Wizard
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Acordei dentro da ala médica da mansão, não era nada mais que um quarto grande, cerca de 10x10m, com macas e alguns aparelhos pra alguns exames mais precisos. Eu estava no canto, ao meu lado estava a minha mãe, ela tinha pegado no sono, os olhos estavam inchados, com olheiras também, deve ter chorado bastante, me fazendo sentir culpado. Tentei me sentar, mas logo me senti cansado, realmente aquela magia me custou muito.
Tentei olhar a minha volta, só tínhamos nós dois ali, ao meu lado tinha um criado-mudo, com uma jarra de água e os fragmentos do meu colar, chegava a ser um pecado ver aquilo. Deitei e fechei os olhos, imaginando como seria ir até Dreams, mesmo que só por algumas horas, adormeci com esse pensamento.
...
Acordei na minha cama, eu tinha ido a Dreams, mesmo sem a minha Cromatina, o que por si só já é impossível. A não ser que eu já tenha sido afetado o suficiente pela magia ponto de poder vir pra cá mesmo sem uma pedra. Caminhei até o depósito, sentei no chão e coloquei a minha mente pra funcionar, tentando encontrar algum resquício da memória do meu mentor, mas não havia nada. Tentei usar a memória da moça, agora sabia que se chamava Charllote, mas não tinha nenhuma informação útil.
Levantei e peguei a espada do Eduardo, Glaciem Glow, precisava treinar um pouco, só assim iria me acalmar, “talvez tendo uns dias “normais” em Dreams ajude meu corpo na Terra a melhorar.”, pensei, pegando também o escudo, Ice Wall, e a armadura, Glaciem Armor. Vinculei a minha magia a eles, depois segui para o local de treino habitual. Lá vesti, além dos pesos habituais, a armadura, deixando por volta de sessenta quilos sobre mim. Quase não suportei o peso, mas depois de uma volta, eu fui me acostumando com o novo peso, treinei até a exaustão, grande parte das memórias do Eduardo sobre o seu treinamento voltaram para mim, o que foi de grande utilidade, só era seguir os movimentos dele, como que se visse uma vídeo aula, era apenas imitar os seus movimentos.
...
Depois de um mês treinando, o que deve ter dado por volta de dois dias e meio na Terra, finalmente me senti pronto pra voltar. Estava um pouco mais forte, o peso já não era um incômodo, e apesar da armadura limitar um pouco dos meus movimentos, ainda era possível ser ágil dentro dela. Medi esforços pra tentar ficar com a Ray, mas ainda não conseguia mantê-la muito tempo no meu dedo. Ao menos consegui treinar com o arco, todo fim de tarde, apesar de sempre está morrendo de dor. Até que não tinha uma mira tão ruim, e o incrível era que eu conseguia invoca-lo, mesmo não tendo o domínio da Ray.
Deitei na cama, descansaria um pouco e depois voltaria. Fechei os olhos por um tempo e uma das memórias do Eduardo apareceu. Ele estava em um do quarto escuro, apesar da pouca luz, dava pra ver alguns móveis, bem rústicos. Ele estava com uma pequena pedra azul, quadrada, e uns poucos cacos da mesma cor. Olhou para os lados, como se pressentisse algum perigo, depois colocou a mão no bolso da calça, de lá saiu uma pedra azul, a minha Gem Navitas, antes dele, ele apenas a colocou no centro e reuniu os cacos a volta dela, exceto pelo quadrado, que ficou em sua mão. Ele respirou fundo e disse:
“Quod vicissim magicae
Quod ergo imperfectum est perfectus.”
A tradução mais clara era:
“Que a magia transforme
o que é imperfeito em perfeito.”
Um brilho azul surgiu de sua mão, e os cacos foram em direção a pedra, se chocaram contra ela desaparecendo, a pedra azul na mão dele brilhou fracamente e se moveu sozinha até a minha cromatina, tornando-a ligeiramente maior. Depois a magia cessou e a pedra voltou ao seu estado normal, ele a guardou e foi se deitar. Depois disso eu acordei na mansão, pelo menos agora eu sabia um jeito de unir as pedras, tornando-as uma só.
– Finalmente acordou, pensei que fosse ficar mais um mês em coma! – Disse uma voz feminina, abri os meus olhos e vi a Carla me encarando com aqueles olhos azuis, dava graças por ser mulato e não corar. — Eu não acho que tivesse em coma, não é?
– Não mesmo. – Disse me levantando, não estava cem por cento, mas aguentaria ficar ao menos sentado. Ela estava vestida com uma blusa simples e uma calça, tinha o antebraço enfaixado, assim como um volume maior na coxa direita e no busto, indicando bandagens ali também. alguns arranhões e curativos no rosto. – Acho que não devia ter tentado me matar.
– Na verdade, eu que te devo desculpas, não mirei em você, mirei na sua pedra. – Ela veio e se sentou ao pé da cama. — Achei que se você se sentisse ameaçado de vida, você utilizaria alguma magia de água e perderia.
– Mas você venceria fácil, não era necessário. – Olhei para o lado, aonde os cacos estavam. – Só isso? – Ela olhou na mesma direção que eu, parecia mesmo arrependida.
– Eu não queria mesmo quebrar, não imaginava no que aconteceria depois. Foi um belo show o que demos. – Ela sorriu envergonhada, ergueu a blusa mostrando a bandagem no peito. – Ainda tem alguns cacos dentro de mim, meu pai disse que não vão interferir em nada, que estão se dissolvendo de alguma forma e se juntando ao meu corpo. Acho que algum dia eu consiga dominar Aqua, mesmo que seja só fazer bolhas. – Ela sorriu ao dizer isso. Acabei rindo junto, me lembrava de quando estava prestes a desmaiar.
– Por que sorriu? – Ela arqueou a sobrancelha. – Quando estava prestes a desmaiar, você olhou para mim e sorriu, por quê?
– Você foi o único que me derrotou, apenas o meu avô conseguiu, mesmo assim porque ele é o meu mentor. Mas acima de todo, foi divertido, não teve aquela pressão de ganhar por parte dele.
– Eu não te derrotei, você ganhou, usei uma magia Aqua, não foi?
– Eu sei, mas se não tivesse usado, se pudesse usar os seus poderes, poderia ter me vencido.
– Nunca saberemos sem tentar, não é?
– Mas eu destruí a sua pedra, como vamos lutar?
– Eu dou um jeito, quando você acha que dá e onde?
– Eu acho que dentro do vulcão, há um poço de lava, há alguns metros tem uma corredeira, é água de fonte termal, a gente vai lá relaxar de vez em quando.
– Tem certeza que é seguro?
– Minha irmã e eu lutamos lá há anos e nada aconteceu. Bom, o que é que você acha de hoje, apesar das faixas eu ainda consigo lutar, só sinto um incômodo no peito e você sabe o porquê.
– Agora? – Ela olhou par os lados antes de concordar.
– Bom eu te empresto uma espada, já que da sua katana não sobrou nada além de pó.
– Não é necessário. — Reuni os cacos dentro de um saco e andei com ela até a fonte termal, ainda sentia dores nas costas, mas não iriam me atrapalhar. Ela caminhou rapidamente até o seu quarto, saiu de lá com a espada dela e o seu kimono.
Andamos por uma hora, sem trocar uma única palavra, até o vulcão, lá dentro era bastante escuro, ela iluminava tudo com uma tocha que ela incendiou. Chegamos até uma área mal iluminada, era mais ou menos do tamanho do cume do vulcão, do lado direito tinha uma corredeira, onde escavaram na lateral um pequeno riacho que ia até uma cratera, formando uma fonte termal, bem ao fundo, ficava uma piscina, devia de ter uns dez metros de comprimento e ia até a parede, era pequena mas deixava o ar lá quente o bastante, isso sem contar o vapor que saia da fonte termal.
– Então... – Ela retirou a sua blusa, soltou um gemido de dor ao levantar os braços, colocou o seu kimono e caminhou até alguns metros da piscina de lava. – Como vai ser?
– Espera um pouco. – Me ajoelhei e ajeitei os cacos em um círculo perfeito, utilizei a minha energia pra trazer o meu pendante. Coloquei-o no centro ela se aproximava com calma, e uma certa surpresa que me fez rir. – Achava mesmo que ia usar a original, aquilo foi uma segunda pedra que consegui. – Voltei a me concentrar e repeti as palavras que vi nas lembranças. — Quod vicissim magicae, quod ergo imperfectum est perfectus.
A pedra emitiu um leve brilho azulado, atraindo os outros cacos ao redor. Eles se chocaram contra a pedra, desaparecendo em seguida, assim que o último caco sumiu, a pedra parou de brilhar, não aumentara em nada. Coloquei em volta do pescoço, senti-la no meu peito era um alívio sem comparação, como se recuperasse uma parte de mim que perdera há muito tempo.
– Então você lutou com uma pedra secundária?
– Sabia que não sair algo de bom dali, achava que ele iria querer a pedra, então me antecipei, usando o colar. Vamos ou não vamos lutar? – Disse com um sorriso no rosto. – Ou você está com medo?
– Eu, medo? Imagina! – Ela disse fazendo uma cara de ofendida, se afastou e posicionou a alguns metros da lava. Eu fiquei a alguns metros da fonte termal, invoquei a Venit e entrei em posição de combate. – Pronto, marica?
Apenas sorri em resposta. Protegi a espada com magia e corri na direção dela, dando um golpe vertical, ela protegeu a espada e defendeu, me afastando com a mão livre. “Isso vai ser melhor do que eu pensava.”
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