Wizard
9 Capítulo 9
Notas iniciais
A ilha era grande e muito bonita, se tirasse algumas fotos ganharia um bom dinheiro com cartões postais. “Se alguém ainda compra isso.”, pensei andando pela areia da praia. “Talvez lucrasse mais com Wallpapers”.
– E então, o que achou da ilha do seu avô? – Ele apareceu de repente ao meu lado, nem lembrava que era ele que me guiava pela ilha.
– Realmente muito bonita. É verdade sobre a Gem Navitas que esconde a ilha? – Ele balançou a cabeça positivamente.
– Antigamente achavam que só existiam Gem Navitas com poderes elementais, que eram apenas simples pedras que davam poder. Depois de alguns séculos, descobriram que não era bem assim. Descobriram que as Gem Navitas não só davam poder, como modificavam seu usuário. Descobriram que não eram só pedras de poder, mas eram receptáculos, eram fonte de muito poder e sabedoria. Depois de muitas tentativas, todas em vão, mas um cara, por volta de 1000 a.C., descobriu que as Cromatinas, como eram chamadas na época, tinha uma outra habilidade incomum: podia levar os seus usuários a uma espécie de estado vegetativo, no qual o corpo não responde as ações, mas a alma do individuo ia pra algum lugar distante, com uma referência clara da sua Elemental. Além disso, ele descobriu que existem outras pedras que tem poderes que não são elementais, como essa que esconde a nossa ilha, ou a do Triângulo das Bermudas, que é muito, muito poderosa a ponto de esconder tudo o que passa ao redor daquele pedaço.
“Bom, voltando ao assunto, houve relatos de pessoas que ficaram dois, três, até seis meses em coma, e quando voltaram, falaram de um lugar, onde treinaram e aprenderam a controlar os seus poderes. Eles chamaram o lugar de Urbem Somnia, ou Cidade dos Sonhos. Você esteve lá, não esteve? – Apenas concordei. – Ficou cerca de um ano treinando?
– Sim. – Apontei a minha mão esquerda para o mar, a minha pedra, assim como a minha mão, brilharam de um azul intenso, mostrando a marca que identificava a minha elemental. Fiz uma magia que considerei simples, levantei uma coluna de água de cerca de dois metros. Dela saiu outras quatro esferas, que ficaram rodando ao redor da coluna, rapidamente e sem colidir. Depois as quatro colidiram ao mesmo tempo na coluna, fazendo-a ruir.
– Controle interessante, aprendeu a controlar bem os seus poderes. Até que nível você chegou?
– Aprendi magias até o nível três. – A nível quatro não era tão útil assim.
– Entendo. Se você ganhar mais tarde, eu mesmo te ensino a dominar a Ignis. – Ele caminhou mais rapidamente para a mansão. Fiquei pensando em como derrotar a Carla. Ainda mais sem a Aqua.
Fui até a mansão, subi até o meu quarto/suíte, tomei o meu banho deitei na cama. “Se eu me concentrar, talvez consiga ficar um dia dentro de Somnia.” Me concentrei o suficiente e dormi.
Acordei no meio do lago em Somnia, nadei rapidamente até a margem. “Preciso dar um nome melhor a esse lugar. Acho que Dreams é melhor que Somnia, ah, penso nisso depois.” Corri até o depósito. Chegando lá, conferi todos os itens que tinha mandado pra lá:
Duas espadas, um escudo, o meu pendante e uma armadura, todas do elemento Aqua; um arco e o anel do elemento Ray; As duas esferas contendo as memórias do meu tutor e da desconhecida; o caixão dela; e, por último, os três livros da minha biblioteca pessoal.
Peguei primeiro o caixão, levei até um ponto mais próximo da floresta e a enterrei ali, fiz uma cruz, traria uma lápide depois, e prometi cuidar bem dela. Voltei até o depósito e peguei os livros. Os dois eu já sabia que era Plantae e Aeris, peguei o terceiro livro, coloquei o meu colar sobre ele, ele brilhou fracamente, ficando de uma cor violeta, vez ou outra uma linha com formato incerto passava de um lado para o outro, como se não fosse... um raio. No topo tinha um título escrito “Magia Básica – Ray”. “Finalmente um pouco de sorte. Isso com certeza vai me ajudar.”, pensei abrindo-o. Ele tinha todas as páginas em branco, exceto as duas primeiras. Elas quase não tinham nada escrito, era mais como uma introdução. Nelas vinha a explicação de que a única forma de ler as páginas era se tivesse uma pedra e soubesse usar a magia em questão, as partes teóricas eram sempre sucedidas de um grupo de magias para treino. Apenas um trecho me chamara a atenção, apesar de já o saber, mas sempre achei que fosse usado apenas por meu mentor:
“A magia em si é bastante complexa, principalmente depois que descobriram que não existem apenas pedras elementais, mas sim algumas pedras com magias e funções específicas. Depois de muita procura e busca, alguns mentores resolveram se juntar e escrever essa obra, com uma ajuda de um ocultador, para dar aos iniciantes uma chance de poder aprender.”
“A magia se divide em cinco níveis. O primeiro é apenas o domínio sobre o seu elemental específico, como se concentrar e dominar a sua elemental na forma mais básica. O nível dois são um grupo de magias que envolve um pouco mais de prática, ainda levando em conta apenas o estado básico da sua elemental, mas de maneiras muito mais complexas. O nível três engloba todas as magias que envolvem um nível de controle bastante alto, pois você trabalha com variações do seu elemental, como o som no elemental Ray e Aeris, ou o gelo no elemental Aqua. O nível quatro são magias que poucos conseguem atingir, são magias que requerem muita força e energia do usuário, ou muita perícia e concentração, como criar bolhas na água pelos dominantes de Aqua ou criar esferas de raios com os dominadores da Ray. E por último o nível cinco. O nível cinco são magias que tem a capacidade de matar um usuário, mesmo que por mais experiente que for, por exigirem uma quantidade de energia muito grande, quase impossível se se quantificar. Ou exigem uma técnica muito grande que ninguém consegue executar com perfeição. Nelas englobam também teorias e magias únicas que foram vistas apenas por um único Wizard.”
“Talvez, agora, você se ache muito fraco por não saber quase nada, mas lembre-se que nenhum de nós sabia muito, mas mesmo assim nos tornamos bons, então, um dia, com certeza você bom, talvez até melhor que nós, mas pra isso, foque no presente e treine, lute e nunca desista, pois nós somos Wizards e isso é o que fazemos de melhor. Nós lutamos.”
Fechei o livro, aquele trecho me lembrava muito o meu mentor, talvez se ele estivesse aqui, poderia me ajudar muito. Guardei o livro e sentei no chão, tentando recuperar o pouco da minha inteligência e frieza que ainda restava. Depois de alguns segundos de olhos fechados, decidi focar naquilo que tinha. Primeiro fui até a Ray, precisava tentar de novo. Coloquei o anel no meu dedo anelar, a dor veio de imediato, foi ficando mais intensa até eu largar o anel. “Ainda não. Me viro de outra forma.”, pensei no que ele faria até que lembrei que ainda o tinha comigo.
Peguei a esfera com as memórias dele, talvez tivesse enfrentado um usuário de fogo, poderia me dar uma clara ideia do que fazer. Deixei-a cair no chão, assim que se quebrou, o gás dentro dela veio até mim, inalei sem medo. Senti um choque percorrer o meu corpo, veio diversas imagens sobre a realeza na era vitoriana, todas em primeira pessoa, devia ser as memórias dele quando criança, depois teve imagens de treino, de diversas imagens, guerras e batalhas enfrentadas por ele, tanto contra humanos, como também contra wizards. Depois de ver diversas batalhas, vi o que foi um lampejo de fogo, me foquei nela e vi-o lutando contra um Wizard com uma Ignis, mas o derrotou rapidamente formando uma bolha ao redor dele, inutilizando o seu poder.
Depois de ver mais algum tempo, o gás foi desaparecendo até sumir de vez. Suspirei e caminhei até o lado de fora, era madrugada em Dreams. Até que não era um nome ruim. Fui até a cama na casa principal e dormi. Acordei cedo, como de costume naquele lugar, e dei uma volta, fiz alguns exercícios, voltei para lá e tomei um banho. Deitei na cama com o colar no meu pescoço e me concentrei na Terra, adormeci rapidamente.
Acordei na cama da mansão, não tinha se passado mais de três horas. Tomei um banho, vesti uma calça preta confortável, que permitia o máximo da minha movimentação, uma camisa simples, na cor cinza, um tênis de corrida preto e a katana a cintura. Levei a minha blusa de frio com capuz, não fazia frio, mas nunca se sabe. Subi o morro íngreme até o topo do vulcão, assim que cheguei ao topo, desci uma ladeira íngreme e caminhei até o meio, lá já estava se aquecendo, literalmente, a Carla, junto com a irmã mais nova e o pai delas. Eu caminhei até a margem oposta, onde estavam os meus pais.
– Filho, a regra é simples, apenas imobilize ou de um golpe que a impeça de reação. – Minha mãe me disse. Ela estava com um olhar triste. – Mas você não pode usar a Aqua, apenas as suas habilidades com a espada. Se você ganhar, fica com a Ignis, se perder, eles ficam com a Aqua. Concorda? – Fiz que sim com a cabeça. – Boa sorte meu filhinho. – Disse me dando um beijo e se afastando. Meu pai me deu um abraço e se afastou, deixando apenas e e a Carla no centro.
– Eu tenho a Ignis e posso usá-la, você sabe disso, não sabe? – Concordei. – Então se rende antes que acabe se queimando. – Em resposta, apenas saquei a minha katana, rodando-a de um lado para o outro e ficando em posição de ataque. Ela sorriu e sacou uma espada curta, de uma mão. – Que assim seja.
Ela se moveu na minha direção rapidamente, saltando na minha direção, com a espada acima da cabeça, ela desceu rapidamente. Saquei a bainha e aparei o golpe, colocando a bainha entre o antebraço e a espada dela, contra-atacando com um corte horizontal na região da barriga, ela apoiou um dos pés no meu joelho e se impulsionou pra trás, a lâmina pssou a milímetros da sua pele, mas rasgou o kimono, revelando a sua pele alva por de trás dele.
– Talvez eu tenha subestimado você. – Ela retirou o kimono, ela vestia uma calça leg, um tênis como o meu, ambos da cor preta, e um top vermelho, marcando todas as suas curvas, acho que numa tentativa de me distrair.
Ela me atacou mais uma vez com uma sequencia de golpes difíceis de defender, não me dando chance de contra-atacar. A cada golpe defendido por mim, ela se afastava rapidamente e voltava a atacar, numa velocidade e força que não imaginava vindo dela. Depois de uns dois minutos apenas defendendo, ela retirou a bainha da minha mão com um movimento, mas deixou o lado esquerdo desprotegido. Desferi m golpe na coxa, deixando um corte na coxa, não tão profundo , mas o suficiente pra diminuir a velocidade dela. Ela tentou atacar, mas desviei e acertei um corte no braço direito, fazendo-a largar a espada, mas em ela a pegou enquanto caia com a esquerda e acertou a minha perna. Afastei-a com um golpe no peito, usando apenas a mão livre, analisando nesse meio tempo o meu ferimento, um corte, um pouco menos profundo que o dela, mas mesmo assim ardia, parecia que tinha queimado, a cheiro que vinha de lá era de carne queimada. Olhei para a espada dela, ela tinha algumas linhas vermelhas, formando uma chama.
– Eu disse que ia se queimar. – Ela disse com um sorriso, tentou avançou novamente, mas não com a mesma velocidade de antes, sendo fácil defender e contra-atacar, depois de dois minutos, o jogo havia virado, eu apenas atacava e ela se defendia como podia, ganhando pequenos cortes sempre que não defendia com força ou rápida o suficiente. Eu a desarmei, arremessando a espada longe do alcance dela. Quando minha espada estava voltando, para acabar com a luta, ela lançou uma torrente de fogo sobre mim. Eu rodei a espada por reflexo, evitou apenas que não queimasse o meu rosto, mas ambas as mãos estavam queimadas. Não consegui segurar a espada, ela caiu perto dela, que a pegou. A ponta da katana começou a brilhar de um laranja vivo, como se uma parte do sol estivesse ali.
Sem a minha Aqua morreria, mas se a usasse eu a perdia. Ela tentou me golpear, eu apenas esquivava, mas a ponta vez ou outra chegava perto da minha pele e a queimava. Escutei o grito da minha mãe, acho que vinha em minha direção mas alguém impediu. Essa distração foi o suficiente pra ela dar uma estocada, com destino ao meu coração. Eu senti meu corpo se abaixar e mover para frente, a luz no meu peito indicava que usava uma magia da Aqua. Lancei sobre a espada, vi a ponta laranja se intensificar e acertar a Gem Navitas com força o suficiente, mas meu corpo, perdi a visão por alguns instantes, senti o meu corpo ficar leve, bastante leve, senti que se movia pra frente rapidamente, era como se tivesse ficado bem largo, bem leve, era bastante confuso na verdade.
Quando a minha visão voltou, estava a alguns metros da Carla, ela estava ainda com a espada em mãos, mas parecia desacordada. Olhei para trás, o local onde lutávamos tinha uma cratera de dois metros de diâmetro e um de profundidade, vi cacos azuis reluzirem por todo o vulcão. Andei até a Carla, senti o meu corpo perder cada vez mais energia, ela tinha fuligem por todo o corpo, começara a se mexer, olhara nos meus olhos e sorriu, um sorriso tão lindo que me fez sorrir também. Mas foi a última coisa que eu vi, pois desmaiei e voltei para um sonho sem sonhos.
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