta, nem me dava o trabalho de madá-la ir embora. Na maioria das vezes era a Annie quem vinha, o Percy também, acho que as coisas estavam se acertando entre eles.
Eu não fui ao funeral da Drew, não tive coragem, sabia que fui o culpado pela morte dela. Provavelmente toda cidade foi ao funeral da filha do prefeito. Por mais que ela fosse quem fosse, a Drew também era gentil. Querendo ou não a cidade havia perdido uma pessoa importante.
—Nico. -Suspirei. -Por favor, abre a porta.
—Annie, eu quero ficar sozinho. -A ouvi suspirar.
—Sabíamos que isso iria acontecer.
—Annabeth, eu quero ficar sozinho. -Ela abriu a porta e me olhou.
—Nico, eu estou preocupada com você, por favor, não faz isso…
—Annabeth, eu não tenho tempo para o seu drama. -Me levantei e a encarei. -Vai embora Annabeth. -Ela baixou o olhar e eu percebi a merda que havia feito. -Annie…
—Não. Eu entendo. -Ela me olhou, seus olhos cinzas estavam cheios d’água. -Não vou mais incomodar. -Ela saiu do meu quarto. Bati a porta com tanta força que achei que ela nunca mais iria abrir.
—Que porra! -Soquei a parede.
P.O.V Thalia
—Thalia… -Balancei a cabeça em negação e subi as escadas.
Desde o ocorrido eu não falava com ninguém, e já passava de duas semanas. Ares e Jason tentavam a todo tempo falar comigo, mas eu não conseguia ainda. Sentia que iria desmoronar a qualquer momento, e sempre que pensava em ir até a cachoeira, mudava de ideia, não queria encontrá-lo. Não sabia se iria melhorar ou piorar a situação encontrá-lo.
Nunca achei que ficaria assim por causa de alguém. Minha vida inteira estava de cabeça para baixo. Minha mãe era um bruxa, Jason trabalhava com Poseidon, Ares era um lobo, estranhamente eu confiava em Poseidon, e o Nico… Ele era um lobo.
Eu não conseguia ficar animada com nada, nem mesmo o fato do meu aniversário estar chegando me animava. Faltavam duas semanas, e eu não estava nem um pouco animada. Podíamos pular para o ano novo que para mim não faria diferença alguma.
Não sabia se era pior ficar em casa ou ir para a escola. Em casa eu tinha que olhar para o meu irmão, para Ares e para Zeus. Na escola eu olhava para a Annie, para o Percy, para a Bianca, para a Hazel, para o Frank, para o Leo, para a Piper, para o meu irmão. E essa não era a pior parte. Era mais forte que eu, toda vez que estava na aula de história, eu não conseguia olhar para outro lugar sem ser a cadeira vazia a minha frente.
Por mais que estivesse com raiva dele, eu não conseguia parar de pensar no Nico. As palavras de Ártemis ainda mexiam comigo, por mais que eu tentasse negar, ela estava certa, eu preciso dele, até mais do que pensava.
O fato de sentir falta dele só me faz pensar que eu realmente confiava nele a ponto de me deixar apaixonar. Mesmo que ele fosse um lobo, eu o amava. Toda vez que admitia isso para mim mesma tinha vontade de me bater, mas não conseguia pois todas as ligações não atendidas, minha caixa de mensagem ficava lotada, e as incontáveis mensagens, me mostravam que ele sentia tanta falta quando eu. Mas nós dois éramos teimosos, e nenhum de nós queria dar o primeiro passo. Talvez, ele desse se não tivesse a dúvida de não voltar para casa vivo ou pelo menos inteiro. Eu não o culpava. Eu o chamei de monstro, mas no fim das contas o monstro sou eu.
Passei minha vida inteira seguindo cegamente ao meu pai, matei tantas bruxas, tantos lobos, tantas outras criaturas, sem parar para pensar que eles também eram humanos. O monstro sou eu que os mato sem piedade, ou são eles que são amaldiçoados?
—Thalia. -Era uma voz feminina que eu não reconheci.
—Cai fora.
—Não. -Levantei da cama e subi as escadas.
—Olha eu não… Clarisse?
—Elas me arrastaram até aqui. -Em um piscar de olhos a Annie, a Piper, a Hazel e a Bianca apareceram.
—O que fazem aqui?
—Queremos saber como você está.
—No momento? -As empurrei para dentro do meu quarto. -Não deixando meu pai matar vocês. -Tranquei a porta.
—Sei que devia ter ligado…
—Não iria conseguir. -A cortei. -Ele não para de ligar. -As olhei. -O que mais vocês querem?
—Thalia, nós somos suas amigas. -Ergui minhas sobrancelhas olhando para as quatro tirando a Annie. -Só quero ajudar.
—Agradeço, Annabeth, mas…
—Sei que não está bem. -Ela me cortou. -Ele muito menos. -A olhei. -Sei que gosta dele.
—Não importa mais. Ele mentiu para mim, vocês também.
—O que faria se contássemos a você o que nós éramos?
—Podiam ter me contado várias vezes. -A olhei. -Eu não devia confiar em vocês.
—Mas você já confiou.
—E olha no que deu! -Ela suspirou.
—Thalia, nós não iríamos vir aqui se não quiséssemos, okay? Então…
—Eu nunca fiz nada a vocês, okay?
—Tem certeza? -Todas perguntaram juntas.
—Enfiou uma flecha no meu ombro. -A Bianca disse.
—Tentou me matar quando o Nico derrubou Ares, e cravou um faca com acônito nele. -Disse a Hazel.
—Quase me matou com raiz de mandrágora.
—No primeiro encontro, sua flecha quase pegou em mim. -A Piper disse. Olhei para a Clarisse.
—Pensando bem, ela nunca me vez nada.
—Eu gostei dela. -Disse apontando para a Clarisse.
—Nossa intenção jamais foi machucar você. -Suspirei e me joguei na cama. -Thalia, nós só queremos ajudar.
—Já que falou em ajudar… -Joguei o álbum que Hera havia me dado para ela. -Meu aniversário é em duas semanas. -Ela sorriu. -Não estou com raiva de vocês, nem sei se estou com raiva dele. -Sim, eu estava evitando falar o nome dele. -Só estou tentando seguir em frente. -Elas assentiram. -E se for preciso, eu vou seguir em frente sem ele.
…
Mesmo que fizessem três semanas que eu não o via, ou falava com ele, não conseguia parar de pensar nele. Não prestei atenção alguma nas decisões daquelas quatro malucas sobre o meu aniversário, mas já estava com Hera, e a festa seria na semana seguinte. Nunca gostava muito do meu aniversário, isso só significava que o aniversário de morte da minha mãe estava chegando.
—THALIA! -Olhei para a Annabeth. -O que acha?
—O que? -Ela abaixou o vestido que estava segurando. -Ah, o vestido.
—Thals, fazem três semanas. -Olhei para a Clarisse. -Você precisa falar com ele.
—Não. Eu estou bem. -Disse sem olhá-la nos olhos. -Já escolheu seu vestido Annie?
—Thalia, vai falar com ele. -Eu suspirei. -Da ultima vez que o vi, ele não estava nada bem… E isso já tem três semanas.
—Ele não sai do quarto Thalia, e se sai, ninguém o vê. Nem Poseidon o tirou do quarto. -Abracei os meus joelhos.
—Eu não sei. -Olhei para elas. Em poucos dias, descobri que Poseidon estava certo, encontraria amigos na matilha dele. -Acho que não consigo, ainda não.
—Você o ama, Thalia. -Olhei para a Hazel. -E qualquer um pode ver que o meu irmão fica igual a um idiota quando você aparece. -Acabei sorrindo.
—Eu odeio vocês. -Me levantei.
Sai da loja e entrei no carro. Segui pelo caminho já conhecido até a clareira. Parei o carro e segui pela trilha de pedras. Assim que avistei a clareira respirei fundo, era a minha última chance de desistir.
Olhei para as Doze casas ali e suspirei. Qual era a do Nico?
—Ele está lá dentro. -Olhei para o homem parado na varanda de uma casa totalmente negra. -É o único quarto do primeiro andar.
—Hades. -Ele sorriu e desceu as escadas.
—Espero que consiga tirar o meu filho daquele quarto. -Acabei arregalando os olhos quando ele disse filho. Nico era filho de Hades? -Leve o tempo que precisar.
Olhei para a casa a minha frente e abri a porta. Rodei um pouco até achar a porta próxima a escada. Assim que ergui a mão para bater na porta ela foi aberta. Nossos olhos se encontraram e eu acabei perdendo o ar. Suas olheiras estavam enormes, sua barba estava por fazer, dava para ver que ele não estava comendo direito, estava mais magro do que eu me lembrava, mais pálido também.
—Podemos conversar?
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