Wizard
33 Capítulo 15 - Second Season
Notas iniciais
Lindo. Era tudo que eu conseguia pensar sobre aquela joia da vida. Na minha estante tinha um local específico onde colocava as minhas gemas e pedras, e tinha várias delas. Mas agora todas pareciam insignificantes perto dessa. Quando a luz está apagada, como agora, você percebe o brilho perolado cobrindo tudo no quarto, e quando se olha diretamente, a luz não fere os seus olhos, você a vê pulsando levemente, como se ainda estivesse viva. E ainda está. Nem parece que veio de um inseto gigante e nojento.
Enquanto observava a Joia deitado na minha cama, pensava no quão difícil foi esse começo de ano. Me tornei um oficial tecnicamente, enfrentei uma serial killer de Magos Aqua — que a propósito roubou a minha espada — e passei por uma dungeon, quase morrendo no processo. E agora, quase no final desse castigo interminável, faltava poucos dias pra ter a minha Gem de volta. Por sorte não teve nenhuma missão, apenas treinamento, então estava tudo ok. Respirei fundo, afinal, ainda era quarta e na sexta era feriado, então teria uma folga pra ir à Casa de Verão olhar as novas armaduras.
Eles as testaram, apesar de não poder ir pessoalmente, então entregaram aos poucos as outras matérias primas. Acontece que o Amadeus, assim como o seu irmão, realmente era um Ferreiro Bestial, então ele poderia trabalhar rapidamente, mas quanto maior a qualidade, melhor a armadura e maior é o tempo trabalhando nela. Tanto que demora menos de dois dias com as peles e ossos de ratos cegos, mas quase uma semana com a de minotauro. Enquanto isso o irmão trabalhou na Joia da Alma do rato-cego mãe, disse que seria uma surpresa. Nesse meio tempo, a Renata apareceu e deixou o cajado sobre responsabilidade da minha família, já que eles estavam com as outras peças. Como não poderia deixar em qualquer lugar, coloquei-o em Somnia.
A única coisa que ainda me preocupa é sobre o meu pai. Segundo minha mãe, eles deveriam ter voltado na segunda, um pouco depois de nós termos voltado da Casa de Verão, mas desde aquele dia não tivemos contato com eles. Apesar dela dizer que não precisava me preocupar, já que missões assim poderiam demorar mesmo, dava pra notar nas feições dela que estava muito ansiosa e preocupada também.
Afastei qualquer pensamento ruim que tinha, afinal ele estava com o meu anel de Petra, peguei a minha mochila e segui para o colégio. Essa era a semana de provas, apesar de ter relaxado um pouco com os estudos, ainda sim tinha certeza que ficaria tudo bem, afinal ainda lia livros do superior. Chegando lá, me pararam na porta do colégio, dizendo que era pra ir direto para a diretoria, apesar de não entender o que tinha feito, apenas concordei e fui para a sala. Era uma sala pequena, decorado com duas estantes enormes de livros e arquivos, além de um notebook e alguns vasos com plantas, para proteger do “mau olhado”. O diretor, um homem alto e barbudo por volta dos quarenta, estava a minha espera junto com o Capitão Oliveira. Fechei a porta e o diretor apontou a cadeira a sua frente.
— O que aconteceu? – Perguntei enquanto sentava receoso na cadeira.
— Temos uma missão de última hora, vamos precisar de você. – o Capitão disse.- Vim pedir pessoalmente ao diretor, ele disse que poderia, se finalizasse suas provas do dia. – Ele olhou para o meu peito e perguntou desconfiado. – Onde está o seu pendante?
— Ah, minha mãe confiscou ele. – Ele continuava desconfiado, mas aceitou mesmo assim.
— Ainda pode usar sua magia? – Acenei positivamente.
— Antes de fazer a missão, vou precisar de catalogar dois objetos. Caso precise usá-los.
— Ok. Temos um tempo ainda. – Ele olhou para o relógio no seu pulso. – Acha que consegue terminar antes de nove?
— Hoje é apenas matemática e física, então, sim, claro.
— Ótimo. – Ele se despediu do diretor, que até agora se manteve calado. Assim que saiu, murmurando “apenas matemática e física, hunf”, o diretor pegou as provas e uma caneta pra mim.
— Olha, eu sou um diretor, e um educador antes disso, então não deveria nem ter cogitado em deixar você ir, parece realmente perigoso. Mas você tem a sua magia, excelentes notas, apesar do ano passado. Então antes de começar, tenho uma pergunta pra você. É realmente isso que você quer pro seu futuro? – Ele estava sério a respeito disso, então parei pra pensar um pouco.
— Olha, sei que parece que não é um futuro ideal, mas você estava presente na apresentação do ano passado. Mesmo sem essa pedra e esse poder, eu já defendia os Wizards. Eu queria, e ainda quero, fazer a diferença por eles. Por mim. Então sim, mesmo ser for perigoso, esse é o meu sonho, e vou fazer o necessário pra mantê-lo. – Ele sorriu com a resposta, me entregou a caneta e sentou na minha frente, continuando com o seu trabalho. Realmente não demorei muito pra terminar, e antes das nove, já tinha finalizado ambas as provas, então ele abriu o portão e me liberou.
Seguimos direto pra sede, fui até o setor de tecnologia e cadastrei a minha nova espada e o cajado, talvez eu realmente fosse precisar dele. Agora sem meu pendante, tive mais tempo pra me familiarizar com a Glaciem Glow, apesar de mais pesada que a Venit, ainda era uma excelente espada. Como conseguia usá-la bem com ambas as mãos, podia usar tudo que aprendi com o príncipe em Somnia. Expliquei como funciona o cajado, e apesar de comparar com uma bazuca, o que não estava tão errado assim, permitiram que eu carregasse. Fui até o banheiro e armazenei o máximo de energia que meu corpo suportava, convoquei minha espada e escudo e segui para a Van.
— Todos prontos? — o capitão perguntou, todos concordaram então seguimos para a missão. Gastamos 4 horas pra chegar a uma cidade da região metropolitana de Goiânia. Chegando próximo ao local, uma fábrica abandonada, ele explicou o que faríamos. – Recebemos de uma informação, de fonte segura, que neste local reside um Wizard. – Ele puxou um tablet e abriu a ficha do criminoso. – Ele é conhecido como “Mancha”, tem uma Cromatina de sombra e pode viajar por ela, além de desfazer o seu corpo. Ele já matou mais de 12 oficiais e até o momento 23 civis. Tenham extremo cuidado ao lidar com ele, ele pode surgir de qualquer lugar. Armas comuns não funcionam contra ele, então vamos usar nossas lanternas, pra diminuir o seu poder de transporte e esse rifle pra nocauteá-lo. – Ele entregou a cada um de nós, exceto eu, uma arma, uma mistura de rifle e espingarda, completamente preto, com um designer futurista. Segundo o Capitão, tem uma carga de 4+1 capsulas com eletrodos que descarregam a mesma voltagem de um taser comum, só que a uma distância efetiva de 35 metros como precisão. Preso na parte inferior tinha uma série de led’s que acendiam com um botão próximo ao gatilho. Depois de colocar os comunicadores e um colete a prova de balas, prendi a minha espada na cintura e coloquei o meu escudo no braço esquerdo. Ele entregou uma visão noturna pra cada. Assim que nos aprontamos, a van abriu a porta dos fundos.
— Alguma dúvida? – Ele perguntou. Ninguém se pronunciou. – Então vão. – O Primeiro grupo saiu, com quatro pessoas, para a esquerda. – Vão. – O segundo grupo foi para a direita, em direção aos fundos. – Ok, vamos. – Saí com o último grupo, fomos pela porta da frente. Entramos era uma estrutura um pouco enferrujada, com várias peças de carros e diversas estruturas caídas. Tinha algumas salas no ao redor, no segundo e terceiro andares, mas o centro era ocupado pelas esteiras e estruturas. Seguimos por entre os corredores atento a qualquer movimento suspeito, mas tirando as equipes, não víamos nada. Ele ergueu o punho e colocou a arma de lado, preso a coronha estava um relógio de pulso, como o meu, mas não indicava nenhuma Gem por perto. Continuamos pelos corredores, mas terminamos e não encontramos nenhum sinal do Mago.
— Equipe alfa, aqui é o controle, na escuta, câmbio. – Escutamos pelos fones o chamado no rádio.
— Controle, aqui é a Alfa. Nada a reportar. Câmbio. – o capitão respondeu.
— Tudo limpo, mova para o prédio a doze horas. Câmbio
— Afirmativo. Movendo para 12 horas. Cambio e desligo.
— Parece que não está aqui. — o cabo Carlos disse.
— Mesmo assim, mantenham-se alertas.
Seguimos para o prédio em frente, era um galpão vazio, parecia ser usado como depósito, mas agora não tinha nada além de algumas prateleiras caídas e peças de carros enferrujadas. A pouca luz que entrava no lugar era por pequenas frestas no teto e nas laterais, então optamos por não usar a visão noturna, enquanto o capitão andava atento ao relógio, retirei a venda por um tempo, e olhei em volta. Apesar de ter mato entrando por algumas rachaduras, o lugar parecia limpo, no final tinha uma estrutura elevada, como uma sala de guarda, foquei por um tempo e vi uma movimentação no topo. Ao mesmo tempo, meu relógio vibrou levemente, mas parou no segundo seguinte.
— Eduardo, tudo bem? – O Carlos sussurrou, tocando no meu ombro.
— Vi algo se mover lá em cima. – Disse apontando pra sala de guarda.
— Está escuro, pode ter sido só sua imaginação. – Ajeitei a venda no lugar e continuamos a varredura. Quando terminamos de vasculhar entre as estruturas, subimos as escadas até a sala, meu relógio vibrou de novo, dessa vez, mais forte. O capitão levantou os punhos, e passamos a olhar para baixo.
— Atenção todas as unidades, abortar, repito, abortar. – Viramos pra descer as escadas e vimos o chão ao redor do André ficar negro. Ele apontou a arma pra mancha, mas uma mão surgiu e puxou ele pra baixo. Assim que estava na cintura, a mancha desapareceu, cortando o André ao meio. Ele gritava, mas pouco depois desmaiou. “Ótimo” pensei sacando a espada.
— Acha mesmo que uma espada vai me ferir? – Ouvimos uma voz aparecer vindo do teto. Os dois ligaram as lanternas e apontaram para as vigas, entre elas estava um cara com uma capa esfarrapada, era magro e tinha por volta de 1,70, cabelos negros e barba feita. Prendendo a capa tinha um losango negro lapidado com uma polegada de tamanho.
— Coloque as mãos na cabeça, agora! – Gritou o capitão.
— Por que eu deveria?
— Por que você não tem pra onde fugir, não sem uma sombra por perto. – Ele sorriu enquanto se jogava da estrutura. O Capitão tentou atirar, mas sem sucesso, mas não ouvimos o barulho dele se chocando no chão.
— Sextus Sensus. — Disse retirando a venda. Apesar de a luz machucar meu olho, o que importava agora não era a minha dor, e sim parar esse cara. Senti-o acima de nós, apontei minha mão do escudo pra cima e atirei um cristal de gelo. A estaca atravessou a capa, mas não o atingiu, acertando o teto e desfazendo. Ele tirou da capa uma pistola e apontou pra nós, firmei o braço e invoquei a minha magia, o Ice Wall. As balas não passaram pelo muro, mas o cara não se chocou contra ele. Assim que ele se desfez entramos na sala de guarda.
— Estão todos bem? – Carlos perguntou. Sentei em um canto e concordei.
— Valeu pelo escudo garoto.
— Fiquem atentos. – o Capitão disse.
— Ele não está aqui. – Disse. – O capitão me encarou confuso. — Minha magia, ela ainda está ativa. – Ele continuou me encarando. – Ela detecta corpos em meio à umidade do ar. Reduzi a área pra essa sala e três metros em volta dela, mas em um lugar aberto, vou conseguir manter por uns 5 minutos no máximo, se eu não precisar invocar outra parede.
— Quer dizer então que...
— Ele não está por aqui. Por enquanto. – Eles desligaram as lanternas. – O que vamos fazer?
— Sair daqui o quanto antes prioridade. Voltamos para a van, reagrupamos e votamos pra cá, para capturá-lo. – O capitão checou o rádio, mas não teve resposta de volta. – Entenderam?
— Entendido.
Eles ligaram as luzes e seguimos pra fora da sala. Minha magia se expandiu para todo o galpão. Seguimos rápido até a metade dele. Quando senti um braço surgindo de um dos destroços. O Capitão prontamente apontou o rifle e atirou, mas o cara desfez a magia. Ele surgiu atrás de mim, rapidamente ataquei com a espada, o corpo dele se desfez. Debaixo do manto surgiu uma adaga pequena em forma de garra, ele se aproximou calmamente. Tentei atingir a mão dele, mas ele defendeu com a outra mão, nela tinha um pequeno bastão de ferro, com a ponta afiada. Quando ele tentou me cortar, defendi com o escudo e pulei para a direita. O Carlos estava com a arma na mira e atirou. A luz impediu de desfazer o corpo, então o taser o atingiu no peito, fazendo-o se debater e cair no chão. O capitão prontamente foi colocar as algemas nele, mas um braço puxou a perna dele, fazendo-o cair. No segundo seguinte um disparo atingiu a arma do Carlos, quebrando a luz dela. Assim que ficou escuro, ele criou um buraco e rolou pra ele, mas estiquei minha espada e atirei um raio por ela. Escutei o gemido dele, enquanto o corpo se chocava contra o teto da sala de guarda.
Pegamos nas nossas coisas e nos escondemos atrás de algumas peças de carros. Quando tentei correr para a porta, uma rajada de tiros passou perto da minha perna. Pela mira os dois choques ainda faziam algum efeito.
— Não dá pra acertar ele daqui? – Perguntei.
— Nem com as nossas pistolas ou o rifle. – Ainda o sentia lá em cima, apontando algo que parecia um fuzil pra nós, mas as mãos tremiam um pouco. Senti a fadiga bater em mim, não daria pra manter a minha magia por mais um minuto. Ele atirava onde estávamos, parando apenas pra recarregar, era questão de tempo até um tiro atravessar uma lataria e nos acertar.
— Ele ainda está lá encima, por causa dos choques não vai mirar direito.
— Tem alguma magia pra acertar ele?
— Não com a minha energia agora. Se tivesse o meu pendante, daria pra congelar esse lugar todo. Espera.
— O que?
— Ainda tenho uma coisa, mas tem um problema, vai acabar por matar ele. – Os tiros pararam por alguns segundos antes de voltar a atirar.
— Não é nossa missão. Temos que captura-lo, não matar.
— Então vamos esperar reforços? – A parede na nossa frente ficou negra, pulamos para o lado, no momento seguinte uma sequencia de balas atingiram onde estávamos. Carlos segurava a perna dele, vi o sangue escorrendo. O Capitão disparou, mas ele já tinha desfeito a magia.
Embainhei a espada e invoquei o Cajado. Olhei para o capitão, ele tentava contatar o controle enquanto ajudava a estancar o sangramento do Carlos. Outro círculo de sombras apareceu, mas atingiu apenas a lataria perto deles. Ele olhou pra mim e pro Carlos, depois balançou a cabeça. Respirei fundo, minhas mãos tremiam, enquanto suava muito. Eu sabia o que tinha que fazer, mas mesmo assim alguma parte de mim não queria. Ativei a minha magia Sextus Sensus, ele ainda no telhado da sala, mas durou poucos segundos. Vi a parede a minha frente ficar escura, pulei pra fora da cobertura antes dos disparos pudessem me acertar. Apontei o cajado pra sala de guarda, senti a energia dentro dele correr por mim. Vi ele se ajoelhar e apontar o rifle pra mim, enquanto terminava de carregar. Meu coração batia rápido, meu corpo inteiro tremia, mas ao contrário do que eu pensava não era medo de morrer, mas do que eu ia fazer. Antes que ele colocasse o dedo no gatilho, olhei determinado pra ele. “Ele vai me matar, como ela tentou.” Pensei. Lembrei do barulho do disparo e a sensação de vazio naqueles segundos até ela disparar de novo na minha cabeça. “De novo não”.
— Chama das Trevas. – Disse o nome do feitiço antes dele disparar. Uma pequena esfera surgiu no cano da arma, e depois, boa parte do galpão foi engolido pelas chamas. Uma equipe surgiu por trás a tempo de ver as chamas desaparecerem, deixando as pontas de ferros expostas, rubras pelo calor, e caindo em meio as chamas de algumas madeiras, o losango negro que estava na capa.
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