Wizard

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Boa leitura a todos!

Eu estava em um ônibus fedorento e com um motorista completamente louco, isso que dá ser pobre. Estava em direção ao Guarujá, na verdade íamos ao Rio primeiro para depois seguir para o Guarujá de helicóptero, eu acho, eles não me falaram muito. Depois de horas exaustivas e de puro terror, chegamos a Cidade Maravilhosa. Entre partes. Meus pais não deixaram eu ir até o mar, eles disseram algo como “Você vai surtar”, mas eu me desvencilhei deles.

Corri pelas ruas do Rio, era bem mais bonito do que na TV, pelo menos Copacabana era. Vi correndo na areia uma artista famosa, não me lembro o nome, tinha areia e algumas árvores, algumas pessoas deitadas na areia e... o mar!

Soltei a minha bolsa enquanto corria descontroladamente pela areia até o mar. Eu não acreditava que aquilo tudo era água. Água!

Eu disse, não fala pra ele até a gente chegar, mas nãããão, tinha que falar do mar pra ele? – Minha mãe não ficou nada feliz com o que eu fiz. Ele só olhava pra mim, acho que ele se sentia feliz, de verdade. Ele pegou a minha bolsa e colocou de lado, depois pegou uma toalha e estendeu na areia. Ela me viu jogar-me de ponta, com roupa e tudo no mar, ela apenas levou a mão no rosto. – Meu Deus, que vergonha!

– Relaxa amor, ele nunca viu o mar! – Ele estendeu uma toalha pra ela, ela veio e se sentou do seu lado. – Além do mais, falta muito até o helicóptero chegar, deixa ele se divertir, ou o surto passar. – Ele me viu retirar as blusas e jogá-las em qualquer direção, fui cada vez mais mar a dentro, alguns surfistas riam de mim, mas não me importava, só queria ir cada vez mais mar a dentro.

Depois de um tempo, respirei fundo e mergulhei. Tentei olhar o fundo, achei que não conseguiria, mas a água não me incomodou, pelo contrário, via claramente debaixo d’água. Devia de ser uns vinte metros até o fundo, mas não me importei muito, mergulhei até conseguir tocar uma pequena esponja do mar. Ela reagiu ao meu contato, jogando algo pra cima, ou talvez ela só eliminou algum dejeto. Mal piscava lá dentro era como se visse uma filmagem em alta resolução. Senti o ar faltar aos meus pulmões, eu tinha que subir o mais rápido possível, mas soltei o ar antes de chagar lá em cima, inalando a água do mar.

Pensei que sufocaria, que morreria ali mesmo, mas... eu respirava normalmente, na verdade me sentia até melhor. Vi sangue sair de mim, parecia sair do meu pescoço, não entendia nada do porquê eu estava sangrando, depois de alguns segundos o sangue parou e senti a água dos meus pulmões entrar e sair mais facilmente. Toquei o meu pescoço, tinha algumas dobras, quase imperceptíveis, elas abriam e fechavam, expulsando a água que tinha dentro de mim. “Que ótimo, agora eu tenho guelras. Daqui a pouco vou virar o menino-peixe.”, pensei. Aquilo era realmente muito estranho. “Se eles virem isso, eu tô frito, não pera...”, comecei a rir sozinho, imaginando eles servindo um peixe de 1,75 marrom. Pensando pelo lado positivo, afogado eu não morreria.

Nadei durante alguns minutos lá em baixo, observando o fundo e me afastando cada vez mais da praia. Acho que cheguei a calmaria, o ponto no mar onde não se formava ondas, nadei por mais algumas centenas de metros até encontrar formas de vida que não fossem esponjas e pequeninos corais. Vi umas poucas espécies de peixes, alguns crustáceos, aquela parte devia de ser muito afetada pela ocupação humana. Depois de ficar nadando por mais um tempo, olhei de relance para uma parte onde jurei que fosse uma fenda, ignorei, mas alguns segundos depois fiquei curioso pra saber se tinha algo lá mas o terreno ficou plano.

Passei a mão sobre a areia no fundo, achei que fosse rocha sólida, mas não tão plana assim, limpei o máximo que eu pude, consegui a custo ver que tinha um tamanho de 1x2m de tamanho, e no topo tinha um círculo. Senti o meu relógio vibrar, retirei-o do bolso. Ele emitia uma luz azul, como a do meu colar, e roxo, o ponteiro das horas e dos minutos apontavam para o que eu jugo ser uma caixa. Sabia que a cerca de 500 metros tinha uma pequena ilha, ou seria a costa, não me lembrava ao certo, mas o importante era que era desabitada. Cavei o fundo com força, removendo grandes quantidades de areia, até que a caixa subiu de uma vez. Vi uma corrente no fundo, segurando-a em uma base de concreto. Usei minha magia para acertar na base de pedra, joguei algumas estacas de gelo, mas elas não foram tão velozes. Troquei de tática e criei uma pressão em cima da corrente, aumentei a pressão até que a corrente começou a trincar. Quando ela já estava quase se rompendo, liberei a pressão e ela estalou. Segurei rapidamente a caixa para que ela não emergisse. Reparei que alguém vinha ao meu encontro, olhei para o fundo, a fenda que vi antes estava do lado, uma espécie de caverna sobre a água. Desci rapidamente e escondi a caixa lá, depois fiz com que a água entrasse por baixo da areia e a levantasse de uma vez, criando assim uma cortina, me dando tempo para me esconder.

Em instantes, a areia se assentou no fundo, “Pensei que ficaria flutuando por mais tempo.”. Apoiei meu pé no fundo e esperei o ataque, mas ele subiu a superfície para respirar, era a minha chance. Eu criei uma zona de pressão na água e a moldei formando uma mão, por cima da minha, a lancei em direção ao cara. Fechei a minha mão e consegui prendê-lo, o puxei até o fundo, ele lançou a areia na minha direção, criei uma segunda magia, um casulo em volta de mim, para que a areia não penetrasse. Ele fez com que a areia se transformasse em um cone e a batia diversas vezes, normalmente já teria se rompido, mas aquele era o meu domínio. O puxei até alguns metros de distância, foi quando notei que era o meu pai. Fiz com que pequenas bolhas de oxigênio se concentrassem, formando uma bolha maior, que cobriu a cabeça dele, ele respirou bem forte, era evidente que ele quase se afogou. Ele respirava rapidamente, renovava a quantidade de oxigênio de minuto em minuto. Indiquei pra ele que me seguisse, fui até a fenda e puxei a caixa, a segurei pela corrente e arrastei até a ilha, agora sabia que era uma pequena ilha. Arrastei a caixa por alguns metros a ajudei o meu pai até lá. Respirávamos com alguma dificuldade, eu muito mais por causa das guelras, à medida que passava o tempo elas simplesmente fecharam, voltando a respirar pelos pulmões.

– Que ideia foi aquela de me atacar?

– Eu não vi o Sr., se tivesse visto não tinha atacado. Que ideia foi a sua de atacar? Se tivesse me deixado descer, teria percebido a mais tempo e não teria quase te afogado!

– Eu vi uma luz azul em um ponto distante da praia, graças a Deus só eu notei, avisei a sua mãe, mas ela não se dá muito bem com a água. Vim o mais rápido que pude. – Quando recuperamos totalmente o fôlego, levantei e arrastei a caixa até um ponto da vegetação onde ninguém poderia vê-la. – Por que tanto trabalho por uma caixa de madeira? – Ele a observou melhor. – Isso é um caixão? – Concordei com um aceno. – O que acha que vai encontrar aí?

– Se estiver certo, e eu provavelmente estou, duas Gem Navitas, uma Aqua e uma Ray.

– Raio e Água? – Ele pensou um pouco. – Só porquê estava enterrado de forma que ninguém a encontrasse?

– Não, por isso. – Retirei o relógio do bolso ele zunia e pontava para o caixão, indicando as duas cromatinas e os seus respectivos símbolos. Ele observava o relógio com um olhar assustado.

– Onde conseguiu isso?

– Na loja de antiguidades. Foi onde consegui o pendante e o livro.

– Esse relógio era usado pelo governo para rastrear Cromatinas, ele é um pouco antigo e bastante impreciso, por isso foi trocado pela tecnologia atual. Se fosse você eu não mostrava isso na sua mãe. Acho que podem até te rastrear com isso. – Ele realmente estava com muito medo do relógio. “Mas podiam ter me rastreado a um mês. Podia desmontar e confirmar, mas pode danificar a mecânica do relógio.”

– Ele é bem antigo, não? – Ele concordou. – Então não precisa se preocupar, ele não tem rastreador nenhum. Se tiver, depois eu descubro como desativar.

O caixão não tinha trinco, muito menos fenda, isso quer dizer que tinha lguma trava ou local para se usar magia. Vi o único entalhe no topo, um círculo simples. Coloqei a minha Cromatina em cima, diversas linhas azuis passaram por todo o caixão revelando em especial a separação da tampa. Empurramos, era de madeira maciça e muito pesada, lá dentro tinha uma caveira, devia estar lá a dezenas de anos.

– 1920, pelo estilo das roupas. – Disse o meu velho. – Era uma mulher, por volta dos quarenta e cinco, os ossos começaram a se desgastar. – Em seu peito repousava um colar de pérolas, do seu lado um guarda-chuva, nada mais que isso. – Acho que ele se enganou, não tem nada aqui dentro.

– Me ajuda aqui. – Removemos o esqueleto de lá, junto com o guarda-chuva, no fundo tinha o mesmo símbolo, aonde fica o apoio da cabeça. – Alguns caixões vinham assim para acomodar melhor a cabeça do morto. – Coloquei a minha pedra lá. As mesmas linhas apareceram, revelando, um colar e um anel com duas pedras, Aqua e Ray respectivamente. O fundo se removeu sozinho, revelando uma esfera de gelo, mas essa parecia que tinha alguns raios presos dentro dela, além de um arco. – Ele se enganou, hein?!

Notas finais
Espero que tenha gostado, se tem alguma dúvida, crítica ou sugestão, ou só comentar mesmo, ok? Até o proximo capítulo!!!