Wolf Woods

13 Capitulo 12 - Apenas Amizade


Enquanto Kyle e Chloe estavam a tentar sair de todo aquele problema do saber ou não saber e falarem entre eles, uma outra pessoa tentava também arranjar coragem para expor os seus sentimentos. E por razão de destino, a tempestade que se aproximava trataria de parte deles…

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Ao espreitar pelo canto do olho, enquanto fazia alongamentos e se certificava que a sua fantasia estava no lugar, Aida viu Kyle a entrar e a sondar a sala. Algo lhe dizia que sabia quem ele procurava.

Mickael chamou-lhe a atenção.

— Pronta?

— Sim. – respondeu voltando-se para ele que lutava com o nó da gravata — Tu?

Ele suspirou em resposta. Aquele suspiro carregado de um completo discurso não pronunciado. Aida aproximou-se dele e agarrou na gravata fazendo cuidadosamente o nó com que ele tanto lutava.

— Obrigado.

— Sempre às ordens.

Em cima do palco, Jenna bateu palmas chamando a atenção de todos. Após uma fração de tempo, todos estavam sentados e atentos ao que ela diria.

— Hoje é um dia bastante importante! Não tão, mas quase tão importante como o do próprio espetáculo. Espero que todos o levem muito a sério. Faremos como se fosse a peça real e quero todos concentrados. Agora… Infelizmente a nossa pianista teve de se ausentar e não participará no ensaio de hoje, mas não quero que isso sirva de desculpas para erros que possam a ver. Sem perder mais tempo… Aos seus lugares, por favor!

Aida reparou na mudança em Kyle quando percebeu que Chloe não iria ao ensaio. Se não estivesse a olhar para ele provavelmente não notaria, assim como mais ninguém notou, na sua expressão de tão rápido que a pôs e se livrou dela. Com um meio sorriso deixou o assunto de lado e agarrando em Mickael levou-o para palco, adotando as suas posições. O quer que tivesse para acontecer seria bastante divertido.

O ensaio não correu tão bem quanto o esperado o que deixou os dois professores, Marcus e Jenna, um pouco exasperados.

A tempestade começava a dar indícios da sua chegada. O céu começava a ficar mais escuro do que o usual cinza e carregado de nuvens. Após serem deixados na rotunda central Aida e Mickael dirigiram-se para casa, rezando para que tivessem tempo suficiente para o fazer antes de começar a chover.

A certa altura Mickael metia os pés pelas mãos numa conversa sobre coragem e em como de a tinham de ter em certos momentos na vida e que como aquele era um desses momentos em que a tinham de ter, quando Aida o interrompeu já confusa mas certa de onde aquilo ia dar.

— Mickael! – disse parando e colocando as mãos nos ombros dele para o virar para ela. Soltou-o e prosseguiu – Se tens alguma coisa a dizer sê direto! A minha cabeça já anda às voltas com esse discurso.

Mickael inspirou rispidamente pensando “é agora ou nunca”, e de um jorro deixou saírem as palavras com que ele tanto lutava.

— Tu sabes como nós somos tão bons amigos e no conhecemos tão bem.

— Sim…

— Por isso eu espero que o que vou dizer a seguir não afete a nossa amizade; porque tu és a minha melhor amiga e eu não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós. Por isso não importa o quê quero que saibas pelo menos isso.

— Michael…

— Eu acho que gosto de ti. Não apenas gostar mas gostar gostar. – encarou-a tentando decifrar a sua expressão, à espera de uma resposta.

Por um momento Aida não sabia como reagir àquilo, mas depois fez um pequeno sorriso, uma expressão que mostrava tanto compreensão como algo mais que Mickael não percebia.

— Mika, eu não penso que esse amor que sentes por mim seja esse tipo de amor que pensas. É verdade que nos damos muito bem, mas eu só te vejo com um carinho muito especial e acho que tu me vês com esse mesmo carinho. E que acabaste por confundir esse carinho especial com um sentimento que significa mais e que na verdade não sentes.

Recomeçou a caminhar. Mickael apanhado de surpresa correu até a apanhar.

— O que queres dizer com isso?

— Eu vejo o modo como olhas para mim. Não é amor de casal que vejo nos teus olhos. É amor de irmão, de melhor amigo, de companheirismo.

Ele assimilou aquilo que ela lhe dizia.

— Como podes ter tanta a certeza disso? – perguntou ao fim de um pouco.

— Porque também vejo a maneira como olhas para outra pessoa.

— Outra pessoa? – ela assentiu – Quem?

— Isso vais ter de descobrir por ti próprio. – riu-se.

À nora do que aquilo queria dizer, Mickael continuou a perguntar a Aida, sem resultados, quem era a pessoa. Aida respondia que isso teria ele de descobrir, não podia ser ela a contar-lhe dos seus próprios sentimentos. E assim continuou até chegarem ao ponto em que se separariam.

Sozinho, Mickael sentiu o alívio de aquela conversa não ter afetado a sua amizade com a melhor amiga. Mas também sentiu as palavras dela a corroerem-lhe a mente sem descanso. Quem seria a pessoa que ele tanto amava sem se aperceber? Tirando Aida, não havia ninguém que ocupasse assim o seu coração, por isso: Quem?