Wolf Prince

4 Capítulo 4 - Juntos, não importa o que aconteça!


Notas iniciais
Joe Clove is back!

Eu e Lyka subimos a escada para os dormitórios e entramos no meu quarto. Joe estava espichado na cama dele lendo um roteiro.

― Joe? O que você faz aqui? Não deveria estar na escola de atuação? ― perguntei.

― Não, deixaram o dia livre pra decorarmos o roteiro do próximo projeto. ― respondeu sem olhar para mim.

Joe é um caso especial no quesito escola, assim como eu. Ele é um prodígio das artes cênicas e, enquanto eu ganhava uma bolsa na Crysttal, conseguiu passar em uma audição para uma agencia de talentos, mas, como ele ainda não tem muita experiência, precisará concluir um curso de atuação antes de poder estrear efetivamente como ator. Por isso Joe frequenta as aulas de atuação pela manhã e a escola normal à tarde.

― Há proposito, o que VOCÊ faz aqui há essa hora? ― finalmente tirou os olhos do roteiro e olhou para cá ― Hã? Quem é essa adorável lady com você? ― perguntou sorrindo e erguendo uma sobrancelha.

Lyka suspirou.

―Não temos tempo para isso... Onde estão as malas, Lupus? Comece a guardar suas coisas, rápido, não temos o dia todo! ― disse ela impaciente ― Ah, ali estão. ― disse enquanto pegava uma mala velha em cima do guarda-roupa que eu havia usado numa viagem do orfanato há muito tempo. ― Qual é o seu guarda-roupa?

― Esse mesmo... ― respondi.

― Ei! ― Joe se levantou da cama ― O que está fazendo? Lupie, pra quê malas? Para onde você vai? ― reclamou.

― Hum... eu...

― Ele tem que sair daqui o mais depressa possível, há pessoas perigosas atrás dele. E antes que você pergunte: os motivos não são da sua conta. ― cortou Lyka.

Essa mulher é gentil como um soco no estomago, francamente...

― Que?! Escuta aqui, entendi que o Lupie se encrencou de alguma forma, mas eu sou o melhor amigo dele, e quero saber o que exatamente está acontecendo aqui. Seja lá o que for eu vou ajudar! Falou? ― exclamou Joe.

― Você não pode. Essas pessoas são muito perigosas mesmo, mas eu vou proteger Lupus, ok? Não precisa se preocupar. Vou leva-lo para um lugar seguro. ― garantiu Lyka.

Joe ficou em silencio por um instante, com a cabeça baixa, eu não podia ver seu olhos.

― Eu vou junto... ― murmurou.

― Que disse? ― perguntou Lyka enquanto joga minhas roupas na mala de qualquer jeito.

― Eu disse... ― Joe ergueu a cabeça. ― que eu vou junto! ― disse em alto e bom som. Acho que nunca tinha visto Joe com uma expressão tão séria.

Lyka suspirou mais uma vez, não se importando em esconder a impaciência.

― Olha garoto, eu já disse que as pessoas atrás de Lupus são realmente perigosas, indo junto você acabaria apenas machucado, ou pior, faria outra pessoa ― ela me indicou com os olhos ― se machucasse.

― Não quero saber! Seja lá pra onde Lupie for eu vou junto! Não vou ficar sozinho de novo! ― gritou Joe.

Admito que até agora meio que eu esta apenas assistindo à discussão como quem vê uma partida de tênis, mas isso já estava indo longe demais.

― Ei... ― comecei a dizer.

― Não! Eu já disse. Não me importo para onde eu for, não me importo com o que eu tenha que enfrentar. Você pode não ligar de me deixar aqui, eu até entendo o porquê. Se você está encrencado, ficar longe de você seria mais “seguro” pra mim, provavelmente. Mas mesmo assim eu vou contigo! Já perdi minha família... não quero perder você também. ― disse Joe.

― E-ei, não precisa ser tão dramático. N-não há necessidade dessa atuação... ― falei. Nem preciso dizer que eu estava vermelho como um tomate.

― Eu não estou atuando, Lupie! Estou falando sério.

Eu sabia disso, era óbvio que ele estava sério, mas eu ainda não queria que ele se envolvesse nisso. Olhei para Lyka em busca de ajuda. Ela havia parado de “arrumar” a minha mala e agora olhava Joe com atenção e uma expressão curiosa no rosto. Não entendi o que aquela expressão queria dizer.

Lyka finalmente rompeu o silencio que havia se foramado.

― Certo. Você pode vir também, mas é por sua conta e risco. Arrume sua mala. Lupus, ajude-o, já que não está fazendo nada.

― O que?! ― disse incrédulo. Ela vai mesmo deixa-lo ir?

― Ajude-o a guardar as coisas! ― repetiu ela enquanto voltava a jogar minhas coisas na mala.

Joe sorriu com um ar de satisfação e alivio. Em seguida já foi puxando duas bolsas de viagem de cima do seu próprio armário e começou a enche-las.

― Você ouviu a adorável lady. Vamos, Lupie, dá uma mãozinha aqui. ― pediu Joe, piscando um olho pra mim.

Suspirei e fui ajuda-lo. Ainda não acho uma boa ideia, mas se a Srta. Black concorda, não tem mais o que discutir. E confesso que eu também não queria me afastar do Joe... p-porque ele é melhor amigo, é claro! É-é absolutamente normal um amigo não querer deixar o outro!

Assim que terminamos de por tudo nas malas Lyka perguntou onde estava o meu pingente.

― Não encontrei ele no seu armário.

― Ah, eu já guardei. ― Joe mostrou o colar que estava junto com outros acessórios do gênero.

― Lupie não gosta de usar acessórios, então o deixa junto com as minhas coisas. ― explicou.

― Tudo bem. Então é melhor irmos logo, antes que... ― Lyka foi interrompida por uma explosão semelhante a que aconteceu na sala de espera da diretoria, mas dessa vez ela vinha do portão da frente do orfanato.

― Merda! Ele já está aqui? Rápido, precisamos ir! ― apressou Lyka.

― Pra onde? Só existe uma saída daqui e alguma coisa está explodindo tudo lá! ― declarou Joe.

Começamos a ouvir passos no térreo.

― Meu bracelete só tem uma carga, faz pouco tempo que Tora foi atingido, se atingi-lo de novo agora o efeito não vai ser tanto quanto da primeira vez, iria no máximo deixa-lo um pouco tonto... Não acho que conseguiríamos passar por ele e sair do prédio. ― constatou Lyka. Que animador, não? ― Eu pretendia leva-los para o menos lugar de onde eu vim, mas... Bem, é arriscado, mas por que não? ― Ok, Lyka estava falando consigo mesma até agora. Ela finalmente olhou para mim e Joe e perguntou: ― Há algum espelho grade, daqueles de corpo inteiro por aqui?

Já podíamos escurar os pesados passos de Tora na escadaria.

― Bom... tem um no quarto da diretora. Mas e que isso vai nos ajudar?― disse Joe alarmado.

― Me levem até lá.

Corremos rápida e silenciosamente até o quarto da diretora. Por sorte ele era no segundo andar e as escadas ficavam no fim do corredor, no extremo oposto às escadas que Tora subia. Eu arrombei a porta e entramos. O arrombamento foi rápido, eu já havia arrombado aquela porta várias vezes, pois a diretora costuma guardar objetos confiscados lá, então peguei a prática.

― Ali o espelho! ―apontei.

―Tá, e agora? ― perguntou Joe que obviamente não estava entendendo nada.

Lyka puxou uma estranha caneta do bolso interno do blazer. Não, não era uma caneta. Eu já vi um objeto como aquele antes, quando o orfanato passou por uma reforma e concertaram as janelas quebradas, aquilo era um cortador de vidro. Ela então passou o cortador pelas bordas no espelho próximo a moldura. Ao invés de se soltar e se espatifar em mil pedaços, o espelho começou a tremeluzir e já não refletia mais, era só um buraco de completa escuridão.

― Rápido, entrem! ― disse Lyka.

― O-o que? C-como... ― boquiabriu-se Joe.

Naquele instante a porta do quarto se partiu em duas e Tora e seu enorme machado entraram. Lyka não esperou mais, nos empurrou para aquela escuridão. Ao passar pelo espelho eu me senti caindo e a única coisa via naquela negritude era um retângulo brilhante no formato do espero se quebrando e desaparecendo.

Notas finais
Agora o Joe tá na treta também, hehe!