Wizard
23 Capítulo 6 - Second Season
Notas iniciais
Acordei na manhã seguinte com desânimo. Afinal depois de tudo o que passei desde que achei essa Gem, ainda sim eu tenho que ir para a escola. Depois de uma pequena paralisação por conta do incidente com a Alice, agora era segunda e voltamos a nossas atividades. Tomei um banho demorado, vesti o meu uniforme e desci. Meu pai, assim como a minha mãe, já foram para o trabalho, ele deixou uma pequena caixa de papelão em cima da mesa junto com o café e pão. Lanchei rapidamente e abri a caixa e vi um Tapa olho, todo preto com uma fita elástica. Prendi sobre o olho esquerdo, mesmo abrindo o olho eu não via nada, então sem dor.
Peguei o meu material e coloquei na mochila, tranquei a casa e segui para a escola. Pelo fato da escola ficar no centro e da minha casa ser na periferia, ela ficava a cerca de 40 minutos de caminhada, então tinha que acordar mais cedo que os outros. À medida que andava pelas ruas, via os comércios abrindo as portas, a maioria com a mesma animação que eu. “Parecia, não, é realmente triste pra todos a segunda.” Pensei. Olhei para o relógio de bolso, faltava vinte minutos para começar as aulas, olhei em volta e decidi seguir a loja de antiguidades.
O mesmo senhor que me atendera estava polindo algumas taças, assim que me avistou, sorriu.
— Então finalmente voltou! – Ele colocou a taça de volta na prateleira e apontou para o meu peito. – Gostou do pendante?
— Eu gostei bastante dele, assim como do relógio. Na verdade gostaria de agradecer ao senhor...
— Pode me chamar de Márcio. E o seu?
— Eduardo. – Olhei em volta, pouca coisa mudou nesses três meses.
— O livro de aeris chegou a ser útil?
— Não, não tenho esse... – “Ele falou aeris?” Eu travei no meio da resposta. Vendo a minha feição, ele deu uma leve gargalhada.
— Sim, eu já sabia que você era um mago, garoto, por isso lhe vendi o relógio e o colar. Aqueles itens não me eram mais úteis, já estou velho como pode perceber. – Ele pegou atrás do balcão um punhal, com cabo adornado com rubis e um pedaço de fumo. Enquanto ele cortava calmamente, continuava a narrar. – Apesar de ser um humano, respeito muito vocês, tanto que me mudei para essa cidade justamente por não ser rastreável. Depois procurei muito por essas Cromatinas e a forma mais fácil era se trabalhasse com antiguidades e joalheria. Então foi o que eu fiz, reuni todos os recursos que tinha, comprei esse terreno e construí a minha loja. – Ele se sentou em uma cadeira. Ele apontou para um banquinho, indicando que podia sentar ali. Assim que me ajeitei, ele continuou a sua história. – Mas depois de todos esses anos juntando itens para a minha coleção, você era o primeiro mago que mostrou algum interesse nele. Parecia tão jovem, e inocente, então decidi confiar em você e lhe entregá-lo. Por um bom preço é claro. – Ele disse essa última sentença com uma gargalhada.
— Então você veio para cá pra encontrar alguém como eu? – Ele concordou com um aceno.
— Não só por isso, para esconder itens e cromatinas, mas sim, também para encontrar um de vocês.
— Ok... – Ele terminou de cortar e enrolar o fumo, assim que estava pronto acendeu. Depois de um longo trago, ele soltou a fumaça e olhou para mim.
— Ainda desconfiado? – Ele estava certo. Não é todo dia que alguém chega a você e fala que estava te esperando. Principalmente por ser um Wizard. “Se bem que eu era assim...”
— Ainda tem algum item relacionado a nós? – Ele colocou a lâmina em cima da bancada. Depois de mais um trago no seu cigarro, ele olhou para cima e falou.
— Ainda tenho alguns sim, mas antes preciso saber. Qual a sua elemental? – Fiz uma esfera de água, logo em seguida a desfazendo. – Então você é o garoto que salvou a Alice. Eu realmente estou agradecido.
— Você a conhece? – Ele negou.
— Ela vem à loja algumas vezes, procurando por certos itens. Ouvi que alguns dias atrás ela estava apanhando de alguns valentões e que um rapaz a salvou. Ele só usou os poderes de água para salvar a vida dela e de um oficial. – Ele levantou e foi até os fundos. Voltou de lá com uma caixa pequena, completamente lacrada. – Você estuda com ela? — Fiz que sim com a cabeça. — Você pode entregar a ela pra mim?
Peguei a caixa e coloquei na mochila, me despedi do senhor e saí da loja. Cheguei em cima da hora ao colégio, segui para a minha turma. Apesar de já ter soado o sinal de entrada a maioria dos estudantes estava do lado de fora, inclusive o grupo que agrediu a Aline. Pelo que entendi, o líder até foi preso, mas tinha parentes influentes, o suficiente para ser solto. Assim que me viram, levantaram e ficaram me encarando, revirei os olhos aquilo era realmente ridículo.
Entrei na sala e fui para os fundos, na carteira ao lado estava a Aline. Ela me cumprimentou, eu sorri de volta e sentei na cadeira.
— Que bom que você teve alta a tempo, não sei se aguentaria ficar aqui sozinho, com eles. – Ela sorriu de volta. — Eles atormentaram você?
— Só a zoação de sempre. Ridículo não?
— Né? – Retirei o pacote da mochila e a entreguei. – O Senhor da loja de antiguidades mandou te entregar. – Ela pegou o pacote abriu. Era uma caixa toda preta, tinha algumas linhas atravessando ela. Ela tocou com a mão esquerda, o símbolo do seu elemento brilhou levemente. A caixa abriu, ela conferiu o conteúdo e fechou, guardando-a na mochila.
— Obrigado. Desde quando você conhece ele?
— Há pouco tempo, eu comprei algumas coisas lá. – Ela olhou olhou em volta verificando se tinha alguém por perto. Ela se aproximou e disse em um tom mais baixo.
— Conhece um lugar que dê pra usar magia? – Tentei me lembrar de algum lugar mais ermo, mas além de Dreams, acho que apenas aquela casa onde fica a Dungeon.
— Conheço um, por que?
— Preciso testar uma coisa. E vou precisar da sua ajuda. Tem como ser hoje ainda?
— Tem sim. – A professora chegou na sala, então paramos a conversa aqui. Depois de três horários e passarmos o intervalo falando de coisas triviais, estava no final do quinto horário. Já havia terminado os meus afazeres e, como não tinha nada pra fazer, anotava em um rascunho os itens e magias nomeadas que tinha, foi quando percebi que não era muita coisa.
Como minhas aulas com o Eduardo eram mais lutas de espadas, os treinos com magias até nível 3 eram mais instintivas: quando alguém me atacava, eu me concentrava e imaginava todos os detalhes de como a magia devia acontecer, como o caminho da energia no meu corpo, de onde retiraria a água, como seria a forma dela, etc. Apenas depois liberava o fluxo de energia e então ela acontecia. Isso devia ocorrer em menos de um segundo, senão o ataque me atingia. Por isso demorei muito tempo pra aprender, tinha problemas em focar e pensar rapidamente na defesa. Ele dizia que “magias nomeadas eram fáceis porque você associa o nome a uma imagem. Você não tem necessidade de ter que imaginar todos os detalhes, ela viria pronta na sua cabeça. Depois de muito treino é claro.”.
Agora anotando pareciam realmente bem poucas:
—-Caligine Belli (Nível 3 – Cria uma neblina)
—-Sextus sensus (Nível 4 – Cria um sexto sentido, conseguindo “ver” seres e formas através através da água presente no ar.)
—-Ice Dome (Nível 4 – Cria um Domo de gelo espesso ao redor do alvo.).
—-Tormenta (Nível 5 – Aumenta a velocidade das gotículas de água)
—-Fell the mist (Nível 5 – Torna a neblina um sétimo sentido, permitindo sentir a forma dos objetos.)
Como a Tempestade Infernal era uma junção de Magias, eu não contei com ela. Suspirei, o jeito era achar um livro de Áqua. Até lá, acho que podia continuar com o treino da Ray e começar o de Petra. Sem contar que as flechas do arco acabaram então precisava comprar mais. Suspirei em cima da mesa e me amaldiçoei por não ser rico. “Não posso ir muito a Sonmia, fico muito vulnerável desse jeito. Não posso contar muito com aqueles agentes também, o que me resta é aquela Dungeon. Se eu treinar durante o dia e sair antes do final da tarde, não fico preso naquele lugar.”
— Só isso de magias? – A Aline estava em pé do meu lado, boa parte dos alunos já havia saído do colégio. – Se bem que você começou agora não?
— Por aí. – Eu continuava olhando para as minhas anotações. Ela começou a bater o pé, impaciente. – Você quer ir lá agora?
— Claro! Pelo que você falou não vai ser muito bom ir lá depois das cinco. Além da minha mãe me matar, é claro.
— Tem certeza que não quer almoçar primeiro? – Ela bufou antes de negar. – Ok, vamos lá então.
Demorou cerca de uma hora até a aquele bairro, fomos à pé, então ela estava cansada. Ajudei-a pular o muro e, assim que estávamos do lado de dentro, seguimos para os fundos da casa, onde era um espaço aberto até a mata aos fundos, grande o suficiente para treinarmos. Como os terrenos ali eram maiores, as casas eram mais esparsas, então não chamaria tanta atenção, ao menos assim esperava.
Os poucos móveis ali ficavam perto da casa, a maioria quebrada ou como a mesa cobertos por mato, então não tinha muito perigo de quebrar nada sem querer. Coloquei a mochila em cima de uma mesa de pedra, que apesar das ervas daninhas cobrirem tudo, ainda estava de pé. Ela colocou a mochila dela na mesa também, retirou a caixinha e se afastou. Assim que a abriu, ela tirou dois pares de discos, um par maior e outro menor. Eles pareciam ventoinhas de computador, mas muito finos. Ela tocou em cada um deles, que reagiram ao toque brilhando e os colocou na sola dos pés, os menores à frente e os maiores atrás.
— O que são eles?
— Planadores, segundo minha mãe muitos dominadores de Aeris usam pra voar mais facilmente, sem a necessidade daquele tornado ao nosso redor. – Ela se concentrou, a sola dos pés emitiu um leve brilhou e ela começou a subir. – Não parece t... – ela parou de se concentrar e caiu, mas ela rapidamente criou uma corrente de ar, amenizando a queda. – Esquece... – Comecei a rir, ela fez um biquinho, virando o rosto.
— Acontece, todo mundo demora mesmo.
— Você sabe voar? – Criei uma plataforma circular de água e subi nela, me levitando por alguns metros, depois desci. – Exibido.
— Obrigado! – Passei o resto da tarde ajudando ela com o planador, por ser um objeto, gastava menos energia que a minha magia. Perto do final da tarde, estávamos deitados no chão, descansando, quando perguntei. – Você falou que eu sabia poucas magias nomeadas, então você...
— É eu sei muitas. Eu não tenho uma concentração alta, então fazer magias instintivas como a sua fica bem difícil pra mim, me fazendo depender de objetos e nomes. Parece ridículo, não?
— Não, na verdade é o contrário. Eu sempre desperdiço energia fazendo essas magias, eu sinto que as nomeadas gastam bem menos. Se eu soubesse mais algumas, talvez tenha em algum livro. Ah, por falar em livro. – Levantei e estiquei a mão, trazendo o livro de Aeris. – Pode pegar emprestado esse. Não sei se você já tem um, mas...
— Serio mesmo? – Concordei com um aceno. Ela pegou o livro e tocou, assim que ele abriu, ela o folheou. – Obrigado mesmo. – Ela levantou e me abraçou. Depois se despediu de mim, pegou a mochila e foi embora. Olhei para o relógio, já era quase cinco horas. “Melhor voltar pra casa.”
Fui rapidamente para casa, como não tinha almoçado estava com muita fome. Assim que cheguei em frente a ela, vi um carro da Black Thunder em frente. Entrei cauteloso, na sala de jantar estavam sentados o Cabo Charlie e meu pai. Assim que me viu, o cabo me cumprimentou e pediu para que sentasse.
— Como você sabe, não chegou a terminar os testes da Agência por causa daquele incidente. Mas mesmo assim o capitão te aprovou então você pode começar a trabalhar lá, se ainda for do seu interesse.
— O que eu vou fazer?
— Como expliquei ao seu pai, por você ainda ser menor, você apenas treinará e vez ou outra nos prestar consultoria em alguns casos. Apenas em emergências que você lutará. Com todo o respaldo da Agência é claro. Além da remuneração.
— Bom o salário não é ruim e já que não temos muitos Wizards por aqui... – Meu pai disse. Ele era muito sério com relação a minha segurança, não tanto quanto minha mãe. O que me deu um certo alívio por ele não ter nenhum argumento contra.
— Posso entregar essa resposta amanhã, preciso pensar um pouco.
— Ok, sem problemas. – Ele se despediu e saiu. Fui até a janela e vi ele entrando no carro. Assim que o carro virou a esquina, olhei para o meu pai e perguntei.
— Tem certeza? – Ele concordou.
— Desde que treine comigo os finais de semana. Afinal precisa aprender a dominar Petra não?
— Você vai me ensinar?
— O seu tio achou melhor que eu te ensinasse. Então ele me pediu pra passar o mesmo treinamento que tive pra você. Ele pegou um copo e colocou café, tomando um gole logo em seguida. – Mas por que o interesse em entrar pra Agência?
— Como o cabo disse, vou ter o respaldo dela para usar os meus poderes, além de ter uma chance um pouco menor de perder a minha Cromatina. – Olhei em volta, não vi a minha mãe em lugar nenhum. – Ela ainda não voltou?
— Não, quando é assim ela deve estar fazendo hora extra.
— Ok. – Fui até a cozinha e preparei o jantar. Depois de comermos, lavei tudo e subi para o quarto. Deixei a banheira encher de água e a absorvi, depois disso tomei um banho rápido e fui dormir.
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— Onda Trovão! – Diversos raios saíam do meu corpo, formando uma nuvem violeta que se expandia rapidamente, os raios vez ou outra saíam da formação, mas logo voltavam. Caí exausto no chão, minhas mãos tremiam, queria desesperadamente comer e dormir, mas mal conseguia me mover. Respirava de forma rápida e irregular, minha visão começou a ficar turva, quando uma pessoa entrou no meu campo de visão...
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