Wolf Prince
10 Capítulo 10 - Não julgue um livro pela capa
Notas iniciais
Não demorou mais que alguns minutos e Leon já tinha carteiras de identidade, CPF’s e passaportes perfeitos nas mãos, que entregou para mim e Joe.
─ Argh, por que eu sempre saio com essa cara de criminoso fichado nas fotos 3X4? ─ reclamei enquanto checava os documentos falsos.
─ Eu não acho. ─ disse Joe puxando meu passaporte. ─ Pra mim você parece muito bem, você é fotogênico.
Tentei pegar o passaporte de volta, mas Joe conseguiu me driblar e depois ficou segurando-o no alto, fora do meu alcance. Porque obviamente ele tem que tirar onda com a minha altura, e nem sou tão baixo assim.
Ri sarcástico.
─ Oh, nossa, Joe. Como você é maduro. Já saiu do primário?
─ Certo, certo. Não precisa disso, eu só estava brincando, seu chato. Tá na TPM é? ─ falou ele, me devolvendo o documento. Dá pra acreditar nesse cara? Francamente...
─ Idiota. ─ revirei os olhos.
─ Mas, falando sério, suas fotos não são ruins, você que é complexado, e eu já disse isso antes, Lupie. ─ afirmou.
Lyka nos interrompeu antes que a discussão prosseguisse.
─ Parem com esse “bla bla bla” desnecessário. ─ depois ela se virou e perguntou a Leon. ─ Tem certeza de que esses documentos vão passar despercebidos?
─ É claro que tenho, mon cher, meu trabalho é absolument parfait. Seria necessário um scanner de alta tecnologia para perceber a diferença, e vocês provavelmente não vão precisar passar por um deles, só costumam usar isso quando prendem alguém.
─ Sermos presos não está em nossos planos, então vai servir. ─ Lyka suspirou. ─ Bem... acho que já vamos então.
Leon olhou um pouco preocupado para ela.
─ Será que você poderia ao menos contar que plano é esse? Também me preocupo que você possa fazer alguma besteira.
Ela hesitou a principio, mas logo contou o que havia planejado, irmos por terra até Rhaphnia e de lá pegarmos um vôo para Wolves. Enquanto ela contava, a expressão do ruivo ficava cada vez mais séria.
─ Que plano falho. ─ declarou por fim. ─ Estou surpreso que tenha partido de você, Lyks. Você acha, seriamente, que por estarem em território neutro eles não vão tentar nada? Não seja tão ingênua.
─ Mas... Seria impossível para Tigrad mandar a agencia de inteligência do Estado atrás de nós sem se comprometer. Seria muita estupidez, eles não fariam isso.
─ E precisam? A Kuroi Tsume ainda existe, e as pessoas que querem mesmo essa guerra não vão hesitar em recorrer a eles. Você é uma maga poderosa, mas sozinha jamais vai conseguir defender não só a si mesma, mas aos garotos também.
Kuroi Tsume? Que diabos é isso? Traduzindo acho que fica “garra negra” ou algo assim. Provavelmente uma organização ilegal.
─ Acha que recorreriam à máfia? ─ Liza interrompeu.
Organização ilegal, máfia... É. Parece que eu acertei.
─ Acho? Eu tenho certeza! A essa altura já devem ter magos da KT procurando-os por toda parte.
Joe se aproximou de mim e cochichou.
─ É impressão minha ou nos metemos numa encrenca bem maior do que imaginávamos?
─ Pois é... Acho que o homem-tigre era mesmo só a ponta do iceberg. ─ respondi.
O que mais me intriga é o motivo de estarem tão desesperados para nos encontrarem, eu e Lyka sermos filhos do primeiro-ministro deve significar mais do que esse título representa no mundo em que tinha vivido até agora. Sei muito bem que minha irmã não me contou tudo, o que não sei é se ela fez isso com a intenção de me proteger ou se o fez porque acha que eu não saberia lidar com toda a verdade. Se for a segunda opção, talvez ela esteja certa.
─ E o que sugere? ─ perguntou Lyka de má vontade.
– Primeiramente, vocês não devem passar muito tempo viajando por terra, isso deixaria muitas marcas da sua passagem. Usem trens, são mais rápidos e tem menos paradas, ou seja, deixam menos rastros. Tenho um contato em Rhaphnia que pode ajudá-los a se deslocar por lá sem serem notados, quando estiverem se aproximando da fronteira mandarei uma mensagem dizendo onde e como encontrá-lo. Mas principalmente, vocês não podem viajar sem ter no mínimo mais um mago com vocês, seria suicídio. Eu mesmo iria, mas como sabe, estou impossibilitado de deixar o país. Por tanto... – Leon olhou para Liza. – Posso contar com você?
Ela não se surpreendeu.
– Claro. – e deu de ombros.
– Opa! Pode ir parando por ai. Você vai mandar um criança pra ajudar a me defender da pior máfia de magos que existe? Sério isso? – exaltou-se Lyka.
– HEY! Eu não sou criança! – protestou Liza.
Leon suspirou.
– E o que é que tem? Você já está levando duas, não está? Além do mais, eu treino Liza em magia, principalmente em magia de combate, desde a infância. Se chegar a hora, ele vai saber o que fazer. E acima de tudo, você acha mesmo que eu delegaria a tarefa de te proteger a alguém em quem eu não tivesse 100% de certeza que poderia fazê-lo? – disse ele em tom grave. Estava tão sério que até o sotaque francês havia sumido.
Lyka ruborizou de leve.
– Se você diz... – murmurou.
Qual exatamente é o relacionamento desses dois?
...Espera! “ele vai saber o que fazer”? “ELE”?
– Eu ouvi direito? Ele disse mesmo “ele”? – sussurrei para Joe. Olhando-o de relance deu pra notar certo ar de surpresa em seu olhar. Sim, ele também tinha ouvido o mesmo que eu.
De repente Leon voltou a sorrir.
– Certo então, tout est décidé! Liza, vá arrumar suas malas. Os garotos podem ir te ajudar, tudo bem? – perguntou. Concordamos com um aceno simultâneo de cabeça. – Ótimo! Lyka e eu vamos discutir os detalhes do plano na sala de estar. Quando acabarem nos encontre lá e vamos todos tomar chá e comer uma deliciosa tarte.
Depois disso, eu e Joe seguimos Liza pelo corredor, Lyka e Leon seguiram na direção oposta para a sala de jantar. Eu estava realmente com vontade de perguntar sobre o “ele” que Leon havia usado, mas não falei, não séria algo lá muito educado. Joe também não disse nada, mas certamente estava pensando o mesmo. E não era só ele,, pois Liza falou logo:
– Ah, qual é. Não precisam ficar tão desconfortáveis.Ouvi vocês cochichando. Sei que não tinham percebido que eu era um garoto. – ele parou e abriu uma das portas. – Este é o meu quarto. – Era diferente do resto da casa. O teto tinha um vitral apenas em tons de azul e roxo, os moveis eram de madeira clara, e os detalhes em um metal azulado, já a roupa de cama e as cortinas eram verdes. – E eu não me importo, já que de certa forma é meio que proposital. – ele riu.
– Proposital? Vocês é um crossdresser ou algo do tipo? – perguntou Joe, deixando de esconder a curiosidade.
– Algo do tipo. Não é como se eu tentasse ficar parecido com uma garota. Mas por exemplo, gosto de deixar o cabelo comprido, e acho que ele fica legal descolorido, mas não visto roupas femininas nem nada assim. E pra minha sorte esse visual ajuda a atrair clientes pra loja, tanto os do sexo masculino quanto do feminino. Então procuro não usar nada muuuuuito masculino, me manter andrógeno é uma estratégia. – explicou enquanto pegava uma bolsa de viagem do maleiro no guarda-roupa.
– Ah, entendo. Mas... seu nome é mesmo Liza? Sério? – perguntei.
Liza riu e deu de ombros.
– Não, é só um apelido. Meu nome mesmo é Lizard. Agora chega de perguntas e me ajudem a encher isso. – disse erguendo a mala.
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