WolfHill
14 Capítulo 13 - Wolfsbane
Notas iniciais
Minhas costas bateram contra a parede antes que eu pudesse raciocinar. Seus lábios devoravam os meus com tanta vontade que achei que ficaria sem lábios. Suas mãos passeavam por todo o meu corpo sem pudor algum, apertavam as minhas coxas, acariciavam a minha cintura, apalpavam os meus seios, e me causavam arrepios quando seus dedos tocavam o meu pescoço.
Minhas mãos deslizavam por suas costas arranhando toda a pele exposta e o puxando toda vez que o seu corpo, involuntariamente, separava-se do meu. Consegui pegar impulso e enlaçar as minhas pernas em sua cintura, nos deixando ainda mais próximos. Meus pulmões clamavam por ar, e o Nico parecia perfeitamente bem. Que fôlego era aquele? Inconscientemente, eu o afastei, precisava de ar.
—Desculpa. -Ele sussurrou. Mesmo molhado e com a maquiagem toda borrada, ele continuava lindo.
—Eu só precisava respirar. -Ele assentiu e encaixou o rosto na curva do meu pescoço.
Arfei quando o senti morder o meu pescoço, suas mordidas continuaram até ele chegar á minha orelha, mordeu e chupou o lóbulo, me causando deliciosos arrepios. Estava tão inerte em suas carícias que mal percebi que estava sendo a passiva da relação. Eu nunca sou a passiva.
Soltei as minhas pernas de sua cintura e inverti as posições. Mordi o seu pescoço e o chupei em seguida, sentindo a sua mão se fechar em minha cintura com força. Continuei a beijar o seu pescoço até o seu queixo, onde mordi suavemente e deixei os meus lábios roçarem ali.
Subi as minhas mãos por seu abdômen, arranhando todos aqueles quadradinhos. Ele abriu os olhos e me encarou. Vi luxúria em suas íris castanhas, que naquele momento pareciam negras.
—Hey! Procurem um quarto! -Ouvi a voz do meu irmão. Não ousei olhar para trás.
—Eles já foram. -Eu assenti.
—Eu acho melhor…
—Eu sei. -Ele me cortou e pegou as minhas botas do chão. -Vamos. Meu carro está parado ali. -Ele apontou para a BMW prata parada próxima a casa da Takana. Voltamos alguns metros até o carro. Quando estávamos apenas nós dois dentro do carro eu acabei me sentindo desconfortável.
Talvez, ele tenha percebido o meu desconforto e por isso não falou nada durante o caminho. Eu estava pensando no que havia acontecido. Eu só podia estar bêbada! Por que eu beijei o Nico? E por que eu o estava chamando de Nico? E por que eu estava fazendo perguntas se eu sabia que não havia respostas?
“Para essa tem, você está ficando maluca.”
Assim que o carro parou na frente da minha casa eu senti o clima ficar tenso. E sabia que era a única a sentir aquilo. Como? Por que o infeliz estava me olhando. Respirei fundo e o olhei. Todos os meus pensamentos pararam novamente quando ele me beijou. E eu não era maluca de negar. Ele se afastou e olhou em meus olhos.
—Obrigada, pela carona. -Ele riu.
—Não tem de quê. -Eu abri um pequeno sorriso.
—Boa noite, Nico. -Sussurrei antes de me virar para abrir a porta do carro.
—Boa noite, Thalia. -Ele sussurrou no pé do meu ouvido, fazendo todos os meus pelos se arrepiarem.
Demorei alguns segundos para sair do carro. Corri até a varanda e abri a porta, ele esperou até que eu estivesse dentro de casa para poder ir embora. Respirei fundo, o que mais pareceu um suspiro, e subi as escadas.
…
Pela primeira vez na vida eu não acordei com o meu despertador, ou com alguém me chamando, ou com ou sol, ou com qualquer outra coisa. Eu acordei por livre e espontânea vontade. Era sábado. E eu me sentia estranhamente bem. Não apenas por ser sábado, mas também por me sentir… Não sabia explicar, mas sentia.
Olhei para o meu relógio e arregalei os olhos. Eram 12h54min. Zeus me mataria. Perdi o café da manhã e o almoço.
Levantei da cama o mais rápido que pude. Fiz rapidamente a minha higiene pessoal e voltei para o quarto. Vesti um short jeans escuro, uma camisa vermelha e prendi os meus cabelos de qualquer maneira.
Assim que chaguei no andar de baixo estranhei o fato de não encontrar ninguém almoçando. Ouvi um barulho vindo do escritório de Zeus e caminhei até lá. A porta estava aberta, e lá dentro estavam vários caçadores. Assim que me viu, meu pai fez sinal para eu entrar.
—Achei que passarei o resto do dia dormindo. -Ele ironizou. -Achamos um trilha próxima a casa. -Percebi que todos ficaram surpresos. Nenhum lobisomem era tão estúpido aquele ponto. -Vamos segui-la essa noite.
—Por que não agora? -Eu perguntei.
—Porque é dia. -Ele respondeu como se fosse óbvio.
—Lobisomens podem se transformar quando quiserem, independentemente de ser dia ou noite.
—Eu sei disso.
—Mas preferem manterem-se como humanos durante o dia. Então, se formos agora, podemos seguir a trilha sem preocupação. E quando ele se transformar, nós já estaremos lá. -Ele pareceu pensar por alguns segundos.
—15 minutos. -Ele disse.
Todos nós fomos para os quartos nos prepararmos. Troquei o meu short por uma calça preta, continuei com a mesma camisa, apenas coloquei uma jaqueta por cima. Calcei os meus coturnos e prendi o meu cabelo direito. Peguei a minha aljava e o meu arco, e então saí do quarto. Hora de brincar.
P.O.V Nico
—Nico! -Ouvi a Hazel bater na porta. -Vai demorar muito?
—Não. -Respondi abrindo a porta. -Vamos?
—Vamos.
Saímos de casa e encontramos todos os outros do lado de fora. Nem o meu pai, nem o meu tio estavam em casa, então, nós decidimos ir correr. Caminhamos alguns segundos pela floresta, até estarmos longe o suficiente para nos transformar. Eu ainda estava com certo medo de me transformar, mas Atena havia garantido que aquilo não aconteceria novamente, não depois dela ter enfeitiçado o meu cordão.
Respirei fundo e me concentrei. Meus músculos se retesaram e aos poucos começaram a se contrair. Me agachei no chão pra facilitar. Senti o meu corpo ser tomados por pelos, as minhas unhas cresceram até se tornarem garras. Não demorou muito para eu deixar de ser um garoto e virar um lobo.
A Hazel chocou-se contra o meu ombro e saiu correndo. Comecei a correr atrás dela. Os outros logo nos seguiram. A Piper estava sentada sobre o Percy, e a Annie sobre a Clarisse. As duas riam e protegiam-se dos galhos. Eu consegui com facilidade “pegar” a minha irmã, bati com força suficiente para derrubá-la. Ela rosnou e voltou a correr atrás de mim. Percebi que a Annie e Piper haviam descido e agora corriam atrás de nós.
Estávamos tão entretidos que só percebemos o perigo que corríamos quando uma flecha passou tão perto de mim que eu quase não pude desviar. Olhei para a direção que a fecha havia vindo, e lá estavam eles. Os caçadores. A Thalia armou mais uma flecha e atirou contra a Hazel, ela desviou com facilidade.
—Annabeth! -Ouvi a Thalia gritar. -Íris, vá com Héstia até lá e protejam as duas.
Antes que eu pudesse pensar, todos atacaram. A primeira linha de caçadores foi rapidamente jogada contra as árvores. A Hazel tentou atacar um dos homens, porém ele desviou do seu ataque e, não sei como, jogou-a contra uma árvore. Ele mirou e antes que pudesse atirar eu me joguei contra ele, a arma voou para longe da sua mão. Olhei para a minha irmã preocupado.
“Estou bem.”
Senti as minhas costas arderem e olhei para trás. Lá estava a Thalia. Ela me encarava com pura raiva. Eu não queria machucá-la, mas ela não ajudava nem um pouco. Eu fiquei em posição de ataque, precisava derrubá-la, então, ataquei, ela desviou. Senti o seu braço em minhas costas, logo ela estava sobre mim. Joguei o meu corpo contra uma árvore e ela caiu. Rosnei para ela e me virei para sair. Porém, soltei outro rosnado quando senti algo perfurar as minhas costas. Olhei para ela e vi que já estava em pé, seus olhos transmitiam pura fúria. Eu podia tê-la matado, ou machucada, mas não o fiz, e o que eu ganhei? Uma facada nas costas. Literalmente.
Senti a ferida queimar e a minha cabeça rodar, tanto que cambaleei. A faca estava com acônito. Se alguém não tivesse me segurado, eu teria caído. Aquela luta, serviu para eu perceber uma coisa. Quando a Thalia estava caçando, nada a impedia. Ela se tornava o pai.
…
Com a Annie e a Pipper com os caçadores, foi impossível ter ajuda. Então teríamos que limpar a minha ferida ao modo antigo. E nenhum de nós havia feito aquilo. Quem faria aquilo se poderíamos simplesmente pedir para uma bruxa para fazer um feitiço, e assim não ter dor alguma. Não que fosse assim tão simples. Mas era bem melhor. Quer dizer, qualquer coisa era melhorar que queimar o acônito que ainda estava na ferida aberta.
—Tem certeza disso? -O Percy perguntou pela quinquagésima vez. -Eu nunca fiz isso antes. -Ele coçou a nuca. -Nem sabemos se vai funcionar.
—Você já viu as minhas costas? -Ele suspirou. -Acho que eu aguento.
—Se você morrer, não vou me responsabilizar.
—Eu sei disso. -Ele riu. -Só faça. -Assim que ele colocou a mão sobre as minhas costas eu ergui a minha em um sinal claro para ele parar. -É melhor chamar o Frank. -Ele assentiu.
Em poucos minutos ele voltou com o Frank, o Leo, a Clarisse e o Chris. Eu suspirei. A Clarisse e o Leo seguraram o meu braço esquerdo, os outros dois o direito. Respirei fundo e assenti para o Percy. Fechei os olhos e tentei pensar em qualquer outra coisa. Mas assim que o fogo tocou a minha pele eu gritei. Quem não gritaria?
Eu podia sentir o acônito queimar, assim como a pele em volta. Em certo momento eu já não sentia mais a dor, só conseguia me debater. Não vi quando, mas as minhas irmãs também chegaram para ajudar. Senti as minhas presas descerem, assim como as minhas garras crescerem. Aquela havia sido uma péssima ideia.
…
Abri os meus olhos lentamente, pareciam ter 10 quilos sobre as minhas costas, e a minha cabeça doía mais do que qualquer outro local do meu corpo. Tentei me levantar, mas um mão em minhas costa me impediu. Olhei para o lado e vi o meu pai. Suspirei, e voltei a me deitar.
—Onde estava com a cabeça? -Se eu não o conhecesse diria que estava irritado. -Por que não pediu para a…
—Elas estavam ocupadas. -Eu o cortei. -Eu estou bem, obrigado por perguntar. -Ouvi o suspirar. -Se o senhor estivesse na minha situação, faria o mesmo.
—Queimar o acônito? -Assenti. -Vocês são loucos. -Ele balançou a cabeça em negação. -Quem fez isso?-Eu revirei os olhos e me levantei. Precisava de um analgésico. -Saí de lá antes da sua irmã terminar de explicar.
—Não vi. -Menti.
—Nico. -Eu suspirei. -Por que está mentindo?
—Não estou mentindo.
—Nicholas. -Eu suspirei e o olhei sobre o ombro.
—Foi a Thalia. A Faca estava com acônito. -Peguei uma camisa qualquer no armário. -Não foi nada demais.
—Vocês queimaram, vai ficar com a cicatriz. -Eu assenti. -As meninas já estão aí. A Annabeth disse que tem algo para nos contar.
—Eu já vou.
Olhei para o meu reflexo no espelho. Estava acabado, simplesmente acabado. E a pior parte de tudo era saber que parte de mim queria matar a Thalia, mas a outra parte queria protegê-la.
…
Na segunda-feira, eu fiz de tudo para encontrar a Thalia, mas ela me ignorava o máximo que podia, até mudar o corredor ela mudava. Eu já estava ficando irritado com aquilo. De verdade. Eu deveria estar agindo daquela formar, afinal, fui eu quem levou uma facada, não ela. Na verdade, ela só ficou com a parte boa.
Então, se ela não queria me encontrar por bem, ela iria por mal. Fugi da sala poucos minutos antes do horário do intervalo. Era uma das poucas aulas que eu não tinha com ela. Encostei-me na porta e esperei o sinal bater. Assim que ele bateu, os alunos começaram a sair. Até o professor saiu, menos a Thalia. Entrei na sala e vi que ela estava de cotas para a porta.
Usava uma calça jeans preta, uma camisa cinza, all-star ao invés de coturnos, e o que me surpreendeu seus cabelos estavam presos em duas pequenas tranças. Ela murmurava algo com si mesma, que eu não me dei o trabalho de ouvir. Quando virou deixou a mochila cair e abriu e respirou fundo.
—Por quanto tempo achou que iria fugir de mim? -Ela engoliu em seco.
—Olha. -Ela pegou a mochila do chão e caminhou até mim. -O que aconteceu foi legal, mas não vai acontecer novamente, okay? -Ela colocou as mãos em meus ombros. -Que bom que entendeu. -Ela passou por mim, porém, eu segurei o seu braço. -O que…
—Posso falar agora?
—Você fica melhor com a boca fechada. -Ótimo, ela realmente não queria conversar. -Caso não tenha percebido, eu não estou a fim de conversa.
—E quem disse que eu quero conversar? -Ela abriu e fechou a boca algumas vezes com os olhos arregalado.
—O que… -Ela fechou os olhos e balançou a cabeça por alguns segundos. -Não, isso não vai acontecer. -Eu soltei o seu braço e apoiei o meu quadril na mesa no professor. Ela balançou a cabeça em negação. -Não vai mesmo.
—Então, por que ainda está aqui? -Ela me olhou por alguns segundos. Virou de costas e abriu a porta. Balancei a cabeça em negação. As pessoas realmente não sabem… Todos os meus pensamentos se dissolveram quando ela colou os lábios nos meus.
E é claro que eu não sou idiota e correspondi. Sentia a sua mochila cair aos meus pés. Deslizei a minha mão até a sua cintura e a puxei contra mim. Senti uma de suas mãos em meus cabelos, os deixando ainda mais bagunçados, e a outra em minha cintura. Sua boca tinha gosto de morango, bem diferente da última vez.
Inverti nossas posições a imprensando contra a mesa, a qual ela tratou de sentar-se. Levei uma de minhas mãos até o seu cabelo. Eu queria retirar aquele penteado ridículo, queria poder puxar os cabelos dela, mas infelizmente não conseguia fazer aquilo. O que foi motivo para ela rir entre o beijo.
Deslizei os meus lábios para o seu pescoço, ouvindo-a suspirar. As marcas da outra noite estavam cobertas por maquiagem, ergui o meu rosto e a olhei. Ela deu de ombros e me puxou.
—Você não usa maquiagem. -Ela observou.
—Por que eu usaria? -A pergunta a fez rir.
—O meu ex usou uma vez. -Eu acabei rindo.
—Por que ele fez isso?
—Por que eu o mordi. -Segurei um gemido quando ela me mordeu. -O chupei. -Fechei os olhos para aproveitar a sensação da minha pele sendo chupada por ela. -O arranhei. -Segurei as suas mãos antes que ela pudesse me arranhar. -Estraga prazeres. -Ela reclamou. Revirei os olhos e voltei a colar os nossos lábios.
—Thalia Grace e Nicholas Di Ângelo. -A Thalia se afastou e olhou para a mulher atrás de nós. Qualquer pessoa da escola poderia ter visto aquilo, menos Atena. -Para a minha sala agora.
Estava ferrado? Sim ou claro?
Fale com o autor