Wizard
20 Capítulo 3 - Second Season
Notas iniciais
POV Eduardo
— O que?
— Pode não parecer, mas se tratando de lâminas, ela e a Renata são as melhores. Vamos começar com facas.
— Sem descanso? – Ele apenas olhou surpreso pra mim, entendi o recado e não reclamei. Voltei ao círculo e peguei um dos pesos dos braços, antes de colocar, uma mão posou no me ombro. – O que foi? – Perguntei ao maromba que perdeu pra mim.
— Você tem velocidade, não é? – Concordei com a cabeça. – Então por que não deu tudo de si naquele golpe? – Eu tentei dar uma desculpa, mas ele apertou o meu ombro forte o bastante pra falar a verdade.
— Por que eu não quero usar 100%. As magias consomem energia principalmente do meu corpo, se eu sempre lutar em 100% eu não uso muitas magias.
— Mas você não vai usar magia aqui.
— Mesmo assim, prefiro manter a minha energia o mais alta possível.
— E os pesos?
— Limitam a minha velocidade e aumentam a força e resistência do meu corpo. Depois de um tempo.
— Edu, — o capitão disse sério. – você não vai usar esses pesos aqui. Lute a sério com a gente.
— Eu estou lutando a sério. Senão não teria tirado nenhum deles.
— Mesmo assim, retire TODOS ELES.
— Que saco parece aquele príncipe metido… — resmunguei baixinho. Retirei os pesos restantes, um par nos braços e outro na coxa, além da capa, mantendo assim o menor peso possível. – Satisfeito? – Ele fez um sinal de positivo, suspirei de novo e segui até ela. Tinha que me forçar a andar na mesma velocidade que eles, já que sem os pesos eu meio que começo a correr, é estranho pra ser sincero. Olhei para as facas que tinha na caixa, eram de diversos tamanhos e formas.
— Escolhe logo qual você quer, lembre-se que você pode escolher no máximo três facas. – “Que droga! Foquei tanto em treinar com espadas que esqueci do resto. Tinha que ser um imbecil mesmo!”, pensei enquanto pegava as facas, até que achei uma muito boa. Ela era curta, resistente a golpes e apenas um dos lados com fio, o cabo se encaixava perfeitamente na minha mão, feito de carvalho com o pomo e a guarda dourados. – Só essa? – Eu concordei. – Tem certeza? – Eu concordei de novo. – Um conselho, deixa ela como reserva, vamos escolhe logo as outras duas, não temos o dia todo. – Voltei a revirar a caixa, bem no fundo tinha outras duas lâminas muito bonitas, ambas de tamanho mediano, o fio de corte interno perfeito pra mim, curvado levemente pra fora, o fio externo ia até a metade, onde se encontrava com um dorso muito bem feito, recoberto por uma camada de bronze. O cabo dele era simplesmente perfeito, poucas vezes eu fiquei tão animado em ver uma arma. Respirei fundo e rodei as duas na minha mão, apesar da pouca experiência, acho que conseguia brandi-las como espadas curtas.
— Acho que essas aqui vão servir. – Disse olhando pra elas. A Gabriela pegou diversas facas e as prendeu por todo o seu corpo.
— Pronto. A regra é simples, vence aquele que conseguir render o outro, não importa muito o risco de vida, ok? – Eu concordei. Ótimo. Preparado? – Me posicionei, mantive uma das facas com o dorso do lado externo e a outra segurei como uma espada de uma mão. – Agora!!
Ela não perdeu tempo, sacou um conjunto de facas de arremesso e as lanlou, mas eu defendi facilmente com as lâminas. Ela pegou mais duas e lançou, eu defendi, mas isso só deu mais tempo pra ela se aproximar rapidamente, no segundo seguinte ela estava perto de mim. Defendi um chute com a coxa, ela pegou uma faca de caça e me atacou em uma sequência digna de anime. Eu tentei escapar o máximo que eu pude, mas no final eu estava cheio de cortes, todos superficiais, mas mesmo assim ardiam muito. Ela abriu um pequeno sorriso.
— Gostou do meu presentinho? – Eu levantei a sobrancelha, foi quando senti não só os arranhões, mas meu corpo inteiro arder. Era como se óleo quente estivesse correndo em minhas veias.
— Não se faça de macho garotinha! – Ela veio e me deu um chute no peito. Eu caí no chão, mas não senti muita dor. “Ela me chamou de garotinha?” eu pensei me levantando. Senti a magia correndo pelo meu corpo, numa forma de impedir o veneno e um pouco por causa do descontrole, mas respirei fundo e fiz força pra manter ela sobre controle. Assim que abri os olhos, ela gargalhava apontando pra mim. – Isso mesmo respira, não quero ver um piti logo agora! Viadinho! – “Agora ficou pessoal.”
Me concentrei nas memórias que absorvi e me forcei a lembrar das lutas deles, umas poucas eram com facas, peguei o básico e me concentrei apenas neles. Recebi mais um chute, caí de costas no chão, abri os olhos e vi a perna dela descendo em direção ao meu peito, rolei para o lado, me levantando rapidamente. Ela lançou duas facas, apenas desviei com a minha lâmina esquerda, ela sacou uma faca maior, tinha uns 50 centímetros, aquilo não parecia mesmo uma faca. Ela me atacou, eu defendi com a esquerda e retaliei com a direita, no último instante segurei um pouco o braço, causando apenas um leve aranhão na barriga dela.
— Como você ousa…
— Já chega! – Eu estava ofegante, soltei as facas e baixei a guarda tempo o suficiente pra ela cravar uma faca no meu ombro direito. Quanto e olhei pra ela, estava a um passo de mim, com duas facas em mãos. Uma delas veio em direção ao meu peito, eu rapidamente saquei a faca reserva e defendi, ela girou a faca e travou o meu braço esquerdo. Ela pegou uma faca e acertou a braço direito, o inutilizando e fincou a faca no meu olho esquerdo. – Gabriela! – O capitão e outros dois policiais retiraram ela de cima de mim. Não consegui manter a magia sobre controle, ela liberou uma espécie de aura azul claro sobre mim. Eu respirei fundo e contive o sangramento.
— PERDE LOGO O CONTROLE GAROTO! MOSTRA O MONSTRO QUE VOCÊ É! ANDA! ANDA! – Ela gritava enquanto era afastada por eles. Dois policiais vieram na minha direção mas pararam quando viram a aura. Minha visão desfocou e caí no chão, escutava apenas ecos das vozes deles até perder a consciência de vez.
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