Wizard

31 Capítulo 13 - Second Season


Notas iniciais
Boa Leitura a todos!

Estávamos em frente ao salão do minotauro, aparentemente ele seria o chefe dessa Dungeon. Havia acabado de recarregar parte da minha energia de raio com poucas bateiras, que tínhamos, mas mesmo assim, talvez desse pra um raio ou dois, se forçasse bastante a minha magia. Respirei fundo e dei um passo, adentrando ao salão. Era um salão oval, com o teto abobado, nas laterais, presa as paredes lisas e azuladas, brilhavam cristais de cores alaranjadas, com o dobro de tamanho dos outros que vimos. O piso polido era acinzentado, com uma estrela de oito pontas sob outra estrela, maior, com quatro pontas, ambas da cor prateada. No centro das estrelas, encontrava-se o minotauro. Tinha cerca de cinco metros, com a pele recoberta com uma pelagem negra. Os olhos vermelho-escarlates estavam fixados nos adversários a frente, um grande e belo machado de duas faces repousava em suas mãos. Ele se levantou e emitiu um urro, que me fez arrepiar. A porta atrás de nós fechou repentinamente, nos prendendo com ele.

— Temos realmente que enfrenta-lo? – Perguntou a Alice.

— Se quiser sair, infelizmente sim. – Disse com um sorriso, tentando, inutilmente, parecer tranquilo. Ele meneou a cabeça, apontando os grandes e alvos chifres na nossa direção. – Pronta?

— Na medida do possível.

Seguimos a diante, ele levantou o machado e correu na nossa direção. Assim que estava próximo, desferiu um golpe vertical, forte o bastante para quebrar o piso da sala. Antes de conseguir retirar o machado, golpeei a coxa direita dele, causando um corte superficial. A Alice golpeou a outra coxa, tendo sucesso ao perfura-la. Ele soltou uma das mãos do machado e a acertou com o dorso da mão. Ela tentou se proteger com um domo de ar, mas ele atravessou, fazendo-a parar a alguns metros com o braço quebrado, ela levantou e esticou a mão na sua direção. Ela começou a voar, graças aos planadores e ainda com a mão esticada gritou:

— Esfera de Ar! – uma esfera atingiu o seu braço, impedindo de conseguir retirar o machado. Eu tinha me afastado e aproveitando ele ter focado nela, corri e pulei em suas costas cravando a espada nas suas costas. Ele largou totalmente o machado e ao meio de berros, tentava desesperadamente me tirar de suas costas, mas eu me mantive firme, forçando a espada para dentro. Assim que cheguei ao que parecia seu o seu pulmão, gritei, imbuindo a espada com raio, causando uma onda de choque dentro dele. Ele conseguiu me pagar com uma das mãos e me lançou em uma das paredes, arrancando o escudo de mim, mas o impacto foi reduzido graças a Alice, com o seu Air Prison.

Ele se virou de novo na sua direção e retirou a lança de sua coxa. Como um dardo, ele a lançou na sua direção, mas ela se protegeu com o Air Dome. Ele estava correndo em sua direção e quando ele pulou pra agarrá-la, eu lancei um raio na minha espada, causando mais dano a ele. Ele caiu antes de alcança-la. “Ok, agora estou sem raio.” Pensei gemendo de dor. Usei a Teia de Gelo para proteger os meus ossos novamente e com o resto de força que tinha, corri até o machado e o forcei para fora. Ele tinha quase o retirado do chão, mas mesmo assim precisei de todas as minhas forças pra puxá-lo e o erguer sobre os meus ombros. A Alice lançava esferas de ar para distraí-lo, enquanto eu me movia na sua direção. Olhei para as suas costas e vi o quanto de sangue ele já havia perdido, mas mesmo assim se movia como se tivesse apenas começado. Assim que estava próximo, ela o prendeu com o Air Prison, eu levantei o machado imbuído com a magia de Aqua e, no segundo em que fiz o golpe, ela desfez o domo. A Lâmina cortou o joelho do monstro, de trás pra frente, amputando completamente a perna. Ele virou na minha direção, mas o domo voltou a prendê-lo. Não tinha mais forças para erguer o machado, então me movi ao seu redor, mas agora ele me seguia com muito esforço, esmurrando o domo sempre que podia.

— Hey, não sei quanto tempo mais eu mantenho esse domo. – Ela gritou pra mim. Olhei para trás e Vi a Aegis no chão. Comecei a correr o máximo que consegui até ela, escutei o urro dele logo atrás. Olhei e vi-o engatinhando na minha direção, a Alice estava na porta da sala ajoelhando, sem fôlego. Apertei o passo, esse urrou mais uma vez, se colocando de pé, e com um esforço descomunal, saltando na minha direção. Peguei a lança e me virei atravessando a ponta dela por debaixo do queixo, o seu braço acertou uma de minhas pernas, quebrando-a. Ele grunhiu antes de finalmente morrer, me arrastei à medida que, lentamente, ele ia deslizando sobre a lança, parando na metade dela.

A porta se abriu, os outros entraram e me ajudaram a Alice. A Carla veio com a minha mochila na minha direção, peguei rapidamente o frasco e o ingeri, curando parte da fratura, mesmo sabendo que o médico o quebraria de novo, ainda sim podia sair dali mancando. O minotauro inchou, até estourar em uma nuvem negra. Ele deixou, além do machado, seus chifres e o couro. As luzes da sala reagiram, brilhando mais, iluminando agora a parede oposta a porta. Lá se encontrava um grande círculo, dentro dele havia um conjunto de escadas de mármore branco que se erguiam, levando até um altar. Suspirei, desfazendo a teia de gelo e, usando o restante da minha magia, guardei o machado, assim como os chifres e a pele do minotauro, em Somnia.

— Vamos? – Perguntou Cláudia, oferecendo seu ombro como apoio. Aceitei e lentamente, subimos as escadas. No topo havia um teleporte e, repousando entre duas mãos, um cajado. Era feito de mogno, e com quatro garras prendendo no topo, repousava uma esfera negra. Caio pegou o cajado e a voz do Antônio Percorreu todo o Salão.

“Parabéns! Vocês conseguiram concluir este calabouço. Os monstros depois de um tempo retornaram, mas o prêmio em questão esta diante dos seus olhos. Esse é o meu cajado, que acompanhou minhas aventuras por mais de 50 anos, Kurai honō (Chama negra ou Chama sombria em japonês). Ele concede ao usuário lançar dois tipos de ataques, um de chamas e um de sombras, se combinados, o seu poder pode ser devastador. Apesar de conter magia sombria, usem-no para salvar vidas, não tirá-las, esse é o meu último desejo. Agora que este calabouço pertence a vocês, estou finalmente livre. Boa Vida a todos!”

A mesma luz que nos trouxe aqui nos levou a sala de estar da casa abandonada, já era tarde da noite, como usei a energia das baterias, não tínhamos como contatar nenhum dos nossos pais. A Sombra que protegia a entrada estava diante de nós, mas ao invés de nos atacar, nos encarou por alguns segundos e voltou a sua rotina anterior de checar o lugar.

— Ainda bem que dessa vez ela não atacou. – Disse.

— O que ele quis dizer com “Esse calabouço pertence a vocês”? – Perguntou o Caio.

— Que podemos usá-lo de agora em diante, sem que o guarda nos impeça, eu acho. – Disse. – Afinal pelo que entendi os monstros dão respawn.

— Acho que por agora o que precisamos é de um táxi, pra nos levarmos ao hospital. – Disse a Cláudia.

A Sombra passou por mim e ficou em frente a porta de entrada, caminhei até a janela e vi um carro com vidros escuros parado em frente ao lugar. Avisei aos outros e subi as escadas junto da Alice, juntamos as nossas coisas e voltamos para o grupo. Alguém, segundo a Carla, havia saído do carro e estava arrombando o portão. Assim que abriu, a Sombra levantou a sua mão, mas não atacou. Em vez disso, ela recuou e liberou o caminho.

— Mãe? – A Cláudia perguntou confusa. Uma mulher, com os mesmos cabelos castanho de Cláudia, estava parada na porta junto com a minha mãe. Ela carregava uma lança de madeira polida, com uma ponta de aço no formato de flor-de-lis de cada lado e uma joia verde presa no centro, era possível ver algumas linhas finas por toda a madeira.

— Então é aqui que se esconderam. – Ela disse com uma voz imponente. A Cláudia apenas concordou e abaixou a cabeça. Ela, assim que fitou o braço quebrado de sua filha, suspirou e pediu que entrássemos no carro. Havia um segundo carro, mais abaixo, que minha mãe dirigia. Entramos e fomos direto para a minha casa. No caminho, minha mãe não disse uma única palavra, apenas ficou um incomodo silêncio.

Chegando lá, subi direto para o quarto, joguei a mochila em um canto qualquer e entrei na minha banheira, ligando a torneira em seguida. Fechei os olhos e demorou algum tempo até que ouvir alguém batendo os dedos na porcelana da pia.

— Oi. – Disse com um olhar cansado a minha mãe. Faíscas voavam ao redor dela, então mentir com certeza não era uma opção. Muito menos ser irônico ou sarcástico.

— Tudo, desde o começo. – Foi tudo o que ela disse. Desliguei a banheira e enquanto me sentava nela e secava a minha camisa, disse sinceramente o que aconteceu. Quando eu descobri a Dungeon, sobre o que o Antônio disse e o que aconteceu hoje. Ela não me interrompeu em nenhum momento, ela alterava a sua expressão entre raiva e preocupação. No final, ela suspirou e pediu para ver a perna, me sentei na ponta da banheira e a levantei com dificuldade da água, ela tocou nela, parecendo checar se estava tudo no lugar, antes de dar um tapa em cima do hematoma.

— Você me matou de preocupação! Já faz horas que vocês estão por aí, pensamos que estariam em alguma festa até a mãe da Cláudia rastrear a filha dela naquele endereço. – Ela me abraçou forte, sentia o calor emanado dela, repousei a cabeça no seu ombro e abracei de volta, finalmente me sentia um pouco seguro. Ficamos assim durante alguns minutos até criar coragem e perguntar.

— O quão ferrado eu tô?

— Primeiro, sem o seu pendante, por um mês. Segundo, durante esse tempo, é do trabalho direto pra casa, sem hora extra ou missão fora de hora, entendeu? – Concordei a contra gosto. – Sem contar que vocês não vão voltar lá tão cedo. Vamos ver se é seguro descer lá, e só depois vamos pensar em deixar você voltarem lá.

— Mas já terminamos.

— Como assim?

— Eu te disse, eu e a Alice matamos o minotauro, pegamos o cajado e acabou. Daqui um tempo os monstros voltam, mas mesmos assim já sabemos o que tem lá. – Ela suspirou novamente e me ajudou a sair da banheira. Ela esperou absorver toda a água dela e esticou a mão. Peguei o pendante e entreguei lentamente pra ela. Desci as escadas, sentei no sofá. Segundo ela, a Alice já tinha ido pra casa, então estava apenas meus primos, a mãe da Cláudia e nós dois.

Esperei até a Regina, que era o nome da mãe da Cláudia, apareceu na sala e tocou na minha perna. Ela quebrou calmamente o osso, e colocou no lugar. Ela fechou a palma da mão e abriu lentamente, fazendo duas talas de madeira do mesmo tamanho, amarrou com alguns pedaços de barbante e enquanto estava firme o bastante, começou a recitar uma serie de palavras. A Medida que o osso se concertava, minha energia que acabei de pegar na banheira, foi gasta. Assim que ela acabou de recitar, passou um minuto inteiro até finalizar a cura. Ela retirou as talas e e colocou a mão de volta, dizendo checagem corporal. Parecendo satisfeita com o trabalho dela, ela foi embora sem dizer uma palavra, ignorando o meu muito obrigado. Testei a minha perna e dei boa noite a minha mãe, subi para o quarto e dormi.

Acordei no dia seguinte exausto. Era sábado, então não precisaria trabalhar muito menos estudar, então tive o luxo de acordar mais tarde. Olhei a minha volta, vi o Caio e o Arthur dormindo, em colchonetes ao lado da minha cama. “Então as garotas devem estar no quarto ao lado.” Pensei. Peguei a mochila, ela ainda estava perto de mim. Retirei o material escolar e coloquei na minha estante. Estendendo a minha toalha sobre a escrivaninha e coloquei o conteúdo restante, 2 peles de morcego, que não presentavam mal cheiro ainda, assim como as duas presas, alguns punhados de dentes, garras e ossos dos ratos-cegos e a joia da alma e o frasco com a gosma daquele verme. O vidro estava bem vedado, felizmente, a gosma apesar de transparente, era fria ao toque. Coloquei-a na estante e deitei de volta na cama, com a Joia da Alma nas mãos. Era irregular, era como uma esfera com diversos cristais partindo do topo. Ela era de um branco perolado, brilhava levemente, pulsando de tempos em tempos. Estava sem a minha venda, mas mesmo assim estava sem uma única runa, como o do meu escudo.

Procurei pelas minhas coisas, mas não estavam no quarto, então coloquei a Joia na estante, peguei o meu tapa-olho e desci. Na sala de estar estavam apoiados contra uma das paredes a minha espada e escudos, ambos gastos e lascados. Junto dele estava o machado do Arthur, a lança e o escudo da Cláudia — com as plantas fluorescentes mortas, mas ainda presas as bordas – e a espada da Carla, igualmente gasta. Em cima da mesa estava os dois arcos, com uma das aljavas vazias.

Sentei no sofá, fechei os olhos um pouco, apesar de dormir tanto, ainda estava cansado do dia anterior. Ouvi passos na escada, virei a cabeça e vi a Carla subindo. Ela Se sentou do meu lado, vestia um vestido leve, de um vermelho bem claro.

— Ela tá lá embaixo terminando o almoço. – Ela disse antes de perguntar qualquer coisa.

— Ia perguntar se estava bem, mas parece que sim.

— Só um pouco cansada. – Ela olhou a sua volta. – Uma casa de três andares? Até que é bem grande. Como vocês conseguiram?

— Segundo o meu pai, tinha boatos da casa ser mal assombrada ou algo assim, mas se era verdade, não sei. A única coisa que ele lembra era que o dono parecia querer vender rápido, tanto que ele comprou mesmo sendo com uma diferença alta de valores. Depois ele só reformou, quando fiquei mais velho me mudei para o quarto lá em cima, tinha um banheiro próprio e não precisava escutar certos “barulhos” a noite.

— Sério? – Ela disse rindo. Ela olhou pra espada dela e o sorriso logo se apagou. — Ela me deixou um mês sem magia nenhuma. Tirou até a minha Cromatina de mim. O pior é ver a Hell Blade assim.

— Nem me fala. – Disse tocando o peito, onde ficaria o Pendante.

— E nem pensem em concertá-los. – A minha mãe disse subindo as escadas. – Você, vem comigo. – Disse apontando para a Carla.

— Espero não me queimar mais.

Assim que ela saiu, olhei para mesa e vi em um dos cantos o cajado. Fui até ele e o peguei, erguendo e jogando contra a luz da janela. Subi até o banheiro, junto com um caderno e caneta, e tranquei a porta. Assim que estava escuro o bastante, coloquei um pouco de magia no cajado e retirei o tapa-olho. Uma runa enorme apareceu no topo do cajado, diversas linhas surgiram nele, brilhando em meio às sombras que saiam dela. Anotei rapidamente no caderno tudo e o escondi, desci e botei o cajado no mesmo lugar, seja o que era aquilo, ia dar o meu melhor pra descobrir.

Depois do Almoço, o que me forçaram a acordar os dois dorminhocos, nos sentamos ao redor da mesa na sala de estar. As duas discutiam o quer fazer com o cajado, enquanto tentávamos de alguma forma passar ele pra posse de alguém, o que provavelmente era a Carla.

— Olha vai ser inútil discutir enquanto não soubermos o que ele faz. – o Caio disse.

— O que não vamos deixar vocês testarem. – Disse a Clara, com a Renata de apoio.

— Nem olha pra mim, sem Cromatina, lembra? – A Carla disse, e eu apenas concordei.

— O Velho disse que era Fogo e Sombra, que quando combinadas era devastador. Então praticamente o cajado tem duas magias, e podemos lançar ao mesmo tempo se quisermos.

— disse – Mas só dá pra testar em um lugar seguro.

— Somnia!

— Exatamente.

— Ou levo de volta para a casa de verão no Mato Grosso e testo perto do Kraken, afinal não vão dar pra notar a magia lá. – A Renata disse. – O restante das coisas, onde vocês guardarão?

-A maioria das coisas miúdas na mochila, mas as do minotauro e da Mãe estão com o Edu.

— Somnia. – Eu disse.

— Então tira de lá.

— Sem magia, se lembra. Vou ter que esperar um longo mês pra poder pegá-los de volta. – Minha mãe olhou pra mim com um sorriso assustador, então estiquei a mão para um espaço vazio e voltei com as coisas de lá. Subi as escadas e desci com o restante das coisas, a exceção da Joia da Alma do verme gigante, ele ficou na minha estante. Coloquei tudo na pilha, os outros fizeram a mesma coisa.

— O seu pai me ligou, disse que vai demorar mais algum tempo, entre dois a três dias. Até lá, vamos juntar tudo e levar para a casa de verão. Conheço umas pessoas que podem pagar alguma coisa por isso.

— Renata, com todo o respeito, praticamente lutamos por essas coisas, não vão nos deixar ficar por nada.

— Não mandei procurarem perigo atoa. Considerem um pagamento pela preocupação que nos causou. – Chiamos um pouco, mas ela se manteve irredutível.

-Além do mais, o que vão fazer com isso? Conhecem alguém que usa ou compra esse tipo de coisa? – A Clara perguntou. Como ninguém soube responder, ela apenas revirou os olhos. – Vamos levar pra lá e décimos quando chegarmos. – “O que é praticamente um não”.

Passamos a tarde limpando a casa e fazendo as nossas malas. Ganhei o me meu pendante temporariamente, apenas pra juntar energia e guardar todo o nosso loot em Somnia. No final da tarde, com tudo pronto, partimos para a casa de verão.