Wizard

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Boa leitura!

Fomos de avião direto pra Mato Grosso do Sul, com uma escala em Brasília, então levamos quase um dia inteiro de viagem, se contar o táxi lento do jeito que ia. Chegando na capital, fomos até uma cidade pequena, depois seguimos a pé até uma mata densa, caminhamos dentro dela até o entardecer, quando chegamos a uma clareira, completamente deserta, parecia que tudo ali tinha morrido, e sobrara apenas pedra e areia. Um lugar perfeito para quem dominava Petra.

– Então vai ser aqui. – Disse com um suspiro. Reconhecer todo aquele terreno seria difícil, levando em conta que apenas perto da linha do horizonte via alguma vegetação. – Os humanos não vão desconfiar?

– Não, isolamos a área com uma pedra semelhante a que o seu avô tem na ilha. Os jogos sempre são aqui, por que não sabemos exatamente onde a pedra está, e preferimos que continue assim. – “Deve está em algum ponto debaixo da terra, seria fácil pra eles saberem.”, pensei, caminhando junto com eles, seguindo a orla da floresta. “Talvez já saibam, mas não vão admitir.”, antes de escurecer de vez, minha mãe ergueu uma das mãos, criando uma chama clara. Ela a fez levitar uns dois metros do chão e nos seguia, iluminando o caminho a nossa frente sem queimar as plantas.

– Isso é apenas luz? – Ela concordou. – Legal.

Andamos por alguns metros até uma rua calçada com pedras de diversas cores, ela nos levou até uma casa grande, de dois andares, onde tinha do lado de fora diversas pessoas, todas em volta de uma fogueira conversando. Uma delas nos viu e colocou a mão no bolso, fazendo a terra a nossa voltar tremer. Todos nos ajoelhamos, meu pai levitou parte da terra, nos levando para o alto, mas eu escorreguei e caí.

– Para Guto! – Um dos caras na fogueira disse.

– Não! Lapidem Sectione! — Uma estaca de pedra subiu, indo em direção ao meu peito, ainda comigo no ar. Girei o meu corpo, desviando por pouco do golpe, mas caí de costas no chão. – Lapidem sphaera! – Assim que toquei o chão, a estaca se desfez em esferas do tamanho de uma bola de tênis, e voaram na minha direção. Desviei o máximo que eu pude, mas uma delas voltou e acertou as minhas costas. Caí de joelhos no chão, senti o gosto ferroso do sangue na minha boca, no mínimo uma das costelas se partiu. Concentrei a minha energia, controlando o sangue e forçando a costela no lugar.

– Para Agora! – O cara da fogueira levantou e tentou impedir, mas o Guto ainda conseguiu fazer com que uma das esferas se transformasse em uma estaca, voando em minha direção. Mesmo de costas, ouvi o barulho do ar sendo cortado pela estaca e rolei para o lado desviando bem a tempo. – O que você quer fazer, matar o garoto?

– Ele é um fracote, isso sim! Ele nem consegue se defender, mal mal deve saber fazer alguma coisa com a Aqua dele. – Ele disse se sentando.

– Então essa é a sua família pai? — Disse me levantando. – Pensei que eles fossem mais fortes, bom, pelo menos já sei que a rolha de poço ali não é de nada. – Disse com um sorriso no canto da boca. Ainda usava a Aqua pra manter o osso no lugar, mas ainda sim doía e muito.

– Quem você pensa que é filho da Puta? — “Mexer com mãe é sacanagem”.

Apenas dei as costas e andei em direção a casa. Vi minha mãe dar um sorriso de canto, ela me acompanhou, junto com o meu pai, até a sala. Ouvi diversos comentários como “é disso que você tinha medo?”, “mais fácil impossível!”, mas a maioria daqueles comentários era inútil, exceto um:

– Ele é mais forte do que vocês pensam, ele desviou dos ataques sem usar magia, com mais facilidade do que qualquer um de vocês. Além do mais ele está escondendo o jogo, coisa que vocês parecem não saber o que significa. – Vi uma garota se levantar e sair de perto da fogueira.

– Talvez você esteja certo Caio, talvez.

– Eu nunca me engano Cláudia.

Subi as escadas pro segundo andar e me sentei em um dos corredores, a dor aumentara e precisaria respirar um pouco. “Então, esse Caio já sacou. Bem esperto.” Ouvi passos na escada, me levantei, mas era apenas minha mãe.

– Seu pai está com os seus tios, conversando e contando histórias, pondo as coisas em dia, você sabe. – Ela apontou para a porta no fim do corredor. – O seu quarto é ali, vou te ajudar.

– Com o que?

– Acha que eu não sei que a sua costela quebrou?

– Como...

– Não importa, vamos. – Caminhei até a porta, ela era azul claro, a maçaneta em forma de concha, abri a porta e entrei em um quarto diferente.

As paredes eram azul, tinha algumas bolhas desenhadas, sem contar os diversos enfeites, tudo relacionado ao mar. Os móveis eram mais claros, a cama era um colchão d’água, daqueles que você só sabia que existia por causa da sessão da tarde. Me joguei em cima dele, aquele quarto era mesmo bem legal, seria melhor só se não fosse tão claro.

– Pelo que eu me lembre o mar não é tão claro assim.

– Eles não sabem disso.

– Mas mesmo assim é bem legal. – Ela se sentou do meu lado e tocou as minhas costelas até achar a que se partiu. – O que você vai fazer?

– O fogo é energia, na forma de calor e luz. Mas é energia. Depois de muito tempo treinando aprendi não apenas a criar magias puras, mas também uma em especial. Posso fornecer mais energia pro seu corpo e forçar as células a se multiplicar e regenerar mais rápido.

– Você pode me curar! – Senti um formigamento, a dor aumentou por uns instantes, mas foi abrandando até sumir. A costela estava inteira de novo, mas minha mãe estava visivelmente abatida.

– Vou descansar um pouco, dorme bem viu filho? – Concordei com a cabeça. – Boa noite! – Ela veio e me deu um abraço e um beijo no rosto. – Boa noite. – Disse retribuindo. – Pode avisar que vou ficar no quarto por uns três dias? – Ela concordou.

Deitei na cama e relaxei, acordei em Dreams. Andei até a casa principal e escolhi uma roupa, tomei um banho demorado e desci até o armazém. Eu peguei o anel com a Ray e coloquei no dedo e, como sempre, não consegui. Peguei-o, junto com o livro de magia e fui até a planície onde apareci pela primeira vez. Deitei sobre a grama e olhei para cima, observei as nuvens se movendo lentamente sobre o céu tentando adivinhar os seus formatos.

Peguei o anel e rolei sobre os meus dedos, vi alguns entalhes por toda a superfície. A maioria deles era os mesmos que ficavam no meu colar. Retirei-o do pescoço, e comparei, os entalhes eram exatamente os mesmos. Retirei com cuidado a Ray do anel, ela saiu facilmente revelando uma pequena esfera violeta. Seria isso? Talvez eu não rejeitei a pedra e sim o colar! Mas como manter as duas juntas? Poderia usar a magia de unificação, mas e se perdesse a minha cromatina? Decidi ariscar, peguei o colar e posicionei, segurei a Ray uns poucos centímetros acima e disse a frase: Quod vicissim magicae, quod ergo imperfectum est perfectus.O pendante atraiu a Ray com muita força ela se chocou e por um breve momento o azul ganhou alguns tons violeta, mas rapidamente passou, voltando a ser um pendante comum.

Peguei-o e coloquei de volta no pescoço, senti uma onda de choque, mas nada com que eu não suportasse. O livro a minha frente brilhou, peguei e abri, uma nova página surgiu:

Parabéns a você, usuário da Gem Navitas Ray!

Agora que tens o domínio, pode começar as suas primeiras lições.

A primeira delas e bastante simples, concentre a sua energia na mão. Parece bobo, mas você deve focar na sensação que isso lhe causará. Assim que conseguir, lance a energia em um objeto próximo.”

“Só? Pensei que fosse algo a mais”, mesmo sendo simples resolvi tentar, senti a energia passando por mim, era como se levasse pequenos choques, foquei na mão. Nada aconteceu até focar em um ponto e atirar, um raio saiu da minha mão, mas não acertou nem perto de onde queria. “Esse vai ser bem foda!”

...

Fiquei um mês em Dreams, aprendi a fazer algumas coisas com a Ray, foi mais aprender a mirar, concentrar a energia, modelar o raio a minha vontade e principalmente mirar. Treinei com os pesos pra manter a forma e com o arco pra afiar a mira, mas assim que completou um mês decidi voltar. Acordei na cama d’água do meu quarto, estava sem ninguém por lá. Vi do meu lado uma cadeira e uns biscoitos, que devorei rapidamente. Fui até o banheiro e tomei um banho troquei de roupa e desci as escadas. Todos estavam na sala, pareciam discutir sobre algo, quando me viram trocaram alguns olhares, sabia exatamente o que aquilo significava, tinha isso na escola, eles achavam que não me encaixava, que na fazia parte da família.

– Vem pode sentar aqui! – Uma senhora me indicou um lugar, sentei calmamente, agi como se aquilo fosse algo comum. Caio e a Cláudia não tiravam os olhos de mim, o Guto fazia a cara de playboy idiota dele, os outros variavam entre surpresa e desconfiança. Não encontrara os meus pais ali. – Seus pais saíram com alguns pra comprar mais suprimentos, estamos vendo o mapa do jogo e explicando as regras pra todos.

– Sua mãe disse que estaria pronto pro game, mas achávamos que estava doente ou algo assim. – Disse um cara, ele era o irmão caçula do meu pai, Erick.

– O que aconteceu? – O Caio perguntou.

– Gripe, eu acho, só sei que tudo doía e não respirava direito. – Respondi. A maioria engolir, exceto o irmão mais velho do meu pai, Lucas. Ele apenas piscou e acenei levemente.

– O importante é que você está bem e pronto pra competir. – Ele disse. – Como eu explicava, as regras são simples: ganha aquele que pegar todas as argolas, o método usado pode ser qualquer um, desde que não leve a morte de nenhum de vocês. Quanto a aqueles que tem Cromatinas, estão cientes de que, se perderem, perderão também as suas Gem Navitas. – Todos concordaram. – Ótimo! Vocês podem treinar nos fundos, é obrigatório pra todo mundo. Quanto ao terreno podem olhar depois do treino diário, mas voltem antes das oito. Quanto ao mapa com as argolas, temos uma pequena surpresa, eles mudaram. As localizações que enviamos, decidimos que não serão válidas, vão estar em outros locais. Terão de sair da zona de conforto pra procurar ao menos uma, por que quem não tiver ao menos uma até o final do dia, será automaticamente eliminado. – Todos reclamaram, exceto eu. Aquilo deixava tudo mais... interessante. Sorri de canto, isso retiraria os fracos e o restante de nós seria forçado a procurar uns aos outros.

Ele nos levou a zona de treino, era uma academia ao céu aberto, a maioria dos treinos era pra fortalecer os músculos, uns poucos pra treinamento na selva e o último, um treino com as Cromatinas. Não haveria segredos entre nós, saberíamos o potencial de todos e como derrotá-los. Fiz todos os exercícios e mostrei apenas umas poucas magias de água, queria manter o jogo até o final. Foi assim até o dia antes dos games, onde só treinamos a nossa magia. Quem impressionasse mais começaria com uma argola. Podia dizer que nem tentei dar o meu melhor, fiz uma sequência simples de magia, mas muito rápidas, nada muito grande, comparado aos cristais do Arthur ou a cerejeira florida da Cláudia. O Guto era apenas papo, tentou fazer uma estátua de pedra dele andar, mas falhou, mas eu sabia que era de propósito.

Nesse meio tempo o Caio decidiu participar, por achar que seria mais interessante do que ele esperava. Todos nos juntamos no final do dia em um lago próximo, fizemos uma fogueira e apenas jogamos conversa fora. Eu, que dediquei cada momento aos treinos e ao campo, que nem lembrava como era relaxar assim. A conversa ganhou rumo até o torneio.

– Se você ganhasse todas as pedras, o que faria? – O Arthur perguntou.

– Ficaria com elas e me tornaria a mais forte possível. – A Julia, que até então dominava apenas o básico de Petra disse.

– Acho que ficaria com elas também. – Disse o Caio. – Seria interessante dominar algo que não fosse apenas areia.

– O que você faria Edu?

– Devolvia aos seus donos. – Todos eles riam, era de se esperar.

– Não precisa ter compaixão de nós, sabemos os riscos.

– Não é compaixão, apenas não quero algo assim. Só quero aprender usar as quatro Elementais principais: Aeris, Ignis, Petra e Aqua. Uma eu já tenho. – Eu talvez menti um pouco sobre o motivo. Na verdade eu devolveria por que sabia o que sentiria se perdesse a minha Aqua.

Vi uma pedra sair do fundo do lago e cair a alguns metros de onde estávamos, olhei para o Guto e o Arthur, mas não foram eles.

–Que merda é aquela? – O Guto disse, pegando a sua Cromatina. Outra pedra foi arremessada na nossa direção, o Guto e o Arthur, por algum motivo, não conseguiam pará-la, todos apenas se protegeram, sem pensar nos outros.

– Ice Wall! – O escudo se formou no meu antebraço, corri e antes que acertasse gritei, saiu gelo do meu escudo formando uma parede, forte o suficiente pra proteger a todos da pedra. A parede logo se desfez depois do impacto, uma terceira pedra veio na nossa direção. – Corram!

Todos correram, senti algo segurando uma das minhas pernas, parecia um tentáculo, só que mais longo.

– O Edu foi pego! – Ouvi a Júlia dizer.

– Ele que se foda! Prefere a sua vida ou a dele? – O Guto gritou, sem parar de correr. A Júlia nem se deu trabalho de responder, deu meia volta. Todos, a exceção do Guto e do Caio, voltaram. Tentei cortar o tentáculo com o escudo, depois de algumas pancadas ele soltou. O tentáculo voltou para o lago, depois disso ele voltou a ficar calmo como antes.

– O que foi aquilo? – A Júlia perguntou.

– Eu não sei. – Eu respirei bem fundo, nunca pensei que depois de ter a minha Cromatina, a água seria tão perigosa. – Eu não sei.

Notas finais
Resolvi postar mais cedo, já que acabei ontem de manhã. Espero que tenham gostado, qualquer dúvida crítica ou sugestão comentem, ok? Até o próximo capítulo!!!